A Estagiária – 26

-Bom dia. – Thomas disse, entrando todo molhado, dentro do escritório. 
-Bom dia.. – eu falei baixinho, porque ele havia passado rapido demais por mim, nao me dando a chance de falar mais nada. Suspirei, revirando os olhos.
Cade voce?” – mandei uma mensagem no privado, para Camille. 
Ela sempre chegava cedinho! 
Continuei meu trabalho e meia hora depois, Thomas saiu de sua sala, vindo falar comigo: 
-Sabe aonde está todo mundo? 
-Nao. Devem estar presos no transito, ou nao sei.. – falei, olhando-o. Ele havia tirado o paletó e estava só com sua camisa social azul, por dentro da calça jeans, um pouco molhada. 
-Cara.. A gente tá fudido. – disse ele, passando a mao por seu cabelo. – tem muita coisa pra fazer.
-Vou fazer o possível pra nao nos atrasarmos, entao. 
-Vou pegar meu computador e sentar aqui de frente pra voce. Tem problema? Já que nao veio ninguem, nao tem porque ficarmos assim.. 
-Sem problemas. – assenti, voltando minha atençao pro computador.
Era dificil me focar no trabalho com aquele cheiro de 212, o cabelo molhado e bagunçado dele, e seu jeito todo bem arrumadinho. 
Minutos depois lá estava meu chefe, gato pra caralho, sentado no box de frente a mim, trabalhando. Enquanto eu lia, respondia emails e ainda atendia ao telefone, senti seu olhar sob mim mas nao me deixei levar. 
Quando foi chegando a hora do almoço, ele disse:
-Acho que vou pedir algo pra comer aqui mesmo, voce topa, ou prefere sair?
Isso foi um ‘almoça comigo?’. Bem sutil, esse convite. 
-Pode pedir, melhor comermos aqui pra nao juntar mais trabalho. 
-Certo. E o que voce quer?
-Uma salada ceasar do La Mole, com um suco de frutas vermelhas está ótimo. 
-Tao light.. – Thomas riu, me olhando.
-Que que tem?
-Nem parece que sabe fazer miojo. – nós dois rimos. – certo. Vou pedir um spaguetti lá, também. 
Entao, ele ligou pra pedir e enquanto meu estomago roncava e eu me segurava pra nao perguntar sobre como havia sido o encontro dele e de Camille, de novo, resolvi ficar quietinha. 
-Como foi o final de semana? – ele perguntou, do nada. 
-Bom. Comi, dormi, caminhei por aí, nada demais. E o seu?
-Nada, também. Só ouvi meus pais reclamando. 
-Voce deveria sair pra fazer algo diferente nos fins de semana. Sua rotina nao vai mudar, se voce nao permitir que ela mude, sabe?
-E o que é ‘fazer algo diferente’ pra voce? Ficar andando por aí?
-É muito bom pra esfriar a cabeça e ver com clareza as coisas. 
-Voce acha que eu preciso ver com clareza as coisas?
-Talvez. –dei de ombros, olhando-o e sorrindo. 
-A gente poderia fazer algo no fim de seman.. 
Então o interfone tocou, e sabíamos que era a comida chegando. Graças a Deus! 
-Ah, ainda bem, estou faminta! – falei após Thomas atender o interfone, pedindo pro cara do La Mole subir.
-E eu. 
Depois de recebermos nosso almoço e Thomas insistir em pagar tudo, finalmente fomos pra cozinha e comemos. Por incrivel que pareça, eu me senti extremamente satisfeita com minha salada. 
Voltamos a trabalhar, meia hora depois de descanso. 
-Quer um café? – perguntei a tarde, quando meu cérebro nao conseguia mais trabalhar sem nenhum estimulo. 
-Com certeza. 
-Ja volto. 
Fui pra cozinha, mas na hora em que abri os armários, nao vi nada ali dentro. Entao, fui pra despensa e comecei a procurar o café, quando a luz acabou e eu fiquei num breu assustador ali dentro. 
-Puta que pariu. – sussurrei, tateando até chegar a porta. Coloquei a mao na maçaneta e puxei, porém ela nao abriu. – nao! Nao, nao! – puxei com mais força e nada da porta abrir. 
Provavelmente a porta é protegida pela energia, e quando acaba, nao abre mais. Que ótimo. 
Me sentei no cantinho, esperando. Nao ia adiantar ficar gritando por ajuda já que a sala de Thomas ficava bem longe dali. Esse meu dia está cada vez melhor, nao é mesmo?

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