• A Aposta – 17

    Na hora que ela perguntou, Gabriela se aproximou com a garrafa d’agua na mão. Sua cara já não estava muito boa antes –não sei porque, mas –agora então, depois de ver essa morena gotosíssima –issima –ao meu lado.. 
    -Ahn, oi? 
    -Então, Sasha essa é Gabriela! Minha namorada. –Sasha se mostrou surpresa, cumprimentando Gabi –Gabriela, minha antiga amiga de infância. 
    -Prazer. –As duas disseram, sorrindo. 
    -Não me contou que tinha uma amiga que gostava de The Maine. 
    -É.. Nós perdemos total contato. 
    -Verdade. Mas, bem, anote meu numero! Vamos sair qualquer dia desses. –Ela disse pegando seu celular do bolso. 
    -Claro, anota o meu também. 
    Trocamos nosso numero e Gabriela ficou apenas ali, olhando e sorrindo –como se eu não soubesse o quão puta ela deveria estar . 
    -Foi muito bom lhe ver, Noah. –Sasha me deu outro forte abraço, e disfarçadamente, um beijo no pescoço. 
    Que me arrepiou todo. 
    -Foi bom te ver também, cara! –Eu respondi sorrindo, ainda sem acreditar. 
    -Não me esquece, ein? –Antes de dar as costas, ela abraçou Gabriela também –Tchau, querida. Ótimo lhe conhecer também. 
    Gabriela apenas assentiu –fingindo sorrir novamente –e se afastou de mim, se sentando no chão, perto de outras pessoas que aguardavam o show. 
    -Está brava? –Me sentei ao seu lado, perguntando. 
    -Claro que não! Eu só queria conhecê-la melhor.. Parece ser uma ótima amiga. 
    -E é! Nossa, tem muito tempo mesmo que eu não a via.. O tempo ajudou muita gente pelo visto. -Sempre ajuda.. 
    Notei que Gabriela estava meio fria –ainda –mas já que ela não disse nada, resolvi não perguntar mais, e fazer de conta que nem notei. 
    Afinal, como ela mesma disse, ´´nós não temos nada sério. Por que teria ciúmes?´´

    O show durou até por volta de 1h da manhã. Tiveram uns atrasos na montagem, checagem de som, mas nada que incomodasse alguém. Estávamos todos muito animados com o show e a vinda do The Maine pra cá. 
    Durante o show, Gabriela não falou muita coisa, mas percebi que ela estava bem alegre. Cantou, gritou, dançou, mas a impressão que eu tive foi que ela nem se ligou de que eu estava ao seu lado. Não falou muito comigo. Só fez uns comentários, mas nada demais. 
    Voltamos pra minha casa com as coisas, como o combinado e assim que chegamos, ela disse já indo em direção ao banheiro: 
    -Vou tomar um banho e não demoro, ok? 
    -Certo. Quer que eu prepare algo pra você? 
    -Não, estou bem. 
    Então, entrou no banho. Eu só troquei de roupa porque estava bem exausto, e fiquei deitado no sofá. Ouvi um barulho da porta se abrindo e ela veio até mim, apenas com uma camisola que em cima era como um sutiã e seguia pelo resto do corpo com uma fina camada de tecido. E transparente. 
    -Gostou do show? 
    -Está brincando? Foi maravilhoso! –Ela respondeu empolgada e sorrindo. Era bom saber que ela não estava brava. –Gostei muito. 
    -É, eu também. Foi bom reencontrar Sasha.. 
    E eu tinha que tocar no nome daquela garota? 
    Na hora, Gabriela se levantou do sofá, dizendo: 
    -É, vou descansar, ok? Estou acabada. Boa noite. 
    -Não, espera. –Levantei-me, segurando-a pelo braço. –Eu sei que isso da minha colega te incomodou… 
    -Ahn? –Ela franziu o cenho e eu recuei –Por que diabos me incomodaria, cara? 
    -Eu não sei, anh.. você ficou estranha desde quando apresentei as duas e.. 
    -Não, não! Você entendeu errado.. Acho que está tão acostumado com mulheres controladoras e ciumentas que acabou achando que eu percorreria o mesmo caminho. –Ela riu –Estou ótima. Ela é sua amiga, ficante, ou sei la.. Enfim, não me interessa. Mas eu realmente quero ir dormir, ok? 
    Gabriela se inclinou pra cima de mim, me deu um selinho e logo depois, foi pro quarto. 
    Dei de ombros logo após que ela disse isso tudo. Se ela tivesse mesmo se incomodado, ela diria, não é? 

  • A Aposta – 16

    -Ah, cala boca, Gabriela. –Rimos –Enfim. Minha mãe vinha me visitar de vez em quando, mas depois que eu cresci, ela ficou bem mais presente.. 
    -Por que? 
    -Meu pai teve um tumor no cérebro e foi ficando cada vez mais debilitado. Faleceu tem uns 3 anos. –Eu disse logo, com um nó na garganta. 
    Eu nunca me abria com ninguém, não fora atoa que o tempo todo, Gabriela só falava dela. 
    -Céus. Eu sinto muito, Noah.. 
    -Tudo bem. Meu ultimo contato com ele foi quando ele estava no hospital. –Comecei a sorrir, fitando o nada e lembrando daquele dia, como se eu tivesse revivendo aquele momento –ele sorriu pra mim, e disse ´´cuide bem das nossas garotas. Você um dia vai achar a minha nora. Eu posso não estar mais aqui, mas você vai saber quem é ela.´´ E me entregou a aliança de casamento dele.
    -Nossas garotas. –Nós rimos um pouco. –Caramba! Ele foi um pai e tanto..
    -Com certeza. Ele me ensinou muita coisa que eu sei e sou hoje. 
    -Valeu, tio Puckerman. –Gabriela disse, olhando pra cima e caímos na gargalhada de novo. 
    -Enfim. Eu já disse tudo que você precisava saber, satisfeita? –Ela assentiu, sorrindo sem graça. –Eu não curto falar muito de mim, Gabi. Eu nunca falo de mim pra ninguém. 
    -Você nunca teve alguém pra desabafar e tudo mais? 
    -Eu tinha um velho companheiro do colégio e comecinho da faculdade, John. Ele era bacana. Nós conversávamos sobre tudo, já com a convivência desde garotos, você sabe –ela assentiu, prestando atenção –Mas aí.. Teve uma época meio conturbada.. Ele entrou pra um mundo erradão, e conheceu uma garota. Ah.. Ela acabou com ele. Ele morreu de overdose. 
    -Por isso você sente tanta raiva das garotas? 
    -Não é raiva, sabe? Eu só não costumo me apegar. Eu trato bem, eu gosto. Mas eu não demonstro sentimentos, nem nada. Porque, a ultima vez que me permiti fazer isso, só ficou batendo essa história dele em minha mente..Uma garota levou meu melhor amigo, cara. Uma garota. 
    -Nem todas são iguais.. 
    -Ah, são. Pode apostar, que são. As mesmas neuras, os mesmos stress, ciúmes e essas coisas. Você é novinha ainda, ainda tem muito o que aprender e entender. 
    -Bom, vamos pra fila logo, certo? –Ela do nada falou, abrindo a barraca e saindo. –Se quiser, pode ir pra casa descansar enquanto eu fico aqui. 
    -To bem. Já tomei banho, está tudo arrumado aqui.. Eu aguento. 
    -Ótimo. 
    Fomos pra fila, tiramos nosso ingresso, e já entramos no local onde ocorreria o show. Já tinha um bocado de pessoas lá dentro, aguardando. 
    -Vou pegar um pouco d’agua. Quer? 
    -Não, não. Obrigado. 
    Gabriela se afastou e eu fiquei de pé, apenas olhando o palco, as estruturas ao lado e essas coisas. 
    -Noah?!
    Ouvi uma voz familiar me gritar atrás de mim, e assim que me virei, não acreditei. 
    Era Sasha Bailey, a garota que estudou o fundamental e médio inteiro comigo. Ela era (e pelo visto ainda é) maior gata! Estava extremamente gostosa. Morena, alta, e mulher do jeito que eu gostava. Pois é, desde os 14, eu tinha bom gosto. Já que foi com ela que perdi a virgindade. É, passado, passado.. 
    -Sasha?
    -Noah! –Ela correu pra perto de mim, me dando um forte abraço. 
    -Quanto tempo, ein! –Afaguei suas costas e logo depois nos afastamos, ainda com grandes sorrisos no rosto. 
    -Caraca, muito mesmo! Como vão as coisas? Eu fiquei sabendo que você tinha se mudado pra cá.. 
    -É, vão bem! Veio pra cá somente pelo show? 
    -Sim, claro! Eu não perderia The Maine por nada nessa vida! 
    Éramos loucos pela banda desde pequenos. É, grande fato do qual nos aproximou. 
    -Está certo! Acampou? 
    -Não, um amigo guardou lugar pra mim.. –Ela continuava dizendo, sorrindo e sem tirar os olhos de mim. –Cara, foi muito bom te encontrar por aqui. 
    -Eu que o diga! Faz o que lá na Califórnia? 
    -Eu agora estou em Londres! –Ergui a sobrancelha –É! Faço moda lá, agora.
    E ela estava com um corpo escultural mesmo. 
    -Caramba! Magnífico.. 

    -Está sozinho? 

  • A Aposta – 15

    Antes que ela continuasse tagarelando, calei-a com meu dedo indicador, e fui me deitando em cima, encostando meus lábios nos seus, delicadamente. Começamos um beijo bem longo e delicado, até Gabriela afastar só um pouco nossos lábios e gemer baixinho. Beijei seu pescoço, e fui descendo pro seu colo. 
    Quando cheguei em seus peitos, tirei seu sutiã apenas com uma mão, enquanto a outra já massageava e apertava seu outro peito já de fora. Ela me puxou pra cima novamente, me beijando com emergência. Apertei seus peitos saciando minha vontade ali, e é claro que ela desceu uma mão sua, deslizando por meu abdômen me fazendo arrepiar-me todo, e começando a tirar minha bermuda.
    -Isso porque você disse que não faria isso aqui. –Eu sussurrei, chutando a bermuda de meus pés e beijando sua barriga. 
    -Eu tenho minhas vontades. 
    -Estou vendo, garotinha.
    Comecei a tirar sua calcinha devagarzinho, e apertar sua cintura ao mesmo tempo, quando Gabriela grunhiu, jogando sua cabeça pra trás. 
    -Para de fazer isso comigo. 
    -É bom provocar os outros, não é? –Eu disse já tirando minha cueca e me posicionando em cima da mesma. –Agora deixa comigo o resto. 
    Eu já transei em cima de uma mesa da sala de aula, no banheiro do colégio, em todos os cômodos da casa que você pode imaginar, e até no jardim –ano novo movimentado.. nem queira saber –mas nunca me imaginei dentro de uma barraca apertada. Mas talvez fora isso que tornaram as coisas mais excitantes e animadoras. 
    -Noah. –Gabriela jogou a cabeça pra trás mais uma vez, gemendo enquanto eu quase penetrava nela. –O preservativo, Noah. 
    -Você não trouxe? –Parei, sussurrando ofegante. 
    -Não?
    -Qual seu problema, Gabriela? 
    -Você achou MESMO que eu achava que isso aconteceria? 
    -Não só achava, como já esperava por isso. Você só pode estar brincando.
    -Eu.. 
    Antes que ela terminasse de se explicar, eu com certeza não deixaria minha noite acabar por aqui. Puxei uma coberta rápido, me enrolei nela, e saí indo pra barraca ao lado. 
    Tinha um casal bem mais velho que nós, apenas se beijando dentro –pelo que deu pra ver pelos movimentos –me abaixei, chamei e pedi uma camisinha. Me deram sem problemas.
    É por isso que eu gosto de gente prática. 
    Voltei pra barraca, deitei, coloquei, e Gabriela ficou rindo, o tempo inteiro. 
    -O que foi? 
    -Você é maluco, MALUCO!
    -Maluca é você! Como que você faz isso, cara? Quando se está comigo, tem de estar sempre preparada. –Ela gargalhou. 
    Me debrucei mais em Gabriela, voltando a beijá-la devagarzinho, e finalmente, continuando onde estávamos.
    -Isso. –Ela se esticou quase que toda quando eu o fiz, e sorri. Eu com certeza sabia dar o que as mulheres queriam. 
    Logo depois de mais uns movimentos, me joguei ao seu lado, tentando recuperar minha respiração aos poucos.
    -Céus. –Ela se virou de lado, deitando em meu abdômen. –Você é mágico. 
    -Você foi privilegiada dessa vez, apenas. 
    -Por que? –Levantou a cabeça, me olhando.
    -Porque ele ficou animadinho o tempo inteiro. Até eu ir e voltar. E ainda continuei! 
    -Sério? –Nós começamos a rir. –Estou começando a gostar dele. 
    -Eu também, cara. Foi mágico isso. –Nós caímos na gargalhada novamente. 
    -Estou quebrada. Boa noite. 
    Gabriela subiu um pouco, me dando um lento beijo, e logo depois, se virou pro outro lado. Puxei ela pra perto de mim novamente, e dormimos de conchinha. 

  • A Aposta – 14

    Era por volta de 23h da noite, quando fomos ao estacionamento do clube –onde os seguranças nos guiaram, onde todos estavam acampando também – montar nossa barraca e nos preparar para aquela longa noite. 
    -E pra eu trocar de roupa? –Gabriela perguntou nervosa enquanto eu montava a barraca. 
    -Tem banheiros ali. 
    Indiquei com a cabeça pra nossa frente, e tinham muitos. E chuveiro também, pra se caso ela resolvesse tomar banho. 
    -Mas Noah, eu.. 
    -Relaxa, Gabi. Vai dar tudo certo, ok? 
    -OK, ok. –Ela suspirou, cruzando os braços insatisfeita e olhando em volta. 
    Era bem tarde, mas deviam ter umas 30 ou 40 pessoas acampadas ali, ou seja, ao nosso redor eram apenas barracas, com as pessoas dentro, conversando, se beijando, fazendo jogos.. De tudo que se possa imaginar. 
    -Você vai ficar ai, me olhando invés de me ajudar? 
    -Tá, ta. 
    Gabriela colocou sua mochila no cantinho junto com a minha e começou a finalmente me ajudar a arrumar aquele troço gigante. Não era as mil maravilhas, mas pra uma noite, estava bom demais.
    -Podíamos ter ficado em um hotel aqui perto. 
    -Você não é muito natureba, ne garota? 
    -Na próxima reencarnação, você vai vir mulher. E daquelas que não bebem nada em copo de plástico. –Gargalhei, ajudando Gabriela a armar seu lado. 
    -Vou te mostrar lados diferentes da vida.
    -Eu já visitei a maioria. –Ela disse me olhando de cima a baixo, e rindo. 
    -Você não presta. 
    -Estou aprendendo com você, ué. 
    Terminamos de montar bem rápido, esticamos as colchas que eu havia levado dentro, ela entrou pra testar e colocou suas coisas dentro já.
    -Tudo certo ai? 
    -Certíssimo. 
    -OK. Vou tomar um banho e volto, certo? Toma o cadeado. Feche, ok. 
    -OK patrão. –Nós rimos. 
    Peguei minha mochila, tirei só uma cueca, toalha, e sabonete. Fui em direção ao vestuário do clube e procurei logo um chuveiro pra tomar banho. Eu teria que dormir, mas já sabia que a noite seria longa. 
    Terminei de tomar meu banho, coloquei só a mesma bermuda que eu estava e fiquei sem camisa mesmo, levando a blusa na Mao. 
    -Abre aqui por favor. –Me abaixei na frente da barraca. 
    -Qual a senha? –Ouvi Gabriela dizer, rindo. 
    -Anda logo, menina. –Nós rimos. 
    Ela abriu depois de um tempinho, e estava bem coberta. 
    -Qual seu problema? Vai ficar claustrofóbica. 
    Assim que fechei a barraca de novo, me deitando ao seu lado, percebi que Gabriela só estava com roupas intimas. Só. Sem pijama, sem nada.
    -Eu não uso pijama pra dormir. 
    -Céus. –Joguei a cabeça pro outro lado, suspirando. 
    Como que uma pessoa se controla dentro de uma barraca –espaço mínimo –com a outra ao lado, apenas de sutiã e calcinha? Jesus. 
    -Ahn..Boa noite, então. –Gabriela chegou perto de mim, me deu um demorado beijo na bochecha, e logo se virou pro outro lado. 
    -Boa noite. 
    Por um momento ficou um longo silencio ali, só ouvíamos os grilos e cigarras cantarem. Estava quase pegando no sono, quando fui me virar, -pro lado de Gabriela –e a coberta levantou um pouco embaixo, e acabei tendo uma boa visão dali. 
    Um arrepio passou pelo meu corpo todo. Ela estava me provocando, só podia. 
    Acontece que eu era mestre das provocações, também. 
    Cheguei mais perto dela, e comecei a beijar seu ombro, tirando seu cabelo e beijando seu pescoço. Gabriela se encolheu, rindo baixinho mas continuou imóvel. 
    -Não faz isso comigo.. –Deslizei minha mão por debaixo da coberta em sua bunda e coxa, apertando-a. 
    -Eu não estou fazendo nada.. –Ela sussurrou, se virando aos poucos pra mim .
    -Você vai mesmo me deixar assim a noite inteira? 
    Falei, indicando com a cabeça pra baixo. Ela deu uma boa olhada e percebeu o volume em minha bermuda.
    -Problema seu, e do seu amiguinho. –Se virou de costas pra mim, novamente. 
    Puxei Gabriela, e rapidamente fiquei em cima dela, prendendo suas pernas. 
    -Só uma vez.. Vai ser rápido.. 

    -Noah, eu não vou fazer isso em uma barraca. –Gabriela gargalhou –Sério, eu não.. 

  • A Aposta – 13

    -Assim, como se estivesse aqui por mais do que obrigação. 
    -E não estou?
    -Se você tivesse dito ´não´ eu aceitaria. Simplesmente. 
    -Olha, Gabriela.. –Suspirei, me aproximando –Esse não é o momento determinado pra a gente conversar sobre isso, mas eu tenho que lhe contar umas coisas. Eu só em apaixonei UMA vez, e foi pra nunca mais. Mas eu não posso negar que tenho sentimentos com você. Nós somos namorados pra todo mundo, mas entre a gente, alias, pelo menos pra mim, existe algo, sabe? Eu não sei te dizer, mas eu só.. eu não quero sair machucado dessa história. Certo? Mesmo a gente fingindo que ta namorando, eu acho que você não se sentiria confortável se me visse devorando com os olhos outra mulher, não é mesmo? 
    Parei de falar, e fiquei olhando pra ela. Gabriela assentiu, e depois de suspirar, disse olhando em meus olhos: 
    -Você tem razão. Noah, eu nunca tive um namorado de verdade. Eu nunca tive um cara com quem eu pudesse desabafar de verdade, contar coisas que eu não costumo contar pra todo mundo, eu nunca fui uma pessoa sociável, você me entende? Eu sei que está fazendo isso pra me ajudar, e meus pais não acabarem com minha raça, mas.. Você precisa me ajudar. Me ajude a me moldar da forma que você quer.
    -O negócio não é a forma que eu quero que você seja, Gabriela. É quem você é. Eu gosto de você por isso. 
    -Eu sei. Mas eu ainda estou me acostumando com isso. –Nós rimos um pouco.
    -Então… Aproveitando o momento romântico, eu preciso lhe contar algo. 
    -O que? 
    -Nós vamos ter que acampar.
    Ela começou a rir. Rir de gargalhar mesmo.
    -Eu estou falando sério, Gabriela. 
    -Acampar como? Onde? Pra que? 
    -Acampar, barraca e tal. Na frente do clube. Ou no clube, porque eu sou sócio então eles deixam eu entrar, é. Porque venderam uma quantidade maior de ingressos do que pode suportar. Então, os que conseguirem entrar, ótimo. Quando chegar no limite, adeus pro resto.
    -DEUS. Pra que tudo isso? Qual o problema mental do The Maine? 
    -Arrecadar mais dinheiro. Porque é um show beneficente, essas coisas, sabe? 
    -SEI. Mas como que vamos acampar, Noah? 
    -Já que eu nao vou mesmo pra facul hoje.. A gente dorme de hoje pra amanha, amanha você vai pra escola, eu fico o dia todo na fila, você volta, fica na fila, eu durmo um pouco, depois nós ficamos, e garantimos nosso lugar. 
    -Você acha mesmo que meus pais vão deixar eu acampar? –Ela gargalhou de novo –Ah, ta. 
    -Então… Seus pais vão embora daqui a pouco, certo? –Assentiu – Pega algumas coisas..e vamos. 
    -É, é uma boa ideia. Vou avisar a ele, então. 
    -Certo. Eu preciso ir pra casa separar as coisas.
    -Tudo bem. Eu peço pra ele me deixar logo no lugar. Mas você sabe que já vai ter gente lá, acampando, não sabe? 
    -Sei. Mas não vai ser tanta gente assim, relaxa.

    -Eu espero, Noah Puckerman. Eu espero. 

  • A Aposta -12

    -Ah, oi. –Ela se aproximou, me deu um selinho e me segurou pela mão, me guiando pra cozinha. –Mamãe, esse é o Noah. Noah, Elizabeth.

    -Olá querido. –A senhora me deu um forte abraço. Bem simpática. –Prazer em conhecê-lo.

    -O prazer é meu, srtª Collins.

    -Pode me chamar de Liza. –Ela sorriu –Sente-se, fique a vontade.

    Sentei-me de frente a Gabriela, seu irmão logo depois desceu, e se sentou ao meu lado. 
    Seus pais se sentaram um em cada ponta da mesa –como eu ja imaginava -.

    -Então Noah, o que você faz? –Albert perguntou, enquanto todos se serviam.

    -Faculdade, ainda. Curso jornalismo.

    -AH, bacana.. vai ser escritor, ahn?

    -Isso, isso.

    -Bacana. Minha filha ainda é meio indecisa nessas coisas, mas espero que tome a decisão que quer.

    -E como vocês se conheceram, ein? –A mãe de Gabi logo interrompeu.

    -Ahn –Gabriela gaguejou –Foi há uns meses, não é? Acho que na festa de primavera, mamãe.

    -É! Nós já conversamos tanto..

    -Gostei da parte sua de esperar pela minha filha.

    Oh Deus. Eles ainda não sabiam.

    -Claro. Eu a respeito muito. –Eu disse olhando pra Gabriela e sorrindo.

    -Isso aí. Você parece ser um bom rapaz.

    -Você nem imagina. –Ouvi Gabriela sussurrar e apenas fiquei olhando pra ela. –Mas então papai. Noah me chamou pra acompanhá-lo em um show, amanha! O que acha?

    -Onde? E que horas?

    -Vai ser no clube, aqui perto, senhor. –Eu respondi, olhando pra ele –Deve começar as 21h, por ai. Mas minha casa é perto. Não teria problema ela dormir lá.

    -Certo.. E suas notas, como vão querida?

    -Só crescendo, papai. Graças a Deus. –Os dois riram. –Tenho me esforçado bastante, e conseguindo o melhor. Noah tem me ajudado bastante também.

    -É, ahn? –Seu pai assentiu –Certo, eu vou ver com sua mãe e depois lhe aviso.

    -Tudo bem!

    O resto do jantar foi bem tranquilo. A mãe dela não fazia muitas perguntas –sei lá, ela era simpática mas acredito que não tenha gostado tanto de mim quanto imaginei –só o pai que se interessava mais. E ele parecia ser bem rigoroso.

    -Então, Noah, vamos subir rapidinho? Preciso falar com você.

    -É claro. Querem ajuda pra tirar a mesa?

    -Não, não. De forma alguma. –Liza começava a retirar os pratos –Adorei conhecê-lo querido.

    -Eu também, senhora.

    -Foi um prazer, rapaz. Cuide bem de minha filinha, ein?

    -Claro. Um prazer também, sr.Collins.

    Nós subimos e ela logo fechou a porta, e disse sussurrando, nervosa:

    -Acha que eles não vão deixar?

    -Se não, você foge. –Ela gargalhou –To falando sério.

    -Ta, voltemos a realidade agora.

    -Falou do seu irmão?

    -Não. Tenho uma estratégia melhor pra isso.

    -E posso saber qual é?

    -Deixa pra lá, mas qualquer coisa que eu mude de ideia, ou de errado, lhe aviso. –Nos sentamos na cama.

    -Certo. Então, o que quer?

    -Não me trata dessa forma, Noah. –Gabriela se virou pra mim, e percebi que estava chateada.

    -De que forma? 

  • A Aposta – 11

    Eu estava p* da vida. 
    Estava almoçando com Gabriela e suas amiguinhas. Sim, elas eram legais, nada contra. Até porque estava conhecendo-as ali, naquele momento. Mas o problema todo, era a própria Gabriela. 
    As amigas dela conversando comigo, numa boa, e ela vidrada no garçom do restaurante. Ele realmente parecia mais novo, e era até bonito e estava dando mole pra ela, também. Eu percebia as olhadas de AMBOS. 
    Aquilo estava acabando comigo. As garotas pelo menos eram bem tapadas, e continuavam conversando entre si, e comigo, como se nada estivesse acontecendo.
    Conclusão, eram 14h e pouca quando começaram a ir embora. Não precisei nem fingir que estava passando mal, como Gabriela pediu, porque elas desmarcam os estudos dizendo que tinham compromisso. 
    -Bom, já que você se livrou delas já, eu to indo pra casa também, ok? 
    -Como assim ta indo pra casa? –Gabriela franziu o cenho. 
    -Eu preciso estudar e tenho trabalhos pra fazer. Quer que eu te deixe em casa? 
    -Não, eu.. Eu vou ligar pra Tay pra a gente sair um pouco. Tudo bem.
    -Ótimo. 
    Peguei minha jaqueta, me levantei e saí dali, antes que eu me aborrecesse feio com Gabriela. E ainda tinha essa droga de jantar mais tarde.
    Assim que entrei no carro e estava voltando, recebi uma mensagem dela. 
    ´´Está tudo bem? Te achei estranho. Espero não ter tomado seu tempo com esse almoço. xx´´ 
    Eu estava puto mesmo. Nós não temos nada sério, certo. Mas se éramos pra fingir NAMORADOS na frente dos OUTROS, como que ela deixa um cara dar em cima dela, descaradamente? 
    Pera aí, ne. 
    ´´Tomado meu tempo? Imagina. Acho que tomou foi o tempo daquele garçom, não é mesmo?´´ 
    Estava já chegando em casa, quando ela começou a me ligar. 
    -Oi? –mantive meu tom sério. 
    -Que diabos foi isso? 
    -Isso o que? 
    -Ciúmes agora? 
    -Gabriela eu não tenho NADA sério com você, como você mesma disse. Sem emoções. Mas nem fingir, você tá sabendo. Como a gente diz ser NAMORADOS com você dando em cima de um GARÇOM do meu lado? Bem complicado isso, ein? –Ela riu um pouco, irônica depois que eu disse.
    -Você só pode estar brincando, Noah…. 
    -Eu preciso desligar, estou dirigindo. 
    Desliguei o celular, coloquei o carro na garagem e subi logo pro meu apartamento. Ela era mais nova, mas ela era madura. E responsável. Ela sabia o que estava fazendo. 
    Ou ao menos, deveria. 
    Passei o resto da tarde terminando meus trabalhos, e apesar de não conseguir tirar Gabriela da mente, adiantei muita coisa. Ou melhor, consegui né.
    Estava escurecendo, quando ela voltou a me ligar. 
    -Fala. –Eu disse suspirando, quando tinha acabado de deitar no sofá. 
    -Ainda ta bravo? –Ela disse em uma voz meio… cuidadosa. 
    -Não estava bravo, e não estou. 
    -Ih… 
    -Fala, Gabi. Fala. –Suspirei, de novo. 
    -Você vai poder ainda ir no jantar? 
    -Claro, ué. Por que? 
    -Poderia aparecer agora? Meu pai apareceu aqui AGORA e ele e minha mãe não vão se aguentar por muito tempo até esse jantar começar. 
    -Certo. 
    -Ótimo. Te vejo daqui a pouco. 
    Desliguei, tomei um banho bem rápido, vesti minha jeans escura e uma camisa polo azul marinho. 
    Um vans preto, e estava muito bom. 
    Cheguei na casa deles bem antes das 19h, mas foi um senhor que me atendeu. 
    -Você deve ser o Noah, certo? –Assenti –Sou Albert. Albert Collins. 
    -Olá sr.Collins. Prazer –Estendi minha mão e ele cumprimentou com um sorriso. 
    -Entre, fique a vontade rapaz.
    -Obrigado. 
    -ELE JÁ DESCE.. 

    Gabriela descia as escadas fantástica. Usava um vestido preto, era simples, mas definia aquelas suas curvas tão bem…. que garota, ein? 

  • A Aposta – 10

    Entramos em casa, joguei minhas chaves e minha mochila na mesa ao lado da porta e fui até a cozinha, pegar refrigerante pra gente. 
    -Eu conversei com minha mãe hoje sobre o jantar de amanhã. Sobre você, e tal.. 
    -E ai?
    -Eu não sei o que fazer. Ela vai se mudar daqui, Noah. 
    Na hora, deixei a geladeira bater e fiquei apenas olhando pra Gabriela. Eu ainda não tinha pensado na possibilidade disso acontecer com a separação de seus pais.
    -E-Ela vai pra onde? 
    -Deve ir pra Flórida, ficar perto dos meus avós, pais dela no caso, claro. 
    -E o que você vai fazer? –Fui pra sala, me sentando no sofá e ela veio junto, se sentando em minha frente. 
    -Eu não sei. Por isso vim pra cá conversar com você. 
    -Seu pai..? 
    -Ele vai continuar aqui, mas sem chances eu ficar com ele. Digo, sem chance mesmo. Ele é muito ocupado com trabalho, não cozinha e não sei como vai se virar sozinho. Mas né… Com ele não dá pra eu ficar. 
    -E seu irmão? 
    -Eu considerei isso, já que estou lá há uns dias. Mas meu irmão é só poucos anos mais velho que eu, e eu não sei se minha mãe vai deixar. 
    -Céus.
    -É.
    -E o que disseram sobre o jantar?
    -De boa. –Ela deu de ombros, tirando as sapatilhas e colocando os pés no sofá, com o joelho rente ao seu rosto. –Amanhã, 19h, na casa dos meus pais. 
    Franzi o cenho, fazendo um som de ‘’nada bom’’ com a boca. 
    -O que? É horário de aula, não é? 
    -É. Mas tudo bem, eu mato, janto e depois vou pra lá. 
    -Sério? 
    -Sim, dias de terça é até 23h, então.. 
    -Uau. 
    -É. Você já jantou? –Perguntei virando a pizza pra abrir. 
    -Já. Pode comer a vontade. –Ela continuou sentada no sofá, olhando a TV.
    Comecei a comer, e a tomar meu refrigerante. Notei que Gabriela ficava me olhando de vez em quando, mas não me concentrei nisso. Eu precisava arrumar um jeito de fazer todos meus trabalhos de hoje pra amanhã. 
    -Tem prova amanha? –Perguntei, limpando minha boca. 
    -Sim, mas está tranquilo. Estudei a tarde toda e tal. 
    -Ahn. 
    -Eu contei pras meninas de você. 
    -O que elas disseram? –Perguntei sorrindo, antes de tomar meu refrigerante.
    -Taylor te achou o máximo, ne. As outras acharam legal a ideia! Vamos almoçar juntas amanha por que vamos passar o dia no colégio estudando. Quer vir conosco? 
    -Acho melhor não.. 
    -Ah, venha, por favor! 
    -Certo. 
    -Ótimo. Depois do almoço você vai fingir que está passando mal e a gente vai pra qualquer outro lugar.
    -Mas ein? –Caí na gargalhada. –O plano não era estudar? 
    -Eu estou cansada, Noah. 
    Ela se levantou e foi até a janela, e continuou falando, apenas de lado, olhando pra rua: 
    -Em casa, é o estresse dos meus pais. No meu irmão, eu falo com a parede. E no colégio, eu só estudo, estudo e estudo. Não aguento mais. Parece que uma coisa ruim vai puxando as outras sabe? Levantei-me, me aproximando dela. Fiquei atrás de Gabriela, massageando suas costas. 
    -Eu preciso de um descanso. –Ela girou a cabeça enquanto eu tocava em seus ombros. 
    -Vamos descansar lá em cima. 
    -Não é má ideia.
    Gabriela se virou aos poucos pra mim, e logo levou seus braços em meu pescoço, me abraçando. 
    Ela se afastou um pouco, pra que eu pudesse colar mais do que urgentemente nossos lábios. Nossos beijos se intensificaram e logo peguei Gabriela no colo, levando-a pro quarto. 
    Nossa noite só foi mais perfeita do que a primeira, por ela se lembrar dessa vez do que estava fazendo. E melhor ainda: ela realmente queria.

  • A Aposta – 9

    Gabriela colocou a xícara na mesinha em nossa frente e se virou pra mim, me beijando, devagarzinho. 
    Minha mão encontrou sua cintura, enquanto a outra continuava em cima do sofá. 
    -Você consegue sentir agora? –Depois de um tempo ela se afastou, sorrindo.
    Não só agora eu sentia como senti desde a primeira vez que toquei naquela garota.

    Segunda de manhã, voltei pra casa assim que ouvi Gabriela tomando banho e se arrumando pra ir pro colégio. Conforme eu já estava com o carro ali, deixei ela na porta, e depois voltei pra casa. E voltei a dormir, claro. 
    -Ei, mano? Que diabos aconteceu contigo? 
    Eu deitei a cabeça na carteira da sala de aula , e apaguei. Meu amigo, Joshua veio logo mexer comigo. 
    -Nem de ressaca depois daquelas festas pesadonas, te vi assim! Qual é a garota da vez? 
    -Quem tu menos espera. –Me reergui, espreguiçando-me –Só estou cansado. 
    -Puts.. Ela trabalha e não te dá folga, não é? 
    -Ela estuda ainda, cara.
    -QUEEE ISSO! –Ele começou a rir, chamando atenção e logo parou quando o professor olhou em nossa direção. –QUE ISSO, cara! Até as novinhas? 
    -É complicado.
    -Eu imagino. –Fez cara de sério, e eu soquei seu braço. 
    -Idiota. 
    Copiei a matéria que eu tinha perdido na aula que dormi, e quando finalmente tocou o sinal pra sair, a insuportável da Caroline veio falar comigo.
    Tipo.. Eu já dei uns amassos nela, mas eu não sei. Algo estava diferente entre a gente. Aliás, em mim pra ser sincero. Ela é fútil demais.
    -Ei, Noah! –Ela me pegou na hora que ia sair –Quanto tempo, ein!
    -Não nos vemos desde sexta passada, cara.
    -É, eu sei. Mas senti sua falta. –Fez biquinho, rindo e se aproximando de mim. –Então.. O que acha da gente sair de novo? 
    -Estou namorando. –Dei de ombros, e ela ouviu aquilo como ´´semana que vem, acho que dá, pode ser?´´ porque ficou me olhando com a mesma cara de antes. –Desculpe. 
    Ajeitei minha mochila no ombro e saí da faculdade logo. 
    Eram 22h30. Eu estava acabado.
    Peguei o carro, e finalmente, estava voltando pra casa. 
    Quando parei o carro no estacionamento, ao lado do prédio, percebi alguém familiar sentado nas escadas da portaria. 
    Mas não liguei, até abrir o portão, e me aproximar. 
    Era Gabriela. E estava com uma caixa de pizza no colo. 
    -Gabi? O que faz aqui? –Ela levantou a cabeça, me olhando quando parei de frente a mesma. 
    -Trouxe pizza pra você. Aposto que não comeu nada, e nem iria jantar, não é? 
    -É. Agora me explica o real motivo. 
    -Eu posso subir? Quero conversar um pouco. –Assenti na hora, e ela subiu na minha frente e eu atrás. 
    Subimos pelo elevador, em silencio. Ela ficou o tempo inteiro de cabeça baixa, fitando o chão. Tinha algo muito errado. E com certeza, era sobre seus pais. 

    -Então, me conta. 

  • A Aposta – 8.2

    Acabamos adormecendo no meio de tantos beijos e palavras compromissórias. Mas sabe a sensação de estar dormindo e a pessoa ao seu lado acordada? Então, eu sentia isso. 
    E não demorou muito pra eu abrir os olhos e ver Gabriela ao meu lado, deitada, me olhando. 
    -O que você está fazendo? –Sussurrei, rindo um pouco. 
    -Vendo você dormir, ué. 
    -Você é meio maluca, não é? 
    -É bonitinho.
    Ri, baixinho, abrindo mais os olhos e olhando-a melhor. 
    -São que horas?
    -3 da manhã. 
    -Você tem aula hoje, sabia? –Ela assentiu, ainda me olhando, sem falar nada. –E não vai dormir? 
    -Desde que meus pais se separaram eu não durmo bem. Não foi atoa que nos conhecemos em um BAR,não é? –Nós rimos um pouco. 
    -Quer que eu faça alguma coisa pra você comer? 
    -São 3 da manha, Noah. Está de sacanagem, não é? 
    -Não, ué. –Dei de ombros, acariciando seu rosto com as costas de minhas mão –Se você quiser.. 
    -Quer ver um filme? –Bufei –Você oferece COZINHAR pra mim, mas não quer ver um filme? 
    -Vou acabar dormindo. Se eu cozinhar, me mantenho acordado, pelo menos.
    -Certo. O que você faria? 
    -Um chocolate quente, ou um chá. Você iria dormir rapidinho. 
    -Será? –Ela deu um sorriso tão lindo. 
    -Com certeza. 
    -Então, faça. 
    -Não vai ficar aqui em cima, né? –Perguntei, me levantando aos poucos. 
    -Não, não. Vamos. 
    Gabriela desceu comigo, ainda bem que seu irmão já devia estar em seu 4º sono. Porque nem tinha sinal dele ali embaixo. Ela foi pra sala e ficou vendo TV, enquanto eu fazia o chocolate quente pra ela. 
    -Se for assim, vou acabar indo morar com você. 
    -Não ia te aguentar por muito tempo. –Na hora que eu disse, senti suas mãos deslizarem por minha cintura, ela estava me abraçando por trás mesmo. 
    -Você sabe que não precisava estar fazendo isso, não sabe? 
    -Eu não me importo. Também tenho insônia as vezes.
    Coloquei o chocolate na xícara e ela continuou encostada na bancada da cozinha, me olhando. Entreguei a ela, e ela finalmente disse: 
    -Você sabe do que eu estou falando, Noah. 
    Apenas fiquei olhando pra Gabi e assenti. Não tinha o que dizer.
    -Quer voltar atrás e fingir que nada aconteceu? 
    -Eu poderia. 
    -Hum. –Eu disse, ainda parado, de braços cruzados. 
    -Mas não vou, como não quero fazer isso. 
    -Então pra que o lance do namoro, e tudo mais? A gente podia levar isso numa boa.. sabe.. 
    -Você não conhece meus pais, Noah. Vai ver terça feira. 
    -Eles estão de bem, com a separação? 
    -Se falam, ainda. Mas por poucas horas.. se é que me entende. –Assenti 
    -Mas o que diz respeito a sua vida amorosa, acho que eles não teriam que se meter, não é? 
    -Não é tão fácil assim quanto você pensa. –ela foi até a sala, e se sentou. Fui atrás dela, e me sentei ao seu lado, quando ela continuou –Eu vou ficar aqui no meu irmão por um tempo porque sei que minha mãe vai estar mais insuportável do que o normal. Mas depois, vou ter que escolher um dos dois. 
    -Entendi. 
    -E não vai ser nada fácil. E eu não quero ser motivo pra eles se preocuparem com algo agora. 
    -Tenho a impressão de que nunca se preocuparam antes. 
    -Exatamente. Só cobraram. E cobram, ainda.
    -Mas agora eu estou aqui. –Eu disse afagando sua coxa. –O que você precisar, eu estou. 
    -Eu sei. O namoro, é uma fachada pra eles não ficarem no nosso pé. Mas o que eu sinto é real. 
    -E o que você sente?