• Nosso ritmo

    Stella Lloyd apesar de ter uma carreira um tanto marcada pela mídia e por seu talento, se vê infeliz e amaldiçoada pelo terrível acidente que aconteceu antes mesmo dela atingir maior idade, ou atingir o auge da fama. 

    Durante toda sua luta pra apagar o passado, a nova dançarina no mundo do Hip Hop acaba conhecendo a estrela dos filmes de Hollywood, Austin Butler. O pai do garanhão, David Butler, ao ver que a garota está na sua melhor fase, a convida para estrear um de seus novos filmes, ao lado de seu filho, Austin. Ao topar, Stella vive uma intensa paixão que infelizmente, não foi correspondida. 

    Em uma simples viagem de férias com suas amigas e dançarinas, junto a sua treinadora, a uma cidadezinha do interior da Flórida, Stella reencontra seu antigo amor mas percebe que as coisas nao eram mais como antes. Nem seus sentimentos, nem as pessoas em quem ela mais confiava. 


    O que você faria, se só tivesse mais uma chance de reconquistar o amor de sua vida?

  • Nosso ritmo – FIM

    -Está em casa, com as outras meninas. 
    -E a Trayce? –Perguntei, travando meus dentes. 
    -Ainda não tenho noticias dela, nem de Drake, acho que levaram ele pro hospital, sei lá. 
    -Hum. 
    -Nossa, mas você ta de parabéns ein? Nunca vi alguém bater tão bem, Stella. –Austin riu, se levantando. 
    -É, você que o diga né? 
    -Nossa, não conta isso a ninguém. –Ele me olhou sério –Ou não vao querer que eu fique com você senão vou ser espancado até morrer.
    -Coitadinho. –Levantei-me, indo até ele e beijando devagarzinho seus lábios –Me perdoa, ok? Agora vamos que eu vou limpar essa ferida.
    -Aí sim. –Sorriu, indo atrás de mim até o banheiro.
    Austin ficou encostado na pia, enquanto eu pegava algodão, molhava e limpava seu nariz, e passava pomada também.
    -Ai. –Ele segurou minha mão, reclamando de dor.
    -Desculpe.
    -Com uma enfermeira dessas.. Vou querer ficar machucado ou doente toda hora. 
    -Isso foi um pedido pra outra porrada? 
    -NÃO –Ele se afastou, rapidamente e eu comecei a rir –Pelo amor de Deus. 
    -Relaxa aí. E fica quieto, preciso limpar logo isso.
    Austin riu,e ficou me olhando, enquanto eu limpava seu rosto. 
    -Você já sabia, não é? –Perguntei. 
    -Sim. Desculpe não ter contado. –Assenti, suspirando.
    -Como soube?
    -Meu pai. –Franzi o cenho –Depois do lance dos paparazzis na praia, eu fiquei pra matar ele. Porque eu sabia que ele quem tinha mandado os caras, né. Aí isso meio que obrigou ele a me contar, toda a verdade.. 
    -Por um lado ele tava ajudando a gente né? 
    -Você. –Assenti e na hora o celular de Austin começou a tocar. –É a Lori. 
    -Atenda. Pode ser noticias do seu pai. –Ele balançou a cabeça de forma positiva e logo o fez.
    Afastei-me, juntando os algodões e começando a arrumar ali o que tinha usado. Reparei que Austin mudou até o tom a falar com Lori. Depois que ele desligou o celular e olhou pra mim, parecia que ele ia explodir com o tamanho do sorriso que ele deu pra mim. 
    -Seu pai já saiu do hospital? –Sorri, me aproximando dele.
    -Melhor do que isso. 
    -Hum, o que? Me conta logo! 
    -Transferiram meu pai pro quarto, e assim que o fizeram, Lori já tava sabendo da confusão e contou tudo pro meu pai. Ele já lançou mandado de prisão pro Drake que já está no hospital, ta em coma, mas ta vivo. E Trayce já foi presa. As meninas estão na sua casa, sendo interrogadas pela policia, porque meu pai já contou tudo ao xerife.
    -Meu Deus.. Ele cuidou de tudo. 
    -Foi uma promessa que meu pai fez ao seu pai, Stella. Ele prometeu a ele que cuidaria de você.
    -Sério? –Eu disse em uma voz chorosa, abraçando Austin. –Eu não sabia o que seria de mim se não fossem vocês. 
    -Ah, continuaria sendo boa de esquerda, viu? 
    -Você quer ver eu te dar uma de direita pra você ver? –Austin riu, beijando minha cabeça. –Muito obrigada, Austin.. Voce não me contou a verdade, mas você o tempo inteiro me preparou pra ela. 
    -Eu que agradeço, Stella. Mas.. E agora? 
    Saímos do quarto e eu me sentei no sofá da sala. Ele se sentou ao meu lado, assim que eu comecei a falar: 
    -Tudo mudou agora, Austin. Tudo. Eu sinto como se eu pudesse finalmente seguir com a minha vida. Sem mais olhar pra trás, sem medo do passado, sem peso na consciencia. A partir de agora, nasceu uma nova Stella, entende? 
    -E entre a gente? Mudou alguma coisa também? –Ele jogou seu braço por cima de meus ombros e eu coloquei minha perna em cima da sua. 
    -Mudou. –Falei séria, e Austin me olhou com medo. –Sinto que esse tempo inteiro eu gostava de você. Ou gosto. Mas bem pouco sabe? Bem pouco mesmo. 
    -Quantos socos você vai me dar de diferentes formas em uma só noite? 
    -Quantos eu quiser, duh. –Nós rimos e nos beijamos. –Mas é sério. Foi como tirar um peso da minhas costas e eu poder ver que tudo isso se juntou, até o que tinha entre a gente se juntou com a culpa do passado, e foi como se eu não pudesse mais seguir em frente. E agora eu sinto que posso. 
    -Comigo? 
    -Com você. 
    Coloquei minha mão na lateral de seu rosto, beijando-o mais uma vez, e sorrindo, enquanto ele deixava suas mãos em minha cintura. 
    -Só cuidado com essas suas asinhas, ta meu amor? Eu não to preparado pra outro soco. 
    -Você vai ver quem tem asinhas, seu babaca! –Ri, batendo em sua perna. 
    -Mas tem uma coisa. 
    -O que? –Perguntei, olhando-o.
    -Vou ter que virar milionário. –Franzi o cenho –Jane me contou da fechadura, cara. As da nossa casa vão ter que ser blindadas. Ou Anti-Descontroladas. 
    -E quem disse que eu moro com caras que apanham de garotinhas? –Ri, enquanto ele me beijava rindo também.
    -Você não é uma garotinha, e está longe de ser, Stella. 
    -Você que é todo menininho, cara. 
    Muita coisa mudou, mas Austin vai sempre continuar sendo aquele playboyzinho. Vai continuar sendo o meu Austin de sempre. 
    -Ainda te amo, minha Amy. –Ele sussurrou, beijando o pé de meu ouvido. 
    –Eu te amo demais, Austin.

     Espero que tenham gostado dessa história. Rolou romance, confusão, cantoria, bebedeira.. de tudo. Mas é assim, né? Como qualquer vida; tem seus altos e baixos. Até a próxima!
    Besin, besin
    Giulia

  • Nosso ritmo – 29

    -EU QUIS ME ENTREGAR! -Ele se agarrou em uma pilastra e se levantou agora, vindo em minha direção – EU IA ME ENTREGAR! ELES NAO DEIXARAM STELLA, ELES NAO ME DEIXARAM!
    -ENTAO POR QUE VOCE NAO ME CONTOU? -Soquei novamente seu rosto, mas dessa vez, pegou em seu nariz e começou a sangrar seu rosto inteiro. -EU QUERO VER CADA GOTA DE SANGUE DO SEU CORPO SAIR, CADA GOTA.
    -NAO FAÇA ISSO, PELO AMOR DE DEUS!-Ele ainda estava de pé, cambaleando -EU-EU NAO CONSEGUI FALAR COM VOCE, EU NEM TE CONHECIA, CARA..
    -Você teria falado comigo. Você teria me achado. Se voce quisesse.
    -VOCE ACHA QUE EU QUERIA SER PRESO POR ALGO QUE EU NAO FIZ DE PROPOSITO? TU ACHA QUE EU SOU OTÁRIO, GAROTA?Drake veio pra cima de mim, segurar meus braços, mas na hora joguei ele em cima do balcão do barmen e comecei a socar sua cara, e na hora que ele segurou de novo meus braços, dei uma joelhada entre suas pernas.
    -VOCE É, NAO SÓ OTÁRIO, COMO UM CANALHA! ATÉ O CAPETA DEVE TER INVEJA DE VOCE, DE TÃO MAL CARÁTER E SÍNICO QUE VOCE É, SEU BANDIDO!As pessoas já tinham feito uma roda em nossa volta, gritando. Mas ninguém se atreveu a encostar em mim.
    -E COMO VOCE FOI CAPAZ? VOCE AINDA FOI JOGAR CHARME PRA MINHA MELHOR AMIGA! A MINHA MELHOR AMIGA! -Comecei a jogar todas as garrafas de bebidas em sua cabeça, e ele gritava de dor. O alcool devia estar entrando em todas as feridas que fiz em seu rosto.
    -E voce achou o que garotinha? -Ele disse baixinho, nem se aguentava em pé, direito. -Que depois de um acidente idiota, com pessoas que nem eram da minha familia, eu deixaria de viver?
    -É o que vai acontecer agora. Eu vou fazer da sua vida um inferno, Drake.
    Ele correu pro centro da roda que havia se formado e eu fui atrás dele, jogando-o no chão com uma rasteira, e voltando a socar sua cara. Se eu ainda tivesse com meu pedaço de maçaneta na mão, teria feito um lindo desenho com ela na cara dele.
    -Você vai morrer! MORRER.
    Drake começava a fechar os olhos, mas eu nao me importava, eu iria tortura-lo até aquela raiva passar. Se é que ela iria.Mas antes que eu pudesse continuar, senti alguém agarrar minha cintura e sem olhar quem era, dei uma cotovelada em seu nariz e voltei pra cima de Drake.
    Foi quando alguém bateu com algo na minha cabeça e eu vi tudo preto em minha frente antes de uma extrema dormencia cair sobre meu corpo e eu apagar.

    Uma tremenda dor de cabeça começava a se espalhar pelo meu cérebro. Abri os olhos aos poucos e pude ver apenas uma janela, e em volta, aquele quarto não tinha nada familiar.
    Onde diabos eu vim parar?
    Fui tentar me sentar, mas eu estava mais fraca do que pensei e meus braços falharam. Quando notei que não estava sozinha naquele cômodo. Austin, que estava sentado em uma cadeira ao meu lado, me ajudou a sentar.
    -Está melhor? –Ele perguntou baixinho.
    Logo depois que eu sentei, olhei bem pro seu rosto e seu nariz escorria sangue ainda.
    -Ai meu Deus.. –Choraminguei –Me perdoa..
    -Está tudo bem. –Austin riu –Você tem uma boa defesa ein? Se não fosse eu e os caras, você teria matado aquele babaca.
    -Era o que eu queria fazer. Falando nisso.. que que aconteceu? Onde estamos?
    -Depois da garrafada que eu tive que te dar, se não você não ia soltar Drake, eu te coloquei no carro e comecei a rodar por Boca Raton, num lugar onde a gente podia ficar um pouco sossegado, só um pouco. Daí Jane me ligou, e me disse dessa casa da tia dela que ela aluga, vez ou outra, e que nós podíamos ficar aqui um pouco.

    -Jane? Jesus, Jane.. Onde ela está? 

  • Nosso ritmo – 28

    -DOBRA SUA LINGUA PRA FALAR DA MINHA NAMORADA, GAROTA -Ele veio pra cima de mim que nem um corno (ahn, touro, né?)  defendendo a boiada.
    -EU VOU FALAR DELA O QUANTO EU QUISER! -Na hora, segurei seu braço, dobrando-o pra trás, e Dylan começou a gritar. -ESSA DOR QUE VOCE SENTIU, NO ACIDENTE DA SUA QUERIDINHA, NAO CHEGA NEM UM TERÇO DA DOR QUE EU SENTI QUANDO EU PERDI AS DUAS PESSOAS QUE MAIS ME AMARAM NA VIDA! 
    -NAO FOI CULPA MINHA, NAO FOI! -Ele continuava a gritar.
    -NAO? ENTÃO POR QUE VOCE NAO ME CONTOU? -Soltei-o, jogando do outro lado da sala- PORQUE VOCE SIMPLESMENTE NAO ENTREGOU SEU AMIGUINHO NOJENTO A POLICIA? AH, CLARO, VOCE TEM UM NOME A ZELAR. Só que esse nome a partir de hoje em diante, nao existirá mais.
    -STELLA, VOCE NAO VAI FAZER NADA QUE POSSA PREJUDICAR A SI MESMA! -Trayce se pronunciou, se aproximando de mim e quase segurando meu braço.
    -ENCOSTA EM MIM QUE VOCE VAI ENGOLIR ESSA MAÇANETA! -Levantei de novo a mão com a maçaneta e ela se afastou, rapidamente -MAIS PREJUDICADA DO QUE MINHA VIDA JÁ FOI, NAO TEM COMO SER! E QUEM É VOCE PRA SE IMPORTAR COMIGO? 
    -EU CUIDEI DE VOCE, TODOS ESSES ANOS, SUA INGRATA.. 
    -INGRATA? -Eu soltei uma risada exagerada -AH, AGORA EU SOU INGRATA? VOCE ESCONDE QUEM MATOU OS MEUS PAIS NUM ACIDENTE DE CARRO , DURANTE ANOS, E AINDA TEM CORAGEM DE ME JUNTAR AO CUMPLICE DO ACIDENTE? COMO VOCE FAZ ISSO COMIGO, TRAYCE?
    -EU JÁ FALEI QUE ELA NAO TEM CULPA, STELLA! -Dylan gritou novamente.Eu vou estourar as bolas desse garoto, nao aguentava mais ouvir sua voz irritante. Ainda mais em apelo. Eu odeio apelos. 
    -QUEM É VOCE PRA FALAR DE CULPA, SEU MERDA? E Se você falar mais alguma coisa em defesa dela, eu vou matar voce, Dylan. Eu nao estou brincando. 
    -Stella, se acalma, você está descontrolad…
    -VOCE AINDA NAO ME VIU DESCONTROLADA, TRAYCE -Soltei uma outra gargalhada -EU SOU MALUCA, EU VOU PRESA,MAS EU NAO DEIXO VOCES LIVRE DESSA. EU NAO DEIXO!
    -Stella, amiga, voce sabe muito bem a quem deve essas palavras. Agora voce sabe. -Jane saiu do quarto, aos pouquinhos, até ela tava com medo de mim, coitada.
    -Voce tem razao, Jane. Voce tem razao. A voces -Olhei pros dois, Dylan ainda tremia e eu comecei a ver lágrimas no rosto de Trayce -Eu desejo o inferno mais cruel e brutal possível. Porque é lá que vocês chamarão de casa futuramente. 
    Joguei a maçaneta no chão -sou maluca mas nao quero ser presa no meio da rua, né -limpei meu rosto porque algumas lágrimas ainda insistiam em cair-, mas eu nao ia chorar.Eu tenho que ser forte, e dar a esses lixos tudo o que fizeram comigo durante esses 3 anos. E fui logo pro lugar onde sem dúvidas, eu encontraria o Drake. 

    O bar estava da forma que eu esperava: lotado, ainda mais que já havia escurecido e o movimento dali aumentava cada minuto. 
    Mas sem problemas. 
    Entrei na maior calma e a cada passo, eu respirava fundo, recuperando mais e mais minhas forças. 
    Quando eu o vi, de costas, sentado no banquinho em frente ao barmen e com a maldita garrafa de cerveja na mão.
    Cheguei atrás dele e cutuquei seu ombro. Drake virou, e abriu um sorriso enorme pra mim. 
    -Olha quem resolveu aparecer.. Famosa Stella! -Ele disse alto, em uma voz já alterada.
    Melhor pra mim. Quanto mais bebado, mais porrada ele vai tomar. 
    -Eu não deixaria de lhe fazer uma visita em uma noite tão especial pra mim, né, Drake. -Eu disse sorrindo e colocando as mãos na cintura.
    -É, é? E o que estamos comemorando? 
    -A prisão do maior bandido, maior canalha, desse mundo. -Drake franziu o cenho, e ele tentava mesmo me enxergar melhor, já que a luz estava meio fraca ali. -Ou melhor, o assassino dos meus pais.
    Só deu tempo dele arregalar os olhos e ficar mais branco do que um palmito. Eu só nao sei o quão branco ele ficou porque assim que o fez, eu dei um tremendo soco de direita em seu rosto. Drake na hora, caiu pro lado, e no chão, mas foi se arrastando pra trás e eu fui atrás dele, chutando-o.

    -VOCE ACHOU MESMO QUE IA SAIR DESSA, SEU CANALHA?

  • Nosso ritmo – 27

    Conforme o carro de Austin já estava na garagem –e ele deixou eu dirigir- fomos até o Gumbo Limbo, era como um zoológico. Havia campos, um lindo aquário e muitos animais tropicais também. Passamos a tarde brincando com animais, comendo besteiras e doces feito crianças e pela primeira vez, eu havia saído –logo com Austin – sem ter medo de ser fotografada, parada por alguém, ou coisa do tipo. Eu simplesmente me permiti ser eu mesma com quem eu queria.
    Mas aquela sensação maravilhosa tinha algum motivo e eu tinha certeza que ela estaria vindo agora, porque ela ficaria por um bom tempo. 
    Mas antes disso acontecer, algo precisaria ser resolvido. E foi quando Jane me mandou a seguinte mensagem: “Dylan está aqui! Ele chegou tem um tempinho, e to sentindo que a conversa vai durar. Vem pela janela do quarto, porque com certeza você vai escutar algo interessante”, que eu tive a certeza disso. 
    -Ahn, vamos pra casa? 
    -Já? –Austin disse me puxando pela cintura com seu braço e beijando o topo de minha cabeça –Pensei que você ia querer ir pra uma balada por aqui ou sei lá.. 
    -Eu preciso ir, Austin! Por favor?! Mais tarde eu prometo que nos encontramos de novo!
    -Mais tarde quando? –riu –Já está escurecendo, Stella. 
    -Eu preciso ir! –Insisti, suspirando.
    -OK, ok. Vamos então.
    Graças a Deus em minutos entramos no carro e eu pedi pra que ele estacionasse um pouco atrás – o que o fez fazer zilhoes de perguntas, mas eu tentei ser o mais curta possível –e entrei pela janela como Jane pediu pra eu fazer.
    -Ah, graças a Deus! –Ela sussurrou, me ajudando a entrar. –Ela acha que está sozinha em casa! Eu disse que ia sair, saí, mas fiquei escondida na vizinha e entrei pela janela também. -Você é boa nisso, huh? –Jane riu, mas logo fez sinal pra que não falássemos mais nada e prestássemos atenção na conversa.
    ” (…) -Ela já está desconfiada de algo, eu sei que está. -Ouvi Trayce dizer.
    -Como você tem tanta certeza? -A voz de Dylan era tremula
    Ela não para mais em casa, Dylan. E eu tenho certeza de que não é pelo babaca do pai do Butler. Ela está tramando algo.
    E por que está tao preocupada? Você é a treinadora dela, quem cuidou dela esse tempo todo! Ela nao vai fazer nada com voce..
    Voce é quem pensa! Eu passei quase 2 anos da minha vida encobrindo cada buraco que era aberto desse acidente! Eu nao aguento mais, voce precisa contar tudo pra ela. 
    Ah, e quando voce acha que eu devo fazer isso, Trayce? No dia da final? Chegar pra ela “oi Stella, eu estava no banco carona do carro que foi pra cima do carro dos seus pais, e quem estava no volante, era meu melhor amigo, Drake. Mas relaxa, estavamos bebados, nao foi proposital. Ah, nao se preocupe, nós vamos ganhar esse premio, ta? beijao gata”. 
    Na hora que eu ia me levantar e acabar com a raça daquele demonio, Jane me segurou e sussurrou “espera mais um pouco” e eu me segurei, bufando. 
    Nao é hora pra brincadeiras, Dylan! -Trayce bufou, quase gritando. –Você precisa contar, conte aos poucos, ou dê pistas de que está arrependido!
    Claro, estou pensando em dar a ela a ultima latinha de cerveja que sobrou daquele dia como lembrança, será que ela me perdoa?
    Nao deu mais.
    Eu abri a porta e a maçaneta saiu na minha mão. Na minha mão. Trayce apenas foi olhando pra trás aos poucos e Dylan ficou completamente paralizado. Nao há palavras no mundo que dá pra descrever como eles estavam naquele momento. 
    -COMO VOCE PODE? -Eu comecei a gritar, olhando pra Trayce. Ela nao disse absolutamente nada. Continuou parada, me olhando. -VOCE ALÉM DE BANDIDA, É SURDA?
    -C-Calma, Stella. -Dylan se pronunciou de voz grossa. Agora ele é macho? -Trayce nao tem culpa de nada.
    -NAO TEM CULPA DE NADA? ELA ACOBERTOU VOCE E SEU AMIGUINHO NOJENTO POR 3 ANOS, 3 ANOS! VOCE TEM NOÇÃO DO QUE SÃO 3 ANOS DISPERDIÇADOS, CORRENDO ATRÁS DO NADA? VOCÊS DESTRUIRAM A MINHA VIDA, VOCE ACABOU COM TODO RESTO DE ESPERANÇA QUE TINHA DENTRO DE MIM!Comecei a me aproximar de Trayce com a parte quebrada da maçaneta na minha mão, apontada pra ela e ela a se afastar. 
    -A gente bebeu muito aquela noite, Stella.. Você nao tem noção do que é perder alguém que ama, e perder completamente o controle..

    -AI VOCES RESOLVEM MATAR MEUS PAIS? É PROIBIDO DIRIGIR ALCOOLIZADO, E FODA-SE SE VOCES BEBERAM OU NAO, PODERIAM TER IDO OU SOFRIDO UM ACIDENTE NO QUINTO DOS INFERNOS, MAS VOCES PREJUDICARAM A VIDA DE OUTRA PESSOA, VOCE TEM NOÇAO DO QUE É ISSO? VOCES DESTRUIRAM A MINHA VIDA! DESTRUIRAM! ANTES A SUA NAMORADINHA MORTA DO QUE MEUS PAIS!

    As coisas estão esquentando em Nosso Ritmo.. 
    Mas já estava mais que na hora das cartas serem postas a mesa, certo?! 
    Fiquem ligados que tem mais essa semana.. 
    Besin, besin!

  • Nosso ritmo – 26

    Passei quase que a madrugada inteira conversando com Jane. Ela prometeu nao contar nada pra Trayce, nem ninguém, mas o pior mesmo foi quando ela me perguntou o que eu faria se minhas suspeitas fossem reais. 
    Independente de quem for o culpado, ele vai ter o que merece. 
    Trayce nem chegou no quarto a noite. Pela manhã, assim que acordei, ela estava na cozinha tomando café. 
    -Oi meu amor.. Nao te vi ontem! Aconteceu alguma coisa? 
    -Bom dia, Trayce. –Sorri, bocejando. –Nao.. Eu só fui no hospital ver David e depois fiquei de babá pra Lori resolver umas coisas. E voce?
    -Estava resolvendo local e hora da sua competiçao. Essas coisas.
    -E onde vai ser? –Sentei-me de frente a ela, me servindo café. 
    -Ahn, eu ainda nao vi. Estou pensando em Boston mesmo, o que acha? 
    Culpada. 
    Se contradiz no que ela mesma diz. – Qualquer lugar, está ótimo. 
    -Ah, que bom. Está ensaiando bastante? –Assenti – E hoje vai de novo? 
    -Sim, mas vou dar uma passadinha na casa de Austin agora, ok?
    -Ok querida. Eu devo sair pra dar uma caminhada e continuar vendo as coisas pra competiçao. 
    É o que vamos ver. 
    Tomei um banho rápido, coloquei uma roupa agasalhada, o clima ficava cada vez pior, e logo fui pro Austin. 

    -Oi, querida! –Lori me atendeu assim que toquei a campainha. 
    Ela estava super simples, com uma calça comprida de moletom e uma camiseta branca e com Ashley no colo, toda suja de biscoito na boca.
    -Oi Lori! –Entrei, brincando com Ash –Oi bonequinha!
    -Tenho boas noticias.. –Lori cantarolou. 
    -Me conta!
    -David vem pra casa nesse final de semana! –Sorri 
    -Graças a Deus! Mas me diga, Austin está em casa?
    -Sim, ele está lá no quarto.. Acho que está dormindo ainda!
    -Posso subir? 
    -Claro que sim. Vai ser um privilégio pra ele ser acordado por voce. –Corei –Brincadeira, pode ir sim, Stella.
    Subi devagarzinho e assim que cheguei na porta de seu quarto, ele dormia mesmo. 
    E sem camisa.
    E de cueca branca. –Eu só soube porque estava com uma perna pra fora da coberta, aí ne.. -. 
    Aproximei-me devagarzinho e me sentei na beiradinha mesmo da cama, conforme ele estava deitado de bruços só com um lado do rosto pra cima, passei a unha em sua nuca, descendo pelas suas costas. 
    Austin na hora tomou um susto e começou a sorrir –ainda de olhos fechados -.
    -Nao me importaria ser acordado dessa forma todos os dias.-Ele sussurrou, com sua voz ainda rouca. Ele era tão doce.. Tão lindo.. Não poderia ter sido o culpado de um acidente tão brutal. Nao, nao podia.
    -Seu pai vem pra casa esse final de semana! –Falei enquanto ele se sentava aos poucos na cama.
    -É, eu sei.. –Se espreguiçou –Fiquei acordado a noite toda esperando por alguma noticia.. 
    -Caramba. –Ergui a sobrancelha, olhando pra ele. 
    -E voce? O que veio fazer aqui? –Austin cruzou seus braços, dando aquele sorrisinho de lado que acabava comigo.
    -Eu nao sei, viu? –Ri, me levantando e indo olhar pela janela. –Eu só queria saber noticias do seu pai, mesmo. 
    -Voce poderia ter ido ao hospital.. –Pouco tempo depois que levantei, ouvi a voz de Austin, bem atrás de mim.
    -Eu nao sou parente dele. Com certeza não me dariam uma informação se eu pedisse. –Virei-me, ficando de frente pra ele. 
    -Poderia ter ligado aqui pra casa e perguntado a Lori. –Austin me encurralou na parede, com seu corpo bem colado ao meu e seu olhar focado em meus lábios.
    -Meu celular poderia estar ruim. 
    -Desde quando você virou tão orgulhosa assim, Stella? –Ele sussurrou, colocando uma mecha de meu cabelo, atrás de minha orelha. 
    -Desde que pensar em você virou meu maior terror. 
    Na hora que disse isso Austin deu uma risadinha antes de colar nossos lábios em um lento e delicado beijo. Minhas mãos deslizavam por suas costas nuas, enquanto ele agarrava meu quadril e me sentava no parapeito da janela. Encaixei minhas pernas em sua cintura, tornando nosso beijo um pouco mais intenso. 
    -Você me leva do inferno ao céu, Stella Lloyd. 
    -Eu posso fazer os dois do céu. –Sorri, beijando sua nuca e rindo com Austin.
    -Vamos sair? Eu preciso de algo diferente hoje. 
    -Eu também, pode ter certeza. –Pulei pra fora da janela –Troca de roupa, eu já sei onde a gente pode ir. 

  • Nosso ritmo – 25

    -Stella? O que faz aqui? 
    A voz de Dylan me trouxe de volta daquele meu transe e raiva que eu estava sentindo. Escondi com uma mão, rapidamente, aqueles papéis dentro de minha jeans e voltei minha atençao pra ele.
    -Eu queria saber se tem como nós passarmos alguns passos agora! O que acha? 
    -Agora? Nao está um pouco tarde já? 
    -Nao, que isso. Dá tempo. 
    -Claro. Vamos então? –Ele ainda me olhava desconfiado, apontando pra porta.
    -Claro. 
    Passei por ele com maior autoconfiança e força possível. Por que seria exatamente o que eu precisaria nos próximos dias.

    Assim que acabamos de ensaiar, Dylan fez questão de me deixar em casa e antes que ele fosse embora, eu perguntei: 
    -Dylan, posso te fazer uma pergunta? 
    -Claro. –Ele colocou as mãos nos bolsos, me olhando. 
    – Você naquela primeira noite que saímos, mencionou da sua namorada ter falecido há 3 anos.. –Ele assentiu –Você naquela época bebia?
    -De forma alguma. –Negou, com a cabeça. –Eu me descontrolei na bebida, depois. 
    -Do acidente? 
    -Sim. Por que? 
    -Ah, nao é nada. Bobeira minha. Desculpe tocar no assunto. –Balancei a cabeça, sorrindo. –Nos vemos amanhã ? 
    -É claro. 
    Nos despedimos e assim que entrei em casa, tomei um bom banho e fui direto pro quarto. Nao vi Trayce e nao troquei uma palavra sequer com ela.
    -O que aconteceu, Stella? –Jane entrou no quarto logo em seguida, me questionando.
    -Por que, amiga? 
    -Voce mal falou comigo e as meninas esses dias.. É o Butler novamente?
    -Nao, amiga. Pelo contrário. Eu preciso te contar umas coisas, Jane. Mas voce nao pode, de forma alguma, contar a alguem. –Comecei a sussurrar.
    -Voce está me assustando. 
    -Voce prestou bem atençao no que eu falei? 
    -Sim, claro que sim. –Jane veio se sentar na minha cama agora, mais perto. –Pode me contar, o que ta acontecendo? 
    -Olha o que eu achei no quarto de Dylan. 
    Na hora, tirei do meu bolso alguns artigos que peguei e Jane ficou boquiaberta.
    -Dylan? Stella, voce andou revirando as coisas dele? 
    -Nao, óbvio que nao. –Revirei os olhos –Eu fui na casa dele chama-lo pra ensaiar e ele estava no banho. Sua mae pediu pra que eu esperasse ele no quarto e achei isso em cima da escrivaninha dele.
    -Vai ver ele queria saber mais sobre voce, ué. Voce é a companheira dele nesse campeonato. –Olhei bem “sério? Ta brincando, né?” pra ela –Amiga, nao comece com isso de novo..
    -Eu nao posso, Jane! Nao posso, ok? Em todos esses 3 anos, encobriram TODA e qualquer pista que eu tinha sobre aquele acidente. Agora isso veio até mim, mesmo que tenha sido propositalmente, eu nao vou deixar barato o final dessa historia. 
    -Voce precisa esquecer disso, Stella. Voce precisa seguir sua vida.. 
    -E eu vou. Quando eu descobrir quem foi o causador da morte dos meus pais. Foi falando isso, quando a fala de Lori veio na minha mente. “Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a pergunta certa.” 
    – Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a pergunta certa. –Repeti, comigo mesma. 
    -É o que? –Jane recuou, franzindo o cenho. 
    -É ISSO! –Levante-me, aturdida com aqueles pensamentos todos vindo a mil por hora em minha mente. –Lori estava querendo isso. Ela quer que eu volte a investigar. E eu vou. 
    -Do que voce tá falando, Stella? 
    -E se o culpado pela morte de meus pais, fosse o Austin, Jane? –Ela arregalou os olhos, assustada. –E se fosse o Dylan? 
    -Voce ficou completamente louca, nao é? 
    Sentei-me na cama e comecei a contar tudo a Jane. Tudo mesmo. Cada detalhe. Eu nao poderia deixar de fora cada lembrança, cada conversa que seria importante pra tudo isso que eu estava pensando. 
    Eu nao poderia deixar minha ultima chance escapar. E nao deixaria. 

  • Nosso ritmo – 24

    Stella’s POV:
    Quando me dei conta e acordei, eram por volta de 17h. Pelo menos era horário de verão, e “ainda era dia”. Virei na cama e Austin ainda dormia, feito um anjo. 
    Se eu pudesse apenas voltar atrás e poder te-lo pra mim, exatamente como era há algum tempo atrás.. 
    Parte de mim nao perdoou Austin por não ter perdoado a mim mesma de nao admitir o quanto eu amo esse garoto. Deslizei minha mão devagarzinho por seu rosto e dei um beijo em sua testa, antes de me levantar. 
    Troquei de roupa, e assim que peguei meu celular no bolso de trás da minha jeans, tinha uma mensagem de Lori: 
    “Estou indo pra casa já, querida! Tudo bem por ai? Beijo” –Ha meia hora.
    E poucos segundos atrás, ouvi um barulho de chave na porta, lá embaixo. 
    Desci rapidinho, sem fazer barulho, e assim que Lori me viu, saiu correndo pra me dar um forte abraço. 
    -Está tudo bem? 
    -Tudo sim, meu amor. –Ela disse enquanto me abraçava. –Tudo bem por aqui? 
    -Sim! Eu fiz um almoço, e Ashley está dormindo lá em cima com o Austin. Já dei banho nela também!
    -Muito obrigada, Stella. Muito obrigada mesmo.
    -Que nada, o que precisar, voce tem meu numero. –Sorri –Bom, eu preciso ir, ainda vou passar no Dylan pra a gente ensaiar um pouco.. 
    -Tudo bem. Até, Stella. 
    Quando estava quase saindo, Lori me chamou mais uma vez, e assim que me virei, ela disse: 
    -E querida, só mais uma coisa. Eu nao sei o que David disse a voce e que nem cabe a mim dizer algo, mas.. Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a pergunta certa. 
    -Como assim? 
    -Pergunte a si mesma. O que voce sempre quis saber? 
    Na hora, meu celular começou a tocar e era Trayce. 
    -Ahn, eu preciso mesmo ir, ok? Minha treinadora já deve estar me caçando. –Sorri, forçadamente- Nos vemos, Lori. 
    -Tchau querida. 
    Saí dali e nem retornei a ligaçao de Trayce. Todas aquelas perguntas, aqueles assuntos sem sentido estavam acabando comigo.. 
    Quando cheguei na casa de Dylan, sua mãe me recebeu e avisou que ele estava no banho, então, pediu pra que eu subisse e esperasse em seu quarto mesmo. 
    Assim que subi, me sentei na beiradinha de sua cama e fiquei olhando ao redor de seu quarto. Ele era bem grande, sua cama era Box, bem arrumada e suas estantes também. Umas com premios, outras com livros, bem diversificadas. Levantei-me quando um porta-retrato em sua estante me chamou atenção. 
    Era uma foto sua com 8 anos de idade, com um ingresso de competição de dança na mão. Muito fofinho. Mas foi quando meus olhos desceram por sua estante que eu notei os tipos de papéis que estavam em cima da escrivaninha. 
    Eram artigos, fotos e manchetes sobre o acidente dos meus pais há 3 anos atrás.Em todos as folhas estavam circuladas as palavras “nenhuma pista encontrada”, “culpado procurado pela polícia”, “família desolada”, “suspeito de jovens alcoolizados”. 
    Uma onda de terror tomou meu corpo inteiro. 
    Foi como se eu tivesse voltado, em questão de segundos, pro local daquele acidente na mesma hora. Como se tudo estivesse acontecendo em camera lenta. 
    Depois da morte dos meus pais, Trayce, como a mais chegada e confiante, ficou de “tomar conta” de mim e cuidar dos negócios. E algo que nunca bateu pra mim, em todos esses anos, fora que eu NUNCA ficara sabendo de uma noticia do acidente. Em quem meus pais bateram, por que eles bateram, quem estava no carro.. Nada. Foi como se tudo estivesse encoberto.E em vários momentos em que tentei voltar atrás, revirar o passado, correr atrás pra saber quem causou essa catástrofe em minha vida, Trayce dizia que nao era uma boa ideia. Ela sempre me tirava da trilha. Sempre. 
    Mas parece que agora, o destino, ou então, ela mesma está tramando de trazer tudo a tona. Mas o que ela nem ninguém espera é que eu dessa vez não vou só pesquisar e guardar papeizinhos sobre pistas. Eu vou colocar esse bandido na cadeia. Que é de onde ele deveria estar, ha muito tempo. 

  • Nosso ritmo – 23

    -Cara, como você dá uma mancada dessas? –Sussurrei assim que Stella subiu com Ashley no colo. 
    -Porra, por que voce nao me avisou mano? Eu ia saber que ela estaria logo aqui? Ela mal tem falado comigo esses dias.. 
    -E falando nisso, nao trago noticias nada boas.
    -O que foi, agora? –Dylan se sentou no sofá, suspirando enquanto eu também sentava em sua frente.
    -Meu pai chamou Stella no hospital, pedindo pra que ela fosse lá pra eles conversarem. E tenho a impressao de que ele contou alguma coisa. 
    -Como assim contou alguma coisa? Ele nao pode.. Nao pode ter dito nada! Ele fez aquela cena toda dos paparazzis pra poder COBRIR tudo! Como que ele dá uma mancada dessas logo agora.. 
    -É, isso eu sei. Mas algo de ti, ele falou. Ou, Stella está simplesmente desconfiada. Agora você chega aqui, falando da treinadora dela..
    -E ainda tem mais essa! –Ele bufou – Trayce veio atrás de mim, simplesmente pedindo pra eu abrir o jogo com Stella, porque já estava na hora! Ve se pode! Ela deve estar achando que é só juntar nós dois, ai pronto, Stella vai ficar morrendo de pena de mim e pode esquecer tudo do acidente. 
    -SHHH. –Fiz um gesto indicando silencio –Já nao é bom tocar nesse assunto, e voce ainda quer arriscar com a própria aqui? 
    -Foi mal, cara. Eu só nao sei o que fazer! Meu nome está em risco, está me entendendo? 
    -Drake sabe de alguma coisa? –Dylan soltou uma risada em falso. 
    -Ele nao quer saber de NADA! Se a policia bater hoje ou amanha em sua porta, ele é preso e nem sabe porque. 
    -Como sempre né, Dylan. Mas sinceramente? Quem deveria estar se preocupando com isso tudo, era ele, nao voce, idiota. Esquece isso, cara.
    -Quem tava naquele carro com ele, Austin? Quem é um dos maiores dançarinos e mais premiados dos Estados Unidos, Austin? Ah, então, é o MEU nome que está em jogo SIM. 
    -E quanto mais voce se enfiar nesse buraco, mais sem saída voce vai ficar. 
    -E voce quer que eu faça o que? A Stella um dia ou outro, vai descobrir.
    -Só torce pra ser bem depois dessa nacional de voces.
    -É.. Pelo menos já é semana que vem. 
    -SEMANA QUE VEM? –Ergui a sobrancelha. Eles tinham poucos dias, poucos mesmo.
    -É.
    -E VOCES TAO NESSA ENROLAÇAO?
    -Nao, a maior parte Stella já passou pra mim. –Ele deu de ombros, se levantando. –Bom, cara, eu só vim te avisar isso mesmo, pra qualquer coisa voce já estar ciente.
    -Infelizmente nessa eu nao posso te ajudar, bro. 
    -Eu sei, eu sei. Obrigado pela força, de qualquer forma. –Dylan me abraçou –Nos vemos.
    -Até. 
    E assim que ele saiu pela porta, eu soube que a felicidade da garota que eu amo estava em minhas mãos. Eu tinha duas escolhas, a primeira é contar a Stella o verdadeiro motivo do acidente de seus pais e tirar de suas costas a eterna culpa que ela sente –e estragar um importante campeonato de dança que vem pela frente, e ainda mais, colocar seu passado toda a prova, NOVAMENTE –e a segunda nao dizer nada, deixa-la descobrir sozinha e ela me culpar por eu saber da verdade o tempo inteiro. 
    E é claro que eu nao sabia o que fazer. 
    Comi um pouco do lanche que ela fez –e estava maravilhoso, como sempre –e subi pra ve-la. Fui no meu quarto, no quarto dos meus pais e nada. 
    Cheguei na porta do quarto de Ash, e lá estava ela, deitadinha na cama com apenas uma camisa minha vestindo, e encolhidinha. Peguei uma coberta no armário, cobri-a e beijei o topo de sua cabeça. 
    -Você vai descobrir. Você sempre acaba descobrindo. –Sussurrei, mexendo em seu cabelo. 
    Fui me afastando aos poucos da cama, sem fazer barulho, mas a ouvi me chamar, baixinho: 
    -Austin? 
    -Shhh. –Virei-me novamente pra ela, sorrindo. –Nao queria te acordar.
    Stella chegou pro canto da cama e deu dois tapinhas na beirada, pedindo pra que eu deitasse ao seu lado. 
    -Eu nao posso, Stella.. Preciso ligar pro hospital…
    -Só um pouquinho. 
    É claro que eu nao resisti àquela carinha. Deitei na hora do seu lado e ela apoiou a cabeça em meu ombro, fechando os olhos aos poucos e voltando a dormir. E foi no embalo de sentir sua respiraçao e seu coraçao batendo aos poucos que acabei dormindo. 

  • Nosso ritmo – 22

    Assim que chegamos em sua casa, Austin subiu, dizendo que ia tomar um rápido banho, enquanto eu deixei Ash na sala, brincando e começava a fazer a comida.
    Ia fazer algo simples, já que nem sentia fome, muito menos vontade de cozinhar. 
    -Papai, papai? –Estava terminando a comida, quando senti a bebezinha puxando minha calça, me chamando. 
    Abaixei na hora ao seu lado, e sorri, infeliz, pra ela ao dizer: 
    -O papai está descansando pra mais tarde brincar com voce! 
    -Binca! Binca! –Ashley começou a pular, rindo e eu ria com ela.
    Coitadinha.. ela era tão inocente, tão doce. 
    -Isso aí. Ele já já está de volta, ok? 
    -Pomete? 
    -Claro que sim, querida. –Abracei-a, suspirando. –Claro que sim. 
    Quando me reergui, Austin estava na pilastra, olhando nós duas o que me deixou bem sem graça ao notar. 
    -Ela gosta bastante de voce. –Ele disse, cruzando os braços. 
    -Eu também gosto dela. Nao é bebe? –Olhei pra ela, rindo e Ash balançou a cabeça, rindo também. –O almoço já está pronto, ok? Sirva-se e bom apetite.. 
    -Voce vai pra casa? 
    -Nao, nao. –Fui em direçao a sala e me sentei no sofá. 
    -Se você quiser ir.. –Austin disse da cozinha. 
    -Quer que eu vá? 
    -Você quer mesmo que eu te responda? –Ele veio demansinho.
    -Se eu perguntei, acho que sim, nao é?
    -Eu nao quero que voce fique longe de mim um segundo sequer, Stella. Parece dramático, mas cada vez que voce tá longe, e eu sei que as chances de nao só ficar comigo, mas voltar pra mim, definitivamente, são zero.. só me torna pior. Eu não sei o que meu pai falou com você, mas sinceram…. 
    Antes que ele continuasse com aquele blablabla de discurso decorado, discurso que ele fica horas pensando antes de dormir, eu simplesmente me levantei, e o calei com um beijo. Austin ficou assustado –e sem reaçao?- e acabou me surpreendendo mais do que ele mesmo, mas logo depois, voltou a ser o Austin que eu esperava, me jogando no sofá e se deitando sobre mim, sem descolar nossos lábios.
    Minha mão deslizava por seu abdomen nu, enquanto ele fixava as suas em minha cintura e nuca. 
    Antes que perdêssemos –total- controle, a campainha tocou, fazendo-o bufar, e ir atender, resmungando. 
    -Dylan? –Me sentei rapidamente assim que ouvi ele dizer e me reconstitui, procurando Ash e pegando-a no colo. 
    -Cara, a gente precisa conversar, a Trayce veio me… Ele havia entrado na casa na hora, como se fosse já “de casa”. Assim que me viu na sala, com Ash no colo, foi como um soco nele. Dylan parou na hora, e ficou me olhando, chocado. 
    -S-Stella? –Revezou o olhar entre mim, Ashley e depois deu uma olhada pra Austin, de cara feia.
    -Oi, Dylan. O que dizia sobre minha treinadora? 

    Ele continuou intacto, me olhando. Parecia que tinha virado pedra. Austin também estava meio sem graça, deu pra eu notar.
    -E entao Dylan? Aconteceu alguma coisa? 
    -N-Nao, claro que nao. –Dylan soltou uma risada esbaforida –Está tudo bem. Ela só queria ter certeza de que estariamos ensaiando tudo certinho.. 
    -E por que diabos voce veio dizer isso pro AUSTIN? 
    -Ué, ele veio aqui conversar comigo, nao pode? –Austin se pronunciou, chegando mais perto de mim. –Entao, Dylan, era só isso?
    -É, eu queria conversar contigo. 
    -Bom, vou colocar Ashley pra descansar um pouco lá em cima. 
    Subi, dei um banho em Ash, arrumei a caminha dela e em pouco tempo, a mesma dormiu. Aproveitei pra tomar um banho também e coloquei uma camisa de Austin que tinha no banheiro, tenho certeza que ele nao se importaria. Deitei-me na cama que havia no quarto de Ash, ao lado de seu berço, e acabei apagando rapidamente.