Sweet 16

Finalmente, posso dizer “Sweet 16!”
Claro que minha ideia de comemoração, era só algo pequeno e intimo; só pros mais chegados.
Claro que isso não aconteceu.
Não na família Parker.
Na verdade, parecia que era minha mãe quem estava fazendo 16! Ela além de estar (muito mais) animada que eu, não parava de falar sobre a festa, fazer e refazer a lista de convidados, essas coisas.
Eu só ficava deitada na minha cama, no computador, conversando com minhas amigas.
“EEEI! Como se sente futura 16?” -Sue, minha melhor amiga disse me chamando no Facebook.
“Legal. Ah, você sabe.. Só vai ser mais uma festa de aniversário que minha mãe está mais animada que eu.”
“Para com isso, menina! Praticamente metade da cidade vai estar lá, comemorando com você! Você precisa se animar! É AMANHÃ!”
“êêê!” -Respondi, ironicamente.
Quem eu queria mesmo, não iria. Na verdade, ok, eu sou uma idiota, primeiramente.
Como é possível uma pessoa ter um crush, de outro colégio, que mal deve saber da sua existencia?Pois sim, prazer, Rebecca Parker.
“Eu sei que você o quer lá. Ainda não me conformo de não te-lo chamado, quero te matar” -Sue mandou, tirando-me dos meus devaneios arrependidos.
“Ficou louca? Nós só temos amigos HOMENS em comum! Já me imaginou? Chegando num GAROTO ‘oi, chama aquele seu amigo pra minha festa?’. Ficaria hiper na cara, sue. Nem vem”.
“Que é que tem, Becca? Vai bancar a dificil agora?”
“Vou! Ele é gato. Todas querem ele. E eu também. E eu me sinto mal por isso. OK. Cabou. Fim de papo”.
“Voce ainda vai se arrepender disso, cara.”
“Vamos ver.”

Eu sabia que iria, mas não queria admitir.

Era hoje. Era finalmente, hoje!
Subitamente, acordei mais animada.
-Bom dia aniversariante! -Mamãe veio me abraçar e começou com aquele discurso “hoje é seu aniversário, mas na verdade fui eu quem ganhei um presentão há 16 anos..”blabla.
-Obrigada mãe, obrigada. -Falei logo, beijando-a e rindo.
-Seu pai saiu pra comprar nosso presente pra voce, como sempre ele se atrasou.
-Tudo bem. -Servi um pouco de café em minha xícara. -Que horas vamos pro clube?
Achou que minha festa seria em minha casa? Claaro que não!
Minha mãe fez questão de fechar o clube mais frequentado da cidade. Todo. Só pra mim.
-O pessoal deve começar a chegar 20h, podemos aparecer por lá ás 21h, o que acha?
-Tudo bem pra mim.
-Não vamos ficar lá o tempo todo. -Franzi o cenho pra ela. -Eu e seu pai.
Suspirei aliviada.
-Voces que sabem, mamãe.
-Nahh, você merece sua privacidade e curtir com seus amigos. -Ela passou por mim, beijando o topo de minha cabeça.

Agora sim a festa iria começar.

Eram por volta de 21h quando cheguei no clube. Parecia que todos me esperavam; todo mundo veio falar comigo quando cheguei. Achei tão fofo.
-Você está maravilhosa! -Sue me abraçou -Feliz aniversário, pela vigésima vez.
-Obriga, amiga. Pela vigésima vez. -Rimos.
-Vamos! Hoje a noite é sua!
Nos aproximamos da pista de dança, onde maioria já se concentrava e começamos a dançar.
As músicas eram boas -cof o DJ era um gato cof -, havia muita gente que eu realmente não esperava que viesse, mas fiquei muito feliz por ver todos se divertindo.
E eu também!
-Vou beber um pouco, já venho. -Falei no ouvido de Sue, que não diminuia o ritmo um minuto.
-OK.
Cheguei no bar, pedi um copinho de vodka (claro que era bebida liberada, achou mesmo que viria o pessoal todo, sem poder beber?ha-ha. Voce nao conhece o pessoal da California, babe) e me sentei, virada pro barmen (outro gato).
-Feliz aniversário, Becca! -Ele disse sorridente, me entregando a vodka.
-Obrigada, Rick! -Sorri de volta, virando o copo.
Finalmente, notei alguém ao meu lado, de jaqueta preta e debruçado na bancada do bar. Evitando olhar na minha cara, notei.
Mas olhei a mão cheia de pulseiras de amarrar.. reparei no cabelinho preto e meio cacheado… Ai meu Deus.
Era ele.
Era o meu crush.
Arrepiei-me dos pés a cabeça. Digo, eu congelei mesmo.
-Eu já me sinto mal por ser penetra, e você vai continuar me olhando dessa forma? -Ele se virou pra mim, rindo.
Me perdi naqueles olhos castanhos. Parece que me perdi nele todo.
-Ahn.. Não, eu.. -Ri, me acalmando. -Tudo bem. Voce veio com quem?
-Os caras. Mike, Jack.. -Justamente os que nós tinhamos amizade em comum, claro. -Legal sua festa.
-Obrigada. -Sorri -Mas voce nem parece estar curtindo muito, nao é?
-É, talvez não. -Suspirou -Ah. Sou Brad, de qualquer forma.
Ele então se virou pra mim, e me deu dois beijinhos.
-É. Eu sei.
-Sabe? -Franziu o cenho. -Digo, eu também te conhecia, mas..
-Conhecia? -Franzi o cenho e quase vomitei meu coração.
-Vamos lá pra fora um pouco? Mal consigo te ouvir.
-Claro.
Nos levantamos e Brad me conduziu lá pra fora, onde havia um banco de jardim nos fundos do clube; graças a Deus, não havia nenhum casalzinho se pegando por ali.
-Aqui está melhor. -Disse, se sentando.
-É, sim. -Me sentei ao seu lado. -Como me conhece?Sabe, não precisa inventar uma história louca só pra dizer que me conhece, por estar aqui na minha festa sem minha permissão..
-Não, não é nada disso, eu juro. -Brad disse, rindo e me olhando. -Voce é meio famosa no meu colégio.
-Ahn? Como assim?
-Os meninos lá falam bastante de voce.. Sabe, essas coisas. -Franzi o cenho. -Voce nao fazia ideia disso, nao é? -Balancei a cabeça e nós dois rimos. -É. Eu já ouvi falar de voce muitas vezes.
-É. Eu também já, de voce. -Falei, suspirando.
Aos poucos o nervosismo e a timidez estavam indo embora, graças a Deus.
-E isso é ruim?
-Não? Não. Por que?
-Pareceu meio decepcionada em falar isso.
-É.. Eu ia te chamar pra cá, na verdade. Mas fiquei sem graça, sem jeito.
-Bom, aqui estou! -Nós rimos. -Por que iria me chamar?
-Por que voce nao estava curtindo? -Perguntamos ao mesmo tempo. -Voce primeiro. -Falei.
-Eu só.. Eu.. -Brad bufou. -Eu estava me sentindo meio mal esses dias, e não estava no animo pra festa, na verdade. Mas os caras fizeram questão que eu viesse com eles, também na intenção d’eu me animar mais.. Essas coisas. -Deu de ombros.
-Te entendo. Minha mãe também pareceu mais animada que eu, pra essa festa. Não gosto de grandes coisas, tanta atenção voltada pra mim, sabe?
-Sei. Voce tem cara de ser esse tipo de menina.
Sorri e quase explodi por dentro.
-Agora me diga voce. -Ele então, se virou de lado pra mim, apoiando seu braço no encosto do banco, atrás de nós. -Por que iria me chamar?
-Sei lá, ué. Só ia chamar.
Ele me deu aquela olhada.
-Queria conhecer voce.
-Eu também queria te conhecer, Becca. Mas, voce sabe.. Com todos aqueles caras falando de voce, eu seria só mais um, pra falar de voce.
-E agora voce está falando comigo!
-É, estou. -Nós rimos. -Estou feliz por isso.
-Eu também estou.
-Sabe, é bem estranho isso. É a sua festa de 16 anos e você está aqui fora, meio que querendo saber de mim. Quando essa noite, é tudo sobre voce.
-Eu não gosto disso, como já disse. Prefiro assim.
-Voce nao quer dançar?
-Talvez.
Brad se levantou, esticou a mão pra eu fazer o mesmo, e de mãos dadas, voltamos pra festa. Abrimos caminho entre as pessoas rumo a pista de dança e assim que nos encontramos nela, começamos a dançar.
Parecia dois sonhos realizados em uma noite só: Uma festa dessa.. E uma festa dessa com Brad.
-Aí está voce! -Sue surgiu um tempinho depois, puxando meu braço. -Ahn. Oi!
-Oi. -Brad falou, sem graça pra ela.
-Entao.. Sue, Brad, Brad, Sue.
-Beleza? -Ele perguntou.
-Tranquila. -Ela sorriu, me olhando depois. (aquele olhar nao-to-crendo) -Posso roubar ela um segundo?
-Sim, sim. Estarei no bar. -Fez sinal apontando pro lado, pra mim.
-Tudo bem.
Segui atrás de Sue pro outro lado, e assim que ela parou, eu perguntei:
-Que que foi?Aconteceu alguma coisa?
-Na verdade, eu ia te falar que ele estava aqui. Mas quando te vi, não tinha reparado que era ELE dançando com voce. E nao soube o que dizer. E é isso.
-Qual seu problema, cara? -Rimos.
-Voces conversaram?
-Um pouco.
-E ele é penetra?
-Um pouco. -Ri -Voce sabe, literalmente, sim. Pra mim, não.
-Ah, eu te entendo. Escuta, Jack me chamou pra ir numa social, amanhã! O jack! E adivinha quem provavelmente estará lá, amanha?
-Brad.
-E adivinha quem vai comigo?
-Sua linda amiga que acabou de fazer 16 anos! -Nós rimos e nos abraçamos. -Vou voltar pro meu amor.
-OK. Estarei pro outro lado, conversando com o meu amor. -Ela se referia a Jack, claro.
Voltei pro bar, mas Brad não estava lá.
-Ei, Becca. -Ricky me chamou. -Brad pediu pra te avisar que precisou sair, ok?
-Ah. OK.

Claro. Eu já suspeitava.. Estava tudo bom demais, pra ser verdade.

A festa acabou por cerca de 00h, por causa do horário de fechar o clube e da vizinhança.
Sue foi pra minha casa junto comigo, e dormimos assim que chegamos, completamente acabadas.
Mas no meio da madrugada, vi meu iPhone acender e acabei despertando.
Peguei-o, -completamente aborrecida, por ser 3h da manhã e algum desocupado ter me acordado -e logo soltei um sorriso bobo.
Era Brad, me mandando mensagem.
“Está acordada? Espero que sim. Estou na tua porta. xx Brad”.
Qual o problema desse menino?
Levantei-me de fininho pra não acordar Sue, olhei-me rapidamente no espelho e ok. Eu não estava tão ruim assim.
Arrumei meu cabelo rapidinho e desci.
Encontrei Brad encostado perto de uma arvore que era praticamente do lado da janela de meu quarto (quase na lateral da casa).
-O que faz aqui? -Cruzei os braços, me aproximando.
-Sei lá. -Deu de ombros. -Pensei em passar aqui pra te ver.
-Por que foi embora?
-Minha ex namorada havia chegado na festa. Eu não queria dar de cara com ela, “sem querer”, se é que me entende.
-Sei.
-Escuta, vamos dar uma volta?
-Brad, são 3 da manhã. -Ri, prestando bem atenção no que ele estava falando.
-E daí?
-Vamos. -Suspirei.
Ele abriu a porta de seu carro pra eu entrar, e assim que fiz, ele entrou do lado do motorista, tirando logo o carro dali.
-Pra onde vamos?
-Comemorar seu aniversário.
-Que ja acabou, ne? -Ele olhou pra mim, sorrindo daquele jeito.

-A festa nunca acaba, babe.

Ele havia me levado pra praia.
As 3h da manhã.
Eu nao sabia me perguntar se estava sonhando, ou se aquilo era só loucura, mesmo.
-Fico feliz em ser voce aqui, comigo. -Franzi o cenho pra ele.
Estavamos sentados um do lado do outro, na areia, olhando o mar.
-É bem estranho, mas vamos lá. Não se assuste. -Olhei atenta pra ele. -Eu falei aquilo do pessoal do meu colégio gostar tanto de voce, e na verdade, foi pra ter uma reação sua, por que na verdade, eu é quem estou louco por voce. Há muito tempo, Becca. Mas eu me perguntava ‘como diabos vou chegar nela, sem parecer desesperado?’ porque na verdade, estava. Eu..Eu não queria te assustar. Eu sei que seria dificil pra voce, um cara que é bem falado, toda hora tem uma namorada aqui, outra ali.. mas é exatamente isso que tem me incomodado ultimamente. Eu quero alguém. Eu realmente quero alguém, só pra mim. Foi quando eu me vi perdido nos seus olhos, comecei a procurar saber as futuras festas que voce iria.. Cara, eu tenho até umas fotos suas aqui. -Ele tirou o iPhone do bolso, indicando. -Eu sei que é loucura, mas.. Cara, eu quero você.
Meu Deus do céu.
Eu não conseguia respirar.
-Brad.. -Olhei pra ele, rindo, sorrindo, quase chorando de emoção. -Você não tem noção de quanto tempo esperei ouvir isso.
-Meu Deus. -Ele suspirou e eu percebi certo alivio. -Voce nao tem noção de como eu achei que voce nao fosse dizer isso.
-Por que?
-Porque.. Voce é voce, Becca. A popular, a desejada..
-E você é o Brad! O popular, o desejado! Por que acha que tive vergonha de te chamar pra minha festa?
-É. E mesmo assim eu fui. Sou um cara insistente, sabe?
-É mesmo? -Me aproximei dele, levando minha mão a sua nuca.
-É sim. Ainda mais quando se trata de Becca Parker.
E logo suas mãos estavam emaranhadas em meu cabelo/nuca, e nossas linguas dançando uma com a outra. Era tão bom finalmente poder saber como seria seu beijo, seu toque, seus carinhos, e não foi nada que eu imaginei.
Foi muito melhor.
-Atrasado, mas.. -Ele voltou a falar (um bom tempo depois de nosso longo beijo), colando nossas testas uma na outra -happy sweet 16, babe.
Beijei-o mais uma vez, sorrindo dessa vez.
Sweet 16.

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