Eu só preciso de um

Eu não conseguia tirar aqueles olhar da minha mente.
Aquela nuca.. Até mesmo a bunda dele, que por sinal era muito grande pra ser de um menino -nada contra, mas nao é muito comum, né?-.
OK.
Vou começar do.. Início?
Comecemos pela parte que ser aluna nova tem suas vantagens. Como os meninos da minha sala disseram pra mim, é como se eu fosse “coca no deserto” ou a “filha da Megan Fox com o Ian Somerhalder”. É. Tipo isso.
Mas é mais porque quase nenhum aluno costuma entrar num colégio, no segundo ano do EM. O fluxo é mais pro primeiro ano, ou pras séries do Fundamental. Mas eu não sou uma aluna normal.
Voltamos a parte do começo. Eu me chamo Indie Monroe; que tipo de drogado na terra, coloca o nome da filha de Indie, e ainda mete um Monroe? Jesus. É. Essa é Flora, minha mãe -que já não é muito normal, mas eu superei essa parte-.
Viviamos em Oklahoma -eu, e meu irmão, Christian (18)- e estava tudo bem. Até minha mãe ter um ataque e resolver mudar. Do nada.
Disse que nossa casa trazia lembranças ruins e não era mais um ambiente familiar pra ela.
No “lembranças ruins”, ela quis dizer o Papai. Ele nos abandonou quando eu fiz 10.
Ninguém da minha familia é muito normal. Prosseguindo, viemos pra Oregon, porque é onde vovó e vovô moram, então, não estamos completamente perdidos. Mamãe comprou uma ótima casa, bem localizada e perto de meu colégio; posso ir e voltar a pé todos os dias! Mas claro que eu não faço isso, duh.
Christian tem carro, e sempre me dá uma carona pro colégio.
Certo. O ponto que eu queria, o colégio.
Tirando o fato de os garotos serem meio….observadores demais, o pessoal é bem legal. Me receberam bem, e também os professores. Sei lá. As vezes me sinto em Oklahoma de novo, e parece que tudo voltou ao normal.
Havia um garoto. É óbvio. Sempre há um garoto.
Alto, loiro de cabelinho meio raspado nas laterais e com aquele topetinho de moda -porém estiloso, juro -e muito, muito gostoso. Luke Meloni. Muito gostoso. Gostoso mesmo.
Porém, um ano mais novo. Ok, desanimou agora, né? Se prepare que ainda vem mais.
É daquele tipo de garoto que se falar “sexo” começa a rir, sem parar. É. Um tremendo babaca.
Mas seus olhos.. Ele tem um olhar..
Parece que aquilo penetra minha alma, eu sei, é loucura.
-Ow, Indie! Segura! -Ouvi Aly gritar e olhei pra cima.
Estávamos arrumando o ginásio pra Festa Junina que iria ocorrer aqui no dia seguinte.
Aly estava trepada na escada trocando umas lampadas, enquanto eu a segurava pra ela, e contava uns babados que havia descoberto sobre Luke.
Ela me passou umas lampadas queimadas, e eu passei a ela outras novas.
-Você precisa conversar com ele. Não é dificil! Fala “oi”. Ele vai te responder “oi”. -Ela disse, resmungando.
Estávamos já no meio do ano, e até agora, nada. Só olhares aqui, sorrisos ali… E nada. É que eu gosto de um jogo duro.
Ou morro de medo dele chegar em mim um dia, e eu não souber nem mais falar. OK. Ainda prefiro a primeira opção.
-E se ele não responder? Ficar tipo “por que essa novata de nome estranho está falando comigo?”
-Então, você mostra aquele lindo dedo a ele. Seu nome é lindo, e combina exatamente com você.
Meu nome tem uma descendencia meio Indigena. É. Acho que é isso. E eu sou morena, tipo Pocahontas, sabe? É. Só que sem a parte dos olhos puxados. Não. Infelizmente, não puxei eles.
-Voce diz isso porque é A Alyson Blake, femea alfa da jaula.
Aly gargalhou, quase caindo da escada. Forcei minhas mãos nos degraus, segurando-a e rimos juntas.
Eu sempre me referia a ela dessa forma. Ela está há uns (quinhentos?) anos nesse colégio e todos, t-o-d-o-s a conhecem. E é claro, todos a acham gostosa pra caralho.
Uma loira, do corpão e inteligente.. Viro até lésbica por ela.
Brincadeira. Eu realmente quero pegar o Luke.
-Eu ainda acho ele um babaca. -Ela disse, descendo da escada. -Mas já te avisei, eu tenho meus contatos. Faço ele chegar em você em segundos.
-Eu sei que ele é, Aly. -Falei, desembrulhando umas caixas embaixo da mesa e pegando umas bandeirinhas pra pendurar. -Mas não. Não quero. Quero que ele chegue em mim, por livre e espontanea vontade.
-Você exige demais das pessoas, garotinha! Voce mal conhece ele, cara. Relaxa aí. Vá pra uma festa que ele vai também, enche a cara, pega ele, aperta aquela bundinha sensacional, e pronto. Voce realiza seu feitiche.
Gargalhei.
-Que tipo de feitiche voces estão falando? -Ouvimos uma voz masculina nos fundos da quadra se aproximar. Era Thomas. Fazia umas aulas conosco, tinha nossa idade.
Na hora, eu estava abaixada ainda tirando uns acessórios temáticos da caixa, quando minha perna deu cãimbra e eu caí, sentada.
Não foi um “caí” tipo “BOOOOOOM bomba atomica”, mas foi bem claro meu tombo.
-Puta que pariu. -Thomas gargalhou, se aproximando da gente. -Por que nunca to com uma camera, pra gravar uma cena dessas? Tudo bem?
Ele era babaca as vezes. Mas era legal. E gatinho. É. A diferença dele pro Luke é exatamente essa; ele sabe que eu sou bem real, fala comigo, e bem.. É engraçado. As vezes.
-Estava tudo bem até agora, Thomas. -Falei, revirando os olhos.
Ele parou na minha frente, esticando a mão pra me ajudar a levantar. Olhei desconfiada e ele bufou.
Cedi, e ele me deu maior puxão mesmo, me levantando. Nossos corpos chega colidiram.
Mesmo depois d’eu já estar de pé, ele não se afastou de mim -e muito menos soltou minha mão-. Olhei dentro daqueles olhos castanhos e sorri, sem graça.
-Valeu. -Me afastei, sem graça.
-O que voces fazem aqui essa hora? Foram contratadas pelo colégio?
-É, substituimos você; já que nem pra empregado você ta prestando queridinho. -Aly devolveu e eu ri, pegando as coisas que haviam caído no chão, na hora que eu me “auto derrubei”.
-Voces estão muito engraçadas hoje. -Thomas chegou do meu lado, me ajudando a pegar umas coisas.
-E o que voce faz aqui essa hora? -Perguntei, olhando pra ele.
-Monitoria de Ingles. -Franzi o cenho pra ele. -Que? -Peguntou, rindo.
Thomas tinha um sorriso lindo e belos olhos castanhos, eu precisava admitir. Ele era moreno (de cabelo) – nem chegava a ter muito -, e pouco mais alto que eu. E muito, mas muito cheiroso mesmo.
-Ingles? Voce nao sabe falar?
-Assim como voce não sabe fazer conta.
Revirei os olhos.
Eu tinha uma certa (gigantesca) dificuldade em matemática. Desde quando, sei lá, eu saí do útero da minha mãe. O médico já olhou pra mim e deve ter pensado “ta fudida”. Por que é triste…
-E-Ei, eu to brincando. -Se levantou comigo, me abraçando de lado. -Voce vem amanhã que horas?
-14h, por aí -Dei de ombros. -Por que? Vão precisar de mais ajuda?
-Talvez eu precise. -Thomas sorriu, piscando pra mim, e começou a sair da quadra. -Tchau meninas, até amanhã.
Que diabos ele quis dizer com “talvez eu precise”?
-Eu senti um clima, ou? -Aly disse, juntando as coisas que faltavam.
-Voce não sentiu nada. Por que não teve nada. -Respondi na defensiva.
Ele é fofinho e legal, mas.. Mas não sei se ficaria com ele.
-Ok. Voltando pro loirinho do bundão. O que vai fazer amanhã, se ele chegar em você?
-Eu não faço ideia. -Franzi o cenho rindo, e saindo do ginásio com ela.
Saímos do colégio, e assim que entramos no carro, ela perguntou:
-Eu fiquei de te perguntar, e esqueci! Por que diabos você saiu toda puta do simulado, pro intervalo?
-Ah. Eu nem te conto. -Bufei, lembrando mais uma vez, de como Luke era babaca.
Esse simulado ia pegar o primeiro e segundo ano juntos, na mesma sala. E é claro que Luke ficou na minha sala, o destino sempre agindo, nao é?
Na hora da chamada…
-Indie Monroe. -Chamou o Sr. Heathcliff.
-Presente. -Falei em voz alta. Aquele velhinho tinha sérios problemas de audição e eu não queria ficar berrando que nem louca as 7 da matina.
Eu estava sentada num cantinho, com outro pessoal da minha turma que havia ficado na mesma sala que eu (infelizmente Aly não ficou), enquanto o pessoal do primeiro ano, estava mais pro outro lado e meio da sala.
Vi Thomas pegar um papelzinho que Luke passou pra ele rindo, e balançar a cabeça.
Então, ele (Thomas), olhou pra mim e riu. Luke ainda estava rindo, e os amiguinhos idiotas dele, também. Estavam rindo de mim. Tenho certeza.
Deixei passar, e me concentrei em começar logo a prova.
Um longo tempo depois, quando eu estava terminando, vi que o papelzinho que Luke havia passado pra Thomas, estava no chão.
Claro que eu não perderia essa. Deixei minha borracha cair -super sem querer e tal -e na hora de pega-la, pisei no papel e nela, arrastando ambos pra mim. Peguei-os disfarçadamente, guardei-os no bolso do casaco, terminei a prova e saí logo da sala.
Fui ao banheiro, abri o papel e estava escrito numa letra bem garranchada:
” -Você já morou em Oklahoma? A Indie Monroe! hahahahaha”
Aquilo foi o cúmulo.
-Que otário. -Aly disse depois d’eu contar tudo a ela. -Thomas sabe que voce viu o papel?
-Não sei, talvez não. -Dei de ombros.
-Vi vocês conversando no intervalo..
-Ele estava falando sobre o simulado, e me oferecendo ajuda pra matemática, nada demais.
-Ah. Entendi. Vocês podiam se ajudar né? Voce ajudava ele com Ingles, e ele te ajudava em matematica!
-É. Talvez.

Se ele não ficar agindo estranhamente feito hoje, pouco agora, ok né.

Cheguei na festa um pouco antes de 14h. Aly havia se atrasado e pediu pra que eu me adiantasse um pouco, assim o fiz.
Christian foi comigo, pra me ajudar a arrumar nossa barraquinha -de lanches -e quando começou a encher, logo desapareceu no meio daquela gente toda.
E era muita gente pra atender.
E eu estava sozinha.
-Tudo bem por aí? -Juro que me senti super aliviada em ouvir a voz dele.
-Thomas! Segure as pontas aqui, dois minutos, por favor? Daqui a pouco eu danço, preciso arrumar meu cabelo.
-Claro, sem problemas. -Falou entrando por trás na barraca.
-OK. Não demoro.
Saí rapidinho, e a caminho do banheiro feminino, vi alguém conhecido de costas e parei por um momento.
Era Luke.
Sussurrando no ouvido de outra garota e beijando seu pescoço. Idiota.
Entrei logo no banheiro, terminei de me arrumar, e assim que saí, eu já estava sendo chamada pra dançar.
-Achei que voce tivesse ido embora! -Aly disse dando de encontrão comigo assim que saí do banheiro. -Ei, o que há? Não está com uma cara boa..
-Luke estava com outra garota, pouco agora. -Revirei os olhos. -To fora. É isso.
-Que babaca. Ele tinha que rastejar por voce, não ficar pegando piranhas oferecidas-Aly disse e eu ri um pouco. Ela sempre chamava ele assim. -Vamos dançar, tem alguém que tá louco pra dançar com voc…
-INDIE! -Thomas chegou arfante, com um olhar desesperado.
-O QUE?O QUE ACONTECEU? QUE MERDA VOCE FEZ?
Aly riu.
-Lá em cima..Os doces.. -Ele mal conseguia respirar, parecia ter apostado corrida até o Monte Everest. -OS DOCES..
-AI MEU DEUS.
-CORRE! -Aly falou desesperada.
Saímos os dois correndo até lá em cima, a lateral do ginásio, onde estavam os doces que só eram pra descer no final da festa -ia ter uma comemoração pros ex alunos-. Só podem ter descoberto os doces e estarem rouband…
Cheguei na mini cozinha que tinha, abri a geladeira, e todos os doces ainda estavam lá.
-Você é um idiota, sabia? -Falei, fechando-a e me virando pra Thomas que entrava devagarzinho na cozinha, com um sorriso bobo no rosto.
-Eu não ia conseguir te tirar de lá de baixo, de outra forma.
-E por que voce precisaria fazer iss..
-Desculpa te interromper. –Ele parou de frente pra mim, mexendo no meu cabelo. -Eu.. Eu meio que gostei de voce, sabe? Sabe.. De verdade?
-Sei..? -Zombei dele.
-Eu to falando sério, Indie. -Sorriu. -Eu gosto de brincar com voce e te ver sorrindo, gosto quando voce fala besteira e depois se dá conta da merda que disse, aí fica sem graça. Gosto até da forma que dorme nas aulas de matemática. -Nós rimos.


-Eu tô constantemente tentando.. Eu não sei se você se sente assim como eu..


Antes de mais nada, Thomas colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e depositou sua mão em minha nuca, colando nossos lábios.


Por mais cliche que seja dizer essas coisas, mas quando nossas línguas se encontraram, foi como uma explosão de confetes dentro de mim. Foi algo tão gostoso, tão bom..
Coloquei minhas mãos ao redor de seu pescoço e acariciei a lateral de seu pescoço, não descolando nossos lábios -muito menos diminuindo o ritmo de nosso beijo-.
-Eu tentei tantas vezes fazer isso.. -Thomas sussurrou, colando nossas testas.
-Talvez eu estava muito ocupada reparando cada detalhe ou defeito seu, para me apaixonar por outra pessoa, então.. Talvez isso signifique que é recíproco-Falei, passando o indicador em seus lábios. -Me beija, de novo?
-Como se diz?
-Por favor? -Ri.
-Por favor o que?
-Você é um babaca. -Fui me afastar, mas ele segurou meu braço, me virou, e me beijou de novo.
A sensação de seus lábios nos meus era tão boa, eu não queria separa-los nunca..
-Precisamos descer. Temos que dançar. -Sussurrei, dando um selinho nele.
-Vamos. -Ele falou sorridente.
Descemos rapidinho, e Aly estava enrolando o professor que narrava a dança. Na hora que chegamos, ela nos viu e nos olhou aliviada, sorrindo.
-Achei que ia demorar anos. -Falou, se aproximando da gente.
-Sinto um dedo seu nessa história. -Sussurrei no ouvido dela.
-Talvez. -Piscou pra mim. -Você merece alguém que nota coisas em voce, não um babaca que só te paquera e não é capaz nem de perceber.
Sorri pra ela e antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, a musica começou a tocar e todos começamos a dançar a quadrilha.
Eu percebia ainda as olhadas de Luke; com certeza ele deve ter visto eu e Thomas descendo juntos. Mas eu não perderia essa oportunidade, não dessa vez.
Na hora em que todas as meninas passam pelos rapazes cumprimentando-os, passei por ele apertando sua mão e disse em seu ouvido:
-Ele podia ter sido você.
Continuei o caminho e quando paramos, inverteu. Agora os rapazes passavam, comprimentando-nos.
-Por que ainda não pode ser? -Ele disse no meu ouvido, apertando minha mão.
Depois, voltamos à grande roda e nos juntamos em uma corrente, homens por fora e mulheres por dentro.
Quando passei por Luke, sussurrei pra ele:
-Eu só preciso de um.
Ele ficou me olhando sério, e não falou mais nada, até o final da dança.
Thomas estava distraído, conversando com o pessoal, então Luke aproveitou pra me puxar num cantinho e me encurralar.
-Qual é a tua, Monroe? Voce nao queria? Agora que estou quase me rastejando pra vir até voce.. E tentar te dar o que quer, vai fingir que nem existo? -Jogou seu braço em cima de minha cabeça, se debruçando pra cima de mim.
-Eu posso fazer você rastejar por mim a qualquer momento; Que eu quiser.
Escapei por baixo e saí de perto daquele garoto.
É claro que eu ainda tenho vontade de ficar com Luke, talvez ela não desapareça nem tão cedo. Mas eu gosto de ser elogiada, gosto de saber que há pessoas que me valorizam pelo que sou, e me conhecem melhor que eu mesma.
-Tudo bem? -Thomas chegou do meu lado, me agarrando pela cintura.
-Tudo ótimo.
-Você tem alguma coisa pra fazer agora? -Balancei a cabeça negativamente. -Vamos lá pra casa, ver um filme, beber, sei lá?
Então ele deu aquele sorriso, e aqueles olhos castanhos me prenderam de vez neles. Dei um selinho nele, sem me importar com quem estava em volta, quem estava vendo, quem não estava.. Sem me importar com mais nada.
-Eu adoraria.

Apenas seus lábios nos meus me importava agora;

já que meu coração estaria sempre aberto pra ele.

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