• Roommate – 22

    Mas o dia seguinte chega: da mesma forma, a ressaca.

    Fui despertada por um cheiro delicioso de café, mas também pelo toque do telefone de Noah.

    Quando me dei conta, estava sozinha, no quarto dele.

    Antes que pudesse reparar no telefone, atendi: mas era um FaceTime. E depois que eu tinha atendido é visto quem aparecia na minha tela, já era tarde demais para desligar.

    Era a menina de ontem.

    Clarice.

    E ela já dizendo:

    -irmão, você por acaso tem uma…- irmão?!

    A morena, que antes parecia agachada pegando algo no chão, meteu logo o rosto na tela do celular, arregalando os olhos ao me ver. Ainda bem que eu estava com uma blusa de Noah, e não nua, mas acredito que a surpresa para ela foi a mesma.

    -oi, – eu disse, arrumando meu cabelo, seria, olhando pra ele.

    -Alice. – disse Clarice, tensa, me olhando e tentando achar palavras para dizer.

    -vou chamar o Noah.

    Comecei a me levantar e fui até a cozinha, com o celular na mão. Clarice ficou o tempo todo congelada, sem saber o que dizer ou o que falar mesmo.

    -oi, bom dia…- Noah, que começava a falar com um sorriso na cara, logo ficou sério, olhando pra mim e para o telefone, sem entender,- sua irma. Quer falar com você. – eu disse, mostrando o celular pra ele.

    Se Clarice estava congelada, Noah estava petrificado nesse momento.

    De repente tinha um no gigante na minha cabeça. Por que que ela era a menina de ontem? Por que Noah não havia dito nada?

    -Depois eu te ligo, anjo. Pode ser? – só ouvi essas palavras saindo da boca dele. Eu já estava em seu quarto, pegando e juntando minhas coisas.

    -Alice. – me virei quando ouvi sua voz, atrás de mim.

    -Cara, era sua irmã. Por que você não me contou, não nos apresentou? Era só para criar uma ceninha?

    Noah suspirou, travando o maxilar e se sentando na cama, segurando-me pelas mãos e me guiando para frente dele, meio das suas pernas.

    -Clarice é minha irmã mais nova. Clarice morava aqui comigo. Ela era minha antiga roommate. Ela foi fazer “intercambio” porque na verdade engravidou. Meus pais a obrigaram a sair da cidade, ter o bebê e colocar para adoção, porque o pai, um ex namorado dela, não quis assumir. Meu pai, preocupado em manchar o “nome da familia”, a obrigou a fazer isso.

    -isso é sério?!

    Era tão surreal que era difícil de acreditar. Mas pela expressão no rosto de Noah ao falar sobre o assunto, ficava óbvio a veracidade.

    -muito sério. E é por isso que eu não tenho um relacionamento bom com meus país. Nunca vou os perdoar.

    -mas se ela voltou já, como você não me expulsou daqui?

    Noah parou por um momento, me olhou e sorriu.

    -porque eu disse a ela que me apaixonei por você. Que não queria que você fosse embora, pelo menos não agora…

    -e onde ela está, então?!

    -na casa de uma amiga e estamos procurando outro lugar.

    -Noah. – eu parei, levando minha mão à boca, surpresa. – não podemos fazer isso com ela. Eu posso muito bem voltar a morar com meus país, e….

    -contrato é contrato, Alice. Nosso combinado foi 1 ano. Ela voltou mais cedo porque quis. Ela está com um bom emprego, foi transferida para cá. Vai conseguir alugar um lugar e pagar sozinha, sem maiores problemas.

    -ela ficou brava?

    -surpresa, eu diria. Por isso que veio aqui ontem, não acreditou quando eu disse por telefone. Achou que era brincadeira, eu quero ficar só com você, Alice.

    -eu também quero ficar só com você, Noah. – eu disse, abraçando ele e beijando seu ombro nu.

  • Roommate – 21

    Depois que cheguei em casa do escritório, tomei um banho rápido e fui logo pra casa de Jess. Havíamos combinado de nos arrumarmos e irmos juntas para o bar. Além disso, eu não queria olhar para cara de Noah a não ser que já estivesse com bastante álcool no corpo (e na mente).

    Por volta de 22:00, saímos de seu apartamento e chegamos em um bar lotado. Pelo menos haviam pessoas interessantes.

    Thomás passou a noite toda com a gente, brincando, bebendo, dançando, estava com saudade daquele clima tão legal e confortável.

    Bebi até não sentir mais minha língua e começar a achar interessante ficar com Thomás de novo. Graças a Deus Jess estava ali comigo, me impedindo de fazer besteiras.

    Quando eram quase 4:30 da manhã, cheguei em casa, tropeçando um pouco, um pouco tonta, mas de pé.

    Não me surpreendi quando vi Noah sentado na sala, assistindo tv e segurando uma latinha de energético.

    Ele havia me mandado uma mensagem por volta de meia noite, perguntando se eu iria querer jantar algo quando chegasse em casa, mas eu sabia que era só um pretexto para saber aonde eu estava, ou se liberava uma informação a mais. Mas só disse “não, tudo ok”.

    -eita. Oi. -eu disse, sorrindo, tirando meus sapatos perto da porta e colocando minha bolsa no chão.

    Noah olhou pra minha cara, e não disse nada. Nada.

    Passei por ele, indo em direção à geladeira e tirando uma garrafa de água de lá.

    Quando me virei, ele estava sentado à mesa. Tomei um susto.

    credo, Noah.

    você está bêbada. – ele disse, numa voz grave, me olhando derramar um pouco de água para fora do copo que eu estava tentando encher.
    Por que você está acordado a essa hora?!
    Te esperei para saber se você iria chegar bem. A última vez que andou bebendo teve gritaria na porta do prédio.
    Você diz como se a culpa tivesse sido minha. – eu disse um pouco alto demais.

    me expressei mal. Desculpa. – Noah assentiu com a cabeça, abaixando-a. – você tava com Erik?
    por que você quer saber? Não te perguntei sobre aquela morena bonitona que estava hoje cedo aqui, tomando café da manhã com a minha xícara.

    Noah riu, abaixando a cabeça.

    você está me gastando?! – fui pra cima dele, brava.

    não é nada do que você ta pensando, Alice. – ele ficou de pé, me olhando de cima e falando mais baixo.

    Eu conseguia sentir o cheiro de frutas de seu hálito, do energético.

    o que é que eu to pensando agora, hein, Noah? Já que você sabe o que to pensando. – falei meio atropelando, meio cuspindo, as palavras.

    você ta com ciúmes. – senti sua mão em minha cintura, me puxando pra perto. -eu não dormi com aquela garota de hoje cedo.

    eu não estava com Erik. – eu falei, baixinho, olhando para seus lábios que estavam pouco longe de mim.

    Eu quero você, Alice. A gente consegue fazer isso dar certo. Só nós dois. Diz que sim, Alice. Diga que sim.
    Noah, eu… – eu não consegui dizer nada, mas também, não consegui negar.

    Foi a tempo suficiente de Noah colar nossos lábios em um beijo incansável e de tirar o fôlego. Passei minhas mais por suas costas, ajudando-o a puxar sua camisa e a tirar rapidamente pela cabeça.

    Não demorou muito para começarmos a andar pra trás e cairmos no sofá, rindo no meio do nosso beijo desajeitado, mas muito desejado.

    Noah tirou minha blusa, minhas roupas, em poucos segundos depois daquilo, eu pude notar minha ansiedade deixar meu corpo por completo.

    Naquele momento éramos só nós dois, pele na pele, um coração batendo sob o outro. Meu cabelo amaranhava-se em seus dedos, mas Noah não se importava, porque os segurava da forma que eu gostava. Nossas mãos se encontravam vez ou outra no rosto um do outro, muitas vezes para nos certificarmos que aquilo tudo era real, que não estávamos sonhando.

    Nos dois sabíamos, que se fosse um sonho, não acordaríamos tão cedo.

  • Roommate – 20

    -Bom dia? – eu disse, olhando para Noah e a menina, meio sem entender nada.

    -Bom dia. – disse Noah, me olhando, sem me dar muita importancia.

    -Oi, bom dia. Prazer, Clarice. – Ela se levantou, apertando minha mão.

    -Alice. – sorri, olhando-a.

    Clarice assentiu, sorridente.

    Ela tinha o rosto largo, olhos castanhos tipo da cor de Noah, cabelos um pouco ondulados e um sorriso muito bonito. Estava bem vestida, também, pelo que pude reparar: calça preta, coturnos cor mostarda e uma blusa social branca.

    Notei que minha presença estava deixando eles meio desconfortáveis (é mole?!) então peguei um pouco de café, coloquei na minha garrafa térmica e saí dali, sem olhar pra trás.

    -Alice? O que você tem? – perguntou Jess, me olhando, depois de nos cumprimentarmos e nos sentarmos dentro de sala.

    -Nada. Por que? – Tentei disfarçar.

    Eu estava muito brava: e quando ficava brava assim, acabava chorando, então para evitar uma cena ridícula, me segurei.

    -Depois da aula a gente conversa. – respondeu Jess, entendendo meu sinal, graças à Deus.

    No final da aula e antes que eu pudesse falar com Jess, Thomas me pegou de surpresa quando todos os alunos haviam saído da sala e eu estava terminando de arrumar minhas coisas.

    -Posso falar com você um minuto?

    Quase dois meses depois de tudo, ele vem falar comigo?!

    Parei, olhando pra ele, sem dizer nada.

    -Desculpa. Eu ia falar com você, tantas vezes, mas… a menina que eu tava disse que se eu falasse com você, te procurasse de alguma forma… ela acabava as coisas. E eu gostava dela, Alice… com ela não era complicado, pelo menos, não costumava ser antes daquilo tudo. Só que as coisas se complicaram, eu vi o que eu tava fazendo da minha vida, comecei a sentir falta da nossa amizade, então… terminei as coisas.

    Escutei incrédula aquilo tudo.

    Não acredito que ele deixou uma garota manipulá-lo tanto. E só percebeu nessa altura do campeonato.

    Pelo menos reconheceu, né?!

    -Entendi. – suspirei, olhando-o. – Tudo bem.

    -Vai sair mais tarde?

    -Acho que sim. – assenti positivamente, saindo da sala com ele do lado.

    -Posso encontrar vocês lá?!

    -Aham. – assenti novamente, dando de ombros. – sem problemas. Mas Thomas, nao va se enganar… vamos manter as coisas como estavam, ok? Somos só amigos.

    -Pra mim já é mais que o suficiente. – ele sorriu, jogando o braço em cima de meus ombros e beijando o topo de minha cabeça.

    Jess, na porta da faculdade, depois das escadas, me viu com Thomas descendo e franziu o cenho, rindo e cruzando os braços.

    -Eu realmente nao entendo o que acontece com voce e sua vida, Alice.

    -É o país das maravilhas. – eu disse, enquanto Thomas se afastava e cumprimentava Jess. – só que ao contrário.

    Nós três rimos.

    -O que rolou hoje cedo? – perguntou Jess.

    -Eu acordei de manhã e Thomas estava com outra garota na cozinha.

    Thomas assobiou, me olhando.

    -Pelada?

    -Não! – eu ri, nervosa. – Nao. Estavam só tomando café. E ela tomando café na minha xícara,

    -Ah, então…- Thomas deu de ombros. Mas olhou pra Jess e pra mim. – Que foi? Isso não significa nada. Ele só tava tomando café com uma garota. Voce a ouviu de noite, lá?

    -Só ouvi as vozes de manhã.

    -Então com certeza ela deve ter ido de manhã. Você ainda não sabe se estiveram juntos, juntos… – Thomas disse, fazendo eu e Jess concordarmos com a cabeça.

    -Olha, Thomas tem um ponto. – Jess disse enquanto começamos a andar para porta da faculdade, que estava lotada de pessoas saindo das aulas e outras chegando, para o turno de aulas da tarde.

    -Você ainda não disse que tá apaixonada pelo cara? – Thomas disse e eu olhei para Jess, de cara feia.

    • Eu não disse nada, eu juro!

    -Nem foi preciso. Naquele dia da confusão deu para perceber no olhar dele, te defendendo, você olhando pra ele, também… ficou na cara, né, Alice.

    Suspirei, mexendo no cabelo de depois cruzando os braços, tentando disfarçar.

    • Eu…

    -Se você demorar pra falar, vai aparecer alguém e você vai ficar arrependida. Experiência própria. – disse Thomas, me olhando daquele jeito.

    Jess soltou um pigarro, dizendo:

    -Acho que hoje de noite você deveria perguntar, como quem não quer nada: e aquela menina, hein?!

    Eu morria mas não perguntaria isso.

    -Eu vou é beber hoje de noite, Jess. – olhei pra ela, rindo.

    Thomas balançou a cabeça, negativamente, rindo.

    Fui para meu trabalho contando os segundos para mais tarde: só queria beber até esquecer daquela garota de cabelos castanhos, sorriso bonito, tomando café na minha xícara e conversando com o meu cara…

    Meu suposto cara….

    Ah!

    É isso.

  • Roommate – 18

    Acordei com minha cabeça latejando e sentindo algo gelado em meu rosto.

    Abri um olho devagar e com muita dificuldade, ja que por instinto, o outro tentou se abrir também e uma dor insuportável se instalou naquela regiao.

    Eu estava deitada no sofá. Noah estava sentado ao meu lado, vendo TV.

    -Noah. – eu disse, com uma voz fraca. Ele na hora se virou pra mim, preocupado, mas parecia muito estressado. -Graças a Deus. Se voce nao acordasse, eu ia te levar pro hospital.

    -Que? – eu tentei me sentar, mas estava tudo rodando. – depois do fora que você me deu?

    -Eu que te pergunto, Alice. Que porra foi aquela que aconteceu? – ele ficou de pe, de braços cruzados, me olhando. -Me desculpa. – eu disse, com a voz tremula. Nao é hora de chorar, Alice.

    – Eu estava com Erik. Thomas estava bravo porque eu estava com Erik e é como se Thomas o conhecesse… eu nao entendi nada. De repente, Thomas surgiu aqui e começaram a discutir… eu tentei ajudar, e ganhei isso. – apontei pro meu olho.

    -Voce quer ir no hospital? Ou na delegacia? Franzi o cenho, olhando pra Noah. Delegacia? Foi sem querer, nao foi? Que porra que aconteceu, eu me pergunto agora?!

    -Voce e Erik estao juntos, Alice? – Noah me olhou, com cara de nojo.

    -Ué..? – eu estava confusa. Qual o problema? – a gente fica, né. As vezes. Noah pareceu completamente indignado com a situação.

    Mas de repente, pareceu se recuperar por um minuto e perguntou:

    -E Thomas?

    -Ele está com uma garota! Eu não entendi esse surto dele de ciumes.

    -Ah, eu entendi muito bem. – franzi o cenho, olhando pra Noah e gemi de dor. Meu rosto estava muito dolorido.

    – Voce deve ficar aí, quieta. Quer beber alguma coisa? Comer?

    -Sao que horas?

    -5:30 da manhã. E ele estava acordado, me ajudando?

    -Voce não deveria estar acordado até agora.

    -Ah, nao? E quem iria te socorrer? Quem iria apartar aqueles dois idiotas brigando na portaria do prédio e chamando atenção de tudo quanto é vizinho, no meio da madrugada? Porra, Alice! Presta bem atenção no que voce tá fazendo! Voce deveria escolher melhor suas companhias.

    E saiu da sala, indo pro seu quarto e fechando a porta. Suspirei, sozinha. Eu precisava encontrar Erik e sentar pra conversar com ele de verdade.

    Quando acordei já passava de meio dia. Eu sentia dor de cabeça, meu corpo mole, mas nada comparado a ressaca moral que batia em mim.

    Mas tomei coragem, mandei uma mensagem para Jess contando a história toda que rolou aqui ontem, tomei um longo banho e fui resolver minha vida. Eu não sabia deixar algo mal resolvido. Não poderia.

    Cheguei no prédio de Erik e o porteiro me deixou subir sem maiores problemas, ainda mais depois de ter me recebido tão bem desde a última vez em que estive aqui. Ao chegar no andar de Erik, eu já sentia que tinha algo errado: eu conseguia ouvir berros masculinos saindo de uma porta no final do corredor: que era justamente na direção em que eu estava indo.

    Uma angústia bizarra começava a se formar dentro de mim. A porta de Erik estava entreaberta e invés de dar de cara na porta e chegar abrindo, fiz algo melhor: me estreitei na parede, no corredor ainda, para ouvir e entender o que é que estava acontecendo em seu apartamento. Depois de longos minutos de silêncio, ouvi a voz do Noah, fazendo meu coração acelerar:

    -Você precisa falar pra ela. Nenhuma das duas merece essa nojeira toda que você fez, Erik. Você traía Cristal dessa forma?

    -Não, óbvio que não. – Erik logo respondeu. – Com Alice foi diferente, foi instantâneo nossa química, e… Eu e Cristal não estamos muito bem. Ela viajou e a gente só briga desde então.

    -Mas vocês ainda estão juntos? – Noah disse mais afirmando que negando. Silêncio. -Porra, Erik! Você é nojento.

    -Quando eu me dei conta, já era tarde demais…

    -Não era, não. Você podia ter contado a verdade. Pelo menos, pra uma delas. Você é um imbecil! Eu deduzi que com a viagem de Cristal vocês tinham terminado, e você estava conhecendo Alice melhor, bem, não teria problema, não é?!

    -Eu errei, cara, eu errei…

    Antes que eu pudesse ouvir mais daquela baboseira toda, entrei no apartamento com um rompante, dizendo:

    -Você errou pra caralho, Erik. – olhei pra ele, decepcionada, e com o coração acelerado pra caramba.- E você, mais ainda. -olhei pra Noah, com olhar de desgosto. Erik tinha um roxo enorme no rosto e parecia novo, como se tivesse sido feito há poucos minutos antes d’eu chegar. Certamente ele e Noah se envolveram em mais uma briga.

    Mas eu não me importava.

    Chega de mais drama.

    Eu, definitivamente, não precisava disso. Noah ficou com os olhos arregalados por uns segundos, mas não disse nada. Foi o suficiente: dei as costas para os dois e desci no elevador já mandando mensagem para Jess, perguntando se poderia ficar com ela até o fim daquele final de semana do terror.

    Cheguei na casa dela, chorando de nervoso.

    -Que diabos foi isso, garota?- Jess não estava entendendo nada. Expliquei, meio enrolada, tudo a ela, e ela parecia mais perplexa que eu. Sua resposta foi ir até sua cozinha e buscar um copo de água pra mim. -Tipo, vocês não estavam tendo algo sério, né, mas…

    -Jess, ele namora! Já imaginou? A namorada dele quando descobrir? Que nojo eu to sentindo de mim.

    -Isso não é culpa sua, Alice. Pode parar. E “se” a namorada dele descobrir, né?! Ele não deve contar nada a ela.

    Um insight veio na minha cabeça: era por isso que o porteiro havia me recebido tão bem naquele dia! Ele provavelmente estava me confundindo com a namorada de Erik. Meu Deus!

    -Ele disse que eles não estavam bem, estavam brigando mas…

    -Nada justifica uma traição, Alice. Nada. E você está tão mal assim justamente por isso, né?! Por não aceitar estar na pele dessa pessoa que “traiu”. Mas não foi você quem traiu.

    Depois de alguns soluços meus em silêncio, assentindo com a cabeça, Jess perguntou:

    -Noah sabia? -Parecia que não. Mas tipo, ele sabia que eu estava pra cima e pra baixo com Erik. Se eles são amigos, porque não foi perguntar a Erik se ele ainda namorava, se já tinha terminado? Isso não faz sentido.

    -Talvez ele estivesse torcendo pelo melhor…

    -E como que Thomas sabia disso tudo? Isso que não estou entendendo. – apoiei meus cotovelos em meus joelhos e me inclinei pra frente, abaixando a cabeça. – minha cabeça dói tanto…

    -Ei, ei. Fique calma. – Jess chegou perto de mim. – Seu olho ainda está bem inchado daquele imbecil. Deita um pouco, relaxa. Vou fazer um almoço gostoso pra gente, você passa a tarde aqui, o final de semana aqui, não tem problema. E Alice, se quer saber, eu acho que você acabou se apegando e se sentindo muito confortável com Noah. Lembra que seu plano era se formar, arrumar um bom emprego e então se mudar? Esse ainda é seu objetivo? Você ainda está correndo atrás disso?! O semestre terminava em poucas semanas. Eu ainda tinha uma tonelada de trabalhos para entregar… de fato, eu havia perdido completamente meu objetivo por causa de um cara. Um não, três, né?! E por mais que eu estivesse dizendo a mim mesma que não iria me apegar, que não queria nada sério… acabei nessa confusão toda.

    Deitei no sofá da casa de minha amiga, pensando. Tudo ficando cada vez mais claro.

    “Me desculpa. Eu não sabia. Eu juro que eu não sabia. Eu e Erik tocamos na mesma banda, somos amigos, mas sabe, não somos íntimos. Não somos de conversar. Eu vi vocês dois saindo, no começo achei que fosse só amizade, e depois quando vi que parecia algo a mais, nós dois estávamos nos envolvendo, também. E como ficaria, como pareceria, eu ficar mandando mensagem pro cara, pra me certificar de que ele estava solteiro e de que vocês dois estavam fazendo algo ok, sem problemas?! Me entende? Eu não sabia, Alice. Me desculpa. Se você preferir, volta pra casa e a gente encerra isso. Eu não quero que fique um clima, ou que você tenha uma visão errada de mim. É isso. A gente pode volta a ser só roommates. Volta pra casa?”

    Acordei com esse textão de Noah, no domingo de manhã.

    Que bagunça que estava acontecendo.

    E, infelizmente, ficar longe não fará as coisas se resolverem automaticamente.

    Não, não vai.

    Jess dormia tão profundamente que não quis acorda-la, e como era bem cedo, deixei um sms pra ela, avisando que iria voltar pra casa e que estava tudo bem, e agradecendo por ter me deixado ficar um pouco ali, e voltei pra casa.

    Ao chegar no apartamento, encontrei Noah deitado na sala, dormindo só de cueca.

    Encostada na sua mão, no chão, uma garrafa de vinho vazia. Eu poderia ficar horas ali admirando aquela cena… Mas a realidade não era bem essa.

  • Roommate – 17

    Sexta feira chegou e era o dia que eu tinha combinado de Erik ir pro bar comigo e uns amigos da faculdade. Consegui despistá-lo desde o começo da semana, vivendo momentos intensos com Noah. Eu tenho o ajudado no processo do cliente maluco (e revoltado) dele, fazendo a gente ficar mais conectado ainda.
    Mas eu sabia que precisava conversar o quão antes com Erik. 
    À noite, Noah comentou que iria ficar em casa, descansando, porque teve uma semana estressante graças às ordens de seu pai para que resolvessem o quanto antes a questão do processo do restaurante, e eu havia o avisado que iria pro bar, encontrar uns amigos.Antes de sair de casa, Noah perguntou:sozinha?Não. – olhei nos olhos dele enquanto dizia. Noah pareceu incomodado, mas eu não iria mentir. E nós tínhamos deixado claro que não estávamos tendo algo sério. Né?!
    Então por que eu me sentia tão culpada?!
    Ele pediu pra que eu tomasse cuidado e que iria me esperar acordado. 
    Saí de casa e encontrei Erik na porta do bar. Nos cumprimentamos com um selinho demorado e entramos no bar de mãos dadas. Vimos meus amigos sentados em uma mesa, e outros em pé, jogando sinuca. 
    Meus olhos rapidamente se encontraram com os de Thomás, que estava em pé, com uma menina ao seu lado. Ele rapidamente viu que eu e Erik estávamos de mãos dadas e tirou seu braço que estava apoiado na menina que estava com ele.
    ei, gente. Esse é Erik. – eu disse, chegando perto do pessoal sentado, apresentando-o. Todos sorriram, animados e responderam de volta.
    Jess logo se levantou, vindo me abraçar e dizendo em meu ouvido:ele não parava de olhar pra porta, ansioso, esperando você chegar. – ela se referia a Thomás.
    Suspirei, dando de ombros.
    Sentei- me perto dela e com Erik ao meu lado. Cumprimentei Thomás com um aceno de cabeça, mesmo. Ele retribuiu da mesma forma.

    Passamos a noite dessa forma: meio afastados um do outro, mas nos divertindo com nossas companhias.
    Depois de  muitos drinks, e nos divertirmos bastante, a noite estava chegando ao fim e eu e Thomás mal tínhamos nos falado a noite toda. O que era bem incomum: nós éramos próximos, além da próximidade íntima, éramos amigos. Eu notei que ele não tirava os olhos de mim a noite toda, porque, óbvio, eu também não tirava os olhos dele a noite toda. Fiquei preocupada por ele não ter demonstrado muito interesse pra falar comigo. O que isso queria dizer?!
    Antes de me despedir do pessoal, fui ao banheiro que ficava mais afastado de onde eu estava com todos e na volta dei de cara com ele, que me esperava no corredor que tinha em frente ao banheiro feminino e masculinho. 
    Estava de pé, mas parecia ventando: o que o alcool faz, né. 
    Eu já imaginava que coisa boa não vinha. 
    -Oi. – eu disse, suspirando e me virando pro espelho para arrumar meu cabelo. 
    -E esse cara?  – ele disse, chegando mais perto de mim. 
    -Que é que tem?
    -Vocês estão juntos mesmo? – suspirei, me virando pra ele séria. – Ué, não posso perguntar?
    -Eu vim com ele. E você já sabe que sim. 
    -Qual é, Alice… eu sinto sua falta. – Thomas colocou uma de suas mãos em minha cintura, me puxando pra perto. – e você sabe que eu faço bem melhor. – falou no meu ouvido, afastando meu cabelo e beijando meu pescoço.
    Eu e Erik não tinhamos nada sério e tinhamos deixado bem claro isso um pro outro. Não seria problema eu ficar com Thomas novamente, mas não ali, junto com Erik e óbvio, com a “namorada” dele (que tenho certeza que não é a mesma situação minha e de Erik, com certeza eles estão sérios). 
    -Eu sei disso. Não duvido, nunca disse o contrário. – eu disse, tirando sua mão de minha cintura.  – Eu e Erik não estamos sérios. Diferente de você e da menina que trouxe hoje, né?!
    Ele fechou a cara na hora. 
    -Você nao percebe? – perguntou, cruzando os braços. 
    -Percebo o quê, Thomas? 
    Ficou um silêncio mortal entre nós. Até Erik aparecer no final do corredor, dizendo: 
    -Alice? Vamos? 
    Eu dei uma última olhada pra ele, esperando ele dizer mais alguma coisa, mas quando vi que nao iria dizer, desisti. 
    Passei por ele e dei a mão para Erik. 
    -Tudo bem?
    -A gente costumava ficar. – eu disse, olhando pra Erik. Ele pareceu um pouco incomodado. – Mas ele está com uma menina agora, e bem, eu vim com voce, o que nao é problema pra mim. Mas ele achou um problema. – revirei os olhos. – só vamos embora. Amanha é outro dia, e sem alcool, será melhor conversar com ele. 
    -Concordo. 
    Despedi-me de todos e Erik me deixou em casa, na porta do prédio. Mas quando eu estava terminando de me despedir dele, um Thomas transtornado surgiu, gritando:
    -Ela não te merece, você sabe disso, né? – ele olhava pra Erik com um olhar mortal. 
    Me arrepiei dos pes a cabeça. Era quase 4 da manhã. A rua deserta. Não precisava de uma confusão e ser expulsa do predio o qual acabei de me mudar.

    -Thomas? – me virei, rapidamente, tirando as mãos de Erik. 
    -Cara?  – Erik olhou pra ele, nervoso.
    -Você é um lixo, e voce sabe bem disso. – Thomas chegou perto em segundos, dando um soco em Erik. 
    Sim, um soco, bem no meio da cara dele.
    -Você ta maluco?!  – Erik caiu por um segundo, mas logo partiu pra cima de Thomas.
    Pronto, era so o que me faltava agora.
    -Me admiro muito voce, Alice. – Thomas disse, se livrando do Erik por um segundo.
    Thomas falava como se conhecesse Erik já, o que pra mim nao fazia sentido algum. Eu nao estava entendendo nada o que estava acontecendo. 
    -Parem com isso, agora!  – eu gritei, tentando afastar os dois e acabei levando uma cotovelada no olho, de Erik, que sem querer estava tentando chegar pra tras e se desvenciliar de Thomas.
    Em poucos segundos já tinham varias luzes acesas dos apartamentos e apareceu um Noah correndo, me levantando (a cotovelada foi forte real, acabei sendo jogada no chao) e tentando apartar os dois garotos que estavam tentando se matar. 
    Tudo aconteceu muito rapido: de repente tinha uma mulher me ajudando, Thomas e mais um cara tentando conter Erik e Thomas e muita gritaria. Eu nao entendia nada. 
    De tanto nervoso, acabei desmaiando.

  • Roommate – 16

    – sinto que quero estar com ele o tempo inteiro. – eu dizia pra Jess, enquanto saiamos da aula.
    Era terça feira, mais um dia que eu tinha marcado de encontrar Erik. A diferença é que hoje ele me chamou pra almoçar na casa dele.
    – e sobre Erik?
    – sei lá. – dei de ombros, – tem uma energia. Um fogo… Algo eletrizante, sabe?
    – e Thomás?
    – ele e Noah estão basicamente no mesmo lugar. Se fosse pra ter algo sério… Teria com os dois. Com Erik, não. – é, mas não dá pra ter algo sério com dois caras e vez ou outra pegar um terceiro, né, Alice? Você precisa se decidir. Vai acabar magoando os 3. Ficando sem nenhum.
    – eu moro com um deles, estudo com outro e malho com outro. O clima vai ficar tenso independente de quem eu escolher.
    – então escolha de forma sábia, – disse Jess. Estávamos conversando sobre isso hoje porque eu não aguentava mais me sentir indecisa. E estava cansada. Não queria ficar saindo com mil carinhas ao mesmo tempo. 
    Não sou assim.
    – por eliminação, eu tiraria logo Erik. E Thomás está comprometido já, então… – olhei pra casa de Jess, em duvida. – eu acho que é sério.
    – vamos ver isso, né. 
    Ri, me despedindo de Jess.
    Erik morava ali por perto, então fui a pé mesmo para seu apartamento. Ao chegar no prédio, toquei interfone, ele me liberou e ao passar pelo porteiro, ele sorriu, dizendo:
    – ei! – todo caloroso, me olhando. – não era só Erik que estava doido pra te ver. – e veio me abraçar. Sério, abraçar.
    Nada contra abraçar porteiros, mas… Eu nunca vi esse homem na minha vida. Eu nao abraçava, tipo, nem Noah. Será que era doido?
    Eu só ri, retribuindo o carinho, claro.
    Subi logo pro elevador de Erik sem entender muito bem. Ele parecia ser de idade, então vou relevar. Ao tocar sua campainha, fui recebida por um Erik de blusa branca, bermuda verde e um avental de cozinha de bichinhos por cima. Ri, debochando.
    – quem vê aquele lutador de ontem até acredita. – eu disse rindo e entrando no apartamento.
    Aquela porta, dava pra parte da sala, que era gigantesca, toda de vidro, digo, eu conseguia ver toda a cidade dali. Era perfeito. Ali também dava acesso a uma cozinha americana perfeita.
    Que TV gigante era aquela na sua sala?! Jesus. De onde vinha todo aquele dinheiro, da academia não poderia ser!
    ei, aqui é incrível. – eu disse, entusiasmada, olhando pelo vidro da sua sala que dava pra cidade inteira.
    A vista é ótima. – eu ouvi sua voz atrás de mim, Se aproximando.
    Eric chegou com uma mão em minha cintura, me puxando pra perto dele e me beijando. Foi eletrizante. Sua mão em minha cintura,e a outra na minha nuca… Parecia tudo tão certo. Mas não posso mentir. O beijei pensando um pouco em Noah. 
    Por eles serem amigos, aquilo parecia um pouco errado. Bizarro é super nada a ver, eu sei. Mas é o que eu sentia.
    oi. – ele disse sorrindo e se afastando.Oi. – eu falei, sorrindo e indo atrás dele pra cozinha.
    Apesar de certa bagunça na pia, tudo estava perfeitamente limpo e organizado: as panelas dispostas em sua pia de mármore, tudo perfeito e limpo.
    o que teremos pra hoje? – perguntei, sentando à mesa, na bancada da cozinha.
    risoto de cogumelos com batata corada. Gosta? – sorri, animada. – eu imaginei, você tem um estilo de vida bem saudável, então sabia que não ia ter como errar. Fico feliz.Não sabia que você cozinhava.Ainda tem muitas coisas sobre mim que você não sabe. – ele disse, piscando pra mim, do fogão. – vem cá, experimentar.
    Pulei do banquinho e fui até ele. Erik assoprou e colocou um pouco do risoto em minha boca. 
    Revirei os olhos, suspirando. Estava delicioso.
    nossa, que delicia. – eu disse, sorrindo. – arrasou.
    – obrigado. – falou, limpando meu queixo com um dedo.
    Depois de alguns minutinhos, Erik me ajudou a me servir, nos sentamos na mesa da sala e começamos a comer. Estava tudo tão gostoso!
    Comemos e Erik me contou um pouco sobre sua rotina: ele fazia um curso de gastronomia (por isso cozinhava tão bem!) e seu pai era um militar aposentado que adorava pagar por tudo pra ele (por isso a casa enorme e super chique). Ele também fazia um curso de administração porque ele pretendia se tornar dono da academia em que trabalhava: ele e o atual dono eram super amigos e já conversavam sobre isso.
    Depois do almoço, decidimos sentar no sofá pra assistir uma série, enquanto eu ainda tinha um tempinho antes de ir pro trabalho. 

    – Acho que nunca gostei de alguém tão rápido assim. – Erik disse, sorrindo e jogando seu braço em cima de meus ombros, chegando um pouco mais perto de mim. 
    Eu só ri, sem graça, olhando pra ele. 
    Chegamos mais perto um do outro para que nossos lábios pudessem se encontrar. Começamos um beijo rápido, envolvente e bem quente. Ficamos trocando beijos, carícias e explorando o corpo um do outro até meu chefe me mandar uma mensagem, pedindo pra que eu fosse pro escritório o quão antes, porque precisaria ajudá-lo. 
    -Te vejo mais tarde, na academia? – Erik perguntou ao me acompanhar até o elevador. 
    -Sim. Qualquer mudança de planos, te aviso. – eu disse, beijando-o e me despedindo. 

    Depois de umas duas horas de chegar no trabalho, precisei mandar a seguinte mensagem para Erik: 
    “Mudança de planos! Vou trabalhar até mais tarde hoje. Não vou conseguir te ver mais tarde”. 
    Ele respondeu com uma carinha triste e eu voltei a me concentrar no trabalho: tinha muito o que fazer! 
    Fiquei até tarde trabalhando naquele dia. 
    Cheguei em casa, já quase 22 da noite e encontrei um Noah preocupado, no sofá, olhando pra uma tela de computador.
    -Ei; – eu disse, colocando minha  bolsa em cima da mesa da sala e tirando meus sapatos.
    -EEi. – ele disse, um pouco mais longo, me observando ir até a cozinha. – eu estranhei o tempo que levou pra chegar, mas achei que ainda eram 18h. Acabei d perceber que já sao quase 22h. 
    O que aconteceu?
    Noah pegou o computador e o levou pra bancada da cozinha, sentando-se de frente pra mim, enquanto eu buscava um copo de água na geladeira, 
    -Meu chefe. – suspirei, colocando um copo com força na pia para me servir. – muitas peças para nós arrumarmos de estagiários fazendo besteiras. Mas, pelo menos, acho que fiz um trabalho tão bom que serei recompensada!
    -Boa, Alice! – Noah sorriu, me olhando. Parecia realmente feliz por mim. 
    -Temos algo pra jantar? Estou tão cansada e faminta. Só fiquei comento biscoitos por lá. 
    -Sim. Fiz um ensopado com uns legumes, tem um bife, deixei arroz pra voce e uma salada na geladeira.
    -Ja jantou?
    -Estava esperando voce chegar, na verdade. – ele  disse, coçando a cabeça e me olhando. 

    Parecia um pouco envergonhado por isso. Sorri, olhando pra ele. Achei aquilo genuíno.
    Enquanto começava a esquentar a comida, Noah disse:
    -Eu sei que voce acabou de chegar do trabalho, está super cansada e tudo mais, mas… pode me dar uma ajuda? Tem um cliente pé no saco processando o restaurante por causa de uma situação que aconteceu zilhões de anos atrás. Voce acha que consegue dar uma olhada nesse processo e me ajudar? Rapidinho. Só uma direção. – eu não resistia àquele jeito dele falar todo sério e comprometido. 
    Dei a volta pelo bancão e fiquei ao lado dele, olhando a tela de computador. Me curvei um pouco, até ficar basicamente na altura do rosto dele, olhando pra tela. Eu enxergava mal, então precisava ficar bem perto.
    Passei os olhos rapidamente no processo para entender um pouco sobre o que se tratava.
    O cliente parecia estar processando o restaurante por ter comido alguma coisa estragada, mas pelo que eu podia ver, poderia ter sido N coisas que ele tinha comido naquele dia (de acordo com algumas contra-provas arquivadas no processo). Enfim, tudo parecia meio lúdico.
    -Que doideira isso aqui. – eu disse, apontando pra tela e lendo em voz alta a parte em que o cliente dizia ter certeza de que tinha sido o peixe do restaurante que o havia feito passar mal. 
    -Nem me fale. Tem uns dois anos que esse processo está rolando, e cada vez mais é arquivado algo mais surreal. 
    -Sim. Aqui ele já está acusando o restaurante de que se engasgou, também, há anos atrás com um pedaço de carne mal cozido… – continuei lendo um pouco mais afundo e me peguei distraída. 
    Até perceber que Noah estava me olhando e depositou um beijo suave no caminho entre minha orelha e bochecha. 
    Virei meu rosto pra ele, aos poucos, surpresa. Sorri. -Que foi? 
    -Voce tá cheirosa. – disse, me olhando. Nossos rostos estavam bem próximos um do outro, conforme ele estava sentado, e eu curvada, olhando pro computador. – Só deu vontade de fazer isso. 
    Encarei-o por alguns segundos e foi suficiente: nossos lábios logo estavam colados, ele de pé, me beijando e me preensando contra a pilastra que tinha ao nosso lado. 
    Com mãos apressadas, Noah me tirou meu blazer, minha blusa, e logo eu estava de sutiã. calça, e ele só de bermudas. Sua blusa já estava em algum lugar pela sala. Rindo e desajeitados, nos levamos pro sofá da sala mesmo.
    Continuamos nos beijando até eu sentir seu corpo completamente nu em cima do meu. Adormeci em poucos minutos depois desenti-lo dentro de mim e de  toda a agitação.
    Acordei com uma deliciosa massagem nas minhas costas. Eu estava de bruços. 
    -Eu só precisava disso.  – Eu disse meio embriagada de sono e com o rosto quase afundado no travesseiro. 
    -Eu sei. – Noah disse, beijando meu ombro e continuando suas massagens. Ele continuava deitado do meu lado, apenas com os braços em cma de mim, massageando meus ombros. – Eu gosto tanto de sentir você. – Noah começou a trilhar vários beijos, do meu ombro, até metade das minhas costas, ficando em cima de novo.
    Continuei deitada, mas acordada (nossa, MUITO acordada), sentindo ele de novo dentro de mim, dessa vez.
    Depois de alguns suspiros e gemidos, Noah deitou novamente do meu lado.
    -São que horas?
    Noah olhou no relógio do móvel da TV da sala e disse, com uma voz embargada: 
    -3 da manhã. 
    -Jesus. Ainda nem jantei. E amanhã preciso acordar cedo. 
    -Hoje precisa acordar cedo.
    -Hoje preciso acordar cedo. – eu disse rindo e me levantando, olhando em volta e pegando uma blusa dele que achei mais perto de mim e colocando. 
    -Fica bem em você. – ele disse, me puxando pra mais um beijo. 
    Que quando começou a ficar intenso demais, eu me afastei, dizendo:
    -Chega. Eu realmente preciso comer.  – eu disse, rindo e me levantando. 
    -Toma um banho enquanto eu esquento a comida de novo. E abro um vinho pra gente.
    -É uma ótima ideia.  – eu disse, rindo. 
    Enquanto tomava banho me dei conta da sensação que estava sentindo: era tão boa. Era tão bom estar com alguém daquela forma. Eu e Noah estávamos compartilhando momentos que realmente significavam muito pra mim. No sentido de: era aquilo que eu valorizava em um relacionamento. Momentos como os quais acabamos de viver agora. Eu gosto da paixão avaçaladora, da química extasiadora, mas eu gostava principalmente desse conforto. De ter alguém pra chegar em casa, cansada depois de um dia de trabalho, e receber uma massagem. De ter alguém que vai beijar cada partezinha do meu corpo e pensar o quanto gosta da mulher com quem está. De ter alguém que vai esquentar/preparar o jantar pra mim enquanto tomo banho e/ou me arrumo porque sabe do  cansaço que aquele dia me trouxe. De alguém que quando me vir com a roupa dele, vai sorrir e pensar “fica bem em você”. Que vai me deixar dormir juntinho, tirar cochilos, fazer massagens, comer junto… eu preciso dessa companhia. Eu preciso desse cara que vai ser meu companheiro (em todos os sentidos possíveis).Depois desses pensamentos não me restavam mais dúvidas: era apenas com Noah com quem eu queria ficar. Pelo menos no momento. 

  • Roommate – 15

    Encontrei Erik pra almoçar pouco depois que cheguei no escritório. Fui mais cedo pra lá para terminar de resolver umasquestões com meu chefe, que queria antes do almoço.
    -ei. – nós cumprimentamos com um beijo demorado o rosto e nos sentamos em um cantinho isolado do restaurante.
    Estava um dia bem frio, graças a tempestade que caiu no final de semana e à frente fria que chegou, ou seja, o restauranteestava bem vazio. Ele era quase na esquina do meu escritório com a academia de treino de Erik, por isso era o local perfeito pra nos encontrar. Todo decorado com flores e de madeira. Eu adorava o cheiro daquele lugar.
    – eita, parece que a gripe de Noah passou pra você, huh? – foi a primeira coisa que ele disse quando nos sentamos. Sério. Aprimeira.
    Franzi o cenho, me fazendo de idioma por um minuto. 
    – ele mandou mensagem final de semana cancelando nosso ensaio extra, dizendo que estava bem gripado. Sua voz está bemfanha e o nariz vermelho… A não ser que andou chorando ?
    – ah. – soltei uma arfada disfarçada de riso. – é. A gripe dele deve ter passado pra mim.
    Erik riu, me olhando, por alguns segundos antes de pegar o cardápio e encará-lo por uns segundos.
    – o que você vai beber?
    – um chá gelado está ótimo. – respondi ele.
    – você come carne?
    – até demais. – sorri, olhando-o.
    – o que acha da gente dividir esse bife, com essa salada. – me mostrou no menu. Parecia delicioso. Assenti, positivamente com acabeça fazendo ele rir.
    Chamamos o garçom e enquanto ele saia, anotando nossos pedidos, perguntei:
    – que dia posso aparecer na academia pra fazer um treino legal?
    – hoje mesmo. Tenho um horário disponível as 18h – falou, colocando os cotovelos em cima da mesa e cruzando seus dedos.
    – bom pra você?
    – sim. Vou sair do escritório e ir pra lá.
    – mas você tem roupa? – ele disse, apontando com a cabeça pra minha blusa social.
    – tenho. – ri, olhando-o. – eu sempre saio com um look de treino na bolsa.
    – você costuma fazer exercício todo dia?
    – no mínimo 3 vezes na semana. Gosto muito. Meu trabalho me deixa estressada as vezes, meus país me deixavam estressadatodos os dias… Acabei adquirindo essa rotina mais saudável.
    – por isso que você se mudou?!
    – aham. – falei, enfatizando, bebendo meu chá gelado.
    – e quais são seus planos pro futuro?
    – me formar. Passar de estagiária a advogada do escritório. Ter grana pra sustentar um lugar só meu.
    – maneiro – ele disse, me olhando. – morar sozinho é a melhor coisa do mundo. Lavo a louça quando eu quero, ninguém meperturba.. É uma maravilha.
    – e seus pais?
    – são de Winsconsin. Eu os visito umas duas ou três vezes por mês. – ergui a sobrancelha.
    – e desde quando você montou a banda com Noah?
    – ah, a gente se conheceu no High school. Era uma banda sem muitas pretensões. Até começar,os a abrir os festivais do colégio deganhar certa notoriedade. Como não tínhamos emprego ainda, era legal tirar uma grana daquilo.
    – muito legal! E hoje vocês continuam ainda.
    – é. É bom porque é um laço forte que tenho com meu passado.
    Que gosto muito. É como se fôssemos parte do meu passado que eu goste de manter ativa na minha vida.
    Nossa comida chegou e comemos e conversamos por mais uma hora. Até eu me dar conta de que precisava voltar pro escritório.
    Erik insistiu em pagar a conta e me levou até a porta do escritório.
    – te encontro às 17h então, né? – ele disse, segurando em minha cintura.
    – promete que vai levar leve? – ele tinha braços fortes e tatuados.
    Se esse homem me jogasse no chão, ele me quebraria.
    – você vai pedir pra eu pegar pesado.
    Com aquele sorriso irresistível na mente, entrei no escritório toda arrepiada.
    Trabalhei que nem uma condenada o dia todo. Respondi e-mail, fiz café, conversei com cliente novo… Fiz literalmente de tudo.
    Por volta de 17:00 troquei de roupa, colocando uma roupa mais confortável para treinar e fui pra academia de Erik.
    Deixei minhas coisas em um canto, e um outro professor começou às instruções: pediu pra que, enquanto Erik terminava deatender uma aluna, eu fizesse um aquecimento. Alongamento, flexão, abdominal.
    – já está assim? – Erik veio na minha direção, rindo de deboche porque eu parecia acabada, descansado entre um abdominal eoutro.
    – você não me irrita. – eu disse, olhando pra ele.
    – parece que o coelho te deu um perdido.
    Demorei a entender, mas logo percebi que ele estava falando do filme.
    – porque a Alice do filme ta sempre correndo atrás do coelho. Entendeu? – ele riu, esticando uma mão pra eu pegar e levantar.
    – nossa tinha tanto tempo que eu não ouvia piadas com meu nome. – puxei-o, levantando-me.
    – vamos logo, coelhinha. – rimos com meu novo apelido.- vou te dar luvas e vamos começar com uns chutes simples no saco, ok?! -ele apontou com a cabeça pra o saco de espuma pendurado na parede.
    – beleza.
    Coloquei as luvas, Erik me posicionou e começamos o treino. A forma que ele, vez ou outra, segurava em minha cintura parame endireitar e me ajudar, me deixava nervosa. Mas era uma boa sensação.
    – isso, bora! Anda. – os incentivos dele, também, eram necessários quando eu já sentia minhas forças esgotadas.
    Depois de uma hora e meia de treino, terminamos. Eu mal conseguia andar.
    Lavei meu rosto no banheiro, arrumei meu cabelo e saímos juntos da academia, seu horário também havia terminado.
    Erik tinha um bom senso de humor, eu gostava da forma que ele me fazia rir. Saímos, juntos, ainda conversando e ele me zoando.
    Mas fez bastante elogios sobre minha forma física e força, também.
    Ao chegar na porta do meu prédio, Erik deu um sorriso e partiu para cumprimentar um senhorzinho que estava saindo dali.
    – Sr. thompson! Quanto tempo!
    O velhinho, que estava de terno e bem vestido, sorriu, abraçando Erik.
    – você não para de crescer, hein, rapaz?! E essa dai, é namorada, é?
    Eu sorri, abaixando a cabeça.
    – é a roommate do Noah, tio! Alice, esse é o pai de Noah. 
    -ah, é um prazer! – eu disse, cumprimentando ele. – deu pra suspeitar a semelhança.
    – é. Ele é bonitão que nem o pai. Ne? – eu e Erik rimos, assentindo com a cabeça.- meu filho comentou que você cuidoudele esse final de semana. Por causa da gripe. Obrigado. Qualquer dia eu venho com mais calma pra você cozinhar a famosa macarronada que você faz que ele tanto me fala.
    – pode deixar. – eu disse, corando um pouco.
    – até, garotos. Se cuidem. -disse o pai de Noah, sorrindo e se despedindo.
    – até. Foi um prazer.
    – até a próxima, Tio. Se cuida.
    Depois que ele saiu, Erik segurou em minha cintura, dizendo:
    – acho que estou ficando um pouco gripado, também…. – fingiu uma tosse.
    – uma pena, porque achei que pudéssemos nos ver amanhã de novo. – disse eu, me virando pra entrar no prédio.
    – não! Estou ótimo! Eu juro. – nós dois rimos. – até amanhã, Erik
    – eu te mando mensagem. – piscou, mexendo no cabelo e indoembora.
    Quando cheguei em casa, Noah estava na cozinha.
    – ei. – disse eu, chegando perto.
    – ei. – ele disse, por cima do ombro.
    – conheci seu pai. – falei, Abrindo a geladeira para pegar um pouco de água.
    Ele sorriu, me olhando.
    – foi?
    – aham. Eu e Erik encontramos ele agora, na porta do prédio.

    O sorriso logo foi embora.
    – Erik? – ele pigarreou, franzindo a sobrancelha.
    – treinei com ele hoje.
    – vocês andam treinando bastante, huh? Acho que vou querer entrar nessa amizade saudável. – falou, chegando atrás de mim e colocando meu cabelo de um lado só, beijando minha nuca.
    Amizade saudável?Risos.

  • Roommate – 14

    Depois de almoçarmos decidimos passar o dia deitados, vendo Harry Potter. Eu já tinha resolvido e adiantado várias questões deprocessos antigos do estágio, então estava livre. Noah não tinha notícias de seu pai desde ontem, o que era bom para mantê-lorelaxado e se recuperando do resfriado que havia pego.
    – eu gosto de ficar assim. – disse ele, enquanto eu estava deitada em seu peito e ele fazia carinho na minha cabeça.
    – assim como?
    – quieto. Quentinho. Com você. – olhei pra cima, pra ele, e sorri.
    – Alice. – ele disse, mais sério. Sentei-me, ajeitando-me no sofá e olhando pra ele com mais atenção. – acho que quero levar isso asério.
    – você acha?
    – tenho certeza. Se você quiser ficar com outros caras, tudo bem. Mas eu quero ficar só com você. Já decidi isso. – sorriu, meolhando.
    – sem surtar?
    – só de vez em quando. – falou, baixinho, me puxando para perto de seus lábios pela minha nuca. – só te beijar.
    Começamos um beijo intenso, com muitas mãos passeando e descobrindo nossos corpos. Fomos parados por um susto: a luzpiscando e acabando.
    Apenas a luz que vinha da janela da sala nos iluminava. Era cerca de 17:00, o sol ainda estava um pouco longe de se por.
    Noah deu um risinho e continuamos a nos beijar. Quando dei por mim, estávamos levantando e indo pro seu quarto, sem desgrudarnossos lábios. Ajudei, sedenta, Noah a tirar sua roupa e não demorou muito pra minhas roupas irem parar no chão, também.
    Um preservativo dentro da cômoda de Noah. Ele em cima de mim. Não demorou muito pra eu ir para o paraíso em poucosminutos.
    A chuva caia forte lá fora, um rastro da luz da rua entrava pela janela de Noah, iluminando a lateral de seu rosto que estava pracima, outra estava enfiado em meu peito, onde dormia tranquilamente. Sua respiração era forte e barulhenta, graças a seunariz entupido. Eu o olhava dormir e só conseguia pensar: o que era toda aquela adrenalina que estava sentindo?
    Eu já tinha me apaixonado antes, digo. Já namorei sério durante um bom tempo, até terminar porque simplesmente não estava maisdando mais certo, não tinha mais choque, fogo, eletricidade. Parece que, com Noah, todo o choque aparece em todo momento. É bizarro o quanto eu me sinto dormente quando sinto o cheiro deseu perfume. O cheiro dele.
    Levantei-me devagarzinho e fui tomar um banho quente e demorado. Quando estava terminando de tirar o shampoo dacabeça, tomei um susto ao ver Noah abrindo a porta do boxe.
    – tem espaço pra mais um?
    E mais uma vez eu arfei, com nossos corpos colados um no outro.
    Depois do nosso banho, Noah precisou realizar uma reunião via vídeo conferência com fornecedores do restaurante. Aproveiteipara mandar uma mensagem pra Jess:
    ” fudeu.”
    ” que merda você fez????”
    ” dormi com ele. “
    E, pouco depois, chegou uma mensagem de Erik:
    “Vamos se ver amanha?!”
    Sorri, pensando:
    Por que não?

    – o que tá fazendo? – Cheguei por trás de Noah, que estava sentado em sua cadeira, no seu quarto.
    – finalizando o mais rápido possível pra poder tirar logo a sua roupa. – ele disse, entredentes, enquanto eu estava pendurada emseu pescoço, beijando sua bochecha.
    – gosto da sua ideia. – dei uma risadinha. – vou te adiantar, então.
    Me afastei e tirei minha roupa, ficando só de lingerie atrás dele. Noah percebeu que eu ia fazer algo e virou sua cadeira devagar,me olhando de cima abaixo. Aquilo fez meu coração disparar, mas foi uma boa sensação.
    — Alice… – falou, me olhando nos olhos. Parecia que ele tinha parado de respirar por um momento. – você tá tornando as coisasbem mais difíceis.
    – estou? Então vou me deitar, aqui, esperando.
    Ri e me deitei em sua cama. Não demorou nem 3 minutos pra eu ouvir ele se levantando e me virando, já sem camisa, em cima demim.
    No dia seguinte, acordei com a voz de Noah. Lavei meu rosto, vesti um casaco e cheguei na porta do quarto dele. Vi que eleestava fazendo FaceTime com uma menina.
    “-… É. Não sei muito o que fazer. É. Mas não é assim, também, eu…”- quando ele percebeu que eu estava olhando-o parou de falarna hora, e disse – depois falo com você. – desligando.
    Sai da porta do quarto e fui pra cozinha.
    Vi que já tinha café pronto, então me servi com um pouco e me sentei na cozinha. Abri meu notebook pra ver as últimas notícias.- te acordei?
    Um tempinho depois Noah apareceu na cozinha, perguntando. 
    – não, tudo bem. – eu disse, sem tirar os olhos do computador.
    Não tínhamos nada sério, então… Não precisava perguntar a ele com quem que ele estava falando, né?!
    – está melhor? – eu perguntei, olhando-o.
    – muito. – sorriu, encostando a cabeça em uma mão e me olhando. – e você? Tudo bem?
    – acho que você me passou um pouco. – falei, secando meu nariz, que insistia em escorrer.
    – eu cuido de você. – falou, dando a volta pela mesa e beijando o topo da minha cabeça. – Ri, aceitando seu carinho.
    – o que vai fazer hoje? – Noah perguntou.
    – trabalhar. E vou pra faculdade, daqui apouco. – suspirei. – e você?
    – encontrar meu pai. Discutir umas coisas com ele. Nada demais.
    – deu de ombro. – quer que eu deixe almoço pronto?
    Olhei pra Noah por um momento. Eu tinha marcado de almoçar com Erik. Não sabia se deveria dizer isso.
    – não. Acho que vou comer algo na rua. – achei melhor dizer.
    – beleza. Vou tomar um banho. Bom dia. – nos beijamos e ele foi pro banheiro.
    Enquanto isso, lavei minha xícara e fui pro quarto, separar a minha roupa pra sair.
    -o que você vai fazer agora? – perguntou jesus, quando estávamos saindo da faculdade.
    – vou encontrar Erik perto do escritório pra gente almoçar junto…
    – não. – ela me cortou quando eu estava terminando de falar. – agora que você e Noah já fizeram tudo que tinha pra fazer. Se éque me entende.
    Ri, olhando pra ela.
    – Jess, eu estaria mentindo pra você se dissesse que tenho algo em mente e que estamos resolvidos. Porque não tenho. E nãoestamos.
    – e você vai fazer o que? Namorar dois caras ao mesmo tempo?
    Puts, vão ser três. – ela disse e eu não entendi muito, até ver
    Thomás vir em nossa direção, me olhando.
    – me dá um minuto.
    Jess fingiu que estava indo falar com uma colega nossa, quando Thomás chegou mais perto de mim, dizendo:
    – oi. – falou, mantendo suas mãos no bolso de seu casaco. Meu coração acelerou um pouco, não vou mentir. Eu gostava dessejeito tímido dele.
    – oi. A gente não se fala tem um tempinho. Que ta rolando?!
    – eu… Hum, eu e Sabrina estamos juntos. Sexta eu devo levar ela pro bar. Queria te dizer isso pra não…bem, pra não serestranho, sei lá. – deu de ombros.
    – juntos? – ergui uma sobrancelha.
    Sabrina era uma menina que fazia algumas aulas comigo e com Thomás. Fiquei surpresa dele ter vindo me falar isso. Eu e Thomásmantemos uma amizade colorida desde o começo da faculdade.
    Ele nunca esteve sério com alguém (pelo menos não a ponto de achar necessidade de vir me contar!)
    – é. Tem poucos dias, estamos nos conhecendo melhor. – sorriu, me olhando.
    Parecia até doloroso ele estar contando isso. Porque, bem, parecia que ele não queria contar.
    – tudo bem. – assenti. – sem problema algum.
    – mesmo?
    – talvez eu leve um carinha na sexta, também. – talvez até dois, pensei comigo mesma.
    – sério? – Thomás agora parecia desapontado. Definitivamente, desapontado.
    – vou ver como vai ser. – dei de ombros, não fazendo daquilo algo grande.
    – é sério..? Vocês dois?
    – eu e quem? – viajei por um momento. De quem estávamos falando? Noah ou Erik? Eu tinha dito o nome de algum? Ai, jesus.

    Eu sou uma péssima mentirosa.
    Thomás riu.
    – você e o carinha, Alice. É algo sério?
    – não. – deixei um riso bobo escapar por meus lábios.
    – bom saber. – ele disse, se afastando de mim com um sorriso bobo em seus lábios.

    Jesus.
    Eu te pedi só um. E você me dá 3?!
    – 

  • Roommate – 13

    Acordei no domingo me sentindo melhor. Olhei pela janela e as estradas estavam fechadas. Muita neve cobria tudo. Fiquei umtempo observando, ainda deitada, a vida acontecer lentamente lá fora.
    De repente, ouvi dois toques na porta. Me sentei, assustada.
    – oi? – falei alto.
    – é Noah. Posso entrar?
    – aham. – dei uma arrumada rápida no cabelo. Eu devia estar com uma cara péssima. E com bafo. Droga. Deveria ter levantadoe lavado o rosto, e escovado os dentes.
    – ta muito frio. As estradas foram fechadas, vi no meu celular que tem uma tempestade vindo. – ele disse, entrando no quarto eolhando pela janela.
    – senta aqui. – eu disse, bocejando, antes que ele ficasse sem graça e um clima tenso se instalasse ali.
    Pois era tudo o que ele queria. Noah deitou na ponta da cama, se cobrindo.
    – em dias frios assim, eu amava correr pra cama da minha irmã e me cobrir com ela. Ela fazia carinho no meu cabelo até eu dormirde novo. – ele disse, se aconchegando no meu travesseiro.
    Encostei meu antebraço na cama, chegando perto dele.
    Comecei a fazer carinho em seu cabelo.
    – ela era mais velha?
    – na época, sim, e ainda é. Ela não morreu não. – Noah riu, me olhando.
    – é. Tive medo de perguntar da forma errada.
    – tudo bem. A gente pode dormir só mais um pouquinho? To com frio.
    – pode, Noah.
    Me deitei ao lado dele e fiquei vendo ele pegar no sono, enquanto eu fazia carinho em seu cabelo.
    – O que fizeram com você, Noah? – eu perguntei baixinho, olhando-o.
    Por volta de quase meio dia, levantamos. Na verdade, eu arrastei Noah pra fora da cama. Ele não parecia muito bem. Enquanto dias chuvosos/ com neve me traziam boas memórias e sentimentos, não era o mesmo pra ele, pelo visto.
    Fiz um café e torradas pra gente e dei pra ele, enquanto ele assistia a TV, completamente em silêncio.
    Meu celular acendeu, acusando mensagem, e quem Viu primeiro foi Noah, já que estava ao lado dele. Ele pegou o celular e me deu,dizendo:
    – ta rolando algo entre vocês dois?
    Peguei o celular da mão dele e olhei pra tela.
    Era Erik, perguntando se eu estava bem.
    – talvez. – dei de ombros, – por que?
    – se tiver… Vou me comportar de outra forma e.. Você sabe, cair fora.
    Eu ri, bebendo meu café e quase me engasguei.
    Noah me olhou, franzindo o cenho.
    – Noah, você me beijou e caiu fora. E agora ta dizendo isso?
    Ele assentiu com a cabeça, abaixando-a.
    Depois de longos minutos, disse:
    – por causa da relação complicada dos meus pais nunca consegui me envolver com alguém direito. Quer dizer, eu passeianos com a mesma menina. E ai ela me traiu. Ela simplesmente me traiu. – suspirou- desde então, eu não me envolvo de verdadecom ninguém. E a gente mora junto, né? A gente mora junto. Não quero estragar isso. Eu gostei de você desde quando te vi nacafeteria, Alice. Eu senti algo muito forte…e então a gente se beijou,e foi melhor ainda. E eu fiquei assustado. Entende? Fiqueiassustado.
    – você não pode fugir de tudo que aparece na sua vida, por não saber se aquilo vai ser bom ou ruim. Imagina quanta coisa boavocê já perdeu?
    Me levantei e fui pra cozinha, lavar a louça e começar a descongelar umas coisas pro almoço. Ouvi Noah sair da sala, masnão foi mais de encontro a mim.
    Descongelei umas coisas pra fazer pro almoço, enquanto Noah não saiu do quarto.
    Respondi a mensagem de Erik e conversamos um pouco.
    Por volta de 13:00, e sem sinal de Noah, decidi ir no seu quarto.
    Ia bater na porta, mas percebi que estava entreaberta. Então, abri devagarzinho, e em silêncio, e o vi deitado e dormindo.
    Dormindo? De novo?
    Cheguei ao lado dele, colocando a mão em sua cabeça. Ele estava queimando em febre.
    – Noah. – Eu chamei, assustada. Nenhum sinal. – Noah. – falei mais alto, encostando em seu braço.
    – ahn. – ele abriu os olhos, assustado e me olhando. – que foi?
    – você está ardendo em febre. Precisa tomar um banho. Anda, levanta. – disse eu, puxando ele pra fora da cama.
    – eu só tava cochilando, Alice… – falou, meio bravo.
    – e está queimando em febre! Anda logo. Antes que piore.
    Fiquei parada ao lado da cama dele, pra ele perceber que eu não iria sair dali tão cedo.
    Noah se deu por convencido e levantou da cama, estava só de cueca.
    – você tá sentindo outra coisa?
    – sim. To puto. – falou, me olhando e coçando a cabeça.
    Peguei uma toalha que achei na cadeira da escrivaninha dele e o entreguei.
    – acha que consegue ir sozinho? – perguntei, preocupada.
    Ele não me respondeu, só entrou no banheiro.
    Enquanto tomava banho, corri na cozinha e preparei um chá.
    Eu não suportava ver pessoas próximas a mim doentes.
    Voltei pra porta do banheiro e fiquei parada, esperando, com medo dele desmaiar ou algo do tipo.
    Noah abriu a porta do banheiro, uns 15 minutos depois, assustado.
    – o que ha com voce? – perguntou, me olhando.
    – não sei se está doente. – dei de ombros. – se é algo sério. Só quero ajudar.
    Ele percebeu que estava sendo um babaca. Assentiu com a cabeça e entrou no quarto.
    Parece que pra me provocar, dessa vez, não fechou a porta.
    Tirou a toalha de sua cintura e eu só não arfei bem alto porque ele estava de cueca. Então, foi um susto rápido. Ficou de costas pramim o tempo todo. Suspirei, baixinho, vendo a cena. Ele tinha umcorpo lindo, musculoso e que cheiro bom saía do banheiro…
    – vê se ainda estou queimando. – ele sorriu, chegando perto de mim. Sim. Só de cueca. Cabelo molhado. Gotas do banhopingando em seu abdome.
    – morno. – eu falei, baixinho, encostando em sua testa e rosto.
    – eu acho que vou começar a queimar… – ele sussurrou, abaixando a cabeça e deixando-a bem próxima dos meus lábios. -agora. – disse, antes de me beijar.
    Noah me pegou pela cintura, eu agarrei sua nuca e começamos a travar uma batalha: dentro de nossas bocas. Era um beijo quenão sabíamos quem desejava mais: eu ou ele.
    Ficamos nos beijando pelo que pareceu muitos minutos seguidos, mas não o suficiente, até eu me afastar, dizendo:
    – fiz chá pra você. Tome antes que esfrie.
    E sai do quarto antes que eu tirasse a única peça de roupa que ele estava vestindo.
    Depois de uns minutos, Noah apareceu na sala, vestido dessa vez.
    – o chá esta em cima da pia. – eu disse do sofá.
    -obrigado.
    Noah pegou a xícara de chá e sentou-se ao meu lado, no sofá, começando a beber e fazendo uma cara feia.
    – parece que você tem 10 anos.
    – que que você colocou nisso? – perguntou, com uma voz anasalada.
    – tudo o que você precisa pra melhorar. – fui até a cozinha, peguei um comprimido de vitaminas e entreguei a ele. – toma juntocom esse comprimido. O próximo eu dou de madrugada.
    – você é minha mãe?
    – por que você simplesmente não aceita carinho de bom grado? É chato isso, sabe?
    – desculpa. To com dor de cabeça. Cansado que parece que corri o quarteirão todo. Sinto frio. – percebi que ele estava de calçade moletom e blusa de manga comprida. E não estava esse frio todo.
    – quer tentar comer algo? – ele assentiu com a cabeça, fazendo um movimento que ia se levantar. – deixa, eu pego pra você acomida. Tudo bem.
    Fui até a cozinha e quando estava terminando de fazer o seu prato, percebi que ele estava encostado na pilastra, me olhando.
    – como eu vou fazer pra não me apaixonar por você? – Noah disse.
    Nossa. Esse remédio estava deixando ele bem sincero, pelo visto.
    – é inevitável. – eu disse, com um sorrisinho.
    Coloquei o prato de comida em cima do balcão e ele foi na direção dele, sentando-se pra comer. Abri a geladeira para fazerum suco de frutas, enquanto isso.

  • Roommate – 12

    Eu não estava tentando evitar Noah. Só porque eu estava acordando mais cedo, indo trabalhar com roupa de academia pra
    poder correr logo depois do meu turno e chegar em casa, não quer dizer que eu estava evitando ele sobpor medo do clima entre a gente.

    Claro que não.

    De forma alguma.

    Era sábado. Eu não tinha pra onde correr. De manhã. Tomando café, Noah apareceu na cozinha, dizendo:

    – ei. – falou com uma voz sonolenta e falhando.

    – oi. – olhei pra ele rapidamente, o coração acelerado.

    – últimos dias foram corridos, né? Mal nos vimos.

    – é. – balancei a cabeça.

    Diga alguma coisa, Alice. Qualquer coisa. Vai, diz.

    – Alice

    – Noah, eu…

    Paramos, juntos. Um suspiro.

    – desculpe por aquilo, outro dia. -Noah disse, olhando dentro de menus olhos. – não vai se repetir mais. – fui deixando ele falar. – eu não quero me envolver com ninguém agora, sabe? Ando muito estressado. Meu pai me condo,é muito, sabe? Não tenho energia para outra coisa na minha vida.

    Outra coisa?

    Se envolver?

    Cara. Que?

    Por que estou tendo a sensação de que tomei um fora?

    E eu não disse nada. Nadinha. Nadica.

    – ta bem.- eu só consegui dizer isso. Virei-me pra lavar minha xícara de café.

    – moramos juntos, não quero que as coisas fiquem estranhas.

    Gostei de você, de verdade, Alice. – falou, chegando só meu lado pra pegar sua xícara no armário de frente pra mim.

    – que bom, Noah. – eu falei, olhando pra ele e sorrindo, puta da vida.

    Seu babaca. Deveria ter pensado nisso antes de falar essas merdas.

    Eu ia passar o dia sentada, estudando, mas estava sentindo uma energia tão grande, queria colocar pra fora de alguma forma…

    Coloquei rapidamente uma roupa confortável e fui correr. Só passei por ele na cozinha, ele levantou a cabeça, percebi, mas não disse nada. Apenas fui correr.

    Corri até não poder mais. Até sentir minhas pernas bambas. Estava um tremendo sol, sentei em um banquinho ali na praça em
    que eu estava caminhando/correndo para descansar por uns minutos.

    – Alice? – ouvi meu nome sendo chamado e olhei pra cima, curiosa. Eu estava inclinada pra frente, apoiando méis cotovelos
    em meus joelhos.

    – ei. – sorri, ao ver que era um dos amigos de Noah, da banda. Era Erik o nome dele?

    – lembra de mim, né? Eu sou o Erik. Baixista da banda de Noah.

    – assenti com a cabeça. – você sempre corre por aqui? Nunca te vi.

    Notei que ele estava com roupas de academia, também.nsuado. Cabelo despenteado…uau. Por que eu não havia reparado nele
    antes? Erik tinha olhos claros, um azul que não era desse mundo e não era possível ser comparado ao azul dos oceanos porque, bem, não chegava perto. Era tipo um Nate, de Gossip Girl.

    – lembro, sim. Não, eu costumo correr na praia. Hoje decidi vir aqui, já que estava mais disposta a ficar perto de casa.

    – já acabou, ou topa dar mais umas voltas?

    Parei, olhei pra ele. Sorrindo. Bonito. Educado.

    Por que não?

    Corri com Erik até quase 13 da tarde. Só paramos porque não tínhamos mais fôlego pra continuar, mesmo.

    – eu trabalho em uma academia de boxing. Sou professor lá. Se você quiser ir fazer um treino comigo, um dia… Aula experimental é de graça. – sorriu. Eu já disse o quanto o sorriso dele era bonito?

    – que maneiro. Eu sempre quis fazer alguma luta. Vou, definitivamente, considerar isso. – eu ri – me passa seu número. Te
    aviso quando for dar uma passada lá.

    – claro.

    Trocamos nossos telefones e um “tchau” de longe, já que estávamos ensopados de suor.

    Voltei pra casa e suspirei aliviada, sem sinal de Noah.

    Estudei até quase 16:00. Fiz um bife, uma salada e alguns acompanhamentos. Fiz bastante pra que Noah pudesse comer
    também, mas acabei almoçando sozinha. Aquilo me deixou triste.

    – oi. – estava tão entretida nos estudos que não notei Noah chegando no quarto, só quando ele acusou, dizendo.

    – ei. – disse, fechando meu livro e olhando pra ele.

    – almoçou sozinha? – disse, entrando no quarto e sentando na cama, de frente pra mim.

    – é. Achei que você fosse chegar pro almoço, mas…

    – desculpe. Dei um pulo nos meus pais. Mas provei o bife. Tava delicioso. Obrigado, de qualquer forma.

    Dei de ombros, com um sorriso meia boca.

    – Alice…desculpa pelo jeito que me expressei hoje cedo. Eu achei que interpretei as coisas errado, e..

    – Noah. Ta tudo bem. – encostei minha mão na dele, debruçando um pouco meu corpo pra cima do dele. – ta tudo bem.

    – os caras vem ensaiar aqui, pouco mais tarde. Tudo bem?

    – claro. – fiquei animada. Ia ver Erik hoje, então tudo bem.

    Depois de Noah sair do quarto meio confuso, que que ele estava esperando, que eu me jogasse nos braços dele e o beijasse?, fui
    pro banho e mandei uma mensagem pra Jess, pedindo pra que ela viesse mais tarde ver o ensaio e ficar um pouco comigo.

    Por volta de 19:00 todos chegaram. Coloquei um vestido confortável, arrumei meu cabelo e passei uma maquiagem leve no
    rosto. Quando a campainha tocou e eu sai apressada pra sala para atender, Noah ficou me olhando com uma cara esquisita. Certeza que estava pensando “por que essa animação e produção toda?”.

    – amiga. – Jess me abraçou assim que entrou, parando pra me olhar de longe. – pra que essa produção toda, hein? – disse, me
    entregando. – oi, Noah! – cumprimentou Noah, que estava sentado na sala, observando nós duas até então.

    – também me perguntei isso. – ele soltou, me olhando. Não esperava ouvir isso da boca dele. – e aí, Jess?!

    – quis me arrumar, gente… Tava me sentindo pra baixo. É isso. – dei demorou, indo pra cozinha com Jess.

    – ta, agora a verdade. – ela disse baixinho.

    – encontrei um dos amigos do Noah hoje quando sai pra caminhar. Erik. Ele é perfeito. Você vai ver.

    – agora eu estou entendendo! – falou, meio alto, reprimi ela comum “shh “. – mas e aquele príncipe que parece todo enciumado
    na sala?

    – Jess. A gente ficou. E a primeira coisa que ele disse depois foi: “ah, não quero me envolver”. – Jess me olhou, boquiaberta. – veio pedir desculpas hoje de manhã.

    – não acredito. Que babaca!

    – é. Então, vou pra onde a vida me levar. – disse eu, dando de ombros e bebendo um gole de vinho.

    Quando os meninos da banda chegaram, foi visível o quanto Erik não parava de me olhar ou lançar algum papinho pra cima de mim.

    Eles primeiro ensaiaram, eu e Jess ficamos olhando de um cantinho, e depois sentamos todos juntos pra comer uma pizza e
    assistir a um filme. Erik sentou do meu lado e Jess do outro. Notei Noah decepcionado ao notar que não tinha como ficar perto de mim. Mas ignorei.

    Por volta de meia noite, todos foram embora. Fui até lá embaixo levar Erik e ele se despedi com um beijo demorado em minha
    bochecha. Ah, como era cheiroso aquele menino.

    Ao voltar pro apartamento, Noah estava de pé, encostado na pilastra da cozinha.

    – Levou eles lá embaixo?

    – aham. – fui até a geladeira pegar um copo de água pra eu levar pro meu quarto.

    – você e Erik pareciam mais próximos essa noite, ou….?

    – é. Mais cedo eu sai pra caminhar e nos encontramos. Corremos juntos um pouco.

    – por que não me chamou pra correr com você? – Noah soltou rápido demais e foi visível que se arrependeu. Deu as costas pra
    mim, fingindo que não disse nada, mas eu não me aguentei e falei:

    – depois do fora que você me deu?

    E fui dormir.