A Estagiária – 30

-Ele é um babaca! Só estava jogando comigo, esse tempo todo. Agora ta la, com a outra, e provavelmente vai fazer a mesma coisa com ela! – eu dizia numa voz completamente embriagada enquanto tomava meu sexto, ou sétimo?, copo de vodca com energético. 
Estávamos eu, Ariel, Chris e um pessoal do trabalho bebendo num bar que tinha perto da empresa. Bem movimentado e bonito estilo americano: todo enfeitado, com musica boa e mais uma vez, com pessoas bonitas. 
-Fica tranquila, gata! Tem muito cara aí pra ti! – Ariel dizia, enquanto ria do meu descontrole. Ele sabia bem que amanhã eu nao lembraria de metade disso. 
-É, tem eu, cara. Fica tranquila. – chris disse, me fazendo cair na gargalhada.
Ele era bem gato, legal, etc, mas nada que me faça ter tanto interesse – e tesão- quanto como é com Thomas. 
-Vamos pra casa, vamos? Já está na nossa hora. – Ariel dizia. Já se passavam de 3 da manhã. 
-Vamos, cansei dessa porra toda. – eles riram quando eu o disse.
Ariel e Chris me deixaram de táxi em casa, e depois foram pras suas respectivas casas.
Deitei na cama pra dormir e apaguei completamente. 
No dia seguinte, acordei com uma puta enxaqueca, as 2 da tarde, sentindo meu corpo todo dormente, mas tomei um banho e fui trabalhar.
A vida nao estava facil, nem comprada já. 
Thomas e eu nos ignoramos o tempo todo, e evitavamos nos falar ao maximo. 
Semanas se passaram e continuamos desse jeito. 
Até ele me ligar, completamente bebado, as tres da manhã de um domingo. 
-To indo pra…ai. 
-Por que? Aconteceu alguma coisa?
-Porque eu to indo. 
-Nao! Voce nao pode. Vai pra casa, Thomas.
-Eu nao quero ir pra casa. 
-Mas é o unico lugar que voce vai agora.
-To na porta do seu prédio. 
Tomei um puta susto quando o interfone tocou. Fiquei toda arrepiada. É, fudeu. 
-Thomas, vai embor.. – ele continuava tocando o interfone. 
Eu nao tinha opçao, ou eu abria, ou o sindico do predio desceria pra arrumar confusao. 
Coloquei um short jeans e fiquei com minha blusa de manga comprida de dormir mesmo. Tomei coragem e fui abrir o portão debaixo, depois, esperei-o subir. 
Dei um pulo do sofá quando a campainha de meu apartamento tocou. Fui apressada abrir a porta e no instante que o fiz, entrou um Thomas bem vestido, porém tropego pra dentro de minha casa. 
-O que aconteceu com voce? – eu disse, enquanto o ajudava a sentar em meu sofá.
-Eu saí com a Camille. 
-Ah. Pelo jeito que voce tá agora posso deduzir que foi bom pra caramba, né? – me levantei e fui até a cozinha, pegar um copo d’agua pra ele.
-Foi bem legal. – ele dizia numa voz bem arrastada, suspirando. – Mas ela não é quem eu quero.. voce me entende..? – parei em sua frente, dando água pra ele beber.
-Nao, nao te entendo, Thomas.
-Eu quero voce, Hanna. – disse depois de beber. Dei um passo pra trás, cruzando os braços. Eu sabia que estavamos entrando num territorio perigosíssimo agora. – Eu preciso tanto de voce.. – esticou seu braço, tentando pegar minha mao. 
-Voce está muito alterado. Vou pegar um travesseiro pra voce dormir aqui. Amanha de manha a gente vai conversar direito, ok?
Mas quando me virei pra ir pro meu quarto, ele segurou minha mão e se levantou bem rapido, juntando nossos corpos. 
-Por que voce nao ouve? Por que finge nao notar o que existe entre a gente?
-Entre a gente nao tem nada, Thomas! Nunca teve. E nunca vai ter, se depender de mim. 
-Voce sabe que isso nao é verdade, Hanna.. – colocou sua mão em minha nuca, acariciando meu rosto com o polegar. – Deus, eu te quero tanto.. 
-A gente nao pode, Thomas. A gente nao deve.. 

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