A Estagiária – 11

Ao chegar na sala, Ariel veio logo me encontrar e disse, bem alto: 
-Olha quem ganhou um novo espaço aqui na empresa e não trabalha aqui nem há 2 semanas! Rainha! Samba mesmo na cara da gente! – Eu ri, o abraçando. 
Todos ali naquela sala começaram a bater palmas pra mim. Gente, palmas?
-Obrigada, gente. – falei, rindo e sem graça demais. – E aí. – cheguei perto da mesa de Camille, cumprimentando-a. 
-Oi, amiga! Que que voce achou? – ela disse, apontando com a cabeça pra mesa que tinha ao lado dela, com um cercadinho em volta igual o de todos, e uma cadeira que parecia bem confortável. 
-Mara! Amei! – Sentei-me na cadeira, me sentindo. 
Reparei que colado na frente da tela do computador, que tinha em cima da mesa, tinha uns post-its, com tarefas que eu tinha que fazer durante o dia. 
-Quem pos isso tudo aqui?- franzi o cenho, perguntando um pouco alto demais. 
-Eu pus alguns, do pessoal da xerox que disse que precisava de voce pra pegar uns papeis pro patrãozao. – Ariel se pronunciou, rindo. – E outros, estavam na mesa do Thomas, que eram pra voce, e ele os deixou aí. Só colei. 
-Tudo bem, Ariel. – sorri, assentindo. – Vamos ao trabalho entao.. 
Comecei a fazer tudo e por volta de quase meio dia, parei pra tirar um descanso. 
 -Já parou? O patrão tá voltando ja já, ele mandou uma mensagem no grupo nosso da empresa, dizendo que conquistamos mais uma empresa pra servirmos propagandas, etc. 
-Grupo da empresa?
-É! Do whatsapp, rélou? Voce nao ta sabendo nao? Ninguém te colocou lá ainda?
-Nao! -fiz biquinho, me sentindo meio excluida. – Vou te dar meu numero e voce me adiciona, pode ser?
-Claro, manda aí!
Dei meu numero a ele e num instante entrei no grupo. Depois disso, me toquei que hoje ainda eu poderia ser util pra mais alguma coisa. 
Pesquisei no iFood um restaurante mais proximo e pedi um macarrão igual ao que o Thomas estava comendo, ou parecido, no dia que eu o conheci no La Mole. “Conheci”. 
Cerca de cinquenta minutos depois, a comida chegou e eu a deixei em cima da mesa de Thomas. Ele provavelmente ficaria satisfeito com isso. 
-Hanna, tem um gatinho aqui embaixo te esperando! Quem é o filé, huh? – Ariel disse, bem alto, e fiquei meio constrangida. 
Devia ser Jeremy. Certeza.
-É meu irmao, menino. – ri, pegando o livro dele em “meu box” e indo descer pra entrega-lo. 
No elevador, bem na porta, adivinha quem eu encontrei? Thomas, é claro. 
-O-Oi. – falei, olhando-o. Pelo menos nao nos esbarramos. De novo. 
-O que faz aqui embaixo? Vai comer?- Thomas perguntou, franzindo o cenho. 
-Nao.. – Acenei pra Jer que estava perto da recepcionista do predio. – Só um minuto e já subo! 
Saí da frente de Thomas e fui pra perto de Jeremy, entregando o livro a ele. 
-Valeu, mana! – ele me abraçou, beijando minha cabeça. – Depois a gente marca uma pizza.
Ele sempre dizia isso e nunca marcava. 
-Ta, ta. – revirei os olhos, sorrindo. – vai lá! 
-Beijo! 
Voltei pro elevador e vi que Thomas ainda estava lá, segurando-o pra mim. 
-Namorado? – perguntou meio grosso, notei seu tom mudar. 
-Irmão. – sorri, satisfeita.
Ele ficou sem graça e so abaixou a cabeça, sorrindo. Eu apenas olhei pra frente. Nao dissemos mais nada. 
Thomas foi direto pra sua sala e minutos depois que sentei, meu celular vibrou. 
Vi que a mensagem era de um numero desconhecido, mas logo decifrei, porque era uma foto do almoço que eu comprei pra Thomas, e embaixo, escrito: 
“voce é a melhor assistente dessa vida, Hanna. E ainda é vidente! Como sabia que eu nao ia conseguir almoçar mesmo?”
“só adivinhei… ;)” 
Sorri, satisfeita.

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