Nosso ritmo – 14

-Ah, sério? –Dylan riu –Que isso tem a ver, Stella? 
-Em todos os meus encontros eu acabei completamente bebada sem me lembrar de nada do que tinha acontecido na noite anterior. 
-Já parou pra pensar que vai ver era por que era pra voce nao lembrar? 
Abri a boca rapidamente pra refutar sua pergunta, mas logo a fechei, suspirando. Ele tinha razao. E eu nao tinha mais nada o que dizer. 
-Nao sou de beber, mas hoje é uma noite que com certeza eu nao poderia esquecer. 
-Por que? 
-Voce uma hora ou outra ia saber mesmo, né.. –Dylan suspirou evitando meus olhos –Minha namorada morreu em um acidente de carro. 
Na mesma hora que ele mencionou isso, um frio e um arrepio passou por mim. Foi uma sensaçao inexplicavelmente nostalgica, mas eu nao falei nada. 
-Há cerca de 3 anos. E, bem, voce foi a primeira pessoa que eu saí desde então. E a primeira garota que eu converso sobre também. 
-Voce quer conversar sobre isso? Porque se nao, tudo bem… 
-Está na hora, Stella. E eu sabia que uma hora ou outra aconteceria, me entende? E eu sinto que era o que eu precisava pra seguir em frente. Eu precisava desabafar, falar tudo o que eu sentia. 
-Vá em frente. Estou aqui pra ouvir. 
-Ela era a garota mais linda da faculdade, mas também, a mais desejada. Sabe, na faculdade poucas coisas mudam em relaçao ao colegial. –Assenti –Nos conhecemos em uma festa e passamos a nos dar muito bem, sabe? Mas, como ninguém é perfeito, ela tinha muitos defeitos. E o pior, era que ela bebia demais. Até que na ultima noite dela, a gente tinha discutido por que umas amigas minhas me adicionaram no Facebook, sabia? Umas amigas antigas, do colégio. Ela ficou extremamente com ciumes e voce pode imaginar. –Assenti –Então brigamos, ela encheu a cara com as amigas, e só tive noticias dela no dia seguinte, um carro tinha caído no rio.
-Ai meu Deus. –Soltei um suspiro tremulo. –Sinto muito por isso, Dylan. 
-Eu também..A gente nao se dava cem por cento bem, mas a gente se gostava, sabe? 
Assenti, sabendo agora o porque que o que eu bebi, foi ponche. Ele nao havia colocado uma bebida alcoolica, como tinha na festa. 
-Sim, claro. 
-Perder alguém é bem dificil. Parece que voce nunca vai superar aquela saudade, aquela dor que vem todo dia pela manhã, ao lembrar que a pessoa nao vai mais estar ali, te amparando, te amando, vendo voce dar o melhor de si pra poder ajuda-la em um problema. Apenas, acabou, sabe? E é dificil acreditar no “pra sempre” nessas horas. Fiz terapia por quase um ano, e já fui parar no hospital várias e várias vezes.. 
-Voce se culpava pela morte dela, nao é? 
-Sim, cara, sim. Espera. Voce.. Voce já perdeu alguém também, nao já? 
-Sim. Eu perdi meus pais. Mas eu nao quero falar sobre isso, se importa? –minha voz ficou reduzida em um sussurro pela força daquele sentimento angustiante que vinha dentro de mim toda vez que eu tocava no assunto com alguém. –E-Eu só nao to pronta, ainda. 
-Tem pouco tempo? 
-Dois anos. –Olhei pra ele.
Dylan apenas assentiu, colocando seu braço em cima de meus ombros e me puxando pra perto dele, beijando o topo de minha cabeça. 
-Achei que nunca na minha vida fosse encontrar alguém capaz de saber exatamente como me sinto, e ainda por cima, conseguir entender. .Então, o que voce acha de darmos um mergulho?
-Que? Ficou louco? 
-Ah, qual é, Stella! Nao tá frio, e daqui a pouco todo mundo vai entrar na agua, voce vai ver.
-E eu vou voltar pra casa ensopada? Que? –Rimos.
-Voce precisa estar em casa que horas?
Notei que ele olhou rapidamente no relógio em seu pulso pra conferir. 
-00h. Por que? 
-QUE? –Dylan arregalou os olhos –Está brincando, né?
-Nao? Por que? DYLAN SÃO QUE HORAS?
-São 2h30 da manhã, Stella! Meu Deus! 
-MEU DEUS. –Levantei-me, rapidamente –Vamos, por favor? Trayce vai me matar.
Ele segurou minha mão, me ajudando a descer das pedras e assim que chegamos na beiradinha da água, Dylan me pegou no colo e começou a correr em direçao ao mar. 
-VOCE NAO VAI FAZER ISSO! ME SOLTA, GAROTO, EU CHEGAR EM CASA AGORA JÁ VOU SER UMA MULHER MORTA, MOLHADA ENTAO? MEU DEUS, EU NAO VOU PRO CÉU!
-Me conformo de não poder dançar com voce, mas nao vou me conformar se nao conseguir te fazer dar esse mergulho. 
-Que mergulho? QUE MERGULHO, FICOU LOUCO? 
Foi quando ele me colocou –já na agua –e segurou minhas mãos bem forte ao falar:
-Em todo luau as pessoas dão um mergulho. Os antigos dizem que livra a alma de maus fluidos e essas coisas. Então, vai ser como um amuleto pra quando voce chegar em casa, Trayce nao matar voce. Nao completamente.  Começamos a rir e a correr cada vez mais rapido em direção a agua, até ela me cobrir até o pescoço e o mesmo nele. Demos um mergulho ainda de maos dadas e assim que emergimos, nos demos conta de o quanto a agua estava gelada. 
-M-M-Meu Deus –Eu gaguejava, meus dentes nao paravam de bater. –G-Gelad-da D-D-Dem-m-m-a-a-is! 
-Vem, vem! 
Dylan me puxou pra perto dele e me pegou em seu colo, saindo correndo de novo, da agua. Assim que chegamos na areia, quem estava parado, de braços cruzados, de frente pra gente? 

Austin, claro. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *