• Roommate – 11

    Depois de jantarmos, os meninos da banda ficaram um pouco conosco e logo saíram. Foi bem divertido estar com todos de novo.

    Fui pro meu quarto para ter,inçar de fazer uns trabalhos da faculdade, enquanto Noah disse que ficaria na sala, assistindo à
    alguns episódios de uma série.

    Acabei pegando no sono e dormindo em cima da escrivaninha, no meio da papelada do escritório e da faculdade. Acordei
    incomodada porque estava suada e morrendo de calor. Olhei em volta, tentando me situar.

    3 da manhã de quinta-feira. Notificação no celular dizendo que tem uma tempestade vindo. Meu celular estava na tomada,
    carregando, antes deu dormir. Percebi que não estava mais com o ícone de “carregando”. Meu coração deu uma muni acelerada.
    Jesus, se meu carregador estiver pifado…a morte doeria menos.

    Fiz uns ajustes nele e no cabo, e nada. Tinha algo de errado. Estava tudo escuro… Eu não estava estudando de luz acessa?

    Noah deve ter desligado, ao me ver dormindo no quarto.

    Então, me levantei e fui acender a luz do quarto, pra que pudesse entender melhor o que estava rolando.

    Mas a luz não acendia.

    Agora entendi o que tava rolando.

    Fui até a sala, tudo escuro, mas conseguia ver a silhueta de um Noah sentado no sofá, sem camisa, coçando a cabeça.

    – Noah? – perguntei, indo em direção à janela da sala para poder abrir e ver se entrava alguma corrente de ar.

    – Oi. – respondeu com uma voz rouca. – tudo bem?

    Uma brisa da madrugada entrou na sala, e eu e Noah suspiramos aliviados. Tinha ficado bem quente ali por questão de
    minutos.

    – acho que a luz acabou. Costuma acontecer isso?

    – quando está previsto temporal, sim. Você viu algo sobre? – ele se levantou e veio pra perto de mim, na cozinha, abrindo a
    geladeira.

    – aham. No meu celular tem um alerta. – ah. O meu descarregou. – ele pegou a garrafa de vinho, abriu e
    começou a se servir. – quer um pouco?

    Assenti com a cabeça, de forma positiva.

    – é o que temos pro momento. – disse eu, segurando uma taça enquanto ele me servia.

    – ficar sem luz me lembra bons momentos quando eu era pequeno. – disse ele, se sentando em frente à mim.

    – é? Tipo quais? – apoiei um braço no balcão da cozinha, segurando minha cabeça, interessada.

    – aonde eu morava a gente não tinha….

    E então Noah começou a contar várias histórias sobre a família dele e da casa do interior que eles moravam, que ficava em Cape
    May, interior daqui de Nova Jersey. Contou sobre quando acabava a luz eles tinham o costume de se reunir, na sala, e contar histórias. Fossem do passado, de mentirinha.

    Em um momento notei que ele falou sobre ter uma irmã. Curiosa, perguntei:

    – você tem uma irma?

    Notei Noah ficar tenso e abaixar a cabeça, visivelmente arrependido por ter deixado escapar.

    – deixa pra lá. Não precisa falar sobre isso. – Noah logo mudou sua postura, parecendo mais aliviado agora. – famílias são
    complicadas. Eu estou morando com você, justamente por causa disso.

    – as coisas são mais que complicadas lá em casa. Como eu te disse, eu assumi a empresa do meu pai por conta da idade dele.
    Mas ainda sim, ele me cobra muito. Ele não largou “o osso”, entende? Ele está por trás de tudo ainda e quer relatórios o tempo
    inteiro, quer mandar… Sendo que não fui eu quem quis assumir a empresa. Ele me pediu. Minha mãe basicamente me implorou. Eles sabiam do meu conhecimento e preferencia quando os assuntos eram investimentos, administração. Eu, na época, quis ajudar. Fiquei tocado. Mas tem sido um inferno desde então. É estressante.

    – você assumiu a empresa há quanto tempo?

    – há pouco mais de um ano. – disse, bebendo um gole da sua taça. – e desde o começo ele está lá, me atazanando. – forçou um
    riso.

    – se você não tivesse fazendo isso, o que estaria fazendo?

    – comandando minha própria empresa. – deu de ombros, – ou a empresa de alguém. Que me deixasse estar no comando, de
    verdade.

    – e porque você não mora mais com eles?

    E ele fez a mesma cara que fez quando falamos sobre sua irmã. Deu pra perceber que os assuntos estavam conectados. Parei, de novo.

    – certo. Tudo bem. Eu preciso dormir. Você também. – disse eu, descendo do banco da cozinha. – já passa das 3.
    Noah arregalou os olhos, surpreso. Também não imaginava que tínhamos conversado por tanto tempo.

    Ajudei ele a guardar o vinho e alguns petiscos que tínhamos pegado na geladeira, lavamos as taças e antes de cada um ir pro
    seu quarto, no corredor, ele disse:

    – Alice.

    Me virei, esperando.

    – Tinha um tempo em que eu não conversava dessa forma, tão honesta e sincera com alguém. Que alguém não me ouvia, de
    verdade, pelo menos, obrigado.

    Apenas assenti, sorrindo.

    Entrei no meu quarto com aquela imagem do sorriso de Noah na minha cabeça.

    No dia seguinte, acordamos super atrasados. E era uma quinta- feira. De aula normal. Trabalho normal. Tudo normal.

    Preparei um café rápido para Noah levar pro trabalho e saí na rua comendo meu sanduíche, mesmo. Estava caindo uma
    tempestade terrível. Cheguei na faculdade ensopada.

    – você veio por baixo das poças, foi?

    – engraçadinha. – eu ri, forçadamente, para Jess, tentando me secar no banheiro.

    Assim que cheguei, a chamei pra que viesse me socorrer. Eu estava muito molhada.

    – por que se atrasou dessa forma? Você nunca se atrasa. – ela me lançou um olhar inquisidor.

    Demorei pra responder.

    Ela logo entendeu.

    – ah. – botou a mão na boca, surpresa.

    – não aconteceu nada. Só acordei de madrugada, sem luz… ele também…. dividimos um vinho e conversamos. Só isso.

    – aí, aí, aí, Alice. Isso não vai prestar.

    Dessa vez, não refutei as palavras de Jess.

    O que a fez ficar mais chocada ainda.

    E pra minha surpresa, eu também.

    Por conta da tempestade, tudo foi fechado e/ou mandado fechar.

    Cheguei em casa, junto com Noah. Nos encontramos na porta do prédio, ensopados.

    Olhei pra cara dele, rindo.

    – quando você acha que acordar um dia atrasado não pode piorar…. uma chuva dessas cai.

    – e piora seu dia todo. – eu completei, dizendo.

    Noah fez sinal pra que eu passasse na frente dele e entrasse no prédio. Assim eu fiz.

    No elevador, ele perguntou:

    – sabe se tem algo pra gente jantar?

    – tem uns legumes na geladeira. – fiz uma cara feia, enquanto tentava fechar meu guarda chuva. Consegui comprar um no meio
    do caminho pra casa.

    – vamos pedir algo. O que você gosta de comer?

    – tudo, basicamente. – eu disse, entrando em casa com ele.
    Noah riu.

    – pode ser comida japonesa? – meu coração acelerou quando ele perguntou.

    Além de ser bonito, inteligente, educado… ainda come comida japonesa?

    Eu estou definitivamente ferrada.

    Pedimos comida e comemos juntos na sala. Conversamos sobre o quanto o dia foi corrido e, em um momento distraído, apoiei
    minha cabeça no ombro de Noah. Estávamos descansando do almoço, assistindo a uma série na TV.

    Eu estava me sentindo tão confortável, tão em casa, que achei o ato mais natural possível. Ainda bem que Noah pareceu achar
    também, já que apoiou sua mão/antebraço em minha coxa.

    Mas não pareceu algo natural pra mim: me causou uma adrenalina bizarra no corpo todo. Eu queria seu toque.

    Entao, em um ato repentino de coragem, levantei a cabeça e olhei pra Noah. Ele pareceu perceber o que está a acontecendo ali.

    Olhou pra mim na hora. Levou sua mão até meu rosto, aproximando nossos lábios e finalmente colou eles dois.

    O que começou com um beijo rápido, se prolongou para duas línguas dançando juntas, numa sintonia e ritmo perfeito. Levei,
    também, minhas mãos até sua nuca. Era tão bom sentir seu cheiro tão de perto, sentir a descarga elétrica que percorria pelo meu corpo enquanto nos beijávamos… era tudo perfeito. Tudo parecia perfeito.

    Fomos diminuindo nosso beijo com vários beijos curtinhos, a sensação que eu tive naquele momento foi a de que não queria
    que acabasse nunca aquele momento.

    Noah se afastou de mim, parecia confuso, perdido.

    Não o culpo.

    Eu também estava.

  • Roommate – 10

    Segunda-feira fui pra faculdade e encontrei meus amigos. Thomas estava justamente no círculo com todos, então, foi meio
    inevitável não falar com ele.

    -e aí. – Eu disse pra ele, chegando do seu lado, depois de cumprimentar todos

    -Tudo bem? – riu, me olhando.

    -Aham. 100% livre da ressaca.

    -Eu ainda estou chegando lá… me disseram que eu estava bem ora de mim. Desculpa alguma coisa. – deu de ombros. Ele estava
    bem tímido. Gosto e prefiro ele dessa forma, sem se jogar pra cima de mim.

    Jess veio na minha direção, fez um movimento com a cabeça para Thomás, como se me pedindo a permissão dele para me
    pegar emprestado. Permissão concedida, ela me empurrou um pouco pra longe dali, aonde podia perguntar:

    -e aí?

    -E aí o que? – eu ri, olhando-a como se eu não soubesse do que ela estava falando.

    -Noah, Alice, o Noah!

    -Está bem, saímos pra caminhar ontem de manha, fizemos almoço…. tudo tranquilo.

    Tenho certeza que ela estava esperando a merda acontecer, certeza.

    E até que não demorou muito pra começar a acontecer….

    Quarta de tarde, fui liberada mais cedo do estágio já que eu estagiava em um escritório (de direito, né) e meu chefe precisou
    fechar o local porque precisaria viajar para resolver assuntos familiares e achou melhor não deixar ninguém “no comando” como sempre fazia, e sim, dar-nos o dia de folga, já que não teríamos nenhuma peça para resolver, nem nada urgente, éramos apenas 4 estagiários: eu cuidava da captação de clientes, Anne cuidava da parte financeira, John da parte jurídica mais avançada e Arthur, era tipo o braço direito de Vinicius (meu chefe), fazia de tudo um pouco.

    Estava sentada no chão da sala, terminando uns resumos, quando Noah chegou com uma toalha cheia de sangue na cabeça,
    ele pressionava com uma mão a toalha, quando entrou na sala e deu um passo pra trás, surpreso de me ver.

    -ei.. meu chefe me liberou hoje. O que aconteceu? – me levantei na hora, indo em sua direção.

    -Ah. Achei que estaria sozinho. Acidente de trabalho. Nada demais.

    -deixa eu te ajudar. – ajudei-o a tirar a bolsa carteiro que ele usava e fomos pro banheiro.

    Assim que tirou a toalha da cabeça, eu quase caí pra trás. Noah estava com um corte muito profundo na testa/quase no cabelo.

    -que tipo de acidente foi esse? – perguntei, receosa. Não parecia um “acidente”

    -Estava arrumando umas prateleiras na dispensa, dei uma porrada na prateleira de cima e caíram umas coisas na minha
    cabeça…

    -Algumas coisas?

    -Pratos.

    -De vidro?

    Noah riu, me olhando. Eu balancei a cabeça, como se dissesse “deixa pra lá”.

    -acho que precisa levar ponto.

    -Não precisa não. Já aconteceu antes. Só cobrir e gelo.

    Lavei a toalha que ele estava usando na pia, torci e ajudei-o a limpar, limpar o sangue que escorria enquanto eu estava limpando.

    -ouch. – Noah reclamava as vezes, conforme eu apertava.

    -é. Se você é sócio do lugar, que é que estava fazendo arrumando a dispensa?

    -Faltou um pessoal hoje. Precisei fazer outras coisas. – falou com dificuldade – aí, minha cabeça dói.

    -Toma um aspirina. – falei, me virando para lavar de novo a toalha.

    Quando estava torcendo, Noah, que estava sentado na privada, ficou de pé e de frente pra mim.

    -não precisa fazer isso…

    -Não vou deixar você desse jeito, né? – eu disse, ficando um pouco na ponta dos pés pra poder continuar limpando sua cabeça.

    Me desequilibrei (Noah era um tanto mais alto que eu) e num reflexo, ele me segurou pela minha cintura. Fomos pra trás e eu
    acabei encostada na parede do BOX, e seu corpo, bem colado ao meu.

    Fui abaixando a mão com a toalha aos poucos e Noah abaixando a sua cabeça, indo em direção aos meus lábios. Sim, os
    meus labios. Ficamos uns segundos cara a cara, há poucos centímetros um do outro, com nossos lábios pouco separados um do outro. Eu podia sentir seu coração bater acelerado em seu peito, sentia o vento de sua respiração.

    Até seu celular começar a tocar em sua bolsa. Noah levantou seus olhos até os meus e me observou por um instante que
    pareceu durar horas. Aquele olhar definitivamente ficaria na minha mente por um bom tempo.

    -deve ser meu chefe, querendo saber se estou bem. – ele riu, de afastando pra ir pra sala pegar o celular.

    Precisei de alguns minutos ali pra me recuperar daquele momento.

    Depois disso, voltei pra sala e ele estava deitado no sofá, com uma bolsa de gelo na cabeça.

    -você tá legal?

    -Aham. Mas confere se daqui há pouco não vou desmaiar, ok?

    Ri, de nervoso.

    Voltei pro chão e a organizar meus resumos, enquanto Noah descansava.

    Cerca de 20minutos depois, que eu estava distraída terminando de organizar minhas coisas, me toquei que Noah estava muito
    quieto. Estranhamente quieto. Olhei pra trás, pro sofá, e percebi que ele estava dormindo.

    Preocupada, resolvi acorda-lo. sacudi ele algumas vezes e chamei pelo seu nome. Noah foi abrindo os olhos, meio perturbado, e de cara feia.

    -que foi?

    -Você dormiu. Fiquei preocupada. – falei, me levantando e indo até a cozinha pegar um copo d’água. – quer água?

    -Aham, MEU DEUS, são que horas? – ele levantou, assustado.

    -Quase 16h. Por que?

    -17:30 tem ensaio da banda aqui. Tudo bem?

    -Sem problemas. Está na hora deu conhecer eles, também. Vou tomar um banho e guardar minhas coisas.

    -Tudo bem.

    Juntei minhas coisas da sala, arrumei tudo no meu quarto e fui tomar um banho.

    Por volta de quase 18:00 conheci o pessoal da banda. Me receberam com sorrisos calorosos e abraços apertados: amo gente
    assim!

    Percebi que no momento em que dei as costas para eles e Noah, ficaram cochichando no ouvido do meu companheiro de
    quarto (casa), provavelmente sobre mim.

    Enquanto eles ensaiavam, decidi fazer um lanche pra que comessem depois do ensaio.

    Enquanto deixei o forno ligado e assando uma pizza que eu

    Havia preparado (sempre tinha mesa de pizza apenas esperando tempero e recheio na nossa geladeira, justamente para momentos como esses), fui pro quarto terminar de fazer umas coisas.

    Peguei meu celular tocando, e ao ver que era Jess, logo atendi.

    -tudo bem? – ela não costumava me ligar, e sim passar mensagens, então logo fiquei preocupada.

    -Eu to te mandando mensagem mas você não responde, garota!

    -Desculpa! Os amigos do Noah estão aqui ensaiando pra banda música alta e eu tava na cozinha preparando um lanche pra gente.
    Que houve?

    -Ms. Green liberou as notas de tributário! Vai lá ver! – socorro.

    Era a matéria que eu estava quase que pendurada.

    -Ta, ta! Depois te ligo! – eu disse, desligando o telefone.

    Peguei meu computador que já estava ligado, apenas no modo de espera, e entrei no site da faculdade pra conferir minha nota.

    8.7! Aprovadossima!

    Suspirei, aliviada.

    Era meados de setembro, o semestre havia acabado de começar, eu não podia correr o risco de já começar com uma nota
    vermelha. Tinha estudado que nem louca pra essa prova!

    Mandei mensagem pra Jess, comemorando:

    “APROVADAAAAAA!!!!!!!”

    E voltei pra sala/cozinha, feliz da vida.

    A pizza estava quase terminando de assar, Arrumei a bancada da cozinha com uns pratos e, também, na mesa que tínhamos.

  • Roommate – 9

    Acordei assustada com um barulho na cozinha. Sentei-me, olhando em volta e meio perdida.

    Que dia era hoje, mesmo?

    Ah. Domingo. Ok.

    -Bom dia. – olhei, de cara feia, pra Noah, que vinha da cozinha com um copo d’agua e um remédio em mãos. – Que dia lindo pra
    correr no calçadão, não acha? Vamos?

    Continuei olhando pra ele, como se dissesse: “está zoando com a minha cara?”

    Tomei o remédio e a água, resmunguei algo e fui pro banheiro.

    Depois de um longo banho, coloquei um short, top, prendi o cabelo e estava ótimo. A cabeça doía menos, o corpo já respondia
    melhor aos meus comandos… estava preparada.

    Mais ou menos.

    -Muito bom. – disse Noah, todo animado, da sala.

    -Por que está assim?

    -Estou tentando ser mais saudável. Se quero fazer grandes investimentos, é preciso uma mente saudável. – olhei pra ele,
    rindo. – Vi isso em algum lugar, eu acho.

    Balancei a cabeça, passando por ele, em direção a porta do apê.

    Corremos pelo calçadão por cerca de 30 minutos. O sol estava começando a sair 100% e eu começava a ficar enjoada.

    Quando Noah percebeu que meu ritmo foi diminuindo, parou, perguntando:

    – tudo bem por aqui? – me olhou arfar que nem um cachorro cansado.

    – não muito. Meu corpo não está acostumado a esse tipo de estímulo, eu acho. A bebedeira de ontem só piorou. – ri, sem graça.

    – venha, vamos sentar um pouco e tomar uma água.

    Sentamos em algumas cadeiras que tinha do lado de fora de uma lojinha e quando o garçom veio nos atender, Noah logo pediu
    água para nós dois.

    – você sempre fica desse jeito quando sai? – perguntou, franzindo o cenho. Sua aparência era como se tivesse no modo “esporro” agora.

    – às vezes. – dei de ombros, não dando muita importância. – mas nem bebi muito ontem.

    – não sei como consegue. Não consigo fazer algo que eu sei que vai me fazer mal depois. Entende? Pra que eu vou encher a cara?

    Sabendo que no dia seguinte vou ser “só o pó”? – ri da expressão que usou, Noah sorriu junto comigo.

    – mas nunca bebo na intenção de encher a cara. As vezes simplesmente acontece deu exagerar e só perceber no dia seguinte o quanto exagerei. – dei de ombros.

    – ah, entendi. Amanha você vai pra aula? Consegue?

    – com certeza. Amanhã vou estar novinha em folha. Amanhã eu quem vou te acordar e te chamar pra uma corrida na praia. –
    apontei com a cabeça para o calçadão a nossa frente.

    Noah riu. O garçom chegou, entregando nossas bebidas e dividimos, bebendo cheios de sede.

    Ficamos conversando mais um pouco por ali e decidimos voltar pra casa: já era quase hora do almoço e eu precisava resolver
    umas coisas da faculdade ainda.

    Noah me ajudou a fazer uma deliciosa macarronada com um uma tigela de salada para almoçarmos. Era impressionante o
    cuidado dele com os alimentos, a forma delicada que usava os talheres para mexer e adicionar ingredientes. Ele às vezes me pegava o observando, e eu abaixava a cabeça, com um pouco de vergonha e tentando disfarçar.

    Por volta de 13:00 sentamos no sofá, um do lado do outro e ligamos a TV. Estava passando Harry Potter (o terceiro filme) e
    ficamos almoçando, vez ou outra comentando sobre o sabor da comida, e vendo o filme.

  • Roommate – 8

    Esse “não queria me atrasar”, na verdade, não tinha nada a ver com deixar Jess esperando, mas sim, não deixar Jess esperando e conversando com Noah.

    Sabe-se lá que que essa garota maluca deixaria escapar, né?! Tomei um banho rápido, sequei meu cabelo e estava me
    maquiando quando ouvi dois toques na porta do meu quarto.

    -Pode entrar. – dei uma conferida no meu top que eu usava para ver se estava tudo no lugar antes de deixar Noah entrar.

    Eu estava usando uma calça jeans skinny preta, um top com uma estampa que eu amava cinza, e alguns colares de prata,
    pendurados.

    – Ahn, interfone tocou. Jess. Pode deixar subir? – ele disse com certo tempo entre cada palavra, me olhando.

    Fingi não ligar, enquanto continuava a me maquiar e só respondi:

    -Pode, pode sim. Obrigada!

    -Leva um casaco. Mais tarde vai fazer bastante frio.

    Eu ri, olhando-o dessa vez e respondendo:

    -Pode deixar. – Assenti com a cabeça, positivamente.

    Ele não tirou os olhos de mim até fechar a porta.

    Terminei de passar minha maquiagem, dei mais uma arrumada no cabelo (deixei solto, estava escovado e bem cheiroso) e quando fui pra sala, apressada, já encontrei uma Jess super entretida conversando com Noah.

    Ai, Jesus.

    -Oi. – Eu disse, olhando-a. – Vamos?

    -Oi, querida. – ela se levantou, me abraçando rapidamente. –

    Noah estava aqui me contando sobre a banda dele. Qualquer dia podíamos assistir a um ensaio, não?

    Olhei pra Noah, ficando envergonhada.

    Percebendo, ele disse:

    -Gosto da ideia. – e me olhou. E pareceu sincero. De verdade.

    -Tudo bem, então. – dei de ombros, sorrindo. – vamos? O pessoal já deve estar por lá.

    -Com certeza.

    Me despedi de Noah com um rápido beijo na bochecha e saí com Jess, que não perdeu um segundo por estarmos fora da casa
    para dizer:

    -A-LI-CE!

    -Eu sei. – fiz cara de choro, olhando-a e apertando “1” assim que entramos no elevador.

    o chegarmos no bar em que haviamos combinado de encontrar todos – era bem perto dali, então demorou quase nada para
    chegarmos -, os meninos e algumas meninas nos esperavam.

    Thomas tentou me cumprimentar com um selinho (depois percebi que ele já estava um pouco alto) e estranhou eu ter virado
    meu rosto.

    Eu simplesmente não estava afim: não sentia vontade alguma de ficar com ele naquela noite. Thomas era da faculdade, uns
    períodos acima. Vez ou outra ficávamos quando saíamos (mas só quando eu estava bem alta já). Bebemos (demais) e conversamos a noite toda. Foi tudo divertido demais, mas no fundo, eu estava ansiosa pra chegar em casa e ver Noah.

    Ridículo. né?

    Mas eu nao podia evitar esse sentimento.

    Tá, podia, mas não conseguia.

    Por volta de quase 4 da manhã, Thomas se ofereceu para me deixar em casa porque iria pra casa de alguém que era por ali por
    perto. Nao recusei, é claro. Carona é sempre bem vinda, ainda mais porque eu odiava pegar táxi sozinha.

    Quando cheguei em casa, encontrei Noah, sentado no sofá da sala, assistindo a um filme.

    -Ei. – eu disse, um pouco tímida.

    Ainda não me sentia 100% “em casa” ali, então era estranho chegar “na casa de alguém” bêbada. Sinto como se fosse levar
    uma bronca.

    -Ei. – Ele se ajeitou no sofá, me olhando. – Tudo bem?

    -Bem. – eu respondi, sorrindo.

    Coloquei minha bolsa em cima de uma ponta do sofá, tirei meus sapatos e fui até a cozinha pegar água.

    -Quer água?

    -Não. – Noah disse, meio rindo.

    Ele já devia ter notado meu estado. Certeza.

    Abri e fechei a geladeira meio desajeitada, e me sentei na bancada da cozinha mesmo para tomar minha água. Ali era mais
    seguro.

    Até ele decidir sair do sofá e vir sentar de frente pra mim.

    -Foi legal? -apoiou a mão na cabeça, me olhando e sorrindo.

    Ele devia estar adorando a cena de me ver bêbada que nem uma porta.

    -Uhum. – eu disse, rindo. – Por que acordado tão tarde? – falei, pausadamente e com um pouco de dificuldade.

    -Pessoal da banda resolveu passar aqui… saíram quase 3. Fiquei energizado. Fui ver um filme e decidi te esperar, pra ter
    certeza de que ia chegar bem.

    Ergui a sobrancelha, surpresa. Por essa eu não esperava.

    -Querem te conhecer. – ele disse, me pegando de surpresa ainda. – meus amigos, da banda, sabe?

    -Uhum. – eu assenti, bebendo mais água e forçando a vista para tentar olhar nos olhos dele. Meu Deus, estava muito difícil.

    -Quero te ouvir um dia. – eu disse, olhando pra ele.

    -Eu toco pra você, um dia. – ele disse, me olhando e sorrindo. – Assiste o filme, comigo? Ou já vai dormir?

    -Assisto. – mas eu falei tão pra dentro, e tão bêbada que mais soou como um “azixto”. Noah riu, se levantando e voltando pro
    sofá (bom, assim ele não viu o jeito desastrado que consegui descer do banquinho e ir pra lá também).

    Sentei-me ao lado dele e tirei o blusão que eu estava usando como casaco, ficando mais confortável para me cobrir com a manta
    que tinha ali.

    Por incrível que pareça, assistimos o filme até ele acabar (cerca de 6 da manhã), e Noah ir pro seu quarto, sonolento e tropego.

    Lembro de murmurar algo como “já vou, também”, mas não consegui ir.

    Dormi no sofá mesmo.

  • Roommate – 7

    O despertador tocou as 6 da manhã e confesso que foi um tormento me levantar. Mas tirei forças (sei lá de onde), tomei um
    banho, coloquei um short confortável, blusa e top por baixo, e fui correr. Conforme funcionava pra mim, ir comer em jejum,(principalmente depois da janta de ontem à noite) fui direto.

    Dei algumas voltas no quarteirão e depois fui ao supermercado que já começava a abrir. Ainda deu tempo de fazer feira!
    Por volta das 8 da manhã, voltei pra casa. Assim que abri a porta me assustei ao ver um Noah descabelado, mas tomando café e assistindo tv.

    – virou ou?

    – Eu tentei acordar pra te encontrar no mercado, na verdade. – riu, vindo na minha direção me ajudar com as sacolas. – mas não
    consegui. Só acordei agora e imaginei que você já teria passado no mercado nessa altura do campeonato.

    – Ainda bem que não foi atrás, se não provavelmente ia me encontrar aqui embaixo, chegando. – ri, colocando as compras com
    ele na cozinha, Noah não disfarçava os olhares pra mim e minha roupa. – encontrei uma feira pelo caminho e aproveitei para trazer umas frutas também.

    – Você vai acabar me deixando mal acostumado, Alice. – disse, sorrindo.

     – você ainda tem tempo. – eu disse, olhando pra ele e saindo da cozinha. – vou tomar um banho.

    Depois de caminhar/correr até sentir minhas pernas falharem, minha segunda coisa preferida é chegar em casa e tomar um bom banho gelado. Ah, eu amo a sensação da água batendo em minha pele e limpando tudo. Me sinto renovada, de verdade.

    Depois de um longo (e relaxante) banho, me arrumei e quando voltei pra cozinha, estava tudo arrumado, nada fora do lugar. Noah
    me viu da sala, olhando a cozinha, e disse:

    -Arrumei tudo, já. – ouvi sua voz vindo da sala, então me virei.

    Ele estava sentado, de óculos, lendo um jornal.

    -Que beleza. – Fui até a geladeira, peguei um copo d’água e me sentei ao lado dele, olhando pra TV.

    Deu a entender que Noah apenas ligou a TV pra ouvir alguma coisa, porque estava no canal sobre notícias de investimentos e
    bolsa de valores, enquanto ele lia o jornal (e parecia estar bem atento).

     Então, peguei o controle e mudei.

    Na hora, ele levantou a cabeça e virou pra mim, dizendo, e rindo:

    -Ei. Estava ouvindo.

    -Ah. – ri, sem graça. – Desculpa. Eu achei que você só tinha ligado a TV e deixado no canal que tava…

    -Tô lendo sobre a bolsa, nessa parte aqui do jornal. – me mostrou. – e ouvindo sobre as notícias de agora.
    Franzi o cenho, olhando-o.

    -Você trabalha com o quê? Acho que nunca te perguntei isso.

    -Eu sou sócio de um restaurante. Desde pequeno fui educado a estudar sobre o mercado, investimentos, esse tipo de coisa.
    Uau.

    Ergui a sobrancelha. Tá aí algo que eu não esperava ouvir.

    -Sócio de um restaurante?

    -É. Do meu pai. – Ergueu a sobrancelha, voltando sua atenção para o jornal. Deu pra perceber que é algo contra a vontade dele. –

    Ele não está mais em condições de cuidar integralmente do restaurante, então, eu comprei parte de suas ações.

    -E no tempo que sobra, você toca numa banda. – eu disse, sarcástica.

    -Aham. – ele sorriu, me olhando. Fiquei um tempo olhando ainda pra ele. Deve ter percebido que as coisas não estavam fazendo lá
    sentido na minha cabeça, porque completou – Esse sou eu. 25 anos, formado em Economia, fazendo pós em administração, sócio
    de um restaurante e guitarrista de uma banda. Esse cara deve ter dinheiro pra cacete.

    Por que diabos ele estava divindo aluguel?

    Quase a pergunta saiu pelos meus lábios. Mas vi que Noah estava imerso de novo no jornal. Resolvi não incomodá-lo.
    Dez minutos depois, ele perguntou:

    -E aí, quais os planos pra mais tarde?

    -Barzinho com uns amigos, eu acho. – sorri. – quer ir?

    -Nah. Vou descansar hoje. Acordei bem cedo pra correr, sabe. – eu ri com seu comentário. – com o pessoal da sua faculdade?

    -Aham. – assenti, checando meu celular pra ver se tinham mandado alguma mensagem sobre o rolê.

    Por volta de umas 19:00 a campainha tocou e eu já sabia que era Jess chegando. Ela insistiu para subir no apê, já imagino o
    porquê.

    Terminei de me arrumar rapidinho para não me atrasar.

  • Roommate – 6

    Cerca de uma hora depois deu ter arrumado minhas coisas, estava distraída terminando um relatório para a faculdade quando
    Noah bateu na minha porta.

    – Pode entrar.

    – O jantar esta pronto. Vou tomar um banho porque estou morto, mas se já quiser ir comendo…

    – Tudo bem, vou te esperar. Vou colocando a mesa. – levantei- me.

    Noah sorriu, assentindo e foi pro seu quarto. Cheguei na cozinha e fui logo no fogão para provar o macarrao
    que ele preparara: abri a panela, e com um garfo peguei um pedaço. Cheguei a revirar os olhos de tão bom que estava. Procurei por algumas coisas mas não foi difícil de achar nada.

    Arrumei o balcão com nossos pratos, copos e talheres. Abri a geladeira e vi que, graças a Deus, tinha um vinho por ali. Algo
    muito importante pra mim e pra minha residência. Sentei-me e fiquei navegando na internet, pelo celular mesmo,
    enquanto Noah tomava seu banho. Minutos depois senti um cheiro maravilhoso de perfume chegar de leve na cozinha e um Noah de cabelos molhados, calça de moletom cinza e blusa branca chegar junto dele.

    Olhei-o e sorri, automaticamente. Pelo menos ele não me achou retardada e fez o mesmo.

    – Conseguiu achar tudo? – indicou com a cabeça pra mesa,  pronta.

    – Sim! E achei o item principal. – segurei já garrafa de vinho.

    – Que legal. Voce bebe? – ele se sentou, começando a servir um pouco de macarrao que eu havia colocado em uma travessa em
    cima da mesa. Eu só ri, olhando-o. Se tinha uma coisa que eu fazia, era beber.

    – Depois me manda por mensagem se quer que eu compre algo amanhã no mercado. – eu disse, me servindo depois dele.

    – você pretende ir que horas? Depois de madrugar para correr? – eu ri dele me sacaneando.

    – Isso. Vou correr e vou às compras.

    – se fosse lá pras 10 da manhã eu te acompanharia….

    – Tudo bem. Você costuma acordar sempre tarde?

    – Não sempre. Durante a semana acordo as 6 pra ir pro trabalho que pego as 7:30. Final de semana é minha folga, né.

    – Ah, entendi. No caso, correr é minha folga. Mas costumo malhar pela semana, também.

    Noah colocou um cotovelo na mesa, batendo com a mão no rosto, fazendo aquela cara de “não to acreditando nisso”.

    – Quem eu escolhi pra ser minha roommate?

    – Uma pessoa ativa, legal, simpática…. ahhh! Você não vai se arrepender! – eu disse, enquanto comia.

    – so quero ver. – Noah riu, – ficou bom o macarrao?

    – Muito! Muito mesmo.

    – que bom que gostou, é uma das minhas poucas especialidades. – riu- não sou bom em muitas coisas. – deu de
    ombros.

    Ficamos conversando até a metade da garrafa de vinho e eu começar a enxergar um pouco menos. Noah me contou sobre seu
    trabalho no restaurante, sua família, seus amigos e me avisou que sábado a noite a galera de sua banda talvez viesse aqui pra casa para eles ensaiarem um pouco.

    Não vi problema, principalmente porque já tinha combinado de sair com Jessica e uns amigos da faculdade e provavelmente voltaria no meio da madrugada. Lavei a louça e Noah guardou tudo. Nos despedimos com um beijo no rosto (?) – talvez isso fora o vinho- e fomos dormir.

  • Roommate – 5

    A reação dos meus pais não foi tão positiva quanto eu esperava.

    Tudo bem que eu me iludi, né.

    Que é que eu estava pensando?

    Que eu iria chegar, da noite pro dia, e dizer: “oi, mãe, oi pai, to indo me mudar pra casa de um menino, ok?” E que eles iriam saltitar de alegria?

    Até parece.

    Não houve gritos, mas houve um silêncio assustador.

    Eu esperei, sim, conseguir um local de verdade para aí sim contar que iria me mudar. Eu conhecia meus pais: se eu contasse toda a ideia antes, iriam com certeza apontar todos os pontos negativos da minha ideia é até me fariam desistir dela.

    MAs dessa vez, não dava mais: eu estava decidida e pronta para esse passo.

    Apesar da resistência, meus pais me ajudaram a empacotar minhas coisas e, na sexta feira, quiseram até ir comigo pro apartamento pra conhecer (e conhecer Noah também, claro).

    Por volta de 16h da sexta feira, Noah chegou lá em casa.
    Estava vestindo uma calça jeans branca, blusa preta com uns desenhos na frente e um casaco jeans amarrado na cintura. Eu juro que se tivesse alguma roupa que ficasse ruim naquele garoto… teria que ser denunciado o estilista da roupa.
    De início ele ficou bem sem graça, provavelmente achou que só seríamos eu e ele, mas depois logo se deu muito bem com meus pais.

    Fiquei feliz, aliviada e muito agradecida porque ele pareceu fazer um esforço para mostrar aos meus pais que não era um serial killer e que estava tudo bem eu morar com ele. Meus pais o adoraram.

    Depois de fazermos toda a mudança pro meu novo quarto (meus pais não pararam de falar do quanto amaram a minha nova casinha- consegui até mesmo mostrar a Mary pelo FaceTime!) ofereci fazer um café para todos, fiz, e ficamos conversando um pouco até quase 20h da noite.

    Meus pais saíram dali com o coração apertado, notei, nem parecia que eu estava morando há menos de 15 minutos deles. Que drama.

    MAs no momento em que estavam indo embora, papai e mamãe me abraçaram, dizendo:

    – estamos muito orgulhosos de você. – disseram, enchendo meu coração de amor e esperança.

    Depois que eles saíram, fui tomar um banho e me trocar enquanto que Noah disse que iria preparar algo para a gente jantar.

    Ao sair do banho (coloquei uma roupa de ficar em casa o mais comportada possível: uma calça leggin e uma blusa curtinha e soltinha) fui para cozinha ver como estava a situação com Noah.

    – tudo sob controle? – perguntei, do portal da cozinha.

    – tudo. – me olhou, sorrindo. Demorou seu olhar em mim e depois fingiu que estava olhando outra coisa perto da bancada que tinha ao meu lado.

    – esse final de semana posso fazer umas compras.

    – Ah, é uma boa. – assentiu- há um tempo que aqui só tem comida pra um. Comprei algumas coisas, mas foi só pra fazer o jantar de hoje mesmo.

    – Tudo bem. Sem problemas.

    Fui até a geladeira para pegar um copo d’água e notei seu olhar sob mim. Sorri por dentro.

    – precisa de alguma ajuda?

    – Não, não. Estou fazendo só um macarrao, nada demais. Você gosta, né?

    – sim! Tudo bem, então. Vou organizar umas coisas minhas. Amanhã vou correr de manhã.

    – correr? – Noah riu, enquanto eu passava por ele.

    – é, ué.

    – você é toda fitness e tal?

    – não. – ri, olhando-o. – nada fitness e tal. So gosto de praticar esportes e exercitar meu corpo.  – dei de ombros.

    – mas sai pra correr de manhã. Que horas?

    -7. – eu disse baixinho e com vergonha, saindo da cozinha.

    – Caralho, Alice! – pude ouvir Noah dizendo da cozinha e ri, indo pro meu quarto.

  • Roommate – 4

    – Eu não acredito! E ele não disse mais nada? – Disse Jess, indignada, depois deu ter contado tudo que rolou na minha visita à casa de Noah.

    – Nada, até agora. Esperando algum sinal de vida dele. – falei, terminando meu almoço.

    -E, com tudo isso, você ainda pretende morar com ele?

    – Jess, Eu preciso de algum lugar pra morar! – falei, franzindo o cenho.

    – Alice, isso definitivamente não vai dar certo. Está me entendendo?

    E eu lá não sabia disso?!

    – Jess, Eu preciso de um lugar pra morar e lá é perfeito.

    – Mas tem outros zilhões de lugares!

    – é só um crush, Jessica. Não surta. Não é nada demais. Vou começar a morar com ele e vou ver todos os péssimos hábitos dele, e defeitos, e vou desencanar na primeira semana! Você vai ver.

    Jess não insistiu mais e somente riu, abaixando a cabeça.


    Dois dias depois, recebi uma ligação de Noah.
    Estava dentro de sala e em aula, então não consegui atender na hora.
    Sai de sala apressada e liguei de volta pra ele.

    – Oi. – ele disse depois de atender. – atrapalho?

    – estava em aula, desculpe. Pode falar.

    – Hum, ok. Não vou demorar: falei com Mary e ela deu o ok final. Se precisar de ajuda com a mudança….

    Sabe quando você tem a sensação de que a pessoa está falando sorrindo?! Então, era exatamente isso que eu podia sentir conforme Noah falava. Conseguia quase imagina-ló, provavelmente vestindo uma roupa chique e sentado, mexendo em seu cabelo…

    – ah. Muito obrigada! Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada! – eu disse, bastante animada. Ouvi Noah rir. – Podemos fazer a mudança sexta feira? Não tenho muita coisa. Consigo embalar tudo até lá.

    – Perfeito. Me manda seu endereço por mensagem, eu te pego de carro lá. Tenho uma picape. Só ela da, ou precisa de mais um carro?

    – Só ela está ótimo. Eu posso colocar as coisas no meu carro, também!

    -Ah. certo, certo. – notei sua voz soar um pouco… desapontada, talvez.

    – então é isso. Te mando o endereço e a gente combina o horário pra sexta.

    – Perfeito. Até, Alice.

    – Até. – eu respondi, agora quem deveria estar soando como se estivesse falando e sorrindo era eu.

    Porque estava mesmo.

  • Roommate – 3

    – bem, então é isso. – Noah disse, parando na sala com as mãos nos bolsos. – espero que tenha gostado. – lançou um sorrisinho que fez meu coração acelerar.

    Aí, Alice! Ele talvez seja seu futuro roommate. Sem condições.

    – Com certeza. – deixei escapar rápido demais. – você me retorna?

    – claro. Mesmo número que nos comunicamos antes?

    – sim.

    Eu havia visto o anúncio de Noah por uma roommate na internet, por conta de alguns amigos que temos em comum. Chamei-o no WhatsApp por aquele número e nos falamos desde então por ali.

    – Então eu te aviso até o final da semana. Vou falar com Mary. – disse, indo em direção à porta. – foi um prazer, Alice.

    – Meu também. – eu disse, sorrindo e saindo dali.

    Definitivamente não daria certo.

    No dia seguinte, cheguei na faculdade atrasada mas não a tempo de fugir do olhar inquisidor e curioso de minha amiga Jessica, que esperava ansiosa por respostas.

    Talvez eu tenha comentado com ela sobre a visita a Noah e sobre Noah. Talvez.

    Jessica era uma negra alta, cabelos brilhantes e iluminados por conta de luzes, com um sorriso que chama atenção em qualquer lugar. E, minha melhor amiga desde o primeiro período da faculdade e algumas faltas na aula de direito tributário.

    Acompanhou, também, todos os rolos que tive durante a faculdade. Me conhecia como ninguém e sabia como eu me apaixonava com facilidade.

    – Nem vem. – eu disse, me sentando ao lado dela na sala de aula.

    – Não vai me contar nada? Nadica?! – me lançou aquele olhar. De novo.

    Não dava pra dizer não.

    – na hora do almoço. – hoje, terça feira, sempre almoçávamos juntas para depois ir pro estágio juntas. Ela trabalhava em um tribunal ao lado do escritório que eu trabalhava.

    Jess virou pra frente, sorridente e satisfeita.

    Mulheres.

  • Roommate – 2

    Mas acabei plantada na porta do apartamento tocando campainha por quase 10 minutos.

    E se tem uma coisa que me deixa brava é achar que estou atrasada, chegar na hora, e a outra pessoa atrasar.

    Mas minha raiva logo deu lugar a surpresa/ confusão quando ouvi passos apressados subindo escadas e ao me virar, vi o rapaz da Starbucks vindo na minha direção esbaforido.

    Ele me reconheceu (da cafeteria) e diminuiu seu ritmo, começando a sorrir.

    – oi. – disse, numa voz grave e sem graça. Pude vê-lo corar. – me atrasei, desculpe.

    – oi. Tudo bem. – eu respondi, meio confusa.

    Cheguei pro lado, dando espaço pra ele abrir a porta, e assim que o fez, ficou segurando

     Assim o fiz.

    Dei de cara com uma sala bem espaçosa, uma casa cheirosa e tudo perfeitamente arrumado.

    Não sabia se ficava feliz ou desconfiada.

    – está tudo perfeitamente arrumado porque a faxineira estava por aqui ontem. Mas não se preocupe, normalmente as coisas não ficam muito diferente disso. – ele disse, entrando atrás de mim.

    Provavelmente reparou na minha cara surpresa, observando tudo em volta.

    – Mary é minha companheira de quarto, mas ela está em um intercâmbio na Irlanda. Vez ou outra faço FaceTime com ela e ela exige que eu mostre a casa pra ela. Ela tem mania de organização. Então, se ela me ligar de surpresa e ver bagunça… as coisas não ficam muito boas. Ela me castiga mandando menos dinheiro pra pagar a parte do aluguel dela. – disse, fechando a porta e rindo. – De qualquer forma, me chamo Noah. – esticou sua mão.

    – Alice.

    – Hum. Por que está procurando por um lugar, Alice?  – disse rapidamente me olhando de cima a baixo.

    Provavelmente reparando que estou bem arrumada, com um relógio chamativo, anéis… por que preciso dividir aluguel com alguém?

    – bem… sou estagiária de direito. – ele arqueou as sobrancelhas, assentindo, enquanto ia na cozinha americana, de frente pra sala e pra mim -terminando a faculdade e não aguento mais meus pais em cima de mim. O que eu ganho já é necessário para dividir um lugar com alguem.

    – como eu disse antes, Mary volta em 1 ano. Quais são seus planos?

    – vou estar formada. Trabalhando e ganhando o suficiente para morar sozinha.

    – Quer café, uma água? – perguntou, me olhando por um momento.

    – Não, obrigada. Acabei de tomar café. – eu disse, um pouco sem graça.

    – eu vi. – ele respondeu, me deixando mais sem graça ainda. – como tem tanta certeza dos seus planos? Tem pessoas para te indicar pra um trabalho fixo?

    – contatos do escritório. – dei de ombros, sentando-me no sofá.

    – e quando planeja se mudar? Digo, se for ficar aqui com a gente. – ele voltou da cozinha com um copo de água na mão. Puxou um puff e sentou- se de frente pra mim.

    – assim que eu receber o “sim”.

    – você tem alergia a alguma coisa?

    – nada.

    – tem preferência pra alguma coisa? É uma maluca por organização feito Mary? – Noah sorriu. Ah, que sorriso.

    Demorei um pouco pra responder porque fiquei observando-o. Ele notou e vi abaixar a cabeça, sem graça.

    – não. Nada disso. Também não sou bagunceira.

    – você disse que seus pais moram com você. Sobre o que mais reclamam sobre seus hábitos?

    – estudo muito. Trabalho muito. Corro muito. – dei de ombros.

    – não gosta de muito barulho? Eu toco numa banda. As vezes fico tocando violão no meu quarto. Vai ser um problema?

    – Não. De forma alguma. Poderia ver os quartos?

    – é claro!

    Nos levantamos e Noah me conduziu por um corredor que tinha depois da sala e que dava em dois quartos e um banheiro.

    Os dois quartos eram um de frente pro outro e bem espaçosos, notei. Com uma boa luz, boa cama, armário… tudo excelente.

    – só temos um banheiro. É ruim pra você?

    – Nao. – balancei a cabeça, vendo o banheiro. Era bem largo: com banheira e chuveiro. Pia gigante com um bom espelho, que sonho! – consigo organizar meus horários com os seus. Você faz o que, mesmo?

    – toco numa banda aos finais de semana. Trabalho durante a semana. – deu de ombros, saindo na minha frente e voltando pra sala.

    – certo.