A Estagiária – 23

Eram tres da tarde quando Ariel chegou, me chamando pra tomar um café com ele na rua. Queria era fofocar, isso sim, mas aceitei de bom grado. 
-E aí, me conta.
-Jesus, vai ficar todo mundo me fazendo essa pergunta hoje? – revirei os olhos, pedindo um salgado depois disso. 
-Foi mal. Só queria saber se ele disse algo. 
-Disse nada, Ariel. Rolou nada. Aconteceu nada. 
-Que merda. – suspirou. – eu shippo voces.
-Sem essa! Pode parar. Eu ja sou confusa o suficiente pra me meter com mais gente assim. 
-Acho que voce deveria dar uma dura nele.
-Como assim?
-Sabe, chegar e “ow, qual é? Vai rola uns beijo ou o que?” – gargalhei assim que ele me imitou, tentando ser sedutor. – To falando serio, menina!
-Vou pensar nisso. Mas sei la, tenho medo dele ficar tipo “do que que voce ta falando?”. 
-AAAh mas ele vai saber bem do que que voce ta falando. – Ariel riu, piscando pra mim. – Ele ta doidinho por voce, só nao quer dar o braço a torcer.
-Será?
-Quer apostar?
-Agora. – apertamos as maos, como num acordo. – cem pratas. 
-Uau, a menina aposta alto! – ele riu, surpreso. – Cem pratas entao. 

Sexta passei o dia todo sentada, apenas reenviando emails para Thomas e me certificando de que seus próximos eventos iriam acontecer, que estavam todos confirmados. 
Na hora do almoço, nem precisei olhar pra trás pra saber que era ele chegando no escritório: o cheiro de seu 212 veio até mim antes.
-Boa tarde, pessoal. Desculpem só aparecer essa hora, tive um compromisso. – ele disse pra todos que estavam na sala. Antes de entrar na sua propria, ele parou ao meu lado, dizendo – Voce ja terminou o que precisava fazer?
-Sim, boa parte, mas está na hora do meu almoço.. 
-Eu ia justamente perguntar se voce gostaria de almoçar comigo. 
-Eu nao sei se..
-É por minha conta, Hanna. – ele falou, revirando os olhos.
-Ta bem entao.
-Me encontre la embaixo em 5.
-OK. 
Sorri alegremente. Ia comer bem e ainda ia ganhar umas cantadas, eventualmente, como sempre.Assim que ele saiu do meu lado e entrou na sua sala, olhei pra Ariel e ele estava me olhando e sorrindo, com a sobrancelha erguida, como se tivesse dizendo: “nao te avisei?”. 

Entrei no carro com Thomas e minutos depois, já me sentia embriagada com o cheiro de perfume e um pouco sem graça de só ter nós dois ali. 

-Vamos pro Otto’s, que é aqui perto. Comida japonesa, voce gosta, né?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *