• A Aposta

    “Noah e Gabi vao mostrar se é possível surgir um sentimento verdadeiro de uma mentira”

    Gabriela (16), é uma adolescente mimada que está acostumada a ter tudo na mão quando bem quer. Quando ela conhece Noah Puckerman (20), em um bar, que as coisas começam a mudar completamente. Mesmo rodeada de mentiras, ela ainda sim se sente melhor. Sente-se alguém novo quando está na companhia de Noah.

    Eles mal se conhecem, mas compartilham de um sentimento inexplicável que vai começar a nascer de uma forma não muito comum (ou certa, diriamos). 


    Mas será que um relacionamento, começado por motivos “errados”, pode continuar pelos motivos certos? Ou ele chegará ao seu fim, pelos motivos certos?!

    Encontre as respostas para um amor mal interpretado e muitas aventuras que dele surgirá com Puckerman e uma simples garota do interior de Nova York. 

  • A Estagiária

    Ele nao sabe ser um chefe;

    mas ela sabe mandar.

    Hanna saiu da faculdade há pouco tempo e está a procura de um trabalho numa agência. O destino a guiou para uma que é comandada por Thomas, que é mais novo que ela e que se encaixa em todos os estereótipos possíveis de playboy: porém, tem mais a oferecer que ela imagina -.

    Mas a história não para por aí: Hanna vai notar certos olhares de seu chefe direcionados a ela e logo começar a entender, com uma ajudinha extra, o que tá rolando. 


    Mas chefe e empregado não podem assumir um romance… 


    Ou será que podem?

  • A Estagiária – final

    -EU TO CANSADO PRA CARALHO DAS PESSOAS DIZENDO O QUE EU DEVO OU NAO FAZER! – Gritou, se afastando. – PORRA! EU NAO AGUENTO MAIS, PORRA! É VOCE, SAO MEUS PAIS.. EU CANSEI, HANNA! CANSEI! EU QUERO FAZER A MERDA QUE EU QUISER DE HOJE EM DIANTE, VOCE TÁ ME ENTENDENDO? E EU VOU FAZER!
    -Eu nao to dizendo nesse sentido, Thomas. – suspirei. – voce é meu chefe. É antiético. Nao podemos. 
    -Eu vou me demitir, entao. 
    -Voce ficou louco? – eu ri. Ele realmente estava fora de si. 
    -Nao faço o que eu quero mesmo. – disse, baixinho, se sentando de novo. – Se eu nao consigo fazer o que quero, pelo menos quero ter a garota que eu quero. Suas palavras estavam começando a mexer de verdade comigo. Continuei olhando-o, sem dizer nada. 
    -Eu fico reparando voce o dia todo, o tempo todo. Eu quero que chegue segunda-feira, só pra eu poder estar com voce. Só pra eu poder te ver. Tem noção do quanto isso é louco? Por favor, nao finja que nao sabe que rola algo entre a gente. E pode rolar muito mais.. 
    -Voce está bebado. Pare de falar essas coisas. –sentei-me ao seu lado.
    -Isso é mais ridiculo ainda! Eu precisei ficar desse jeito pra poder falar essas coisas com voce! Que tao sempre engasgadas na minha garganta, ta me entendendo? Só desse jeito, Hanna. 
    -Amanhã voce nao vai mais estar bebado. E aí voce vai ter noção do que está dizendo hoje. A realidade vai cair sob voce essas suas palavras, Thomas. E vai doer.. 
    -Nao vai doer mais do que já doi ao acordar sozinho todos os dias, numa cama de casal, e ficar imaginando como voce ficaria linda ao meu lado, ali, deitada, comigo. – ele foi dizendo pausadamente e se aproximando, pra me beijar.
    E quando o fez, eu deixei. 
    Mesmo que ele fosse se arrepender amanha de manha.
    Mesmo que eu fosse me arrepender amanha de manha. 
    Eu só deixei. 
    Nos beijamos apaixonadamente, com tanto desejo, que meu corpo pareceu entrar em chamas. Comecei a tirar seu paletó, e ele a tirar minha blusa. 
    Em segundos estavamos só de roupas intimas. E seu corpo era melhor que em minhas fantasias.. 
    -Eu fiquei tanto tempo imaginando como seu corpo seria.. – ele dizia, passando a mão em meu corpo, enquanto estávamos deitados no chão e ele em cima de mim. – suas curvas.. Seu cheiro.. – beijou meu pescoço e começou a descer por meus peitos, barriga, até chegar em minha cintura e começar a tirar minha calcinha. 
    Tirei meu sutiã enquanto ele o fazia, e comecei a beijar seu pescoço, seu rosto, provocando-o. 
    -Eu te quero tanto, Hanna.. – sussurrou, segundos antes de tirar sua cueca e se encaixar em cima de mim. 
    Ele me lançou um olhar como se pedindo permissão, e assim que me viu assentir com a cabeça, entrou em mim devagarzinho, fazendo-me suspirar. 
    -Eu já imaginei tanto esse momento. – deixei escapar de meus lábios. 
    -Eu também. – ele sorriu, beijando-me. 
    Deixei-me levar no fluxo de seus movimentos sensuais em cima de mim, e quando dei por mim, ambos estávamos ofegantes, ainda em cima um do outro. 
    -Acabou? – eu perguntei, rindo.
    -Nao. Voce?
    -Nao. 
    -Quer continuar?
    -Com certeza. – respondi, sorrindo e virando-o, ficando por cima agora. 
    Nunca em mil anos adivinharia que meu dia acabaria dessa forma. 
    Acordei meio letárgica e com medo de ontem ter sido só mais de um de meus sonhos. 
    Porém, ao ver aquele homem maravilhoso, um pouco descabelado, deitado ao meu lado, me abraçando ainda.. Suspirei, satisfeita. 
    -Hum. – ele murmurou quando sentiu eu me virar na cama, pro seu lado. 
    -Bom dia. 
    -Oi. – Thomas abriu os olhos devagarzinho, já pondo um sorriso em seus lábios. 
    -Nao se arrepende? – perguntei logo. Era melhor tirar o band-aid bem rápido pra que doesse menos depois. 
    -Nem um pouco. 
    Thomas veio pra cima de mim, me beijando e sorrindo.
    Fazer algo tão inapropriado nunca me fez sentir tão certa do que eu queria. 

  • A Estagiária – 30

    -Ele é um babaca! Só estava jogando comigo, esse tempo todo. Agora ta la, com a outra, e provavelmente vai fazer a mesma coisa com ela! – eu dizia numa voz completamente embriagada enquanto tomava meu sexto, ou sétimo?, copo de vodca com energético. 
    Estávamos eu, Ariel, Chris e um pessoal do trabalho bebendo num bar que tinha perto da empresa. Bem movimentado e bonito estilo americano: todo enfeitado, com musica boa e mais uma vez, com pessoas bonitas. 
    -Fica tranquila, gata! Tem muito cara aí pra ti! – Ariel dizia, enquanto ria do meu descontrole. Ele sabia bem que amanhã eu nao lembraria de metade disso. 
    -É, tem eu, cara. Fica tranquila. – chris disse, me fazendo cair na gargalhada.
    Ele era bem gato, legal, etc, mas nada que me faça ter tanto interesse – e tesão- quanto como é com Thomas. 
    -Vamos pra casa, vamos? Já está na nossa hora. – Ariel dizia. Já se passavam de 3 da manhã. 
    -Vamos, cansei dessa porra toda. – eles riram quando eu o disse.
    Ariel e Chris me deixaram de táxi em casa, e depois foram pras suas respectivas casas.
    Deitei na cama pra dormir e apaguei completamente. 
    No dia seguinte, acordei com uma puta enxaqueca, as 2 da tarde, sentindo meu corpo todo dormente, mas tomei um banho e fui trabalhar.
    A vida nao estava facil, nem comprada já. 
    Thomas e eu nos ignoramos o tempo todo, e evitavamos nos falar ao maximo. 
    Semanas se passaram e continuamos desse jeito. 
    Até ele me ligar, completamente bebado, as tres da manhã de um domingo. 
    -To indo pra…ai. 
    -Por que? Aconteceu alguma coisa?
    -Porque eu to indo. 
    -Nao! Voce nao pode. Vai pra casa, Thomas.
    -Eu nao quero ir pra casa. 
    -Mas é o unico lugar que voce vai agora.
    -To na porta do seu prédio. 
    Tomei um puta susto quando o interfone tocou. Fiquei toda arrepiada. É, fudeu. 
    -Thomas, vai embor.. – ele continuava tocando o interfone. 
    Eu nao tinha opçao, ou eu abria, ou o sindico do predio desceria pra arrumar confusao. 
    Coloquei um short jeans e fiquei com minha blusa de manga comprida de dormir mesmo. Tomei coragem e fui abrir o portão debaixo, depois, esperei-o subir. 
    Dei um pulo do sofá quando a campainha de meu apartamento tocou. Fui apressada abrir a porta e no instante que o fiz, entrou um Thomas bem vestido, porém tropego pra dentro de minha casa. 
    -O que aconteceu com voce? – eu disse, enquanto o ajudava a sentar em meu sofá.
    -Eu saí com a Camille. 
    -Ah. Pelo jeito que voce tá agora posso deduzir que foi bom pra caramba, né? – me levantei e fui até a cozinha, pegar um copo d’agua pra ele.
    -Foi bem legal. – ele dizia numa voz bem arrastada, suspirando. – Mas ela não é quem eu quero.. voce me entende..? – parei em sua frente, dando água pra ele beber.
    -Nao, nao te entendo, Thomas.
    -Eu quero voce, Hanna. – disse depois de beber. Dei um passo pra trás, cruzando os braços. Eu sabia que estavamos entrando num territorio perigosíssimo agora. – Eu preciso tanto de voce.. – esticou seu braço, tentando pegar minha mao. 
    -Voce está muito alterado. Vou pegar um travesseiro pra voce dormir aqui. Amanha de manha a gente vai conversar direito, ok?
    Mas quando me virei pra ir pro meu quarto, ele segurou minha mão e se levantou bem rapido, juntando nossos corpos. 
    -Por que voce nao ouve? Por que finge nao notar o que existe entre a gente?
    -Entre a gente nao tem nada, Thomas! Nunca teve. E nunca vai ter, se depender de mim. 
    -Voce sabe que isso nao é verdade, Hanna.. – colocou sua mão em minha nuca, acariciando meu rosto com o polegar. – Deus, eu te quero tanto.. 
    -A gente nao pode, Thomas. A gente nao deve.. 

  • A Estagiária – 29

    Graças a Deus me mantive ocupada o tempo todo, até o horário do almoço, que procurei sair o mais rapido possivel de dentro dali com Ariel, antes que Thomas saísse de sua sala e me encontrasse. 
    Fomos pra um restaurante da esquina que tinha comida japonesa e nos sentamos nos fundos. Era a unica coisa que podia me acalmar nesse momento. 
    Ok, nesse momento nada, sempre: comida. 
    Após o garçom ir embora, já com nossos pedidos anotados, Ariel logo indagou: 
    -Que que ta rolando?
    -Eu e Thomas nos beijamos. E nao foi pouco. 
    -PUTA QUE PARIU! – Ariel deu um puta gritao, fazendo as pessoas olharem rapidamente assustadas pra nós dois. – Meeeeu Jesuuuuus! Pai do meu útero que nao tenho, e agora? Nao.. Quer dizer.. Foi bom? Gostou? O que ele disse?
    -Fique quieto, homem! Foi.. bom? Ah, foi bom pra caralho. – revirei os olhos, odiando admitir. – tinha acabado a luz e ficamos presos na dispensa, foi ontem isso. 
    -E tem certeza de que foram só umas beijoca? 
    -Foi, seu idiota. – rimos. – A gente ficou, ele ficou sem graça, eu mais ainda, meti o pé. Fim. E agora ele quer falar sobre isso. Que porra que eu vou fazer?
    -Calma, amiga. Olha, voce primeiro tem que ouvir o que ele tem a dizer. E segue ele. Tendeu? Segue o fluxo. O que ele disser, concorda. A nao ser que voce discorde. Ah, menina, concorda mesmo assim, ta legal? Ele é um Deus! E voce ja conseguiu tirar a casquinha.. 
    -Nao fala assim. – ri. – Ele é gente boa, de verdade, quando conhece ele. mas parece que quando estou quase lá, ele trava e ergue um muro na minha frente. E acabo sempre dando de cara. 
    -Pode crer, ele sempre foi assim, meio reservado. Já o vi com muitas estagiárias, mas é aquilo né.. figurinha repetida nao completa album!
    -Que horror!
    -Só estou dizendo.. abre o olho, querida. 
    E era que eu ia fazer: ficar de olhos abertos. 

    -Olá. – eu disse depois de dar dois toques na porta de Thomas e entrar em sua sala.
    Eu já havia acabado de fazer tudo o que precisava e fui direto pra sua sala. Estava nervosa pra caralho.
    -Ah.. OI. – ele parecia surpreso em me ver. Me aproximei devagar de sua mesa, enquanto ele permanecia sentado. – queria falar com voce um minuto.
    -Sim?
    -Bom. – Thomas se levantou, me olhando sério. – queria pedir desculpas pelo que aconteceu ontem e, bem, isso nao vai se repetir.
    Fiquei meio zonza até em ouvir aquelas palavras. Ta aí algo que eu nao esperava.
    Claro que eu nao contava que ele fosse morrer de amores por mim, me pedir em casamento e me pedir 3 filhos e 8 cachorros, mas.. 
    -Foi ruim? – as palavras escaparam de minha boca antes que eu pudesse me deter. 
    Thomas parou por um instante e me lançou um olhar sincero, pareceu até o de noite passada, após nos beijarmos. 
    Porém, o clima acabou no momento em que Camille entrou em sua sala, dizendo: 
    -Thom, hoje a noite está de pé..? Opa, desculpe. Nao sabia que voce ainda estava trabalhando. 
    Virei-me pra trás sorridente, fingindo que nada tinha acontecido e disse:
    -Bom, entao é isso. Amanha te entrego esses relatórios. Boa noite pra voces. 
    Passei por Camille que nem um fantasma: só queria sair dali o mais rapido possivel. Thomas permaneceu impassível. E isso era a resposta que eu precisava. 
    -E aí, o que rolou? – Ariel foi logo pro meu box me encontrar, enquanto eu terminava de arrumar minha bolsa, pronta pra sair dali. 
    -Eu só preciso encher a cara, ta, Ariel? 
    -Opa, ta falando com a pessoa certa! 

  • A Estagiária – 28

    Meia hora depois de mais beijos, o celular de Thomas tocou em seu bolso.
    O celular dele.
    -Porra, voce ta com o celular? – eu disse, me levantando.
    -Caralho, to?! To! – ele disse, me olhando, todo feliz. 
    Ele havia esquecido que estava com seu celular o tempo todo. Puta merda.
    Nao sabia se ficava puta ou agradecia por isso. 
    Na hora ele pegou o mesmo e ligou pra gerencia do predio, pedindo pra alguem subir e vir nos tirar daqui. Nem dez minutos se passaram e um empregado do predio fez isso, graças a Deus. 
    Saí e corri pra cozinha, eu precisava de agua.
    -Desculpe por isso, Hanna. – disse ele, indo atras de mim. – eu juro que nao sabia que estava com meu celular.
    -Tudo bem. – eu o respondi, sem conseguir olha-lo nos olhos. Eu estava morrendo de vergonha. 
    -Voce precisa de alguma coisa, está se sentindo bem?
    -Na verdade, só preciso ir trabalhar, mesmo. – falei, passando por ele rapidamente e indo pro meu box. 
    Terminei tudo o que eu tinha que fazer até as 17 horas. 
    -Eu terminei tudo, posso ir pra casa? – falei, indo pra sua sala. Ele havia voltado pra lá depois daquele momento nosso na dispensa. 
    -Claro, sem problemas. – ele disse me olhando, com o mesmo olhar preocupado de antes. 
    Ia embora, mas antes que eu pudesse, ele disse:
    -Hanna. – virei-me, suspirando. – Voce nao acha que deviamos conversar sobre o que aconteceu?
    -Nada aconteceu, ok? Boa tarde e até amanha. – eu disse, curta e grossa, saindo dali o mais rapido possivel.
    Eu nao fazia ideia do que estava fazendo. 

    No instante em que eu acordei, no dia seguinte, pareceu que todos os momentos da noite anterior vieram a minha mente. 
    OK, não todos, especificamente um. Só um. 
    Nao sei como havia me deixado levar daquela forma, ou se eu tinha entendido tudo errado, desde o começo.. 
    Forcei-me a levantar da cama, meio aturdida e sem saber como que eu iria lidar com aquela situação do trabalho – ou nao iria? – fiz meu café, preparei minhas torradas e fui pro banho. 
    Depois disso, coloquei uma jeans skinny, uma jaqueta marrom e uma blusa de rendinha branca. Nao queria chamar muita atenção no trabalho hoje. Chamar atenção hoje era a ultima coisa que eu pretendia fazer.
    Fui trabalhar com a cara e a coragem. 
    Ao chegar lá, o pessoal já estava todo em seus boxes, trabalhando, e nem me atrevi a chegar na sala de Thomas: fui direto pro meu box e comecei a fazer o que deveria ser feito. 
    Cerca de uma hora depois, Ariel passou por mim –em direçao a sala de Thomas- e depois parou e voltou, dizendo: 
    -Menina! Achei que voce nem tivesse vindo trabalhar hoje.. Ta aqui quietinha por que, huh?
    -No almoço a gente conversa. Pode ser?
    -Ih, ja vi que é treta! Tu ta legal?
    -Sim, sim. Nao se preocupe, nada demais. – sorri, piscando pra ele, que ainda me olhava desconfiado. – É seeerio!
    -Ta bem entao. 
    Ariel foi a sala de Thomas, fez o que tinha de fazer e minutos depois voltou, dizendo: 
    -O poderoso chefão veio me perguntar se voce ja tinha chegado. Pediu pra que eu te avisasse pra depois que voce acabar seu expediente, passar na sala dele. 
    Um frio subiu pela minha espinha.
    Vou ser demitida. De novo. 
    -Tudo bem. – disse com o pouco de animo que me restava. 
    -A gente precisa mesmo conversar, ein!

    Lancei-lhe um olhar de “voce nem imagina”. 

  • A Estagiária – 27

    -Hanna? – ouvi a voz de Thomas se aproximar, quase vinte minutos depois d’eu estar presa ali dentro. Levantei-me atrapalhada, mas quando o fiz, Thomas foi mais rapido e entrou na despensa, deixando a porta bater atrás de si. 
    -Thomas, a porta só abre por f.. – E ja era tarde demais. 
    -Caralho. – ouvi ele se virar pra porta e tentar abri-la. – caralho! A porta só abre por fora quando nao tem luz! 
    -Percebi. – falei numa voz fraca, cansada, permitindo-me escorregar pela parede e me sentar no chao, de novo. 
    -Que merda! Puta que pariu, puta que pariu! – ele disse, puto da vida, chutando a porta. – eu vou mandar tirar essa merda daqui assim que sairmos daqui!
    -Acho que é uma boa ideia. 
    -Onde voce tá?
    -Aqui nos fundos, sentada no chao.
    Ouvi Thomas se aproximar e chutar meus pés.
    -AI!
    -Foi sem querer, nao consigo enxergar nada. 
    -É, deu pra perceber. 
    -Tem uma janelinha em cima de um armário, vou tentar abri-la pra ver se entra um pouco de claridade aqui. 
    -Ta bem.  –concordei.
    Minutos depois, só vi uma flecha de luz entrar e pude ver exatamente tudo ao redor, graças a Deus. 
    -Assim está melhor. – suspirei, aliviada. 
    -Tem medo do escuro?
    -Se eu tivesse, voce teria me encontrado desmaiada aqui. – ele riu assim que eu disse, vindo se sentar ao meu lado. 
    -Cara.. – entao, ele voltou a rir. Franzi o cenho, olhando pra ele. –isso é inacreditavel, sério. 
    -É. É uma merda ficar sem luz e trancada na despensa com seu chefe. 
    -Nao, nao é disso que to falando. – olhou pra mim. – quer dizer, quase. 
    -O que é entao?
    -Tinha que ser voce aqui, sabe? Voce! 
    -Que que tem eu? – meu coraçao começou a acelerar.
    -Voce nao ve, Hanna? Nao percebeu? 
    -Thomas, eu acho melhor.. 
    Antes que eu pudesse continuar a falar, inventar uma desculpa qualquer, dizer que tenho um tumor contagioso e que ele iria morrer em dez minutos, Thomas me beijou. 
    Ele me beijou de verdade.
    Senti uma de suas mãos em minha nuca aproximar meu rosto pro seu, nossas bocas se encostarem devagarzinho e um longo beijo começar a se desenrolar ali. Meu Deus, foi tão bom. 
    Dizem que quando voce beija A pessoa, voce sabe, voce sente. Parece loucura, mas juro que eu senti. 
    Pus minhas maos ao redor de seu pescoço e deixei ele me beijar. Aceitei aquele beijo. Devolvi aquele beijo. 
    Eu queria aquele beijo. 
    Fomos perdendo o ritmo aos poucos, e depois de alguns selinhos, paramos o beijo, mas ainda permanecendo bem perto um do outro. 
    -Voce viu agora? –sussurrou, me olhando.

    -Acho que ainda ta meio escuro aqui, na verdade. –disse eu rindo e beijando-o logo apos, de novo. 

  • A Estagiária – 26

    -Bom dia. – Thomas disse, entrando todo molhado, dentro do escritório. 
    -Bom dia.. – eu falei baixinho, porque ele havia passado rapido demais por mim, nao me dando a chance de falar mais nada. Suspirei, revirando os olhos.
    Cade voce?” – mandei uma mensagem no privado, para Camille. 
    Ela sempre chegava cedinho! 
    Continuei meu trabalho e meia hora depois, Thomas saiu de sua sala, vindo falar comigo: 
    -Sabe aonde está todo mundo? 
    -Nao. Devem estar presos no transito, ou nao sei.. – falei, olhando-o. Ele havia tirado o paletó e estava só com sua camisa social azul, por dentro da calça jeans, um pouco molhada. 
    -Cara.. A gente tá fudido. – disse ele, passando a mao por seu cabelo. – tem muita coisa pra fazer.
    -Vou fazer o possível pra nao nos atrasarmos, entao. 
    -Vou pegar meu computador e sentar aqui de frente pra voce. Tem problema? Já que nao veio ninguem, nao tem porque ficarmos assim.. 
    -Sem problemas. – assenti, voltando minha atençao pro computador.
    Era dificil me focar no trabalho com aquele cheiro de 212, o cabelo molhado e bagunçado dele, e seu jeito todo bem arrumadinho. 
    Minutos depois lá estava meu chefe, gato pra caralho, sentado no box de frente a mim, trabalhando. Enquanto eu lia, respondia emails e ainda atendia ao telefone, senti seu olhar sob mim mas nao me deixei levar. 
    Quando foi chegando a hora do almoço, ele disse:
    -Acho que vou pedir algo pra comer aqui mesmo, voce topa, ou prefere sair?
    Isso foi um ‘almoça comigo?’. Bem sutil, esse convite. 
    -Pode pedir, melhor comermos aqui pra nao juntar mais trabalho. 
    -Certo. E o que voce quer?
    -Uma salada ceasar do La Mole, com um suco de frutas vermelhas está ótimo. 
    -Tao light.. – Thomas riu, me olhando.
    -Que que tem?
    -Nem parece que sabe fazer miojo. – nós dois rimos. – certo. Vou pedir um spaguetti lá, também. 
    Entao, ele ligou pra pedir e enquanto meu estomago roncava e eu me segurava pra nao perguntar sobre como havia sido o encontro dele e de Camille, de novo, resolvi ficar quietinha. 
    -Como foi o final de semana? – ele perguntou, do nada. 
    -Bom. Comi, dormi, caminhei por aí, nada demais. E o seu?
    -Nada, também. Só ouvi meus pais reclamando. 
    -Voce deveria sair pra fazer algo diferente nos fins de semana. Sua rotina nao vai mudar, se voce nao permitir que ela mude, sabe?
    -E o que é ‘fazer algo diferente’ pra voce? Ficar andando por aí?
    -É muito bom pra esfriar a cabeça e ver com clareza as coisas. 
    -Voce acha que eu preciso ver com clareza as coisas?
    -Talvez. –dei de ombros, olhando-o e sorrindo. 
    -A gente poderia fazer algo no fim de seman.. 
    Então o interfone tocou, e sabíamos que era a comida chegando. Graças a Deus! 
    -Ah, ainda bem, estou faminta! – falei após Thomas atender o interfone, pedindo pro cara do La Mole subir.
    -E eu. 
    Depois de recebermos nosso almoço e Thomas insistir em pagar tudo, finalmente fomos pra cozinha e comemos. Por incrivel que pareça, eu me senti extremamente satisfeita com minha salada. 
    Voltamos a trabalhar, meia hora depois de descanso. 
    -Quer um café? – perguntei a tarde, quando meu cérebro nao conseguia mais trabalhar sem nenhum estimulo. 
    -Com certeza. 
    -Ja volto. 
    Fui pra cozinha, mas na hora em que abri os armários, nao vi nada ali dentro. Entao, fui pra despensa e comecei a procurar o café, quando a luz acabou e eu fiquei num breu assustador ali dentro. 
    -Puta que pariu. – sussurrei, tateando até chegar a porta. Coloquei a mao na maçaneta e puxei, porém ela nao abriu. – nao! Nao, nao! – puxei com mais força e nada da porta abrir. 
    Provavelmente a porta é protegida pela energia, e quando acaba, nao abre mais. Que ótimo. 
    Me sentei no cantinho, esperando. Nao ia adiantar ficar gritando por ajuda já que a sala de Thomas ficava bem longe dali. Esse meu dia está cada vez melhor, nao é mesmo?

  • A Estagiária – 25


    “Só queria dizer que Thomas foi super fofo! Acabou que vimos o filme que eu super queria ver –como ele sabia..? –e ele me levou numa lanchonete maravilhosa! Só tive a impressão de que ele tava meio “longe” o tempo todo, nao sabia o que falar e ficou um climao em vários momentos.. To fazendo algo de errado?”

    “Desculpa estar falando tanto. Eu nao queria que soubessem que to saindo com meu chefe, mas me sinto muito confortavel conversando isso com voce!”
    “Espero nao estar sendo chata!”
    Ai, se ela soubesse.. 
    “Oi, Mona! Ta tudo bem, pode falar o quanto quiser. Vai ver ele ficou assim porque ficou nervoso, né? Foi o primeiro encontro de voces! Fica tranquila, os proximos serao melhores!” – eu respondi, indo pra cozinha fazer uma salada pra eu jantar.
    Eu achei que ele realmente queria sair com ela, porque estava interessado nela. Será que ele nao está mais?
    “Sera que vao ter proximos?”
    “Ué, por que nao?”
    “Ele me deixou em casa e só disse “até segunda”, mais nada.”
    “Relaxa, menina! Foi só o primeiro encontro de voces. Deixa a coisa rolar..”
    “Ta bem entao. Brigada por me ouvir ser um pouco desesperada hahaha”
    “Todas temos nossas neuroses, ta tudo bem!”.
    Suspirei. Agora só faltava ele vir me falar essas coisas, pra piorar tudo. 

    Bem, dito e feito. 
    Sábado, a tarde, mandei uma mensagem para Thomas só querendo puxar papo.
    Oi! Tudo bem por aí?”- mandei. 
    “E aí. Tudo bem, sim.” – ele respondeu. Assim mesmo, curto e grosso. 
    Suspirei fundo e insisti: 
    “Como foi ontem?”
    “Normal.”
    “Digo no encontro. Com a Camille.”
    “Nao foi um encontro. Eu só a chamei pra ir pro cinema. Porque voce nao quis ir comigo, lembra?”
    Impressao minha ou ele estava me culpando por ter sido uma merda esse “encontro” deles?
    Ah. Só queria saber se voce tinha gostado.”
    “Camille gostou?”
    “Ela disse que sim.” 
    “Entao ta aí a sua resposta, né?”
    Revirei os olhos, desistindo de tentar.
    Mandei uma mensagem pra Chris, perguntando se ele queria me encontrar no Tea Connection, restaurante que tinha aqui na esquina. Assim que ele confirmou, tomei um banho, pus uma leggin, uma blusa curtinha colorida, meu all star e fui encontra-lo. 
    -Por que voce me chamou? – Chris me perguntou, pouco depois de nos sentarmos no restaurante e trocarmos um papo furado. 
    -Como assim? 
    -Ta meio na cara que rola algo entre voce e o Thomas, nao sei porque nao estao juntos.. 
    -Nao rola nada entre a gente, Chris. Eu e ele somos só amigos, que nem eu e voce!
    -A gente pode ser mais que isso, voce sabe né? – ele me olhou, sorrindo.
    Eu ri, apenas. 
    Chris era bonito, engraçado, simpático, gente boa mesmo. Só que.. nao rolava. É claro que nao rolava.
    Eu queria sempre o mais complicado. 
    Eu e ele comemos um sanduíche natural, depois saimos pra dar uma caminhada, voltando pra casa pouco mais tarde. 
    Arrumei minhas coisas, mandei uma mensagem pra Jer, apenas querendo saber se estava tudo bem, e quando pisquei, já era segunda-feira de novo. 
    Cheguei um pouco atrasada no escritório porque os caras lá em cima –ops, Deus e sua comunhão- resolveram mandar um puta pé d’agua pra iniciar a semana, e pra completar, o transito estava uma merda, claro. 
    Mas o mais estranho foi que nao havia ninguém dentro do salao, onde ficavam os boxes, como o meu, o de Camille, Ariel, etc. 
    Se não vier ninguém trabalhar hoje, vai ser o fim. 
    De qualquer forma, fui pro meu box, arrumei minhas coisas e liguei o computador. Tinha uma tonelada de emails pra repassar, jogar fora ou comunicar a Thomas sobre algum evento que havia sido criado. 

    E por pensar no diabo.. 

  • A Estagiária – 24

    -Amo. 
    -Ótimo. Desculpe pelo convite repentino, estamos tentando fechar um negócio com um desfile que está por vir e está dificil e tudo que eu converso sobre é trabalho. Aqui, em casa.. 
    -Em casa?
    -Eu moro com meu pai agora. Pessima escolha. 
    -Ele nao deve ser tao ruim assim.. 
    -Porque voce ainda o conheceu. 
    “Ainda”?
    Apenas assenti, sorrindo. 
    Chegamos no restaurante que ele sugeriu pouco depois. Encontramos uma mesa vazia num canto, perto de uma janela que dava pra uma floresta, uma bela vista.
    -O que voces vao querer? –um garçom veio logo de encontro a nós, perguntando. 
    -Rodizio, pode ser?
    -É claro. – eu disse sentada em frente a Thomas. – queria um suco, também. 
    -Uma coca. – ele pediu. 
    -Num instante. 
    Começamos a conversar e minutos depois, eu já me sentia completamente a vontade. Entre nós nao tinha climao, nao tinha nada de ruim, precisava admitir.
    Até ele dizer:
    -Quais filmes bons estao em cartaz?
    -Como assim? – eu ri, meio confusa. 
    -Voce sabe.. Eu vou ao cinema hoje com Camille e eu nao tenho ideia do que assistir. 
    -Ah. Ahn.. ela gosta do Adam Sandler, pelo que pude perceber, e acho que tem um filme dele em cartaz. 
    -Sério?
    -Aham. – sorri, olhando pro meu prato meio infeliz. Ele tinha mesmo que falar sobre isso comigo?
    -E tem algum lugar legal pra leva-la, depois do filme? Pra fazermos, sei la, um lanche?
    -Tem uma lanchonete numa rua proxima ao shopping com umas pizzas boas. Acho que voces vao gostar de la.
    -Pizza? Nao é muito intimo?
    -Nao? – eu ri, olhando-o. – eu como pizza com os caras, mesmo quando nao é nada demais.
    -Voce come pizza com o Chris? – Thomas olhou bem pra mim assim que fez essa pergunta. 
    Fiquei tao perdida que só ri, olhando-o. 
    -Sao quase 1h, acho que devíamos voltar. 
    Ele apenas assentiu, meio inconformado por eu nao ter respondido-o. Mas enquanto eu nao soubesse o que estava rolando aí, nao ia ficar falando sobre minha vida pessoal. Com outros caras.
    Voltamos pro escritório e ele passou o resto do dia trancado em sua sala, e eu, sentada na minha mesa. Hora fazendo nada, hora vendo meu Instagram, hora atendendo ligaçoes.. 
    Quando eram 4 horas e eu estava super entediada, cheguei em sua sala, perguntando: 
    -Voce ainda precisa de mim, hoje?
    -Nao. – ele disse, sem tirar os olhos da tela de seu computador, enquanto digitava algo. 
    -Entao posso ir?
    -Aham. 
    -Ok. 
    Fechei a porta, com um suspiro, peguei minhas coisas e saí dali. Nao ia deixar a bipolaridade do meu chefe acabar com minha sexta feira. 
    Fui pra casa, tomei um bom banho assim que cheguei e fiz o melhor que eu tinha pra fazer: dormir. 
    O problema foi que eu acordei só às 21h, com meu celular tocando. Peguei-o, meio assustada por ver que eu tinha dormido pra cacete e meio irritada por serem só mensagens de Camille. 

    “Hanna, ta ai?”