Mar de Aparências – Capítulo 5

Capítulo 5 – “E tu ta afim mesmo?”

Theo

-Você cursa Jornalismo também? Não esperava te encontrar hoje na sala. – Astrid disse assim que eu sentei a mesa que ela escolheu, na cafeteria, com dois cappuccinos.

-Não, eu faço computação gráfica. Vai ser normal a gente se encontrar em algumas disciplinas com computador, computação, gráfico.. notei que você não esperava. Os meus amigos ficaram me perguntando porque você entrou, lançou aquele olhar mortal na nossa direção, e sentou bem longe da gente.

-Os seus amigos ou você?

-Talvez os dois.. – balancei a cabeça, sem graça.

-Eles são machistas que nem você?

-Não. Quer dizer, eu não sou.. Ah. Tanto faz. Eu fui criado dessa forma, e eu peço desculpas se te ofende, e por acabar soltando uns foras.

-Me ofende? Ofende a todas as mulheres. Você nunca namorou, não?

-Já, sim. Algumas vezes. Por que?

-Como você namorava? Eram homens, então?

-Não. – ri. Ela falava engraçado. – Eu gosto de mulheres. – lancei um olhar forte pra ela.

Essa garota tinha algo que me pegou de jeito.

E eu conheci ela há menos de uma semana..

-Não entendo como você gosta de mulheres, se você distrata elas. E oh que você tem uma irmã..

-Não fala desse jeito, você nem me conhece, Astrid. –quem ela pensa que é pra ficar falando comigo daquele jeito? –Eu nunca distratei uma mulher na minha vida. Eu já te pedi desculpas pelo meu comportamento, isso é o contrário de distratar. Me entende? Eu amo a minha irmã e mataria qualquer cara que distratasse ela.

-Certo. Desculpe por ter me precipitado. Qualquer tipo de comentário ou comportamento que remete a como as mulheres eram tratadas no passado me dá nos nervos. Fico logo na defensiva.

-Com toda razão. Eu não distrato mulheres, não as acho um sexo frágil. Na minha cabeça, a forma como fui ensinado, é tipo, mulheres cuidam da cozinha, da família, e homens trabalham. Não é por mal. Se uma mulher que trabalhar, ela pode e deve. Não acho isso um absurdo.

-Acho que entendi. Mas ainda sim, está errado esse teu pensamento. Tá mais do que na hora de você desconstruir ele.

-Eu nunca tive alguém pra falar desse jeito que você tá falando comigo, por isso achei que não tivesse falando nenhum absurdo. Digo, alguns amigos já fizeram uns comentários aqui e ali sobre algumas posições minhas, mas nunca liguei.

-E por que você liga pro que eu to falando?

Mas essa garota era tiro e queda, huh?

-É o que eu to tentando descobrir, também.

Ela bebeu seu cappuccino, rindo e me olhando.

Continuamos conversando por mais um tempo e quando nos demos conta.. Ela estava há quase uma hora atrasada pra sua aula e eu também.

-E aquela mina, ein, Theo? – Giovani perguntou assim que entrei na sala e me sentei junto com ele e Eduard.

-Ela é maneira, cara, ela é maneira.

-Quem é? – Eduard perguntou. – Tem uma amiga?

Ri. Pra ele estar interessado, é claro que tinha que favorecer seu lado também.

-Astrid. É caloura de jornalismo, veio pra cá com a melhor amiga – a proposito solteira – Tina, perdeu a mãe há poucos anos atrás, vive só com o pai e o avÔ.

-Caralho, contratou um detetive, mano? – Giovani comentou.

-Shelby. – eu falei e eles balançaram a cabeça, já imaginando.

Shelby era capitã das líderes de torcida, melhor amiga de minha irmã, Dalia, e fácil fonte de informações, seu avô é o diretor desse campus da faculdade.

-E tu ta afim mesmo? – Eduard perguntou.

-Cara, se ele não tivesse não ia ter feito essa pesquisa de campo toda sobre a garota né..

Ri com os dois.

Mas parei pra pensar por um minuto.

Sabe quando algo em alguém te chama atenção, te pega desprevenido e te prende? Eu me sinto assim. Tem algo nela que me faz querer conhece-la, e passar mais horas e horas conversando e ouvindo sua risada meio rouca.

O professor entrou na sala, dando boa tarde, com um mal humor do cacete.. Virei logo pra frente antes que sobrasse pra mim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *