Nosso Ritmo – 4

-Ei, ei, Stella, acorda. 
Ouvi a voz de Jane e senti ela cutucar minha costela enquanto eu –tentava- dormir, no meio da madrugada. Continuei de olhos fechados, vai que ela havia voltado ao sonambulismo? 
-Garota se você não acordar agora vou cortar isso que você chama de cabelo. 
Na hora me virei, assustada, abrindo os olhos aos poucos e fechando ao mesmo tempo, pra poder vê-la melhor. 
-O que é? –Sussurrei. 
-Seu príncipe encantado está jogando pedrinhas na janela há meia hora. Eu vou jogar a Tv lá embaixo se você não for ver o que esse idiota quer. 
-Que? 
Fui me levantando devagarzinho e cheguei até a sacada, ainda esfregando os olhos, sonolenta. Mas, despertei imediatamente quando vi Butler encostado na moto lá embaixo, fazendo sinal pra que eu descesse. 
-O que você vai fazer? 
-Eu não sei. -Respondi, cruzando os braços e logo depois, pegando meu celular. -Preciso ver que que esse garoto quer. 
´Ficou louco agora? O que você quer, cara?´
´´ Desce aqui, por favor? Quero conversar um pouco.´´
´´AS 3H DA MANHÃ? ´´
´Se você não descer vou continuar jogando cada coisa que eu achar aqui no jardim da sua casa na janela, até acordar todo mundo da casa.´ 
´Sim, aproveita e vê se acha seu cérebro ai caído mas invés de jogar, acha o lugar dele, ok? Você está bêbado ou andou fumando Butler? Eu não vou descer.´
E foi quando a primeira pedra foi realmente arremessada contra a sacada. 
‘VOU DESCER, OK? CONSEGUE ESPERAR 10 MINUTOS? AH, BRIGADA”  
-Onde você vai, Stella? -Jane arregalou os olhos pra mim quando viu eu me vestindo. 
-Eu? Vou tentar dar um jeito nesse garoto. 
-Boa sorte. -Ela riu, voltando pra cama. 
-Vou precisar, amiga. 
-Voce volta ainda hoje? 
-Nao sei! Tem como me cobrir amanhã? -Ela assentiu, se deitando -Te amo.  
Saí de fininho pela porta da frente mesmo e assim que dei com Austin na porta, eu empurrei seu abdomen. 
-Qual seu problema, menino? 
-E-Ei, calma ai. -Ele chegou pra trás, jogando as mãos pra cima e rindo, debochado. -Sem ignorâncias, certo? 
-Comecemos pela parte que você acordou eu e Jane as 3h da manhã. Tá, e agora? 
-Ah, Drake repoe ela depois. -Franzi o cenho -Drake, aquele meu amigo moreno, alto, sabe? -Que diabos tem ele, Austin?
-Ele curte ela. -Deu de ombros -Talvez ela goste dele. Sei lá. 
-Se for da forma que eu gosto de você, coitadinho. 
-Estou com sorte hoje então? -Ele sorriu me entregando o capacete e eu dei um tapa em seu braço -OK, parei já. 
-Pra onde vamos? 
-Você vai ver. 
Subi logo na moto atrás dele, e assim que Austin deu a partida e eu abracei suas costas, senti uma estranha sensação de conforto, segurança, algo fora do normal. E o pior, eu sempre me sentia assim quando estava com ele, mas nunca percebi de verdade. 


Estavamos seguindo pra Laguna Beach quando o principe que resgata princesas as 3h da manhã, me resolve parar no Walmart.
-Aqui? Jura? 
-Relaxa aí, resgatada. -Soquei seu braço rindo assim que descemos da moto. -Vou só comprar uma coisinha e nós partimos. Você vem? 
-Claro. Essa hora pode vir até um drogado me sequestrar.
-AS 3H DA MANHA? 
-Você é um idiota.  -Nós rimos entrando logo no supermercado. 
Enquanto Austin ia lá pra trás, perto do freezer, fiquei mais na porta, olhando os biscoitos e doces que tinham ali. Assim que ele voltou, voltou com um sorriso bobo no rosto e logo entendi o porque, quando olhei o que ele carregava nas mãos. 
Häagen-Dazs. 
O meu sorvete predileto em toda face da terra. 
-Ainda é seu favorito, não é? –Ele perguntou com um sorriso maroto quando viu minha reação e logo depois, foi direção ao caixa. 
Fiquei ao seu lado, mas logo meus olhos se dispersaram para garrafa de vodca que tinha ao meu lado. Olhei pra ela, -e parecia que ela olhou pra mim, e me chamou -e logo depois senti o olhar de Austin em cima de mim. Entao, antes que eu dissesse qualquer coisa, ele se virou pra mim, dizendo: 
-Nem pense nisso
-Por que nao? -Fiz biquinho, já pegando a garrafa e analizando-a. -Ela é tão linda.. 
-Nao quero que estrague nossa noite. 
-Voce acha que eu faria isso? 
-Voce nao, isso sim. -Ele indicou pra garrafa –Sério, Stella.. 
-Por favor, Austin! Por favor! Eu juro que nao vou exagerar. 
Olhei com piedade por um momento pra ele e me senti vencida quando ele tomou a garrafa de minhas mãos e deu logo ao atendente para ele pagar junto com o sorvete. Assim que saímos do supermercado e subimos de novo na garupa, seguimos pra praia. 
As luzes dos postes perto da orla estavam todas acesas e a lua brilhava escandalosamente no céu, bem a nossa frente quando chegamos. Haviam só uns casais caminhando, e outros bem longe de onde sentamos juntos. 
E eu pela primeira vez, notei que estava com saudade de tomar atitudes assim, também. Ou melhor, de fazer o que eu queria, só por fazer. E curtir, curtir ao máximo. 
-Sentiu falta disso, não é? 
Austin perguntou notando que eu não parava de olhar pro mar, em silencio, enquanto comia meu sorvete e ele tirava sua colher do bolso. 
-E nem me dei conta. 
-A fama tira tanta coisa da gente.. E nem percebemos. 
-Eu me pergunto se é porque a maioria foram só momentos e.. –ele se virou pra mim, e eu percebi o quanto estávamos próximos. O que me causou um estranho arrepio –Voce sabe, não era nada significante. 
-Se não significasse, você não sentiria falta. 
-E como eu não me dei conta de que sentia falta? 
-Porque você não queria sentir falta. Nunca quis olhar pra trás. Nunca quis nem reviver certos momentos pra só tirar coisas boas deles. 
-A maioria deles não trouxera nada de bom pra mim. –Coloquei mais sorvete na boca, reprimindo meu choro que estava por vir. 
-Quer falar sobre isso? 
Balancei a cabeça, negativamente, olhando pro mar, e reprimindo um choro que estava por vir. Como se entendesse uma mensagem telepática, Austin ficou bem mais próximos de mim, e me abraçou pelas costas, deitando minha cabeça em seu ombro. E foi assim que nossa madrugada começou, eu trazendo lembranças nem tão boas assim do passado a tona, mas Austin me confortando ao máximo e fazendo com que elas não doessem tanto quanto eu imaginava. 
Fazendo como se a vida não fosse tão dificil quanto realmente era, e fossemos só nós dois ali, olhando a brisa do mar ir e vir, e sentir o vento de verão acalmar a alma. 

Até a proxima!Besin, besin,Giulia

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