A Estagiária – 9

Alice era bem legal, afinal de contas. Ajudei-a o maximo que pude, e conversamos muito sobre nossas vidas pessoais, também. A unica parte chata e que eu a achei muito esnobe, foi querer o melhor pro seu filho, dizendo: “Quero uma mulher que tenha um perfil profissional poderoso que nem meu filho, nada de empregadas ou de atendentes. Quero deixa-lo nas maos de quem vai saber gerir uma casa, empresa e quem sabe até mesmo, nossa familia”. Até porque, dinheiro nao compra felicidade. Ele pode acabar com uma mulher que tenha “esse poder todo” ao qual ela se referiu, mas nao o fazer feliz. 
Descobri que ela estava reformando a casa, porque tinha acabado de se separar do pai de Thomas, mas nao entrou no assunto e nem eu perguntei. 
Ela ficou um bom tempo falando sobre ele e foi bom descobrir tanto assim de um cara que eu só conhecia no trabalho, Alice me fez enxergar seu filho com outros olhos. 
Pagou-me um almoço -apesar d’eu ter me recusado muito, acabei cedendo, por fim- e depois, me deixou na empresa.
-Obrigada por tudo, querida. Obrigada mesmo por dispor do seu tempo pra vir me ajudar. – ela falou me abraçando, antes d’eu sair do carro.
-Que nada, Alice. Foi um prazer ter passado o dia com voce!
Desci do carro, entrei no prédio da empresa e só encontrei Thomas no seu escritorio. Também, era 18h de uma sexta feira, ele sempre liberava todos mais cedo nesse dia da semana. 
-Olá. – eu entrei em sua sala, dizendo. 
-Oi! – ele pareceu aliviado por me ver. – como foi?
-Muito bom! – sorri, chegando mais perto de sua mesa. – sua mae é um amor. 
-Ah, que bom que gostou. Tive a quem puxar. -rimos. – bom, vamos? Eu já estava acabando aqui, de qualquer forma. 
-É claro. 
Descemos rapidinho e fomos andando até uma sorveteria que tinha na esquina. Apesar de pensar que 
Thomas deveria me pagar um jantar, porque ja eram 18h, e nao um sorvete, nao disse nada. Eu era só funcionaria dele, poderia pensar errado se eu o chamasse pra um jantar.. nao é?Pedi minha casquinha preferida: de baunilha, e Thomas pediu um de chocolate, com um monte de coisa de coberta. 
-O que achou dela? – Ele me perguntou assim que nos sentamos numas mesinhas que dispuseram do lado de fora da sorveteria.Por sorte a nossa, era lua cheia e o céu estava bem estrelado. Além disso, o clima estava agradável. 
-Quem, sua mae? – assentiu, confirmando. – Ela é um amor, né? Foi bem fácil da gente chegar num consenso em tudo que ela escolhia e perguntava minha opiniao. Gostei bastante dela. 
-Ela era toda animada, adorava fazer esse tipo de compras com meu pai, sabe? – notei seu olhar ficar perdido por um momento, ao falar deles. – Por isso achei importante colocar alguém que eu confiasse no meu lugar, pra estar com ela la hoje, eu sabia que nao seria facil. 
Fiquei meio sem graça com o elogio. 
-Tem pouco tempo que eles se separaram?
-Dois meses. Assim que eu assumi a empresa, eles começaram a discutir muito sobre meu futuro. Minha mae começou a achar que meu pai só me via como um homem de trabalho, e nao mais como seu filho. O que nao deixava de ser verdade. Mas eles nao conseguiram se acertar e depois de 18 anos de casamento, resolveram se separar.
-18? Uau. – ergui a sobrancelha, surpresa. Meus pais eram casados ha apenas 10. 
-Pois é. Parecia um conto de fadas e eu acreditava muito no amor deles dois. Acho, na verdade, que ainda sao loucos um pelo outro, só que o orgulho nao os deixa ficar juntos e admitir que ambos estao errados. 
-Mas voce acha que eles correriam o risco de se separar, se fosse só por orgulho?
-Sim. Foram assim a vida toda, sabe? Agora nao ia ser diferente do que eu imaginava.
-Entendi. Eles brigavam muito?
-Mais ou menos. Dos meus quinze pros dezesseis que piorou, porque começaram a discutir sobre meu futuro e tudo mais.. Aí a coisa desandou. Agora chega de falar de mim, e a sua família? Voce mora sozinha ou com eles?
-Moro sozinha. Visito meus pais em Nova Jersey algumas vezes no mes e só. Minha vida nao é muito interessante.. meu irmão mora num bairro próximo ao meu, então eu só vejo ele com mais frequencia.
-Ah, sim. Voce só trabalha comigo, nao faz mais nada?
-Nao. – ri, envergonhada. – por enquanto. To pensando em começar umas atividades, academia, sei la, algo pra mudar a rotina.. Mas enquanto isso é só trabalho e festas. 
-Festas, huh? – ergueu a sobrancelha. – Nao sei porque, mas consigo te imaginar sendo assim..
Ele deu uma olhada em minha roupa. Todas as roupas que eu usava eram descontraídas, ao contrário das das pessoas que trabalhavam comigo: sempre usavam roupa social, ternos, etc. 

-Ah, acontece, sou uma mulher fácil de decifrar. – nós dois rimos. 

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