A Aposta – 9

Gabriela colocou a xícara na mesinha em nossa frente e se virou pra mim, me beijando, devagarzinho. 
Minha mão encontrou sua cintura, enquanto a outra continuava em cima do sofá. 
-Você consegue sentir agora? –Depois de um tempo ela se afastou, sorrindo.
Não só agora eu sentia como senti desde a primeira vez que toquei naquela garota.

Segunda de manhã, voltei pra casa assim que ouvi Gabriela tomando banho e se arrumando pra ir pro colégio. Conforme eu já estava com o carro ali, deixei ela na porta, e depois voltei pra casa. E voltei a dormir, claro. 
-Ei, mano? Que diabos aconteceu contigo? 
Eu deitei a cabeça na carteira da sala de aula , e apaguei. Meu amigo, Joshua veio logo mexer comigo. 
-Nem de ressaca depois daquelas festas pesadonas, te vi assim! Qual é a garota da vez? 
-Quem tu menos espera. –Me reergui, espreguiçando-me –Só estou cansado. 
-Puts.. Ela trabalha e não te dá folga, não é? 
-Ela estuda ainda, cara.
-QUEEE ISSO! –Ele começou a rir, chamando atenção e logo parou quando o professor olhou em nossa direção. –QUE ISSO, cara! Até as novinhas? 
-É complicado.
-Eu imagino. –Fez cara de sério, e eu soquei seu braço. 
-Idiota. 
Copiei a matéria que eu tinha perdido na aula que dormi, e quando finalmente tocou o sinal pra sair, a insuportável da Caroline veio falar comigo.
Tipo.. Eu já dei uns amassos nela, mas eu não sei. Algo estava diferente entre a gente. Aliás, em mim pra ser sincero. Ela é fútil demais.
-Ei, Noah! –Ela me pegou na hora que ia sair –Quanto tempo, ein!
-Não nos vemos desde sexta passada, cara.
-É, eu sei. Mas senti sua falta. –Fez biquinho, rindo e se aproximando de mim. –Então.. O que acha da gente sair de novo? 
-Estou namorando. –Dei de ombros, e ela ouviu aquilo como ´´semana que vem, acho que dá, pode ser?´´ porque ficou me olhando com a mesma cara de antes. –Desculpe. 
Ajeitei minha mochila no ombro e saí da faculdade logo. 
Eram 22h30. Eu estava acabado.
Peguei o carro, e finalmente, estava voltando pra casa. 
Quando parei o carro no estacionamento, ao lado do prédio, percebi alguém familiar sentado nas escadas da portaria. 
Mas não liguei, até abrir o portão, e me aproximar. 
Era Gabriela. E estava com uma caixa de pizza no colo. 
-Gabi? O que faz aqui? –Ela levantou a cabeça, me olhando quando parei de frente a mesma. 
-Trouxe pizza pra você. Aposto que não comeu nada, e nem iria jantar, não é? 
-É. Agora me explica o real motivo. 
-Eu posso subir? Quero conversar um pouco. –Assenti na hora, e ela subiu na minha frente e eu atrás. 
Subimos pelo elevador, em silencio. Ela ficou o tempo inteiro de cabeça baixa, fitando o chão. Tinha algo muito errado. E com certeza, era sobre seus pais. 

-Então, me conta. 

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