Nosso ritmo – 17

Quando comecei a sentir as fortes gotas de chuva cairem em meus ombros e em meu corpo, dei uma olhada no relógio e já marcavam 16:30. E eu cheguei aqui eram 13h e pouca! Como isso foi possível? Apenas me despertei de verdade quando um cara se aproximou de mim com um guarda chuva –idiota, porque o vento soprava com tanta força que seu guarda chuva já estava todo desmontado –e gritou pra mim: 
-Garota, voce precisa sair daqui! A correnteza pode subir demais hoje e alagar tudo isto aqui! Venha, vamos embora! 
-Ah, claro. 
Eu me levantei, na maior calma, peguei minha sandalinha no chão e comecei a voltar pra orla, caminhando, na maior calma. Fechei um pouco os olhos pra continuar caminhando pra casa, já que tudo quanto era vento que soprava, vinha com resto de areia ou algo do tipo. 
Mas no meio do caminho, eu vi que a via principal que eu usava pra ir pra casa estava fechada. Que beleza. O pessoal daqui sempre fechava essas vias quando vinha esses temporais, justamente pra nao continuarem com muitos carros transitando e terem risco de atolar/engarrafar e tudo mais. 
Mas voando pra casa que eu nao vou né? E o único lugar mais perto que tinha pra eu ir, era um bar, de frente a mim. Atravessei, olhei pela porta de vidro, e só tinha um grupo de meninos, umas garotas e uns velhos sentados em mesas distantes. 
Eu nao tenho outra escolha, né? 
Entrei –eu já tinha colocado minha camisa, pelo menos né, se nao ficaria mais bizarra ainda aquela situação –sentei em um dos banquinhos em frente ao bar men e pedi uma dose de vodca. 
Nao vou pedir um cafezinho né, qual é. 
E a propósito, o barmen era bem bonitinho. Novo, usava um cavanhaque, -aquela roupa de barmen (camisa social branca, uma calça preta e tinha até um coletinho por cima da camisa, muito gato mesmo!) seu cabelo combinava com um estilo meio (jornalista?) ok, nada haver, mas enfim. Era cheio, mas lisinho. Estilo John Mayer. É, tipo isso. 
Virei o copo assim que ele me deu, e deitei a cabeça no balcão, suspirando. –nao era teatrinho, juro. 
Quando eu quero que um homem venha falar comigo eu costumo beber, beber, beber e beber mais. E eu ainda estava no primeiro copo, ein. –
-Dia dificil ou foi essa tempestade que te desanimou? –Ouvi sua doce voz masculina falar a cima da minha cabeça. 
-Acho que foi os dois. 
Reergui a cabeça, apoiando-a com minha mão no balcão e dando um sorriso meio forçado. 
-Você é nova ainda pra dizer essas coisas. 
-Huh, falou o velhote. –Revirei os olhos. Odiava homem que dizia coisas assim pra mim 
-Ué, eu estou trabalhando, pelo menos. Nao estou me queixando de nada.. 
-Por enquanto, ok? A vida é sempre assim. Quando voce tá feliz demais, parece que existe um imã sabe? Tipo, “ah, que dia lindo”, aí vem um filho da puta e coloca sal no seu café. Voce vai em uma loja logo depois, comprar uma camisa nova, e pensa “meu deus, essa é perfeita” pede a atendente, e parece que ela fala de sacanagem “desculpe, nao temos seu numero”. 
-Nossa, mas alguém assim só uma mãe de santo pra dar um jeito, né? 
Eu olhei pra ele e comecei a rir, e ele riu em seguida, assentindo com a cabeça. 
-Nem uma dessas daria um jeito na minha vida. 
-Ah, qual é, dançarina. A vida nao é tao dificil quanto parece.. A gente que sempre complica ela. Claro que ele ja me conhecia. Que barmen que nao me conhece, nao é mesmo? 
-A gente já se conheceu? 
-Nossa, se com uma dose voce já esta falando essas coisas… –Gargalhei.
-Falo sério! Nao foi uma cantada. Chega de homens na minha vida. 
-Mas ein? –Ele franziu o cenho –Acho que não, hum. Só te vi na TV mesmo.
-Sério? Que azar o seu. Me viu na TV na primeira vez, e agora, em um bar nesse estado. Que lindo nao é? 
-Já conheci piores, nao se preocupe. 
-Babaca. –Revirei os olhos. –Me dá outra dose, por favor. 
-Tem certeza? 
-Me dá logo cara. 
E foi assim que começou o início de uma longa conversa, com muitas doses. De risos, de vodca, de whisky e de tudo quanto é coisa que eu podia tirar proveito dali (ops! Menos do barmen, juro!) 

Ajeitei minha cabeça no travesseiro e comecei a sentir uma dor do lado esquerdo que só Deus na causa mesmo. Respirei fundo umas tres vezes pra ver se eu ainda estava viva depois daquela “enxurrada” de doses de vodca, e sim, eu sentia meu corpo inteiro ainda. Senti também um cheiro de perfume muito familiar e foi quando me toquei. 
Desde quando eu havia ido pra casa? 
Abri os olhos assustada e vi o lugar oposto da cama vazio. Olhei pros lados e parecia que tudo estava rodando e vindo na minha direção, entao, fechei os olhos mais uma vez, suspirei, e me concentrei em focar meu olhar em um só ponto. E foquei logo em Austin, vestido de braços cruzados apoiado em sua estante, me olhando. E ele estava com uma cara nada boa. 
-Que diabos voce faz aqui? –Falei com minha voz mais rouca do que nunca.
Fiz uma força maior do que pensei que fosse necessário só pra poder me sentar na cama e poder abrir os olhos e me tocar de que a questão nao era o que Austin fazia aqui comigo, e sim, o que diabos eu fazia no quarto DELE.
-Acho que voce deve essa pergunta a mim, nao é? –Ele falou em um tom sério. 
-É. O que aconteceu? 
-Hum.. Voce quer dizer, antes de voce desaparecer completamente no meio de uma tempestade, ou durante todo mundo ficar te procurando que nem loucos por tudo quanto é lugar, ou depois que eu te achei em um bar, enchendo a cara com um monte de moleques?  
-Todo mundo ficar me procurando? Mas são.. 
-São 23h da noite, Stella. 

-MEU DEUS! 

Parece que alguém anda voltando aos velhos hábitos, huh? 

Só Austin mesmo pra salvar Stella.. Espero que estejam gostando, até quarta!

Besin, besin, Giulia

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