• A Aposta – FIM

    Gabriela 1 semana.

    Havia passado uma semana inteirinha desde quando eu dei a dolorosa noticia pra Noah. Meu irmão já sabia desde quando voltei da Flórida, e minha mãe também já sabia desde quando eu estava com ela.

    Eu passei o tempo inteiro que Noah não me procurou, não falou mais nada, arrumando minhas coisas. Eu estava decidida: iria voltar pra Flórida. Voltar pra de onde eu não deveria ter saído, há uma semana atrás.

    Eu estava confusa, não sabia o que fazer. Eu abortaria essa criança, mas eu não tenho coragem o suficiente.

    Eu criaria a criança, mas com que condições? Ainda estudo e sem um pai.. não há jeito.

    É, eu realmente não sabia o que fazer.

    -Você vai mesmo, hoje? –Eduard disse entrando em meu quarto, enquanto eu conferia minhas malas.

    -Sim. –Limpei meu rosto, as lágrimas que insistiam cair. –Eu vou.

    -Certo. está tudo pronto, já?

    -Nem sinal dele, não é?

    Eduard abaixou a cabeça, negando.

    Como ele pode, depois de tanto, fingir que nem me conhecia mais? Nem lembrava mais de mim?

    -Deixa que eu coloco isso no carro. –Ed pegou minhas malas e saiu do quarto.

    Fiquei olhando por um momento em volta, apenas guardando as boas lembranças daqui.
    Mas tudo o que eu tinha aqui, já estava acabado. Agora, era uma nova vida.

    Minha e do bebê.

    Eduard me levou até o aeroporto, e como sempre –parecia que eu atraía essas coisas, juro! –meu vôo estava atrasado.

    Estava sentada, agarrada a meu casaco, apenas olhando as pessoas em volta e tentando segurar muitas lágrimas, porque algumas ainda insistiam em cair.

    Quando ouço, a funcionária do aeroporto (aquela que informa horário do vôo, e essas coisas no auto falante) falar:

    ´´Senhorita Gabriela, a garotinha, pirralha. Quer se casar com Noah Puckerman? ´´

    Olhei de cenho franzido pra Eduard que estava se sentado ao meu lado, e ele apenas sorriu, indicando com a cabeça pra trás. Levantei-me no automático, e vi Noah, mais lindo do que nunca, vindo na minha direção.

    Ele usava uma jeans clara, um tênis branquinho e uma jaqueta preta.

    Na mão, ele vinha com uma plaquinha:

    ´´Futura Mrs. Puckerman. ´´ e vinha sorrindo.

    -Eu passei tanto tempo longe de você.. –Ele disse ao se aproximar. –Passei tanto tempo pensando em você, pensando na gente, e pensando no nosso filho. –Noah massageou minha barriga, emocionado –Eu precisava de um tempo, por mais longo que fosse.. E doloroso. Eu precisava pensar no que fazer e em como fazer isso a partir de hoje em diante. E pensar nisso me trouxe até esse aeroporto. Te pedindo em casamento, sem aliança, sem uma igreja já pronta, sem convites.. Só com isso.
    Ele tirou do bolso, dois sapatinhos de bebe, de lã.
    Eu comecei a chorar e o abracei forte, repetindo várias vezes ´´eu te amo tanto´´.

    -Eu pensei que você.. Pensei que você tivesse me esquecido. Pensei que nunca faria isso tudo… eu..

    -SShh. –Ele me calou com o indicador. –Eu nunca faria isso com o meu molequinho. –Ele disse me abraçando e me beijando –Você sabe, eu quero um garotinho.

    -Não se preocupe com isso tudo. O melhor você conseguiu fazer.

    -E o que foi? –Ele se afastou, ainda segurando em minha cintura.

    -Trazer de volta o Noah que eu me apaixonei completamente, desde aquele dia do bar, daquelas conversas fúteis, aquelas risadas.. O Noah que eu amo.

    -Então você está com sorte, porque ele voltou com um novo companheiro agora.

    Noah, tirou suas mãos de minha cintura, beijando minha barriga, e sorrindo.

    -E então, você aceita meu pedido que teve uma colaboração especial pela locutora do aeroporto?

    -Só se você me pagar um sanduíche bem grande agora. –Eu disse rindo e o beijando novamente.

    -Eu pago o Mc Donald’s inteiro pra você, gorda.

    -Mais respeito aqui, ok, Puckerman? Agora eu como por dois. –Ele gargalhou, me abraçando
    novamente.

    -Eu sei, amor.

    -Como vai ser agora? Eu vou desarrumar minhas malas, voltar pra casa e..

    -Não. Você não estava indo pra Flórida? Vamos pra Flórida, ué.

    E eu sorri ao lembrar do que minha mãe disse, ´´Quem sabe mais tarde vocês não voltam, pra cá, juntos? ´´

  • A Aposta -26

    -Entra no carro, por favor.
    Depois de um longo suspiro, ela entrou e se virou pra mim. 
    -Eu sei que você não quer falar comigo, e não vai acreditar.. Mas eu estava completamente bêbado naquela noite, Gabriela. Desde sexta quando você foi embora, tudo que eu sabia fazer era encher a cara, pra tentar cobrir aquela saudade toda que eu estava de você, me entende? Eu queria te ver logo, te abraçar, e sei lá.. Dizer que esta tudo bem apesar d’eu saber que nem tão cedo pode ficar. 
    -Você gravou esse discurso desde que horas? –Ela riu, me olhando. 
    -Eu sabia que não seria fácil te convencer.
    -Sim, nisso você acertou, pelo menos. 
    -Me perdoa, Gabriela.. –Minha voz falhou e eu fitei o chão, voltando a olhar pra frente, e ligando o carro –Me perdoa. Eu quero tanto você de volta pra mim, eu preciso tanto de você.. 
    -Imagina se depois dessa merda toda que eu fiz, eu tivesse saído pra encher a cara? E ficado até mesmo com aquele cara da lanchonete? 
    -Você não faria isso. 
    -É exatamente assim que eu to me sentindo agora. Completamente decepcionada.
    -Nós nos decepcionamos. Vamos nos dar outra chance, Gabriela, nós podemos fazer isso.
    -A questão não é poder. Será que merecemos mesmo uma segunda chance? Depois de tanta sujeira, tanta mentira, tanta… 
    -Quem ama não abandona, Gabriela. E é por isso, que eu estou aqui, quase que de joelhos tentando te convencer do quanto –Eu parei. 
    Eu não sabia se conseguiria dizer aquilo novamente. 
    -Do quanto o que, Noah? 
    -Do quanto.. Do quanto pode valer a pena nós ficarmos juntos novamente. 
    -Eu não sei. –Ela disse com uma voz rouca, olhando pela janela –Não sei.
    Ouvi seus soluços, e Gabriela começou a chorar. 
    Na hora eu parei o carro em frente a sua casa, e perguntei, afagando sua coxa : 
    -O que aconteceu, Gabriela? Por que está chorando? 
    Ela olhou pra mim, tremendo. Ela estava transtornada, vi medo em seus olhos. 
    -Noah, me desculpa, eu não queria isso.. 
    -Você não tem que se desculpar, linda.. –Afaguei seu rosto com minha mão, engolindo em seco –Eu estou aqui, se lembra? 
    -Não, não é isso, Noah.. –Ela suspirou, tirando minha mão de seu rosto. –Noah.. 
    -Fala logo o que aconteceu, Gabriela. 
    -Eu estou grávida. 
    Meu corpo todo parou. Parecia que eu tinha levado um soco agora. Se bem que com um soco, eu ainda teria como reagir, ainda teria esse pensamento. Mas com essa notícia, nada disso aconteceu. Eu não sabia o que pensar, muito menos o que falar. Eu não esperava isso de forma alguma.
    Gabriela apenas me olhou e assentiu, se controlando um pouco mais. Ela abriu a porta, e saiu, entrando em casa. Não disse mais nada. Nem eu. 
    O que eu teria a dizer num momento como esses? ´´parabéns, amor?´´ (?) eu engravidei uma garota de 17 anos, cara.
    E pior, eu não queria.
    Mas eu amo essa garota. 

    Droga, cara. É isso. Eu a amo. 

  • A Aposta – 25

    Gabriela deve estar transtornada, completamente acabada. 
    -É, cara.. Nem eu. E acho que nem ela. Ela só chegou aqui aos prantos e disse que ia embora, porque não aguentava mais.. Acho bom você procurar ela e vocês se acertarem. De novo. 
    -Por que eu faria isso? 
    -Ah, meu irmão, tem um bom motivo pra isso. E como tem. Mas você é louco por ela, eu sei que é. Vamos logo.. Vocês precisam conversar.
    -Estou indo pra aí.
    -NÃO, NÃO FAÇA ISSO. Nossa, se você aparecer aqui ela te joga fogo, cara. –Nós rimos um pouco –Vá amanhã no colégio e vocês conversam, pode ser? 
    -E o que me garante que ela não vai arrumar uma confusão na porta do colégio? 
    -Acredite. Ela não vai. 
    -Certo. Acalma ela aí, e eu me resolvo por aqui, ok? 
    -Ok. E vê se dorme bem longe de uma garrafa de álcool ok, irmão. 
    -Ok cara, pode deixar. –Nós rimos –Obrigado por tudo, cara. Obrigado mesmo. 
    -Que nada. Amigo é pra isso. Tamo aí.
    Desliguei, tomei um bom banho e fiquei pensando em tudo isso. 
    Eu não acredito que magoei Gabriela dessa forma.. Que me deixei levar por tão pouco. 
    Ela deve agora estar pensando que enquanto estava na Flórida, com saudades e louca pra voltar, eu estava aqui, pegando todas. 
    Quando na verdade estava bebendo pra amenizar a saudade de seu corpo, de seu cheiro, de seu sorriso.. Ah, meu Deus, o que aquela garotinha estava fazendo comigo? 
    -Oi. –Eu disse assim que saí do banho, só de bermuda e Sasha me esperava sentada na beirada da cama, já pronta.
    -Noah.. 
    -Olha, eu não sei o que aconteceu –Estendi meu braço, já dizendo –E nem quero saber. Só sei que foi um TERRÍVEL acontecimento, ok? E não era pra ter, sem duvida, não era pra ter acontecido. 
    -Deveria ter pensado isso antes de encher a cara e me ligar.
    -Sem essa, Sasha. Eu me conheço autosuficiente o bastante pra saber que você deve ter se aproveitado do momento e agora vem atirar pedra em cima de mim. Não vem, mesmo. Pega suas coisas, e dá o fora daqui o mais rápido possível. Foi muito bom te ver, mas enquanto você esta vestida. 
    Ela apenas se levantou, bufando, pegou sua bolsa e saiu logo dali. Eu precisava de um bom tempo, sozinho e pensando. Como eu faria pra poder conversar com Gabriela. 

    A noite foi conturbada. O desejo por bebida era maior que eu, mas em momento algum cedi. O foda veio de madrugada, os pensamentos não saiam de Gabriela.
    Não aguentava pensar mais nela chorando e completamente decepcionada comigo. 
    Segunda feira logo chegou e eu passei o dia angustiado por chegar na hora e eu buscar Gabriela no colégio. 
    Parecia que as horas passavam devagar pra provocar, eu me segurava a cada minuto pra ligar logo pra ela.
    Eram por volta de 12h e pouca, quando finalmente tomei meu banho, me arrumei, peguei meu carro e fui pra porta daquele colégio rezando pra que ela não fizesse escândalo. E me ouvisse. 
    -Você sabe muito bem que ela não vai falar com você. –Sua amiga Taylor me viu parado do outro lado da calçada e se inclinou na porta, falando. 
    -Não custa nada tentar, não é? 
    -Ela está realmente chateada, Puck. Você a magoou muito. 
    -Mas quem estava me magoando desde o inicio, era ela mesma, não era? –Ela suspirou, saindo da frente do carro, e gritando por Gabriela que saia na hora. 
    A vi vindo e ela se despediu da amiga, e assim que atravessou, Gabriela se inclinou na janela, dizendo: 

    -O que você quer? 

  • A Aposta – 24

    -Nunca falei tão sério assim na minha vida. Te deixo no aeroporto agora. Vamos? 
    -Meu Deus! É claro, é claro! –Respondi, animada. 
    Subi, arrumei minha mala correndo, tomei um bom banho e troquei de roupa. Eu iria voltar pra Nova York, e fazer o que eu deveria ter feito antes de vir pra cá. 
    Eu precisava consertar as coisas com Noah. 

    -Que diabos você faz aqui, pirralha? –Eduard perguntou assim que me viu entrando em casa. 
    Saí da Flórida eram 8h da manhã. O vôo atrasou, acabei chegando em NY 13h. 
    Estava morta de cansada. 
    -Eu preciso tanto conversar, Ed. –Joguei minha mala no chão da sala e me sentei no sofá ao seu lado 
    -Fala aí, po.
    Contei tudo em mente a Eduard. Ele quase quis me matar –feito Noah, mas, normal –ele me deu uns conselhos e disse o que falar pra Noah. 
    Depois de muita conversa, subi pro meu quarto, tomei um bom banho e troquei de roupa. Peguei um táxi de frente a minha casa mesmo, e fui pro apartamento de Noah. 
    Seu porteiro me deixou subir, já que ele me conhecia. Quando cheguei, encontrei sua porta entreaberta. Estranhei, mas logo entrei. A casa estava silenciosa, Noah devia estar dormindo ou tomando banho mesmo. 
    Fui até seu quarto devagarzinho, mas a porta estava bem escancarada e eu não precisei entrar pra ver aquela cena. 
    Noah estava deitado de costas, coberto apenas pelo lençol, e do seu lado, deitado em seu braço, Sasha. Enrolada no lençol, também. 
    Engoli o choro e a raiva de querer pular em cima dos dois e espancar aquela vagabunda. Saí de fininho daquela casa, e quanto cheguei na rua, as lágrimas amargas desciam pelo meu rosto. 
    Por que ele foi fazer isso com a gente, cara? 
    Voltei pra casa e cheguei batendo a porta e gritando, de tanta raiva.
    -WOW,WOW,WOW! –Eduard desceu correndo, antes que eu jogasse tudo no chão –Que diabos aconteceu, Gabriela? 
    -ELE ESTAVA .. ELE –Eu não aguentei e caí no chão, de joelhos, chorando. –NA CAMA! NA CAMA! COM AQUELA VAGABUNDA, EDUARD, AQUELA VAGABUNDA..
    -Ei, ei, ei.. Calma, calma –Ele correu pra mim, me abraçando –Calma.. que vagabunda, cara?
    -AQUELA SASHA, AQUELA RIDÍCULA! MEU DEUS DO CÉU! EU NÃO ACREDITO QUE ELE FEZ ISSO.. ENQUANTO EU PASSEI O FINAL DE SEMANA INTEIRO PENSANDO NELE, QUERENDO VOLTAR LOGO PRA ELE, ELE FAZ ISSO COMIGO? Eu não acredito, eu não.. 
    -Gabriela, se acalma, ta? Noah andou bebendo esses dias, ele me contou que não estava nada bem! Ele pode muito bem ter ficado bêbado e.. 
    -ISSO NÃO É MOTIVO! NÃO É RAZAO! NÃO.. –Levantei, limpando meu rosto e subindo pro meu quarto –EU VOU EMBORA DESSA CASA, VOU EMBORA DAQUI, EU NÃO AGUENTO MAIS SER HUMILHADA, SER PISADA, EU NÃO AGUENTO!
    Fiquei deitada na cama, e acabei pegando completamente no sono enquanto chorava. –
    Acordei com a droga de meu celular tocando, quando o peguei, me assustei; já passavam das 14h da tarde. E já era domingo. 
    Mas me assustei mais ainda quando vi Sasha do meu lado. 
    Levantei-me rápido com o telefone e fui pro banheiro. 
    -Oi, cara. –Era Eduard.
    -E ai, acordou agora, não foi? 
    -Exato. Que rola? 
    -A noite foi agitada por ai, ein? –franzi o cenho, me olhando no espelho. 
    Era o terceiro dia que eu acordava com uma enxaqueca daquelas e pior de tudo: não me lembrava de nada da noite anterior. 
    -É o que? 
    -É, você nem deve se lembrar ne? –Suspirei –Minha irmã chegou mais cedo de viagem, toda empolgada pra te ver. –meu coração ficou apertado e o pior veio em minha mente. –Ela foi até ai e bem, não gostou muito do que viu. 
    E o que eu pensei estava certo.
    -Meu Deus do céu, não acredito nisso. –Soquei a pia. 

    Como eu pude me deixar fazer isso? 

  • A Aposta – 23

    -Eu não saberia o que fazer. –Ela sussurrou, voltando a chorar.
    -É exatamente isso que eu temo. Por que você foi fazer isso comigo, Gabriela? –Soquei o volante, engolindo as lágrimas e a dor de traição que eu sentia. 
    Parei o carro em frente ao aeroporto, e ela apenas olhou pela janela, e depois, voltou a olhar pra mim: 
    -Eu preciso ir.. Você sabe. Ela precisa de mim agora. Eu devo voltar semana que vem.. será que a gente pode conversar? 
    -Até você voltar já vai ter passado um tempo. E a gente conversa, ta? A gente conversa. Eu só preciso desse tempo. 
    -Tudo bem. 
    Ela suspirou, ajeitou a bolsa, e no momento que abriu a porta, eu segurei-a pelo braço, puxando-a pra perto de mim, e beijando-a. 
    Deixei todo o rancor e o ciúmes ir embora, apenas senti aquele beijo. E aproveitei cada segundo. Passei minha mão pra sua nuca, e ela logo me abraçou bem forte depois do beijo. 
    -Eu não saberia o que fazer se não tivesse te conhecido, Noah. –Ela sussurrou, enquanto nos abraçávamos. –Obrigada por tudo. 
    -Faça uma boa viagem. 
    Dei um sorriso forçado, e ela saiu do carro. Quando entrava no aeroporto, ela se virou, deu um sorriso bem fraco e deu um ´´tchauzinho´´. Assenti com a cabeça e sorri, já ligando o carro e indo embora dali. 
    E mesmo segundos depois, parecia que eu tinha deixado uma parte de mim no aeroporto. 
    -Gabriela’s POV:-Mamãe, o que você faria se tivesse iludido uma pessoa, e no final, acabou se apaixonando por ela? E tivesse algo que te prendesse a ela ainda ? 
    -Eu não sei, Gabi. –Mamãe disse ajeitando sua bolsa logo quando chegamos na Flórida. 
    Depois de longas horas de voo. 
    -Acho que.. Tentaria conquistá-la, novamente. Ou algo do tipo. Por que diz isso? 
    -Nada. Só pra saber.
    -Filha.. Eu me separei do seu pai, porque o tempo não foi tão bom pro nosso casamento como imaginamos. Mas eu estou aqui, eu estarei sempre aqui pra você. Me conte o que houve? 
    -Eu errei feio com Noah, mamãe. E eu acho que amo ele. 
    -Acha que ama? –Ela riu um pouco –Filha, você só tem 17 anos.. 
    -Mas eu tenho sentimentos, mamãe. E Noah tem 20. Ele já é um homem, né mamãe..
    -É, eu sei. Gostei daquele rapaz.
    -Eu também, mamãe. Eu também. 
    Fomos em silencio até seu apartamento, e assim que chegamos, apenas tomei um banho, desfiz minha mala, e fiquei conversando um pouco com minha mãe.
    Tentando contar qualquer coisa pra ela, sendo do colégio, ou das meninas.. Mas minha mente não parava de pensar em Noah. 

    O final de semana inteiro foi isso. Eu saia com minha mãe, conversávamos, mas no final das contas, ele não saia da minha cabeça. 
    Até no domingo, minha mãe assim que eu acordei e estava tomando café, dizer: 
    -Por que você não vai embora hoje? 
    -C- Como assim mãe?
    -É, ué. Você errou, e gosta desse rapaz. Não tem o que perder aqui, meu amor. Volte hoje pra Nova York, e se acerte com ele. Quem sabe mais tarde vocês não voltam pra cá juntos? 
    -Mas mãe, eu vim ficar com você e.. 
    -Acabou falando dele o final de semana inteiro. –Ela riu um pouco desconfortável, percebi. –Eu sei que tentou não tocar no assunto que envolvesse ele, meu bem. Mas é maior que você. Eu entendo isso. Já passei por isso. E como conselho de mãe, peço pra que volte hoje. Agora mesmo, se quiser.

    -Nossa, mãe, está brincando não esta? 

  • A Aposta -22

    Dei um vacilo e ela se afastou, correndo. Gabriela chorava muito, ela apenas pegou sua bolsa, e foi embora.

    Eu nunca havia gritado, ou quase batido em uma mulher. Nunca me descontrolei dessa forma. Destruí a sala inteira com essa raiva que ainda percorria meu corpo. A raiva dela, e a raiva de minha ridícula inocência.

    Fiquei sentado no sofá, olhando pro nada e pensando. Acabei me distraindo e ouvi meu celular tocar. Olhei no visor contra minha vontade, mas era só Eduard. Atendi na hora:

    -Fala ai. –Suspirei, voltando ao meu tom normal.

    -E ai cara.. Acho que não é preciso nem eu perguntar se está tudo bem, não é?

    -É, cara.. As coisas tão complicadas.

    -Eu não sei o que aconteceu e nem quero me meter, mas velho, se resolve. Eu vejo o jeito que você olha pra ela, vocês conversam.. Ela chegou em casa aos prantos, cara. Eu nunca vi minha irmã desse jeito. Eu não to defendendo ela, não, eu sei das merdas que minha irmã fez e faz, ta ligado? Eu sei que ela não é nem santa. Ou chega perto disso. Mas po.. ela tava tão bem, sabe? Eu amo ela, e gosto muito de ti, irmão. Não deixa ela ir embora dessa forma..

    -Ir embora? Ir embora pra onde, irmão? –perguntei afobado.

    -Ela agora saiu de novo, não sei pra onde. Mas eu sei que ela vai pra Flórida com minha mae, minha mãe já esta no aeroporto desde quando ela foi pra faculdade, te procurar. Depois voltou pra cá, arrumou as coisas, e saiu. Mas ela não disse pra onde ia não, cara. E minha mãe ligou avisando que ela não ta no aeroporto ainda e o voo delas sai daqui a pouco. To preocupado, cara.

    -Céus. –Apoiei minha mão na cabeça, e suspirei.

    Não acredito que terei que fazer isso.

    -Certo, eu vou procurá-la, ta, Eduard? Qualquer noticia dela, você me avisa.

    -Tu também, irmão. Valeu mesmo.

    Desliguei o telefone, peguei minhas chaves e corri pra garagem do prédio.

    Essa garota estava me levando a loucura.

    Fui passando em cada rua conhecida perto com o carro devagarzinho. Até ouvi uma voz conhecida gritar por ´´socorro´´.

    Parei o carro mais atrás da rua onde ouvi, e fui me aproximando aos poucos.

    Quando vi, o mesmo cara da lanchonete, tentando agarrar Gabriela a força em um canto da rua.

    -Me solta, pelo amor de Deus, me solta. –Ela se debatia, virando o rosto.

    -Ah, dentro da lanchonete você ficou cheia de confiança, não é, gracinha? E agora não quer? Pois fique sabendo que eu não gosto de garotinhas mal criadas…
    Eu deveria deixar. Deveria. Por castigo mesmo.

    -Se não gosta de garotinha mal criada, por que não solta ela? –Eu gritei, me aproximando devagarzinho dos dois.

    -Ah, porque eu consigo educar elas, não é mesmo meu bem? –Ele segurou ela com mais força, e Gabriela não desfocou sem olhar de mim.

    -Eu falei pra você soltar ela, cara.

    -Por que eu faria isso? Também quer dividir a novinha, não é?

    -Ela é minha. –Eu disse, ficando bem perto dos dois.

    -Opa, acho que tenho concorrência, pelo visto. –O garoto soltou Gabriela, e ela continuou ali, parada, tremendo e me olhando.

    -Vai pro carro, Gabriela.

    -Não. –Ela disse séria e com raiva, me olhando.

    -Eu mandei você ir pro carro, Gabriela. –Olhei bem pra ela, travando os dentes.

    Ela apenas saiu correndo dali e virou a esquina onde eu havia parado o carro.

    -Bem.. Acho que podemos resolver isso, não podemos? –O babaca disse, recuando.

    -Não se preocupe porque eu não bato nos fracos. Eu tenho PENA deles. –Falei, brandindo –Se você
    voltar a encostar UM DEDO nessa garota, eu acabo com a sua raça. E não vou ser tão bonzinho
    quanto dessa vez.

    Dei as costas a ele, e voltei pro carro.

    Olhei pelo vidro do parabrisas e pude ver Gabriela lá dentro, um pouco mais calma –pelo menos não estava chorando-.

    -O que você estava pensando? –Eu disse assim que entrei, antes de ligar o motor.

    -Eu só entrei lá pra tomar um café e ir pro aeroporto. Eu juro. Ele me viu chorando e veio com um
    papo de que podia me ajudar e essas coisas. –Ela deu de ombros, fitando a rua. –Você pode me deixar no aeroporto?

    -Você tem noção do que poderia ter acontecido se eu não tivesse chegado a tempo?

    Liguei o carro, e voltei a estrada, assim que Gabriela assentiu.

    -Eu não quero te dar nenhum sermão não, Gabriela. Não sou ninguém pra isso. Só queria te deixar alerta de que não são todos os caras que são iguais a mim. Que perdoam, que levam na boa. Imagina se é um cara daqueles que você tivesse conhecido no bar? No meu lugar?

  • A Aposta -21

    Ela pegou sua bolsa, arrumou o cabelo se olhando no espelho, retocou o batom, e se virou pra mim dizendo, antes de sair:

    -Arrume um jeito, de vocês se acertarem. Ela pode ser tudo de ruim que você está pensando nesse momento. Mas acredite, Noah, você e é mil vezes pior. E eu nunca, na minha vida, vi um casal tão perfeito quanto vocês dois.

    Sasha me deu um beijo na bochecha, e saiu.

    Fiquei um tempo digerindo aquilo tudo que ela falou, e logo depois, terminei de me arrumar e fui pra faculdade. Ia mais cedo porque queria adiantar uns trabalhos e provas.

    Mas quem disse que eu conseguia tirar aquela garota da cabeça?

    Eram por volta de 23h da noite, e eu finalmente saí de lá. Se bem que não foi tão pior quanto imaginei, porque pelo menos eu mantive minha cabeça ocupada –e bem longe de Gabriela. –

    Estava saindo, ajeitando minha bolsa de lado, quando dou de cara com a condenada. Tá de sacanagem com minha cara, né? –pensei.

    Parei de frente a ela, e não disse absolutamente nada. Apenas fiquei olhando na cara dela.

    -Eu só queria conversar. Por favor. –Ela disse controlada, me olhando com piedade.

    -Entra no carro.

    Seguimos até lá em silencio, e quando entramos, a mesma coisa.

    Cheguei em casa, subi, e assim que tranquei a porta e fomos em direção a sala, eu fiquei de pé e ela se sentou, começando a falar:

    -Me perdoa, ta? Eu sei que isso foi a pior e mais infantil coisa que eu já fiz na minha vida, mas.. Eu não sei, eu não pensei que fosse ser difícil assim, sabe? Pensei que seria tipo, eu fingia que estava bêbada, você me levava pra cama, eu fazia aquele show no dia seguinte e pronto, acabou. A gente fazia a aposta e ficava naquilo. Sem sentimentos. Só sexo. Eu não imaginei me apegar a você, gostar de você.. eu não..

    -Gabriela, não fala isso. –Eu interrompi, falando sério. –Não fale, ´´gostar de mim´´, ´´se apegar a mim´´, qualquer coisa referida a sentimento. Você é um monstro. Como que tem coragem de falar isso, se desde o inicio, só pensou em transar comigo pra não ser taxada como a virgem de 17 anos? Você tem noção do quanto você é FUTIL por pensar isso?

    -EU SOU O MONSTRO DA HISTORIA? –Ela gritou, furiosa –EU? VOCE FAZIA A MESMA COISA, PELO QUE EU PERCEBI, PELO SEU JEITO, VOCE ERA DUZENTAS VEZES PIOR QUE EU, DO QUE VOCE ESTÁ FALANDO, GAROTO?

    -NÃO MUDE AS SITUAÇOES! ESTAMOS FALANDO DO QUE VOCE FEZ COMIGO, E NÃO DO QUE EU FIZ PRA ESSAS GAROTAS! E FODA-SE ELAS! EU NÃO AMAVA NENHUMA, EU NÃO AMEI NENHUMA! NENHUMA, GABRIELA! AI CHEGA VOCE, PIRRALHA, E EU FICO DE QUATRO POR VOCE! EU FICO LOUCO POR VOCE! E VOCE FAZ UMA COISA NOJENTA DESSAS COMIGO! COMO VOCE PODE? –Eu gritei indo pra cima dela. –A MINHA VONTADE AGORA É DE TE ESMURRAR, GAROTA! VOCE NÃO TEM NOÇAO DO ÓDIO QUE EU TO SENTINDO!

    Ela recuou, deixando só as lágrimas escorrerem pelo seu rosto.

    -A GENTE NÃO TEVE NADA, NÓS NEM CHEGAMOS A SAIR, MAS, CÉUS, EU NUNCA ME APEGUEI A ALGUEM EM TÃO POUCO TEMPO, EM TÃO.. EM TÃO POUCO SENTIMENTO! VOCE TEM NOÇAO DISSO? TEM NOÇAO DO QUE FEZ COMIGO?

    -VOCE ACHA QUE EU TAMBÉM NÃO TENHO SENTIMENTOS, NOAH? EU ME APAIXONEI POR VOCE, E, CARALHO, ISSO NÃO ERA PRA TER ACONTECIDO! –Ela finalmente disse, gritando e chorando.

    -NÃO ERA PRA TER ACONTECIDO? TEM SENTIMENTOS? AH, A GAROTA QUE PLANEJAVA TIRAR A VIRGINDADE COM QUALQUER CARA DEPOIS CHUTA-LO ESTÁ DIZENDO QUE TEM SENTIMENTOS, OH MEU DEUS, QUE HUMANITÁRIA!

    -MAS VOCE ACEITOU! VOCE ACEITOU, SEM SENTIMENTOS, SEM… VOCE ACEITOU, MEU DEUS, VOCE ACEITOU! –Ela gritava sem parar.

    Segurei Gabriela pelos dois braços, e falei, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto também:

    -Eu aceitei, porque eu vi inocência nos seus olhos. Eu realmente achei que poderia te ajudar, e achei que eu finalmente tinha achado a garota certa pra mim. Pensei que você fosse certa, por não querer ser rotulada como piranha. MAS É O QUE VOCE É! VOCE É UMA PIRANHA, GABRIELA! –Sacudi ela pelos seus braços –UMA PIRANHA! E SABE O PIOR DE TUDO? EU NÃO ESTAVA BEBADO NAQUELA NOITE! EU NÃO ESTAVA! EU ME LEMBRO DO SEU SORRISO, ME LEMBRO DA FORMA QUE FALAVA SOBRE VOCE DISCONTRAIDAMENTE, FALAVA SUAS BESTEIRAS, SEUS NAMOROS QUE NÃO DERAM CERTO, FALAVA CADA DETALHE SEU! EU ME LEMBRO, GABRIELA, EU LEMBRO. E SABE POR QUE EU FINGI QUE NÃO LEMBRAVA? PORQUE TINHA MEDO DE VOCE ME LARGAR E PENSAR QUE EU QUERIA ME APROVEITAR DE TI! MAS NO FINAL? O FINAL ERA VOCE QUEM QUERIA SE APROVEITAR DE MIM!

    -Não precisa falar mais nada. Alias, nunca mais.

  • A Aposta – 20

    Uma terrível enxaqueca me despertou. 
    Abri os olhos devagar conforme a claridade e quando peguei meu celular em cima da mesinha, vi eram 15h. Perdi metade da minha sexta feira. 
    E ainda por cima, faltei a faculdade ontem. 
    Me virei aos poucos na cama quando vi Sasha ao meu lado, dormindo. 
    Céus. 
    Eu não me lembrava de nada da noite passada. 
    Ela pelo menos não vai criar caso e pedir pra que eu namore com ela. É. Pelo menos. Levantei-me com cada parte do meu corpo dolorida, parecia que eu tinha levado uma surra de um time de futebol inteiro. Deixei a água gelada percorrer por cada parte do meu corpo, e tentar levar aquela raiva que eu sentia ainda.
    E a saudade.. 
    Droga, cara. Por que essas coisas tinham que acontecer? 
    Por que eu finalmente, não podia achar a garota certa pra mim, e pronto, tudo ficar bem? 
    Ah, é claro, porque não existe a garota certa. 
    Troquei de roupa, e assim que cheguei no quarto, Sasha já trocava de roupa. 
    -Ué, já vai? 
    -Sim. Perdi a hora e eu tenho que voltar pra casa. 
    -Ahn. 
    Coloquei a mão nos bolsos, ajeitando a toalha ao redor do pescoço e fiquei olhando ela enquanto a mesma colocava sua roupa. 
    -Escuta, Noah.. –Ela disse em uma voz apelando, e se aproximando. –Você precisa se consertar com essa garota.
    -Que? –Franzi o cenho. 
    -É. Noah, escute, eu conheço você ha muito tempo. E eu nunca, na minha vida, vi voce da forma que estava antes. –Ela viu minha cara pra ela, e então perguntou –Você não se lembra de nada da noite passada, não é? –Assenti –Você bebeu até não poder mais no bar, e só ficou falando dela. Falou, falou, falou e falou dela. Falou coisas que não eram necessárias, enfim, você fez um show emocional. Logo depois, eu finalmente te arrastei pra esse quarto, e na hora, SÓ GRITAVA PELO NOME DELA, NOAH! 
    -Ela acabou comigo, Sasha. Ela é só uma garotinha, mas.. mas como ela foi capaz de fazer isso comigo? –Me sentei na cama, fitando o chão. 
    -Sabe o que é pior pra você admitir? Querendo ou não, ela fez com você o que você faz com as garotas. Mais novas, mais velhas.. Todas. É isso que você faz, está sentindo isso ai dentro, agora? É o que todas sentiram quando você inventou uma desculpa esfarrapada pra que elas saíssem correndo do seu quarto, quando você traiu elas pra que elas finalmente largassem do seu pé, quando você fez TANTA tramóia pra ser ver livre delas. 
    Eu queria chutar, destruir, acabar com tudo. Tudo. 
    Eu sentia tanto ódio, e eu não queria estar ouvindo aquilo, mas o pior de tudo era que eu sabia que era verdade. 
    A mais dolorosa e amarga verdade.
    -Eu sei que.. Que ninguém merece isso, e essa garota, nossa, ela merece um premio. –Sasha riu, debochada –Porque ela não precisou te conhecer pra saber que você é um galinha e FINALMENTE fazer essa aposta e essa tramóia ai. Ela simplesmente, fez. Simplesmente, esperou o cara que ela achava que cairia nessa. E dai, você apareceu. Isso é intrigante, sabia? 
    -Intrigante? Você agora está achando APLAUSIVEL o que ela fez? –Levantei-me transtornado com aquelas palavras inúteis que Sasha já dizia –QUAL SEU PROBLEMA, GAROTA? Ela é só uma pirralha, PODIA SER QUALQUER, CARA! E você sabia o que ele teria feito ao descobrir isso? Ele podia ter ESTUPRADO ELA, ENGRAVIDADO ELA! Matado ela! Tem noção? Você.. você tem noção? 

    -Podia, mas não foi. Foi você. E meu querido, nada acontece por acaso. Cada um tem o que merece.

  • A Aposta – 19

    -Não queria te acordar, desculpa. –Eu disse quando ela abriu os olhos devagarzinho. 
    -Tudo bem. 
    -Gosto de te ver dormindo. –Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. –Dormiu feito um anjo.
    -Ahn..Merecia, né? Depois daquela agitação a noite… 
    -Merecemos. Foi só pra estar preparada pro show. 
    -E como estou. Vamos ter que dormir aqui de novo? 
    -Se você quiser… –Ela franziu o cenho, balançando a cabeça negativamente –Certo. 
    -Mas eu quero outra coisa.. 
    -Me diga, que eu farei. 
    -Quero ficar nessa casa, só por essa noite. A semana já esta acabando, vou ter que aturar pouco meus pais.. 
    -Sem problema nenhum. Quanto mais a gente ficar junto melhor. 
    Gabriela parou, me olhando séria, e logo depois eu disse: 
    -Ahn, já vão dar 7 horas. Anda, senão vai se atrasar. 
    -É, melhor. 
    Ela colocou uma roupa, pegou sua toalha e seu uniforme e saiu pra tomar seu banho e se arrumar logo. 
    Eu já estava vestido, então fiquei só arrumando as coisas, e pensando, que diabos foi isso de ´´ Quanto mais a gente ficar junto melhor´´. Deus. Eu estava realmente me apegando a essa pirralha, e ela vai me dar um chute quando eu não for mais necessário e vou ficar fodido.
    É, é isso que vai acontecer comigo. 
    Preciso ficar mais atento, e voltar a agir com indiferença. 

    Mais tarde, fui buscar Gabriela no colégio porque ela teve uma crise de choro que me assustou. Pedi ao casal –da camisinha –pra que guardasse meu lugar por um momento e por isso fui. 
    -O que foi, cara? –Eu perguntei assim que abri a porta, ainda no carro, pra que ela entrasse. 
    -Minha mãe, ela vai embora amanhã, Noah. –Ela chorava muito, enquanto eu abraçava. 
    -Mas já? 
    -É!
    -E você vai? 
    -Ela pediu pra que eu fosse e ficasse só até o final de semana com ela! Eu não sei, eu não sei.. 
    -Você deveria ir.. 
    -Eu sei. Mas as coisas estão acontecendo rápido demais, sabe? –Liguei o carro, e saí logo dali. Ia ficar mais gente ainda olhando pra dentro do carro. –Eu não esperei que ela já fosse embora, que meu pai fosse fingir que eu nem existo mais, eu.. Eu só não queria que fosse assim. 
    -Fica calma. Você sabe que foi o melhor pros dois, não é? –Afaguei sua coxa, enquanto dirigia. –Vai dar tudo certo. Tem seu irmão que cuida de você, e.. E eu vou cuidar de você, Gabriela. 
    -Vai? –Ela chorou mais ainda. 
    -Eu vou, sim.
    -Ah, Noah.. –Enxugou as lágrimas, se acalmando. –Você não é desse mundo, sabia? 
    -Aham. Agora fica calma, porque se virem você chorando dessa forma na fila, vão pensar que você foi estuprada ou qualquer coisa semelhante. –Ela riu comigo –Comprei nosso almoço, espero que não se importe em comer na barraca.. 
    -Claro que não. Pra mim está ótimo. 
    -OK.
    Fomos em silencio até o local, eu queria dar um espaço a Gabriela. Ela tinha razão, as coisas estavam acontecendo rápido demais. Coitadinha. 
    Assim que chegamos, entramos na barraca -pelo menos hoje não estava calo –e ameaçava chover, até e começamos a comer. 
    -Eu estou fazendo isso de novo, não estou? –Ela disse voltando a chorar, de boca cheia. 
    Eu havia comprado só 2 sanduíches no subway, mas ela comia como se não comesse há dias. Ou meses. Sei lá. 
    -Fazendo o que, amorzinho? –Eu perguntei, de um jeito doce e ela me olhou sorrindo.
    -Só falando de mim, de mim e de mim. Eu não sei nada sobre você, eu não calei a boca desde quando nos conhecemos, e você já deve saber até o numero da minha id! 
    -Ei, calma. –Me aproximei, limpando o molho no canto de sua boca com meu polegar. –Ta tudo bem, ta? –Dei um selinho nela e logo depois me afastei, continuando –Eu sei que é difícil isso de separação. Meus pais se separaram quando eu estava pra fazer 14 anos. Desde então, eu fiquei solto no mundo, porque obviamente, optei pela guarda do meu pai e ele era muito ocupado trabalhando. –Ela assentiu, atentamente enquanto eu contava –A gente se divertia muito nas férias e feriados, sabe? Íamos a sorveterias, jogávamos partidas de futebol.. Ele até me dava conselhos sobre garotas –Rimos –A maioria não funcionou, não é atoa que sou um fodido no mundo. 

    -Não fale isso, estou aqui, não estou? 

  • A Aposta – 18

    Acordei e passei a mão no lugar vazio ao meu lado. Onde diabos Gabriela foi parar? 
    Peguei meu celular em cima da mesinha ao meu lado, e vi a hora. 
    Já passavam das 14h da tarde. 
    Céus. Eu apaguei completamente. 
    Vi que tinha uma mensagem nova, e era justamente de Gabi. Abri, e li: 
    ´´Sabia que voce ia apagar, haha. Sorte a sua, levantei as 7 pra vir pra esse colégio chamado INFERNO! Fiz café.. tenha um bom dia.. ´´ 
    Que gracinha. Respondi, e logo depois, fui tomar um bom banho. 
    Tomei café, arrumei minhas coisas, e aproveitei minha folga pra sair e dar uma caminhada. 
    Quando eu esbarro logo com Sasha. 
    -EEEi! –Ela disse me reconhecendo novamente com aquele sorriso encantador –Quem diria, você caminhando, ein? 
    -É! Estou de bobeira por aqui.. Resolvi dar uma volta! 
    -Já almoçou? Eu acabei de acordar, e estou procurando uma lanchonete por aqui.. 
    -Não, pra te falar, eu também acabei de acordar..ahn.. tem uma na esquina! 
    -Poxa, Noah.. não gostaria de me acompanhar? 
    Eu não ia fazer isso, ela era só minha amiga, né? 
    -Ahn, claro. Sem problemas.

    O problema foi que, o almoço se esticou pelo resto da tarde. 
    E eu nem me dei conta das trocentas ligações de Gabriela. 
    Era por volta de 16h, quando eu, por costume resolvi finalmente dar uma olhada no meu celular  e vi as ligações de Gabriela. 
    -Jesus. Eu preciso voltar pra casa..
    -Mas já? –Sasha fez uma cara de descontamento. 
    -Já? Garota, já vão dar 16h. 
    -CÉUS, SÉRIO? EU PRECISO VOLTAR PRA CASA!
    -E eu! Nos vemos por aí, então? Você fica até que dia? 
    -Eu fico até domingo! Posso aparecer lá pra a gente se despedir? 
    -Sem problemas. –Dei de ombros, abraçando-a –Foi bom te reencontrar.
    -Também amei te reencontrar, Noah –Ela sussurrou em meu ouvido, rindo. 
    Saí logo dali, e voltei na mesma caminhada pra casa. Troquei de roupa, colocando uma bermuda e camisa mais casual. Gabriela com certeza não deve estar nada bem. 
    Peguei meu carro, e fui feito um louco pra casa dela.
    -E aí, cara. –Quem me atendeu foi Eduard. 
    -Fala, parceiro! Gabriela ta por ai? 
    -Ela foi na casa daquela tal de Tay! 
    Puta que pariu. 
    -Sério? Ah. –Bufei –Mas ta tudo tranquilo, você sabe? 
    -Sim. –Ele deu de ombros –Que merda tu fez, cara?
    -É complicado, Eduard.. Mas eu não fiz nada não, relaxa. Ta tranquilo. Só tava preocupado com ela. 
    -Po, ela saiu tem um tempo, e disse que já voltava.. não quer esperar por ela? 
    -É, eu vou. 
    -Entra ai, fica a vontade! 
    Conversamos um pouco –oh Deus, como eu queria contar tudo a Eduard. Ele era meu parceirasso, mas com certeza não sabia das tramóias de sua irmã. E poderia não gostar disso. E isso realmente não seria nada bom –quando estava quase dando 18h, ele sugeriu pra que eu subisse, e ficasse no quarto dela esperando, pra lhe fazer uma surpresa. 
    Assim o fiz. Fiquei sentado um pouco em sua cama, olhando em volta. Seu quarto era uma gracinha. Não era infantil como de uma garotinha de 14 anos, mas era aconchegante. 
    Havia um quadro seu, de uma foto que ela estava parecendo uma noiva, na parede. Devia ter sido de sua festa de 15.. Estava tão linda. Aquele sorriso, aqueles olhos..
    De repente, me deu uma vontade incontestável de mijar. Tinha um banheiro ali dentro mesmo, então entrei, fechei a porta, e assim o fiz. Segundos depois d’eu ter dado descarga e estava lavando minhas mãos, ouvi passos no corredor, e vozes se aproximando no quarto. 
    Mas eram vozes, mesmo. Não só a de Gabriela. Continuei quietinho, pra ver quem vinha com ela. 
    -Calma amiga, vai dar tudo certo.. –Era Tay. Com certeza.
    Ouvi as duas já entrarem no quarto, e fechando a porta.
    -Ele deu em cima da garota na sua frente? 
    -Não bem na minha frente, Tay. Mas estava bem descarado, sabe? Com certeza aquela foi uma das trocentas da listinha dele.
    -Listinha? –A garota riu. –Sério? 
    -É um jeito de falar, boboca. –Ouvi as duas rirem agora –Mas você me entende? Ele é maior galinha, e deve estar se aproveitando de mim a cada segundo, já sabendo que sou novinha e pensando que sou bobinha. 
    -Termina logo com ele e acaba com isso, Gabi! 
    -Eu não posso, não por enquanto.. Se meus pais descobrirem, estou ferrada. E se começarem a achar que estou grávida? Céus! A casa cai, e cai tudo junto.
    Então Taylor já sabia.
    -Ninguém mandou querer perder tudo logo tão cedo. 
    Perder tudo? 

    Tão cedo?