A Aposta -2

Puck
Eu sabia que de “novinha que foi a primeira vez ao bar” aquela menina não tinha nada. 
Ela era uma cachorra na cama. Ou melhor, uma onça. 
Meu Deus, eu já fiquei com tantas mulheres desde meus 14 e eu nunca dormi tão bem com uma garota quanto essa menina que provavelmente durante a manhã de sábado nem se lembrará de quem eu sou. E eu juro, minha intenção não foi embebeda-la como fiz com a maioria das garotas. Eu embebedava as mais velhas –sou irresponsável, não um babaca –e depois metia o pé. 
Mas essa garota? Desde quando ela estava tentando se divertir –eu vi como ela dançava desajeitadamente no meio da multidão –até quando se sentou no bar e eu finalmente criei coragem pra falar com ela, me fez vê-la como uma nova experiência.
Digo, eu quero conhecê-la melhor. 
O que deixa minha consciência limpa é que foi ela quem me chamou pra cama. 
Eu nunca me esqueceria daquela cena. 
Flashback –noite passada –
Eram quase 1h da manhã e nossa conversa continuava a mesma. Mas estava melhorando. 
Eu gostava do modo que ela sorria, mesmo estando tonta e completamente fora de si. 
-Eu gostei de você. –Gabriela chegou mais perto do banco, alisando minha perna.
-Gostei de você também, garotinha. 
-Garotinha? 
-O que foi? –Eu perguntei, descontraído, rindo e me perdendo naqueles belos olhos verdes.
-Nós deveríamos nos conhecer melhor, o que acha, ein? 
-Minha casa é aqui perto. –Eu não perderia essa chance nem f* 
-O que está esperando, idiota? 
Ela levantou correndo, rindo e eu não tive outra reação a não ser correr atrás. 

Depois da nossa noite, eu pude perceber que aquela havia sido sua primeira vez com um cara.
Mas Deus, realmente não parecia.
Ela tinha um dom, ou algo do tipo, na cama. 
Era cerca de duas da tarde,do sábado, chovia bastante lá fora e eu apenas estava deitado de lado, olhando Gabriela dormir. Seu peito subia e descia a cada respiração, seu cabelo preto e longo estava levemente esparramado no travesseiro. 
E que corpo essa garota tinha! 
Levantei-me devagar para não acordá-la e fui tomar um bom banho. Eu tinha que fazer uns trabalhos pra faculdade, e principalmente, me preparar para o escândalo que Gabriela muito brevemente faria. 
Quando saí do banheiro, ela já havia acordado. Foi bem um impacto. Apenas levei minha mão a nuca, coçando ali e suspirando. Fiz um movimento com a cabeça, indicando cumprimento e ela apenas deu um sorriso bem sem graça. Estava nervosa. 
-Noah? 
-Lembra do meu nome? –Eu ri, sentando na beirada da cama. –Isso é bom.
-Mas não lembro de nada depois de você ter se sentado ao meu lado e.. Nossa, que dor de cabeça terrível. –Ela levou a mão na cabeça, franzindo o cenho. Estava bem enrolada no lençol. 
-Tem remédio na cozinha, depois você toma. 
-Então.. 
-Então? 
Gabriela riu um pouco, olhando em volta do quarto e se sentou puxando os joelhos pra perto do peito. 
-Me conte. Eu não lembro de nada. Estou pelada. E pelo visto você deveria estar também. E eu sou virgem, era.. MEU DEUS DO CÉU
-Calma. –Engatinhei pra perto dela e me sentei mais perto agora. –Nós conversamos e.. Eu não lembro demais nada, também.
Essa era a tática. 
-O QUE? –Ela se levantou, ainda enrolada na toalha. –JESUS, VOCE TRANSA COM UMA GAROTA QUE NEM TEM 18 NA CARA, ENCHE A CARA E NEM SE LEMBRA DE NADA?
-Você quem quis vir pra cá. 
-VOCE ERA RESPONSÁVEL POR MIM!
-É o que? –Gargalhei –Garota, ficou louca? Acho que já é bem grandinha pra responder por si. -VOCE SÓ PODE ESTAR BRINCANDO, NOAH!

Não sabia que pegar uma novinha ia ser tão aterrorizante assim, ein. 

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