A Estagiária – 1

Dei uma arrumada em meus finos (e um tanto longos) cabelos ruivos, na frente do espelho da sala de meu apartamento. Após uma última conferida no meu visual (saia longa preta, blusa branca com decote -mas uns pedacinhos de renda que disfarçavam ele- por dentro dela e um scarpin preto), um suspiro meio nervoso e uma prece silenciosa para que essa entrevista de emprego dê certo, peguei minhas chaves e sai de meu loft. 
Desci de elevador até o estacionamento de meu prédio, peguei meu carro e antes de liga-lo, conferi as horas em meu celular: 11h40. Estava adiantada, ótimo. 
Na última entrevista de emprego que fiz, há cerca de uma semana, sai atrasada de casa, cheguei suada e nojenta que nem um porco ao local e acho (só acho!) que o meu ex futuro chefe reparou e não gostou muito. Só acho. 
Agora eu estava tentando de novo, numa outra empresa de Publicidade. Eu me formei há alguns meses e consegui me sustentar por um tempo trabalhando em lojas, mas percebi que estava na hora de procurar um emprego que desse para me sustentar de verdade, digo, sem meus pais terem de pagar algumas contas ainda para mim. Apesar de ser muito grata pela ajuda deles, isso me incomoda. 
Desde os 14, quando viajei sozinha pela primeira vez e tomei um gostinho de liberdade, nunca mais quis saber de ser controlada, mandada, vigiada. Gosto de fazer as minhas coisas sozinhas e do meu jeito. 
Menos de cozinhar. Tá ai uma coisa que eu não posso (nunca) fazer sozinha, a não ser que meu loft se torne “a prova de Hanna na cozinha”, aí tudo bem. Sobrevivi as primeiras semanas morando sozinha com a ajuda de quentinhas que minha mãe fazia, eu congelava e passava semanas comendo (ótimo jeito de emagrecer, falando nisso: vá morar sozinho sem saber cozinhar!) Mas depois disso, tive que aprender a fazer macarrão, strogonoff e um miojo também, porque não dava mais, estava ficando magra demais e com pena de mamãe. 

Graças a minha mesada (a pessoa sai de casa mas continua recebendo mesada.. Quem tem 24 anos aqui? Sou eu?), consigo umas mordomias de comer na rua, vez ou outra, por isso agora me encaminhava agora pro La Mole, onde tem a melhor salada ceasar da vida, antes da entrevista.
Peguei uma mesa no cantinho, onde eu gostava, e graças a Deus o local estaria vazio, se não fosse por mim e um cara gato, moreno, de terno e gravata, sentado numa mesa mais longe da minha. 
Enquanto eu secava (pouco demais) ele, um garçom chegou e perguntou qual seria “o de hoje”. Claro que ele não estava me perguntando isso porque como aqui, no mínimo, três vezes na semana e por nós já estarmos quase que íntimos, claro que não!
-Uma ceasar salad, por favor. E uma agua. 
-Num minuto.
Depois dele se afastar, peguei meu celular de novo e fui checar uns emails aleatórios, quando comecei a ouvir uma voz grossa e bonita vir de longe que me distraiu.
Era o cara gato de terno. 
Ele falava ao telefone e mexia num notebook, estava alheio ao seu mundo todo importante de coisas de ricos empresários.
-Cara, você tem que ter umas aulas comigo.. – ouvi risadas – é, pois é. Tenho só vinte e dois anos e porra, já tô feito na vida. Digo, já me formei no colégio, na faculdade e agora tenho minha própria empresa! Quer mais? – Uma outra pausa para mais risadas – é, isso aí! A gente se fala.. Sim, é hoje. 

Vai ser minha primeira vez lá, mas não deve ser tão difícil assim, né? Valeu, cara, abraços!
Depois de ouvir aquela mini-conversa, revirei os olhos.
Que esnobe. – pensei. 
Aposto que ainda mora com os pais e que trabalha numa empresa do pai. Assim, até eu, né?
-Com licença. – o garçom voltou com minha salada, colocando-a na minha frente.
-Obrigada.
Comi, ainda prestando atenção nos movimentos daquele ricão esnobe, até se ele levantar e sair do restaurante, sem nem me notar. 
Fiquei fazendo uma hora ali dentro, minha entrevista era só uma da tarde, eu estava bem adiantada. “Já almoçou? Tudo bem por aí? Não fique nervosa. Beijos.” – olhei no visor de meu celular e vi uma mensagem de minha mãe. Coitada, ela estava mais nervosa que eu!
“Tudo bem, mãe. Estou no La Mole e já já vou para empresa, fica aqui ao lado”
“Tá bem, beijos”. 
Ri com essa mania irritante que ela tinha de mandar “beijos” no fim de cada mensagem.
Pouco tempo depois, já era minha hora.
Paguei a conta, coloquei um chiclete de menta na boca – nunca se sabe quando você está com bafo de cachorro, né – e fui para empresa. 
Só de olhar do lado de fora para aquele prédio, um suspiro ficou preso em mim. Era enorme, todo de vidro escuro e porta com maçaneta dourada. Entrei nele, fiquei na fila para entrar no elevador, e assim que o fiz, apertei o “9” com um dedo que tremia. 
Era um dos andares que pertencia a empresa, aquele era onde ficavam os escritórios.
Cheguei no andar desejado e uma assistente logo me viu na porta,, com um semblante de duvida. Ela veio ao meu encontro e perguntou:
-Posso ajudar?
-Tenho uma entrevista com Sr. Benjamin. 
-Vou avisa-lo, espere aqui, por favor. – Ela me guiou para uma sala com sofás escuros e uma mesa de centro de vidro. Tudo ali me fazia pensar em “riqueza, riqueza, riqueza”. 
Olhei em volta e me toquei que tinham outras pessoas que aguardavam também: uma loira com um piercing no septo e calças jeans desbotadas, um careca de camisa xadrez azul e um moreno de olhos 
verdes bem gato. 
Será que eram meus concorrentes?
Puta merda. 
Fiquei mais nervosa. 
-Sra.Preston? – Um cara alto, de cabelos escuros, e rosto de adolescente saiu de uma sala de vidro elegante, me chamando. 
Reconheci-o na hora: era o cara do La Mole. 
E, pelo visto, ele seria o meu chefe. 
Puta merda.

Eita.. Hanna parece estar numa furada… ou não? 
Fiquem ligados: Todas as terças e quintas vai rolar capítulo novo de A Estagiária! Porém, será só um capítulo nos respectivos dias, ok? Porque no final, vocês terão uma surpresinha… 
Besin, Besin 
Giulia

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