Nosso ritmo – 16

-E entao? O que voce tem em mente?
Eu e Dylan fomos até a cafeteria perto do estúdio e o clima estava tão agradável que eu nem queria acreditar que dali a minutos teria de pegar pesado em um ensaio. Nao estava muito quente, havia uma leve brisa da manhã por ali, e pra melhorar o local nao estava lotado.
-Eu estava pensando em Summer Love, Justin Timberlake. Conhece, nao é? –Sugeri. 
-Sim, claro. –Ele sorriu –Nossa, é uma ótima ideia. Nao é algo bruscamente novo e tudo mais, e bem, estamos no clima de verão ainda, certo?!
-Exatamente. E com aquela batida toda vai ser bem fácil. 
-Mas.. A dança será nós dois, como um casal conforme a letra ou terá outros? 
-Só nós dois. –Ele ergueu a sobrancelha –Algum problema? 
-Nao, nao. Ahn, de forma alguma. Só queria me certificar disso. 
-Ah. Mas vai ficar bacana, nao se preocupe. 
-Tenho certeza disso. 
Dylan deu um sorriso esperto antes de tomar seu ultimo gole do café e eu ter a certeza de que nao tinha uma indireta naquilo tudo. Inclusive com a musica. E a dança. E nós dois. 

Depois de passar a Dylan uns passos e ensiná-lo uns macetes pra facilitar sua parte –já que a música era grande e a coreografia era cheia de detalhes, – conforme nosso tempo era curto, resolvi voltar pra casa pra anotar outros passos do ritmo da música e coisas do tipo. 
Ele insistiu em me levar pra casa, mas eu preferi ir sozinha mesmo, caminhando, e deixando apenas meus pés me guiarem –por mais que eu no fundo, soubesse por onde eu iria ter de passar -. Sim, na porta da casa do condenado. 
Conforme eu ia me aproximando do grande portão branco, meu coração ia acelerando e minha garganta ficando seca. Eu nao via Austin desde aquela madrugada da festa, então, acho que nao seria boa ideia encontra-lo agora, justamente agora. 
-Alga, alga, Dustin! 
Eu pude ouvir a doce voz de Ashley e aquela maravilhosa risada. Fui me aproximando e consegui ver o carro do pai de Austin, e ele e um amigo lavando o mesmo. Ashley estava no andador, brincando com a água do balde. Aquela sem dúvidas foi a cena mais fofa que eu já vi. 
E mais… quente. Austin sem camisa, só de cueca (sim, na calçada, lavando o carro do pai, e de CUECA! ) mas seu amigo, o qual eu nao reconhecia ainda, estava de cueca também. E a pequena Ashley, assistindo aquela cena toda e se divertindo. Me deu até vontade de rir. 
Tentei passar despercebida, mas era crueldade com Ash nao virar assim que ela começou a me gritar.
-Ste! Stete! Ste! –Ela batia com as mãos no andador, rindo e esticando os bracinhos pra eu pega-la no colo.
-O-Oie! –Minha voz saiu mais falhada do que eu imaginava. –Como voce tá, bebezinha? Na hora, me abaixei ao seu lado e comecei a brincar com ela, como se SÓ ela estivesse ali. Mas é claro que minha “paz” nao duraria muito tempo, né? 
-Oi, Stella. –Austin cruzou os braços, chegando perto de mim. 
-E ai. –Respondi com um sorriso forçado e –tentando – me focar só em seus olhos. –Eles estão te dando muito trabalho, pequena Ash, huh? 
-Uhum! Dustin chato! 
Ela nao conseguia pronunciar Austin, então, só chamava o irmão de Dustin mesmo. 
Austin gargalhou e falou, pegando a toalha dentro do carro pra secar suas mãos: 
-Chato mesmo vai ficar quando sua mãe te ver ensopada dessa forma, ela nao vai gostar nadinha. 
-Uh, uh.-Ela continuava batendo na agua e rindo. 
-Quer que eu troque a roupa dela? Estou seca, né..
-Nao, tudo bem. Eu e Drake já estamos terminando aqui. 
Ah, entao aquele era Drake, claro. 
-Oi Stella! –Ele sorriu pra mim, acenando do outro lado do carro. 
-Olá! 
-Como vai Jane? 
-Vai bem, eu acho. –Eu e ele rimos. –Mas ela mandou lembranças. 
-Aposto que sim. –Ele piscou pra mim e logo voltou a limpar a parte de dentro do carro. 
-Castigo? –Apontei com a cabeça pro carro. 
-Nah. –Austin franziu o cenho, negando. –Castigo de que? Fiz algo errado? 
-Sei lá. –Dei de ombros, rindo nervosamente –Imaginei que talvez fosse.. voce nunca pega no pesado sem motivo.. 
-Tem muitas coisas boas que voce ainda nao sabe sobre mim, Stella. 
-Pena que eu já sei das piores nao é? –Suspirei, me levantando. –Nos vemos por aí, Ash. –Dei um beijo em sua testa e voltei a minha caminhada pra casa.
Fazia mais ou menos uma hora depois da hora do almoço e eu nao tinha comido nada, a nao ser a torrada do café da manhã –apesar d’eu sentir meu estomago BEM cheio-. Nao sentia vontade de ir pra casa almoçar, e muito menos conversar com alguém agora. Eu precisava só de um tempo sozinha. 
Eu pensando que nessas férias poderia realmente tirar um descanso, parar pra pensar um pouco no que fazer até o final do ano.. Aí que eu estava completamente enganada. 
Primeiramente, eu sinto uma saudade absurda de Austin. – e é um absurdo mesmo, levando em conta que eu nao gosto dele – Nao, eu nao gosto e tenho certeza disso.
Segundamente, eu terei uma nacional em quase –menos- de uma semana e nao estou na expectativa de nada, como eu costumava ficar antes: super animada, cheia de planos.. 
Terceiramente, eu ando extremamente exausta. Mas exausta mesmo. Como se até aqui, eu tivesse uma rotina a seguir -e estou cada vez mais certa disso -. 
E por fim, eu nao sei realmente o que fazer. Nao sei onde ir, nao sei por onde começar com planos pro próximo ano.. Nao sei nem o que pensar. 
De início, resolvi seguir pra principal praia de Boca Raton mesmo. O tempo estava começando a fechar, e eu vi que uma forte tempestade vinha, ou seja, pra mim, nao há tempo melhor do que estar na praia essa hora. 
Cheguei na praia, sentei perto da água, mas ainda sim, na areia. Tirei minha camisa de laicra, -já que estava com meu top ainda –e fiquei sentada, observando a correnteza da água subir cada vez mais, conforme o vento aumentava. 
Até a água começar a bater no meu pé, e o vento que batia em meu cabelo já vinha com água. Eu fiquei completamente perdida em minhas memórias, apenas olhando ali pra água e vendo a tempestade se aproximar cada vez mais. 
Depois do acidente dos meus pais, nao havia nada no mundo que me fazia melhor do que isto: ir a praia quando estava prestes a vir uma tempestade. O problema foi que eu sempre ficava, até vir, e eu voltava pra casa completamente encharcada –e sempre levava reclamaçao de alguém que estivesse lá-.
E foi exatamente isso que aconteceu.

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