A Estagiária – 2

-Olá. – Falei, levantando-me. 
-Venha comigo, por favor. – Ele disse, sorrindo e abrindo a porta da sala, para eu entrar em sua frente.Assim o fiz. 
Ao entrar em sua sala, me deparei com uma mesa gigante com apenas uns porta lápis, computador e cadernos em cima. Na parede em frente à ela, quadros minimalistas. Sem falar que era toda espelhada. Se depender, dava para ver o centro dali todo.
– Fique a vontade. – Ele disse enquanto passava por mim e se sentava em sua poltrona hiper acolchoada, atrás da mesa. – Sente-se, por favor.
-Claro.
Sentei-me rapidamente naquela poltrona de couro preta, disponível para mim de frente a mesa e a ele.Podia sentir o cheiro de seu 212 dali. Sou boa em reconhecer perfumes masculinos.
-Então, Hanna… – Ele pronunciou “Hannah”. Claro que pronunciou meu nome errado.
-Se fala “Ana”. O “H” não tem som. – Cortei-o e segundos depois me arrependi. 
Fui muito grossa. 
-Ah, desculpe. Hanna – Falou certo, dessa vez. – Fale-me um pouco sobre você. 
Não tinha tudo na minha ficha? – quase perguntei. Mas não o fiz, é claro. 
-Bem, eu tenho 24 anos, sou recém formada em Jornalismo e nascida e criada em Nova Jersey. 
-E o que te fez mudar pra Califórnia? – Ele disse entre um suspiro.
-A procura de uma faculdade melhor, um futuro melhor. 
-Certo.. – Parou por um momento e ficou me observando por uns segundos. – Certo.. Hum. O que pretende fazer em nossa empresa?
Fiquei alguns segundos olhando para a cara dele com cara de idiota. Sério, não era eu quem tinha que pergunta-lo, e ele me direcionaria?
Ele percebeu meu desconforto com sua pergunta e continuou a falar:
-Digo, você gostaria de ser nossa redatora, corrigir ou montar anúncios..
-Eu não pensei muito bem sobre isso ainda. 
-Já trabalhou em outra empresa de publicidade? – Pareceu mais interessado, dessa vez.
-Não.
-Tem experiência com designs?
-Não.
-Por que eu deveria te contratar? – Ele quase riu ao perguntar.
Sinceramente, eu também. 
E quase respondi: nao sei. 
Graças ao bom Deus, ele apenas assentiu com a cabeça ao notar que eu seria incapaz de responder aquela pergunta e continuou:
-O que você gosta de fazer, quando nao tem nada pra fazer? – Disse, após ajeitar um pouco sua gravata. Por um momento pensei que ele estava se sentindo meio desconfortável.
-Ler um livro ou dar uma volta na praia. 
-Qual seu gênero preferido, de livros?
-Romance, ficção, drama. 
-Hum.. – Ele fazia pequenas anotações numa pastinha enquanto falava comigo. – Tem muitos amigos?
-Alguns. O suficiente, eu diria. – Respondi sorrindo. Que tipo de perguntas eram aquelas, cara?
-Gosta de roupas coloridas? – Perguntou meio entre dentes e baixinho. 
-Perdão?
Olhei-o de cenho franzido, tentando entender se eu tinha ouvido o que eu achava que tinha ouvido. 
Ele.. 
De repente um estalo me veio na mente. 
Sua conversa com alguém ao telefone, no restaurante. Ele disse algo como “(…) vai ser minha primeira vez lá, mas não deve ser tão difícil assim, né? (…)”. Aconcheguei-me em minha cadeira. Agora eu estava entendendo tudo. Era a primeira entrevista de trabalho que ele fazia. 
Puta merda.
No momento, Benjamin me olhava com uma cara de “vai responder ou não?” e eu me toquei que havia ficado “off” por muito tempo. 
-Pode repetir a pergunta, por favor?
-Quero que você se defina em uma palavra. 
-Interessada.
Rabiscou de novo. 
-Que estilo de roupa você curte usar?
-Justas. Tons escuros. – Falei, segurando o riso.
Ele se remexeu na cadeira, incomodado. Estava mais nervoso que eu. 
-Qual seria o melhor presente para alguém dar a você?
-Livros. 
-Cor preferida?
Fiz um sinal de desdém. Aquilo estava ridículo. 
-Estou fazendo uma pesquisa de interesse para minha empresa, Sra. Preston. Responda a pergunta. – Disse meio inseguro.
-No meio de uma entrevista?
-Faz parte da entrevista. 
-Ah, é claro. É lilás.
-O que?
-A minha cor preferida. – Benjamin assentiu, corando por ter se distraído.- Algo mais?
-Acho que é só isso mesmo. – Ele se levantou, fechando sua pasta. 
Ao jogar ela em cima da mesa, sobressaiu dali uma parte de uma revista.
Uma revista de testes. 
Olhei para ele, rindo. Mas ele não notou que eu vi. 
Ainda bem, se não acho que seria despedida naquele momento.
-Nossa empresa entrará em contato com a senhora. 
-Tudo bem. Obrigada.
-Eu que agradeço. – Ele sorriu, me levando até a porta. Pareceu que foi o primeiro sorriso sincero durante todo o tempo que estivemos ali dentro. 
Ao sair dali, senti seu olhar ainda em mim.

Só não sabia se ria, ou se me inscrevia em outra empresa pra uma nova entrevista. 


Será que depois dessa entrevista um tanto quanto.. estranha, Hanna vai ser contratada?Fiquem ligados, 3ª que vem tem mais!

Besin, besin

Giulia

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