A Estagiária – 10

-Voce tem sorte. Eu trabalho, pratico kartismo e frequento terapia com minha mae, no tempo vago. 
-Kartismo? – franzi o cenho, ja pensando “que porra é essa?”
-Eu piloto kart, aqueles carrinhos de corrida, sabe? – arregalei os olhos. No way? – é, acredite. Um dia eu te levo na pista pra voce me ver pilotando. Já ganhei umas corridas, mas no momento, eu dirijo só por hobbie. 
-Que irado! Nem imaginava que voce fazia isso.. 
-Pois é, muita gente ainda tem essa reação quando eu digo. – riu. – nao é muito comum, né?
-Com certeza. 
Quando eu ia perguntar mais sobre ele, seu celular tocou e depois de desligar, meio incomodado, ele falou:
-É melhor eu ir pra casa. – ele disse, se levantando e pegando seu pote de sorvete já vazio. – Desculpe, queria ficar mais um pouco. 
Thomas lançou um olhar arrependido pra mim e na hora me senti mal, também. Eu também queria que ele ficasse mais um pouco. 
-Bom, entao, ok. Vou indo também. 
-Quer carona? 
-Nao, nao. Meu carro está na garagem. 
-OK. Foi bom.. isso. – falou, meio sem graça, passando a mao no cabelo. – Obrigado, Hanna. 
-Que nada, disponha. – sorri, assentindo. 
Dei as costas pra ele, ainda meio incomodada. 
Fui pra garagem do predio, peguei meu carro e já liguei ele, ligando também pra uma pizzaria que tinha perto da minha casa e que eu amava. Estava morta de fome já e como nao teria ninguem pra dividir comida comigo, uma pizza era o tipo de comida de gente solitária. 
– 
No dia seguinte, eu estava mais animada e resolvi colocar uma leggin, com um UGG – aquela bota com pelos por dentro, bem quentinha – bege e uma jaqueta vermelha. Estava bem frio, então eu nao podia apelar pra roupas mais frescas como eu havia feito no dia seguinte.Respondi a mensagem de Jeremy, que queria saber se podia me encontrar no trabalho e entrega-lo o livro que ele havia deixado aqui em casa, afirmando que estaria na empresa em pouco menos de vinte minutos. 
Entrei na garagem, peguei meu carro e subi tão no automático, que quando fui entrar no elevador, dei um esbarrão com Thomas, que saía apressado. 
-Opa, desculpa, desculpa. – Falei, timida. Ele usava o mesmo terno de sempre, com seu cabelo bagunçadinho pra cima, sempre me seduzindo. 
-Ow. – ele havia segurado em meu braço na hora do esbarrão. – Tudo bem, sem problemas. 
-Ta com pressa hoje, huh? 
-Sim. Eu tenho uma conferencia hoje, nem sei se vai dar tempo de almoçar. 
-Onde é a conferencia? 
-Na Urban Decay, é num bairro aqui perto. Quer ir?
Olhei-o por um minuto: ele nao havia se tocado ainda que eu era sua secretária, e nao amiga ou parceira da empresa?
Ri, sem graça, pensando nisso. 
-Ah. Desculpe. Força do hábito.. – ele ficou sem graça quando eu nao o respondi, apenas ri e fiquei olhando-o tipo: “serio mesmo?”. – Bom, nos vemos mais tarde. Camille vai te passar uns emails que eu quero que voce repasse, provavelmente vai levar um tempo do seu dia. Tem problema?
-Nao, claro que nao. 
-OK, entao. 
Estava quase entrando no elevador de novo, pra subir, quando Thomas me chamou e eu me virei. 
-Tem um novo “box” pra voce, lá em cima. E é perto da Camille, relaxa.
-Ah, já? – Ergui a sobrancelha, surpresa.- Obrigada, muito obrigada!
-Nada, que isso. – riu, piscando pra mim. 

Entrei no elevador – que a proposito, estava tomado por aquele cheiro maravilhoso de Thomas- e fui logo pro meu “novo box”. 

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