A Aposta – 14

Era por volta de 23h da noite, quando fomos ao estacionamento do clube –onde os seguranças nos guiaram, onde todos estavam acampando também – montar nossa barraca e nos preparar para aquela longa noite. 
-E pra eu trocar de roupa? –Gabriela perguntou nervosa enquanto eu montava a barraca. 
-Tem banheiros ali. 
Indiquei com a cabeça pra nossa frente, e tinham muitos. E chuveiro também, pra se caso ela resolvesse tomar banho. 
-Mas Noah, eu.. 
-Relaxa, Gabi. Vai dar tudo certo, ok? 
-OK, ok. –Ela suspirou, cruzando os braços insatisfeita e olhando em volta. 
Era bem tarde, mas deviam ter umas 30 ou 40 pessoas acampadas ali, ou seja, ao nosso redor eram apenas barracas, com as pessoas dentro, conversando, se beijando, fazendo jogos.. De tudo que se possa imaginar. 
-Você vai ficar ai, me olhando invés de me ajudar? 
-Tá, ta. 
Gabriela colocou sua mochila no cantinho junto com a minha e começou a finalmente me ajudar a arrumar aquele troço gigante. Não era as mil maravilhas, mas pra uma noite, estava bom demais.
-Podíamos ter ficado em um hotel aqui perto. 
-Você não é muito natureba, ne garota? 
-Na próxima reencarnação, você vai vir mulher. E daquelas que não bebem nada em copo de plástico. –Gargalhei, ajudando Gabriela a armar seu lado. 
-Vou te mostrar lados diferentes da vida.
-Eu já visitei a maioria. –Ela disse me olhando de cima a baixo, e rindo. 
-Você não presta. 
-Estou aprendendo com você, ué. 
Terminamos de montar bem rápido, esticamos as colchas que eu havia levado dentro, ela entrou pra testar e colocou suas coisas dentro já.
-Tudo certo ai? 
-Certíssimo. 
-OK. Vou tomar um banho e volto, certo? Toma o cadeado. Feche, ok. 
-OK patrão. –Nós rimos. 
Peguei minha mochila, tirei só uma cueca, toalha, e sabonete. Fui em direção ao vestuário do clube e procurei logo um chuveiro pra tomar banho. Eu teria que dormir, mas já sabia que a noite seria longa. 
Terminei de tomar meu banho, coloquei só a mesma bermuda que eu estava e fiquei sem camisa mesmo, levando a blusa na Mao. 
-Abre aqui por favor. –Me abaixei na frente da barraca. 
-Qual a senha? –Ouvi Gabriela dizer, rindo. 
-Anda logo, menina. –Nós rimos. 
Ela abriu depois de um tempinho, e estava bem coberta. 
-Qual seu problema? Vai ficar claustrofóbica. 
Assim que fechei a barraca de novo, me deitando ao seu lado, percebi que Gabriela só estava com roupas intimas. Só. Sem pijama, sem nada.
-Eu não uso pijama pra dormir. 
-Céus. –Joguei a cabeça pro outro lado, suspirando. 
Como que uma pessoa se controla dentro de uma barraca –espaço mínimo –com a outra ao lado, apenas de sutiã e calcinha? Jesus. 
-Ahn..Boa noite, então. –Gabriela chegou perto de mim, me deu um demorado beijo na bochecha, e logo se virou pro outro lado. 
-Boa noite. 
Por um momento ficou um longo silencio ali, só ouvíamos os grilos e cigarras cantarem. Estava quase pegando no sono, quando fui me virar, -pro lado de Gabriela –e a coberta levantou um pouco embaixo, e acabei tendo uma boa visão dali. 
Um arrepio passou pelo meu corpo todo. Ela estava me provocando, só podia. 
Acontece que eu era mestre das provocações, também. 
Cheguei mais perto dela, e comecei a beijar seu ombro, tirando seu cabelo e beijando seu pescoço. Gabriela se encolheu, rindo baixinho mas continuou imóvel. 
-Não faz isso comigo.. –Deslizei minha mão por debaixo da coberta em sua bunda e coxa, apertando-a. 
-Eu não estou fazendo nada.. –Ela sussurrou, se virando aos poucos pra mim .
-Você vai mesmo me deixar assim a noite inteira? 
Falei, indicando com a cabeça pra baixo. Ela deu uma boa olhada e percebeu o volume em minha bermuda.
-Problema seu, e do seu amiguinho. –Se virou de costas pra mim, novamente. 
Puxei Gabriela, e rapidamente fiquei em cima dela, prendendo suas pernas. 
-Só uma vez.. Vai ser rápido.. 

-Noah, eu não vou fazer isso em uma barraca. –Gabriela gargalhou –Sério, eu não.. 

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