A Estagiária – 17

Segunda, acordei mais animada e esperançosa de que essa semana fosse melhor que meu final de semana.
Coloquei um jeans escura, uma camisa social branca (sim! Depois de semanas trabalhando na empresa, eu resolvo vestir uma roupa mais séria) e um sweater preto, porque o ar condicionado dentro daquela sala estava sempre na temperatura mais baixa o possível. 
Tomei um café rápido e fui pro escritório. 
Mal entrei na sala e já pude sentir um ambiente ruim. Tinha algo rolando. As pessoas estavam correndo de um lado pro outro, preocupadas, em silencio. 
-O que ta rolando aqui? – perguntei a Camille, assim que me sentei no meu box. 
-Chefe tá de mal humor hoje e a gente que paga o pato. 
Revirei os olhos. Ah, novidade. 
Que sorte a minha ter um chefe de vinte e dois anos que nao sabe separar o que acontece fora do trabalho, pra o que acontece dentro dele.
Olhei pra tela do meu computador e tinham vários post-its, de coisas que eu deveria fazer.
-Hanna, o Sr.Benjamin está pedindo que voce vá pra sala dele por um momentinho. – Isabella, a secretaria de Thom, veio me informar.
Em dias como esses, uma noticia dessas, fazia minhas pernas tremerem. 
Levantei-me com certa cautela, fui até a sala dele e depois de dois toques, entrei devagarzinho.
-Bom dia, Thomas. Posso ajuda-lo?
Ele parou o que estava fazendo, escrevendo em algum lugar, pra me olhar por um minuto. Eu odiava aquelas olhadas dele, me sentia extremamente inferior.
-Voce agora é minha assistente pessoal. Voce vai marcar minhas entrevistas, conferencias, reunioes com empresas.. Vou te passar por email todo o meu calendario, inclusive meu calendário pessoal, porque a porra da minha familia sempre está metida nos meus negocios e se tem um aniversário num dia que tem conferencia, isso significa que alguem vai morrer. – ele levantou-se e veio na minha direçao, dizendo com certo desgosto. – Está me entendendo, Hanna?
-Sim, sim. Que mais eu posso fazer por voce?
-Um café. Esse que Camille fez hoje está uma porcaria. Faça um direito. O email será enviado em instantes pra voce, com todas as informaçoes necessárias pra voce montar um novo calendário, pro mes que vem, e espero que ele já tenha todos os encontros e tudo o que eu preciso. Fui claro?
-Sim, senhor. Licença. 
Simplesmente abaixei a cabeça e saí daquela sala que estava com um espirito horroroso. Uma vibe ruim, mesmo.
Fui até a cozinha, fazer o café, e enquanto o fazia, Chris apareceu. O estagiário que ficava mais na informatica. Bonitinho. Simpatiquinho. É…
-E aí. 
-Oie. – disse eu, com um sorrisinho no rosto, de costas pra pia e encostada nela, assim que ele chegou.
-Dia dificil, huh?
-Ele faz ser dificil. Nao precisava ser. – suspirei. 
-Pode crer. Ta afim de almoçar comigo hoje? 
Nossa. Me assustei um pouco com a indiscrição dele. 
-Aham. 
-Beleza. 12h eu te chamo lá. To de carro. 
-Carro? – franzi o cenho. – temos, sei la, quarenta minutos no maximo de almoço. 
-Dá pra se fazer muita coisa nesses quarenta minutos.
Depois dessa fala dele, só pude imaginar nós dois transando no carro dele. 
Parece até que sou virgem de novo.
-Beleza. – só ri e na hora, Thomas entrou na cozinha meio puto e assim que viu nós dois ali, conversando, ele provavelmente achou que eu tava atoa, papeando.
-Estou esperando o café, Hanna. 
-E eu nao sou a cafeteira. Ainda nao está pronto o café. 
-Preciso terminar de pegar umas xerox.. –Chris saiu logo de perto da gente antes que sobrasse pra ele. 
Thomas abaixou a cabeça, meio sem graça, e se sentou na mesinha pequena que tinha ali.
-Quer conversar? – perguntei de costas, quando eu estava ajeitando a cafeteira pra ver se fazia aquilo mais rapido.
-Nao. 
-Ok.. –falei baixinho. 
Ele nao era meu coleguinha. 
Era meu chefe. 
Meu chefe.
Depois de cerca de alguns minutos, a cafeteira fez um barulhinho avisando que estava pronto. Tirei-o, pus em sua xícara –claro que o chefe tinha uma xícara só dele, gente!- e o entreguei. 
-Aqui está. Desculpe a demora. Voce quer algum biscoito.. sei la?
Thomas olhou pra mim e riu, pegando o café. 
-Voce nao é minha empregada.. domestica. Nao precisa ficar me oferecendo as coisas dessa forma. 
Dei um suspiro bem alto e insatisfeito. 
Virei-me, peguei minha xícara –claro que eu tinha uma xícara só minha, gente!- coloquei o café e fui sair da cozinha, pra começar meu trabalho, porém ele me chamou. 
-Qu..Sim? – virei-me olhando-o.
-Senta aqui e fica aqui comigo um pouco.
-Eu nao sou sua empregada domestica e nem sua psicologa. Tenho trabalho a fazer agora. 
Ergui a sobrancelha, virando-me e indo pro meu box. 
Pode dar foras assim no chefe e nao ser demitida?

Vamos ver até o fim do dia. 

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