• Mar de Aparências – Capítulo 3

    Capítulo 3- “Como uma moça delicada”

    Acordei no dia seguinte preparada pra seleção das cheerleaders.

    Tomei um banho, coloquei um shortinho de laicra, um top e ao pegar meu celular, antes de sair, vi uma mensagem do papai:

    “Oi filhinha, tudo bem por aí? Quando vou poder te ver? Estou com saudades. Te amo muito!”

    Meu coração apertou. Que saudade de papai. Agora sem a mamãe, e sem mim na casa para ajuda-lo com as tarefas que ele estava acostumado que ela fizesse pra ele, ele estava sozinho com vovó que pelo menos, estava bem e na sua melhor forma.

    “Primeira festa e já descobri um garoto problema! Fora isso, tudo ótimo, papai. Estou indo pro treino de líder de torcida. Final de semana, acho que estamos abertos para visitas! Saudades sempre. Te amo muito!”

    Theo

    Acordei e a primeira coisa que me lembrei foi do fora de ontem.

    Eu realmente não havia reparado nas tatuagens de Astrid, e pior, falei o que falei esperando que ela concordasse 100% comigo, como todos meus amigos e amigas que fiz ao longo do tempo.

    Quando eu achava que estava quase conquistando ela…

    Dei uma olhada no relógio de cabeceira ao lado de minha cama. 13:20. Eu estava atrasado pra caralho pro treino de futebol.

    Puta merda.

    Eu jogava no Brit Lacross Team há dois anos, eles estavam acostumados com meus atrasos.

    -Na hora, ein, Wintfield?  – o treinador disse assim que me viu correndo pra quadra, ajeitando meu capacete.

    -Perdi a hora, Mrs. Mayer.

    -Quando você achar ela, me avisa. 10 voltas na quadra pra aquecer, já que você perdeu o alongamento.

    Assenti e comecei a correr.

    Eu sentia aos poucos meu corpo começando a liberar endorfina. Ah, não tinha nada mais prazeroso pra mim que isso.

    Transformei meu vício de bebida em esporte.

    Melhor bater nuns caras, que nuns carros, né?

    Estremeci, tentando afastar o pensamento daquela noite pra longe.

    A noite

    Um farol alto pra caralho veio na minha cara.

    Tapei os olhos com os braços;

    Que deveriam estar no volante…

    -Chega, Wintfield! Venha pra quadra jogar! – Falou meu técnico, gritando. Provavelmente ele deve ter gritado umas cinco vezes até eu conseguir ouvi-lo dessa vez.

    As vezes meus pensamentos falam mais alto que a realidade.

    -Sim, senhor.

    Eu já pingava de suor. Usei o cansaço como força pra continuar.

    Como sempre faço.

    Depois de duas horas e meia e um lábio arrebentado, saí da quadra, e ao passar na quadra de baixo, fechada para as líderes de torcida, resolvi parar para dizer um ‘oi’ pra minha irmã, Dalia.

    Entrei no ginásio e vi um bando de garotas com shortinhos e tops ensaiando. Tentava desviar os olhos daquelas pernas e procurar minha irmã, mas confesso que era um pouco complicado.

    -Veio apreciar a vista? – uma voz conhecida me pegou de surpresa.

    Quando me virei, era Astrid.

    Sabe o tomate? Então, fiquei mais vermelho que ele.

    Ela segurava uma garrafa d’agua em mãos e vestia uma roupa igual as outras.

    -Vim ver minha irmã, na verdade. – devolvi.

    Ela ficou meio sem graça.

    -Não sabia que isso era seu negócio. – apontei com a cabeça pra elas.

    -Ah, deixa eu adivinhar.. provavelmente você achou que eu preferiria ficar em meu quarto lendo, ou na biblioteca, como uma moça delicada, não é?

    Travei o maxilar.

    -Relaxa, vou deixar aquela passar. Oi, sou Astrid! – ela esticou uma mão, pra que eu cumprimentasse.

    -Prazer. – dei minha mão a ela. – Theo.

    Antes que pudéssemos dizer mais, chegou minha irmã, dizendo:

    -Hey, Astrid, estamos dando sua falta. Vejo que já conheceu o leitão?

    -Leitão? – Astrid gargalhou. Fiquei sem graça.

    Era um apelido idiota que Dali pôs em mim, porque fui.. hum, fortinho até meus 14 anos. Revirei os olhos.

    -É melhor você continuar com Theo, mesmo. – disse olhando pra Astrid.

    Ela só riu.

    -Tá, chega, você já ta roubando uma das minhas melhores novatas. Vamos?

    Antes que eu a chamasse pra fazer algo, ela disse:

    -Bem, preciso ir. A gente se vê. E ah, melhor cuidar disso aí. – apontou com a cabeça para meu lábio, que estava meio ferido, eu podia sentir o gosto de sangue em minha boca.

    Acenei um tchau e saí do ginásio.

    Iria atrás da minha única fonte confiável que poderia me dar informações sobre ela.

  • Conheça um pouco sobre o processo de decisão das escolas de MBA no exterior

    Deadline,  revisor do “application, convite para entrevista: conheça como acontece o processo de decisão de MBA. Matéria publicada pelo site Estudar Fora.

    Oi, gente, tudo bem?!

    Hoje eu venho mostrar um pouco para vocês como acontece o processo de decisão das escolas de MBA, no exterior. Vamos conferir!

    Antes de mergulhar de cabeça na preparação do seu application, é importante entender como funciona a tomada de decisão em universidades estrangeiras. Há um pouco de variação entre elas, mas o processo abaixo, descrito por um admissions officer de uma universidade Top 10, é bastante representativo.

    1. No dia seguinte ao “deadline, o “application” completo é impresso ou baixado em um tablet e passado a um “admissions officer” ou a um membro da comunidade da escola (geralmente alunos do segundo ano contratados para esse propósito).

    2. O primeiro revisor do “application– o “admissions officer” ou membro da comunidade da escola – lê todo o material em detalhe e recomenda ou não que o candidato seja entrevistado.

    3. Após passar pelo primeiro leitor, o “application” é enviado a um segundo revisor, desta vez certamente um “admissions officer” com ampla experiência e um bom conhecedor dos objetivos e perfil de aluno que a escola busca. O “admissions officer” também recomenda o candidato a entrevistar ou não.

    4. Caso haja divergência entre os dois primeiros revisores em relação ao convite para entrevista, o “application” é encaminhado ao “Admissions Director”, o qual revisa o material novamente e toma a decisão.

    5. Entre (aproximadamente) a terceira e quinta semanas após a “deadline” o candidato é informado pela escola se está convidado a entrevistar ou se foi rejeitado.

    6. Aos convidados a entrevistar são geralmente oferecidas duas opções: entrevistar no campus da escola ou em uma cidade global próxima à sua cidade de origem. No Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro são naturalmente as cidades principais. Em algumas escolas, os entrevistadores são ex-alunos (alumni); em outras, são profissionais treinados e calibrados pela escola.

    7. O entrevistador preenche um relatório que mistura elementos objetivos – uma matriz onde ele/ela julga o candidato em quesitos como habilidade de comunicação oral, clareza, simpatia, boa postura, lógica de suas histórias, motivação por liderar, interesse real pela escola –, e subjetivos, onde relata as impressões gerais sobre o candidato e seus exemplos mais marcantes. No final deste relatório o entrevistador recomenda: (a) admitir, (b) admitir com cautela ou (c) não admitir.

    8. Uma vez que o relatório da entrevista (“interview report”) é recebido pela escola, ele é enviado ao “Admissions Director” (o qual provavelmente ainda não revisou o “application”). Após revisar o “application” completo, ele/ela faz uma das seguintes recomendações: (a) admitir, (b) enviar ao “Admissions Commitee” (AdCom), ou (c) rejeitar o candidato.

    9. Caso todas as recomendações sejam para admitir o candidato, envia-se a ele a tão esperada “admissions letter”. Caso haja divergência entre as recomendações, o “application” é revisado novamente por um comitê (“AdCom”), que debate os méritos do candidato, fazendo a recomendação final para o “Admissions Director”: (a) admitir, (b) colocar em lista de espera (“waitlist”), ou (c) rejeitar.

    Como visto, o processo de decisão é complexo e levado muito a sério pelas escolas. Seguindo o fluxo acima, um “application” de sucesso passa pelas mãos de pelo menos 4 leitores críticos, por isso a importância em gastar um período significativo refletindo e preparando seu material. O “AdCom” gastará, em média, 20 minutos no total analisando seus documentos; portanto, detalhes únicos e interessantes sobre a sua trajetória podem fazê-lo se destacar em um mar de candidatos tão talentosos quanto você.

    Recomendamos ao menos 4 meses, idealmente 6 meses, para o resgate de suas histórias, pesquisa sobre os programas, rascunho de sua visão de futuro e o papel da escola em torná-la realidade.

    O seu objetivo como candidato é impressionar seus leitores a ponto de eles dizerem: “Que pessoa interessante, eu quero que ela faça parte da minha escola!”. Assim, seu material escrito deve transmitir não só seus feitos profissionais, mas também sua personalidade, e mostrar o quanto sua presença agregará de valor ao programa, dentro e fora da sala de aula.

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  • Mar de Aparências – Capítulo 2

    Capítulo 2 – Eu sou a rainha das discussões.

    Acontece que eu resolvi dar uma olhada na biblioteca, encontrei outras calouras e conversamos até eu olhar pro vidro transparente, que dava pra fora do campus, e ver que já era noite.

    Subi correndo pro quarto, mas já era tarde demais: quando vi um bilhete em cima da minha cama, suspirei, sabendo que Tina e Beckie já haviam partido pra festa.

    “Estou saindo! Já imaginava que você iria furar.. Tô de celular, mas não me ligue. Beijinhos, B e T”.

    Pelo menos eu não precisarei ser obrigada a beber.

    Resolvi terminar de desfazer minha mala, peguei um porta retrato que tinha eu, mamãe e papai num restaurante chique e coloquei-o na mesa de cabeceira. Acordar todos os dias vendo o sorriso de minha mãe, que infelizmente, não posso mais te-lo pessoalmente, melhoraria meu dia. Depois de afastar a nostalgia ruim, escolhi uma roupa simples e fui tomar um banho.

    Tomei um banho tão quentinho – a temperatura caía bastante aqui em Bright Inn a noite – que fiquei relaxada pra deitar e tirar um cochilo.

    O cochilo acabou virando um sono de 6 horas que só foi interrompido porque tinham umas pessoas no lounge fazendo um barulhão.

    Dei uma arrumada no cabelo e desci – provavelmente eram minhas amigas trêbadas-.

    -Vamos, Ed, aqui não é nosso dormitório.. – eu ouvi uma voz masculina que reconheci.

    -Claro que é! Eu sei exatamente onde eu to. – em seguida ouvi outra voz completamente enrolada.

    Continuei descendo as escadas e me coloquei no campo de visão dos dois. Afinal, o amigo –que aparentava não estar bêbado – poderia precisar da minha ajuda pra por o outro pra fora.

    -Oi.. – o menino, não tao bêbado, me olhou, assustado. Na hora o reconheci: era ele o da fila de hoje cedo. – Desculpe se a gente te acordou, ele entrou aqui tão depressa que eu nem vi..

    -Tudo bem. Precisam de ajuda?

    O tao bêbado sentou na poltrona e apagou.

    Jesus.

    -É. Não. Vou chamar meu outro companheiro de quarto. – tirou o celular do bolso e começou a digitar. – Eu não bebo e quando vou pra festa com esses caras sou sempre a babá.

    Não bebe? Até parece.

    Deve ta falando isso pra me chamar atenção.

    -Ah. Que droga isso. Então, tá, vou subir..

    Mas antes que eu desse as costas pra ele, ele disse:

    -Espera.. Voce é aquela menina que encontrei na visita guiada hoje cedo, não?

    -Sim, sou eu mesma.

    -Ah, sim. Sou Theo, prazer. – Sorriu. Ele até que não era tão metidinho quanto parece..

    -Astrid.

    – Então, meu amigo tá aqui na porta, pra levar esse bebezão pro dormitório certo. Me ajuda a levar ele pra fora, por favor?

    -Sim, claro.

    Aproximei-me dos dois e enquanto eu peguei um braço do garoto e joguei nos meus ombros, Theo fez o mesmo e abraçou ele pela cintura, para endireitar seu corpo.

    Fomos até o lado de fora de meu dormitório e lá tinha um rapaz alto, de pele negra, careca, muito bonito também.

    -Eei.. – ele não entendeu muito ao me ver.

    -Oi, sou Astrid, eu só vim ajudar mesmo. –ri, sem graça.

    -Giovani. E desculpe pelo bebezão.

    Entao esse era o apelido dele mesmo?

    -Tudo bem. Espero que ele fique bem amanha.

    -E não vai nem lembrar de nada disso. – Theo disse, rindo.

    Theo entregou o rapaz a Giovani, que rapidamente pegou-o no colo (sim, no colo!) com seus braços gigantes e saiu andando, e continuou ali, sem saber o que dizer.

    -Seu amigo acabou com sua festa, né?– perguntei, pra matar aquele silencio constrangedor.

    -Na verdade, eu só apareci lá pra ajudar. Não curto muito essas comemorações de início de semestre. Dá sempre muita confusão.

    -Percebi. – ri, baixinho.

    -E você, por que não foi? – perguntou, colocando as mãos nos bolsos.

    -Dormi. – sorri pra ele, sem graça. – Ia com duas amigas, mas perdi a hora..

    -Ah. Entendi. Deu pra notar que não fazia muita questão de ir, também, né?

    -Com certeza.

    Passaram duas meninas por nós dois uma se jogando no braço da outra, tentando se segurar, rindo pra cacete… completamente bêbadas.

    Ouvi Theo bufar.

    -Que foi? – franzi o cenho.

    -Feião essas meninas, né?

    -Como assim?

    -Enchendo a cara, ficando louca. Acho isso terrível.

    Dei uma risada que mais saiu como uma forma de escárnio, que ironia.

    Que machista.

    -Homem pode? Seu amigo, há alguns minutos atrás, era engraçadão?

    -Ah, de homem você já espera isso, ué. Mulher é mais delicadinha, não tem que se prestar a essas situações.

    -Você disse delicadinha? – arregacei as mangas do casaco que eu estava, mostrando um braço meu fechado em tatuagem, e outro, com um ou dos desenhos.

    Theo arregalou os olhos, chocado.

    Provavelmente ele não tinha visto hoje cedo, quando nos encontramos na visita guiada, porque eu estava com uma blusa manga ¾, escondendo boa parte delas.

    -Isso é machismo, Theo. Não é legal. Mulher não é ‘delicadinha’. Bom, nem todas. Eu bebo. Eu encho a cara, e sim, fico que nem seu amigo. Isso não é motivo pra desgostar de alguém. Mas já o machismo…

    Dei de ombros, dando as costas pra ele e voltando pra dentro do meu dormitório, deixando-o sem palavras. Comigo não vai ter essa de falar um tipo de merda desses e achar que eu vou balançar a cabeça e concordar, só pra não arrumar discussão. Eu sou a rainha das discussões.

    Cerca de uma hora depois, as meninas voltaram da festa, completamente loucas, as ajudei a deitar, tirar sapatos, etc, e deitei-me também.

  • Mar de Aparências – Capítulo 1

    Capítulo 1: Conhecendo o campus

    -Que diabos você ta fazendo? – minha colega de quarto, Tina, perguntou enquanto eu tirava minha recém chegada mala do canto do quarto e começava a tirar minhas roupas dali para guarda-las no armário.

     -Desfazendo minhas malas?

    -Astrid, pelo amor de Deus! Daqui a pouco vai começar a visita guiada pelo campus! Vão mostrar os melhores lugares pra tudo! E cá entre nós, no meio dessas visitas, sempre surge um convite pras festinhas!

    -Mas eu já conheço tudo.

    -Eu também, mas não conhecemos pessoas! Vai ver nossa terceira colega de quarto estará lá! Vamos, Astrid! Não vou deixar você ser vista como a antissocial antipática antiamigos!

    -Isso é muito anti-não-sei-o que.

    Eu já era conhecida dessa forma no colegial. Não me mataria continuar com a tradição.

    Tina me lançou um olhar forte ergueu a sobrancelha. Isso definitivamente significava que era pra eu ir.

    -Ok, te encontro lá embaixo em 5 minutos. Deixa só eu por minha legging.

    -Se eu tiver que subir de novo..

    -Tá, Tina, tá! –disse eu, entrando logo no banheiro com a calça na mão.

    Estava um puta sol lá fora, e como eu não estava afim de ficar com as coxas assadas, é melhor por uma bermuda mesmo. Depois de vestida, dei uma arrumada no meu cabelo, peguei meu celular e desci.

    O dormitório estava cheio de garotas correndo de um lado pro outro, com caixas nas mãos. Era engraçado ver tanta empolgação no início do semestre. Dali 2 meses, isso daqui vai estar vazio, porque todos estarão em seus quartos e/ou na biblioteca, comendo um livro.

    -Ei, aí está você! – Tina disse assim que me aproximei dela, na porta do dormitório. – Ali tem uma fila pra fazer carteirinha. – apontou pra trás de uma das árvores, onde havia um aglomerado de pessoas com documentos em mãos. – E ali, fichas pra bolsas. Tipo, se você quer ser cheerleader, jogadora de basquete, etc..

    Pensei por um momento em ser líder de torcida.

    Não era má ideia.

    -Tá pensando em sacudir a bunda com pompons nas mãos, né, safada? – dei uma cotovelada em minha amiga, rindo, enquanto ela me zoava. – Não é má ideia, na verdade. Os treinos começam amanhã a tarde. Podemos dar uma passada lá, se quiser.

    -Pode ser!

    -Quem quiser dar uma volta pelo campus, saber onde é o prédio de cada curso, vem comigo! – Uma ruivinha, alta, com cara de veterana, passou por nós com um bando de garotas seguindo-a.

    -Essa é a nossa deixa! – Tina agarrou-me pelo braço, entrando atrás das meninas, na fila que já se formava.

    Suspirei.

    Ia ser uma tarde longa.

    Depois de uma hora – que pareceram duas, andando de baixo de um puta sol, passamos em frente ao prédio que era só pra pesquisas e informática.

    Eu me abanava com um folheto que recebi de um cara que estava distribuindo, sobre uma festa que teria mais tarde.

    -Ali a direita temos a entrada do.. – E a ruiva não parava de falar um segundo.

    -Só quero saber onde fica a saída.

    Só me dei conta de que tinha dito isso em voz alta, quando ouvi uma voz masculina, ao meu lado, dizer:

    -Acho que dá pra fingir interesse e entrar num desses prédios com ar condicionado e só sair de lá de dentro quando o pessoal estiver já do outro lado.

    Ri, baixinho, olhando-o. Ele era um pouco mais alto que eu, branco e estava com a pele bronzeada do sol que fazia, olhos verdes e forte. Estava com um boné da universidade e uma bolsa grande, pendurada num ombro só, como uma pasta.

    -Eu odeio essas coisas de calouro. Me sinto idiota, como se tivessem me ensinando algo que eu já deveria saber.

    -Chegou hoje?

    -Sim. – assenti, me abanando ainda.

    -Então se prepara. Todo dia vai ter algo novo pra você ver.

    -Você já conhece tudo por aqui, então?

    -Ah, não. So estava passando pra informática mesmo.

    -E vai perder um passeio desses?- falei irônica, revirando os olhos.

    Ele riu. Que risadinha fofa.

    -Eu passo, valeu.

    -Vamos logo, não quero ficar pra trás! – Tina chegou, me puxando pelo braço, não me dando nem chance de me despedir do garoto simpático.

    -E então, quem era aquele gatinho puxando papo contigo? – ela perguntou quando o tour pelo campus acabou e fomos tomar um cha gelado na cafeteria que achamos por perto.

    -Não sei! –bati a mão na mesa, assustando-a um pouco. – você me tirou de perto dele antes que eu pudesse ao menos saber seu nome!

    -Relaxa, na festa vocês com certeza vao se esbarrar. – jogou o cabelo pra trás do ombro, paquerando alguns caras que estavam na fila pra fazer um pedido.

    -E quem disse que eu vou?

    -Astrid, acorda! Cê vai ficar no quarto fazendo o que? Lendo?

    Revirei os olhos.

    Era proibido?

    Terminamos nossas bebidas e voltamos pro quarto, onde achamos uma loira baixinha, de costas pra nós, arrumando sua cama.

    -Oi? – falei, meio tímida.

    -Oi, meninas! – ela olhou pra gente, sorridente. Deu pra perceber que era simpática, e também deu pra perceber umas manchas vermelhas – acho que eram de nascença- que tinham em seu braço.

    -Oi! – Tina disse, se aproximando. – Sou Tina e essa é minha melhor amiga mais desanimada pra coisas de calouras, Astrid.

    Dei um tchauzinho sem graça.

    -Eu sou Bethanie, mas prefiro que me chamem de Beckie, prazer! Se não se importam, peguei essa cama do canto pra mim.

    Eu já estava pensando em dormir na beliche com a Tina, de qualquer forma.

    -Ah, sem problemas. – Falei, sorrindo. – Entao, você é daqui?

    -Na verdade.. ahn, eu vim passar as férias de verão aqui, com meus pais pra visitarmos meus tios.. bem, sofremos um acidente de carro e eles não.. ahn, bem.. – dava pra perceber que ela estava muito incomodada em tocar naquele assunto.

    -Tudo bem. Entao, você se inscreveu pra alguma bolsa? – Tina perguntou, tirando-nos daquele momento constrangedor.

    -Sim, fui líder de torcida no colegial, então né..

    -Ah, que coincidencia! Astrid está pensando em ir ao treino amanha. Voce acha que dá pra dar um empurrãozinho? – Tina tomou minha frente, dizendo.

    -Ta louca? –repreendi-a.

    -Relaxa, deixa comigo. Já falei com as capitães do time daqui e elas são gente boa pelo que vi. Vao gostar de você também!

    Suspirei. Pelo jeito não adiantava mais fugir.

    -Então, com que roupa vocês estão pensando em ir na festa hoje?- Beckie perguntou, sentando-se em sua cama escolhida. – Quero palpites.

    Eu sabia que nessas primeiras festas do campus só dava gente bêbada. E um bando de calouros se achando, é claro.

    Fiquei uns segundos apenas observando as duas tagarelarem sobre roupas, meninos e bla bla blá. Depois, saí de fininho do quarto e fui até o andar de baixo, onde tinham sofás, máquinas de café, Tvs.. Como se fosse o longe do dormitório.

    Peguei um copo de café e sentei-me um pouco, observando as pessoas.

    -Voce é nova aqui, não?- olhei pro lado e vi um loiro de olhos claros, sorrindo pra mim.

    -Sim, cheguei hoje. E você?

    -Veterano há 3 anos. Sou monitor e fiscal do campus. Erik, prazer. Se precisar de ajuda com alguma coisa..

    -Ah, claro, obrigada. – sorri, meio tímida ainda.

    Ele se afastou pra falar com outras pessoas que estavam por ali também e eu me levantei, voltando pro quarto.

    Tina deixou uma mensagem, avisando que foi dar uma olhada no campus com a Beckie.

    Ótimo, ainda tenho tempo pra vegetar mais um pouco.