A Estagiária – 19

-Ele é assim mesmo. Ele sempre jogou com suas empregadas, saía com uma aqui, outra ali.. Mas o negocio é que ele nao é um canalha, amiga. Ele só quer companhia, companhia de verdade. Porque ele é sozinho.  
Eu havia chamado Ariel pra tomar um sorvete comigo, antes de ir pra casa, e estavamos sentados, conversando um pouco.
-Imagino que ele seja sozinho..
-Mas ele é. A gente mal tem intimidade, e onde ele me encontra, acaba começando a falar sobre a vida dele, a desabafar. Porque ele nao tem ninguem com quem fazer isso, e eu entendo. 
-Mas isso nao justifica ele numa hora mostrar que tem interesse em mim, interesse de verdade, e na seguinte, me tratar como lixo E chamar minha amiga pra sair. 
-É. Ele poderia ser mais espertinho quanto a isso. Mas isso significa que se ele atacasse, voce pegava?
-Que isso! – fiquei nervosa. – claro que nao, nao! Ele é meu chefe.
-Entao nao se sinta mal por ele jogar, meu bem. Jogue que nem ele.

À noite, Camille me mandou uma mensagem, dizendo que Thomas a chamou pro cinema na sexta, toda feliz da vida. Coitada, mal ela sabe.. 
Pediu dicas de roupa e esse tipo de coisa. É claro que eu a tratei normal, como se nao soubesse de nada. Só nao quero que ele a machuque. 
No dia seguinte, cheguei mais cedo no escritório, com meu vestido tomara que caia quadriculado e um salto –nao-tao-alto-. Thomas chegou junto comigo, mal eu havia chegado e sentado para conferir emails e ele chegou. 
-Bom dia. – ele disse assim que entrou.
-Oi, bom dia. – eu falei, me virando. 
Na hora, ele parou de frente a mim e ficou me olhando, surpreso. 
-Exagerei? – olhei pro meu vestido, confusa.
-Nao. – riu. – nao, claro que nao. Ahn…voce ja tomou café?
-Ainda nao, por que?
-Quer tomar comigo, rapidinho?
Por um momento muito idiota, quase perguntei “tomar o que?”. Droga. Era dificil nao me perder naqueles olhos, naquele cheiro..
-Eu posso fazer café aqui pra gente. E a gente come aqui. É melhor e nao vai me atrasar..
Notei um certo desapontamento em seu semblante. 
-Ah. Claro. Vou só por minha bolsa lá dentro e te encontro na cozinha.
-Tudo bem, vou fazendo o café.
Passei por ele e fui pra cozinha, onde encontrei uma bagunça de louça.
Qual o problema dessas pessoas que amam comer, mas odeiam limpar? Que droga!
Coloquei o pó e a agua fervente na cafeteira, arrumei a mesa pra sentarmos e comermos, e enquanto isso, comecei a lavar a louça. 
-Voce nao foi contratada pra lavar louça, Hanna. Pode deixar isso aí. – ouvi a voz de Thom, ao entrar na cozinha.
-Eu sei. Ta tudo bem. Nao vou conseguir comer, olhando pra essa bagunça.
-Nao queria que sujasse seu vestido.. – ele disse atrás de mim, encostando em mim, se esticando pra pegar sua xícara no armário que tinha na minha frente. 
Ok. Vou repetir: atrás de mim. Encostando em mim. 
Sacaram? Ok. 
-Ta tudo bem. – eu repeti, baixinho, tentando nao tremer. 
Ele sugava minhas energias, ao mesmo tempo que fazia meu corpo explodir em chamas.
Porra, que cliche. Que merda, Hanna 
Depois que pegou sua xícara, sentou-se a mesa e enquanto eu tirava o café e servia um pouco pra mim, antes de sentar, ele perguntou: 
-Vi voce almoçar ontem com o Chris.. Ta rolando?
-Teria problema? – eu soltei, suave. Peguei minha xícara e o bule de café, sentei-me na mesa e o servi. 
-Estagiário pode fazer o que quiser com estagiário. – ele falou, me olhando. – Só chefe e estagiário que é extremamente proibido. Vai contra a nossa politica. 
Ele disse isso olhando quase que no fundo da minha alma, juro. 
-E o que aconteceria?
-Em qual caso?
-Chefe e estagiário.
-Demissão. 
-De quem? 
-Dos dois. 
Ergui a sobrancelha e sorri pra ele. 
-Bom saber.
-Por que? Está interessada no seu chefe?
-Que eu posso pegar o estagiário que eu quiser e nao sofrer nenhum dano por isso. 

Thomas nao teve cara quando eu disse isso, entao, pra aliviar a situaçao, levantei-me da mesa e fui pro meu box, trabalhar.

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