Nosso ritmo – 18

-SHHHH! –Austin correu pra porta e se certificou de que estava fechada. –Ninguém sabe que voce ta aqui, só Trace e as garotas.
-E por que diabos eu estou aqui então? –Cruzei os braços, brava.
-Ah, depende, voce agora quer acreditar em mim quando eu digo que podia ter vários paparazzis escondidos dentro daquele bar, te fotografando pra voce sair mais uma vez na capa da próxima revista? Ou quer que eu fantasie que eu te sequestrei e te trouxe pra cá? 
-Dá pra voce parar com isso, Butler? 
-Dá pra voce parar de fazer tanta pergunta desnecessária? Nao, melhor, dá pra voce parar de se meter em encrenca? 
-E voce já percebeu que tudo quanto é encrenca que eu “me meto” –dei enfase –voce está de um jeito ou de outro ligado nela? 
-Ah, entao quer dizer que o motivo de voce SUMIR no meio de um temporal e ir parar em um bar, encher a cara, SOU EU? Nada disso estaria acontecendo se voce tivesse acreditado em mim, Amy.
Meu corpo endureceu todo quando ele falou aquele maldito nome. Levantei-me da cama, olhei pela janela e vi que caía apenas uma fina camada de chuva lá fora. Mas eu sabia que já era mais do que a hora certa d’eu ir embora.
-Se fosse pra a gente ficar junto, estaríamos e nada disso estaria acontecendo. Mas como voce pode ver, nao é. 
Fui até o banheiro de seu quarto, lavei meu rosto e prendi meu cabelo. Vi que ele continuava parado e me olhando. Virei-me e perguntei, sem querer em um tom arrogante: 
-Vai continuar me olhando desse jeito ou eu já posso ir embora? Austin nao falou nada. Apenas assentiu, abaixando a cabeça e se sentou na cama. 
Cruzei os braços, como quem diz ´´voce nao vai me levar pra casa?´´ mas ele apenas ligou a TV, e cruzou as pernas, jogando um braço pra trás da cabeça e assistindo seu programa. 
-Voce é um idiota. 
Passei por ele, abri a janela e comecei a sair por ali mesmo, afinal, já tinha feito isso tantas e tantas vezes, nao perdi o hábito. 
-De nada por ter salvo sua carreira, te escondido, e avisado a sua treinadora que voce estava bem. Mas da próxima vez, eu nao vou mais atrás de voce, e quem vai fazer isso, vai ser seu amiguinho novo, escutou bem, AMY? –Ele gritou pela janela assim que eu já havia descido na rua. 
Comecei a correr pra casa, chorando em meio caminho. Eu sempre dava um jeito de acabar com tudo nao é mesmo? 
-Graças a Deus, voce está bem! –Trace disse aflita, assim que eu cheguei em casa. 
-É. Graças ao herói da história Austin! Sempre o herói! –Revirei os olhos. 
Quando estava quase entrando no quarto, Trace resmungou:
-Nananana mocinha! Venha aqui que precisamos conversar. 
-Mas o que? Eu só preciso dormir um pouco, Trace. Por favor, converse comigo amanhã, pode ser? Abri a porta do quarto mas Trace logo aumentou seu tom ao me chamar: -Stella. 
-OK. –Suspirei, fechando a porta e voltando pra sala. 
Me sentei no sofá e cruzei os braços, olhando pra ela. 
-Quantas e quantas vezes essa cena terá de se repetir, Stella? Quando eu achei que finalmente Dylan poderia colocar algum tipo de juízo nessa sua cabeça.. 
-Trace, eu estou bem, nao estou? Isso é o que importa. Que mais? 
-Stella, eu estou perdendo a paciencia com voce. Coisa que eu NUNCA imaginei fazer antes. Dá pra voce me escutar? 
-Desculpe. –Falei, abaixando a cabeça sem graça. 
-Eu passei o resto da tarde LOUCA procurando por voce. E teve coisa mais vergonhosa pra mim do que ter de ligar pro BUTLER e implorar a ele pra ele poder ir atrás de voce e te achar? E como eu suspeitei desde o inicio, ele era mesmo o unico capaz de te achar. 
-Por que nao ligou pro Dylan?
-VOCE FICOU LOUCA? ESSA BEBIDA ESTÁ AFETANDO SEU CÉREBRO AGORA? –Trace começou a gritar e eu comecei a realmente ficar assustada. –COMO QUE EU VOU LIGAR PRA UM GAROTO QUE ACABOU DE TE CONHECER, QUE DEVE TER ATÉ GOSTADO DE VOCE, A PONTO DE ASSUMIR UM COMPROMISSO COM A DANÇA DE VOCES, E AVISAR “ah, oi Dylan, tudo bem? Entao, voce se importa de fazer uma vista grossa em cada beco, rua, ou bar de Boca Raton porque Stella tem problemas com a bebida e costuma sair que nem uma louca e se perder, bebada por ai?”. 
Eu nao disse nada, apenas continuei de cabeça baixa, fitando o chão. 
Trace se ajoelhou de frente a mim, e falou suspirando: 
-Me desculpa, ta? Eu nao queria dar essa bronca, acho até que voce está já bem grandinha pra ter de ficar recebendo broncas, Stella. Eu sei que está dificil. Sei que voce pensou que FINALMENTE ia poder ter suas férias desejadas e tudo simplesmente caiu pelo ralo. Sei que voce ao mesmo tempo que ama vir pra cá pra descansar, também tem medo daqui. Tem medo de tudo aquilo do passado, voltar a tona. E eu te digo mais, minha querida, voce nao pode deixar isso acontecer. É. É voce quem nao pode deixar as coisas voltarem, e voce passar por tudo aquilo de novo. É voce quem conduz seu destino, docinho. 
-Entao voce acha que eu matei meus pais? Que eu pedindo pra eles virem pra cá comigo em uma viagem de verão e o carro caindo em um rio, foi culpa minha? Porque eu que quis vir pra aquela maldita daquela viagem?
-As coisas simplesmente acontecem, Stella. Mas a maioria delas, a gente pode evitar. E a gente pode evitar que você pare de beber de vez, e evite outro acidente. Outro acidente, a si mesma. E que dessa vez, seja fatal pra voce mesma. 
-Eu morri naquele rio, Trace. Eu morri naquele exato momento em que meus pais me deixaram. 
-Nao diga isso. –Trace se levantou e me deu um forte abraço, soluçando. –Nao diga isso, pelo amor de Deus. Voce nao tem noção do quanto eu gosto de voce, menina. E faço de tudo pra poder te deixar bem. Mas voce tem que me ajudar. Voce tem que parar, eu sei que voce consegue, Ste. 
-É a unica forma que eu vejo de fugir da minha realidade, Trace. Sem a bebida, eu vou desmoronar. 
-Será? Voce nao desmorou naquela noite com Dylan. Ou voce se esqueceu que voltou pra casa no meio da madrugada, mas completamente sóbria? 
-Eu lembro disso. 
-Então. Deixa essa Stella sóbria, essa Stella que eu conheci antes do acidente voltar, minha querida. Deixa ela voltar, que eu te prometo, voce nao vai se arrepender. 
-Eu amo tanto você. –Abracei forte, novamente Trace, deixando as lágrimas rolarem por meu rosto. 
-Eu também te amo, muito querida. Muito mesmo. Logo depois, Trace me levou pro quarto, tomei um bom banho, e fiquei deitada conversando com Jane. E eu prometi a mim mesma, que essa foi a ultima noite que eu teria deixado me levar dessa forma. 
Como Trace disse, a gente pode evitar muitas coisas ruins na nossa vida, e eu vou passar a evitá-las, fazendo-as tomarem o rumo certo. Pelo menos uma vez.
Boa noite, Butler. –Sussurrei pra mim mesma, pensando uma ultima vez que talvez, apenas talvez, ele seria o rumo certo das coisas.

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