A Estagiária – 8

– Muito obrigada – agradeci a moça loira baixinha que me entregou a pizza média sabor frango e molho catupiry com refrigerante de um litro e meio. – Só um momentinho – falei indo em direção a minha mesa e colocando as coisas, logo voltando e entregando meu cartão. – Crédito.Na primeira mordida meu celular tocou.
– Alo – disse com a boca ainda cheia.
– Hanna, que nojento, engole isso – Meu irmão Jeremy resmungou do outro lado da linha.Rolei olhos enquanto engolia.
– Fala.
– Hein, tem como você olhar aí na sua casa se eu deixei meu livro de Coaching? – ouvi ele suspirar levemente antes de continuar. – Procurei por todo lado e não achei, a ultima vez que tava com ele foi quando fui aí e prometi emprestar pro Ed – então ele pausou de novo – ah, a propósito to namorando, Ed é meu namorado.Juntei o cenho.
– O que aconteceu com a Carly? Eu gostava da Carly – já que não podia continuar comendo minha pizza, tomei um gole do refrigerante.Jeremy deu uma risada sarcástica.
– Acontece que a Carly não gostava muito de mim.
– Ble – resmunguei enquanto deitava mais no sofá.- Detestava a Carly.Ele riu pelo nariz e eu pude o imaginar balançando a cabeça.
– Só me avisa se encontrar, ok?
Concordei mesmo sabendo que ele não podia me ver.
– Tá, e me passa seu novo endereço que dai envio pelo correio se estiver aqui, pode ser?
– Aham, já te mando por mensagem, obrigado.
– Tchau.
Coloquei meu celular no sofá ao meu lado e voltei a comer.
Eu até pensei em avisar sobre o emprego mas achei melhor esperar até segunda quando tudo estiver firme e certo. Não quero dar nem ter esperanças sem concretização.
No dia seguinte consegui ir devolver a roupa da Tina antes de ir trabalhar e ainda assim cheguei sete minutos adiantada. Resultado de planejamento e uma boa noite de sono.Acontece que, ser adulta e ter um chefe é correr o risco de estar tudo bem, e de repente, nao estar mais porque seu chefe está de mau humor. E foi exatamente isso que aconteceu. 
-Bom dia. – Eu entrei na sala da empresa, dizendo pras pessoas enquanto ia em direção a sala de Thomas. 
-Bom dia, Hanna. – Respondiam em uníssono.
Dei dois toques na porta de Thomas e entrei no timing perfeito (pra nao dizer o contrario, né): ele havia acabado de jogar seu celular em cima de sua mesa, puto da vida. 
-Bom dia. – falei, meio sem graça depois de ter visto a cena e me aproximando dele. – Acabei de chegar e queria saber se posso te ajudar com algo. 
-Não. 
E foi só isso. Ele mal tinha olhado pra minha cara. 
-OK. Estarei ali fora, com a Camille, no lugar de sempre. Assim que dei as costas a ele, revirei os olhos rapidamente. Eu odiava grosseria, ainda mais quando nao tinha culpa.
-Hanna, espere. – Ele pigarreou, suspirando, antes que eu abrisse a porta. Me virei. – Desculpe. Tenho uma reuniao daqui ha uma hora com uns sócios da empresa, pra resolver novas propostas, só que minha mãe me ligou e quer que eu a ajude com compras pra reformar a casa nova dela! Porra! Eu tenho um irmão que mora com ela e tem vinte e cinco anos, PORRA, ele é mais velho que eu! E ela vem ME pedir isso! EU! Que tenho uma empresa nas mãos agora! Escutei tudo quietinha e só concordei com a cabeça. 
-Desculpe. Voce nao tem nada com isso, eu só preciso que.. 
-Eu posso ir com a sua mãe comprar o que ela precisa. Reformei meu apartamento sozinha, me dou bem com esse tipo de coisa. 
-Que? – Thomas ficou parado por um tempo, me olhando, surpreso. 
Acho que é forçar intimidade demais com o chefe pedir pra sair com a mae dele. Né?
-É. Assim você vai poder ir pra sua reunião tranquilo. Não vou fazer falta aqui, de qualquer forma. Mas se fizer, eu posso depois voltar pra cá e ficar até mais tarde, resolvendo o que for preciso. 
Thomas ergueu a sobrancelha, assentindo. 
-Pode ser. Vou pedir pra ela vir e digo que voce irá. Ela nao vai se importar, tenho certeza.
-Qual o nome dela?
-Alice. 
-OK. Eu estarei esperando por Alice. Quando ela chegar, só me chamar que eu desço. – dei um sorriso simples, me virando. 
-Hanna. – virei-me pra ele. – Obrigado. Voce nao precisava fazer isso. 
-Tudo bem. – dei de ombros. – qualquer mulher gosta de fazer umas compras. 
Thom sorriu, assentindo. 
Fui pra mesa de Camille, que me recebeu com um sorriso e com um semblante de duvida. 
-Por que ficou tanto tempo lá dentro?
-Estava só ajudando-o a resolver uns problemas. Hum, falando nisso, quer café?
-Sim, seria ótimo. 
Passei pela mesa de um pessoal que eu conhecia, que estava fazendo uns desenhos maravilhosos – eram os “designs” da empresa-, perguntei se eles tambem gostariam de um café e quando a resposta foi positiva, fui direto pra cozinha preparar.
O tempo foi certinho d’eu preparar o café, entregar ao pessoal, e entrar na sala de Thomas para entregar o dele e ele dizer:
-Minha mae está aqui. – estava meio nervoso, notei. – Ah, obrigado, Hanna. 
-Sem problemas. OK. Certo. Estou vestida adequadamente ou voce prefere que eu pegue outra roupa no estudio? – eu usava uma jeans skinny da Lev’s escura, e uma blusa branca com babados na frente, em gola V. 
-Está ótima. – sorriu, aproveitando a deixa pra me dar uma olhada de cima a baixo. – vou descer com voce, pra eu apresentar voces duas. 
-Certo. 
Thomas tomou um gole rapido do seu cafe, peguei minha bolsa e descemos. 
Na porta do predio, me deparei com uma sorridente velhinha, toda arrumada, na frente de um carro importado, acenando pra nós dois. 
-Oi, mae. – Thomas falou, beijando-a. – Essa é a Hanna, ela vai te acompanhar hoje. 
-Oi, Hanna! – ela falou, animada. – voce é a assistente do meu filho?
-Quase isso. – sorri, cumprimentando-a. – Prazer, srtª Lewis.   
-Ah, que isso, pode me chamar de Alice, querida. Temos um dia longo pela frente! 
-Boa sorte pra voces duas. – Thomas disse, sorrindo, ajudando sua mae a entrar no banco traseiro do carro. Antes d’eu entrar, ele segurou meu braço, dizendo: – obrigado por isso, Hanna. Se eu puder fazer algo em troca.. 
-Ta tudo bem. Faço as coisas de graça, porque eu quero fazer. Nao aceito recompensas. 
-Nem um sorvete?
-Um sorvete eu aceito sim, ok. 
-OK, entao. Depois que voce voltar, vem pra empresa. Provavelmente estarei aqui. – fiquei fixada naqueles olhos por um momento.
-Tudo bem. 
Nao seria um mal dia, de todo

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