“Me formando de kimono e afro” – Marina Melo, Única negra em universidade japonesa, comenta sobre sua experiência

Marina Melo fez Mestrado em História em Universidade de Tohoku, no Japão; para ela, é preciso incentivo para jovens estudarem fora

Oi, gente, tudo bem?! Hoje decidi trazer para vocês uma história inspiradora: a da Marina Melo.

Única estudante negra da área de Humanas na instituição de ensino japonesa, Marina escreveu uma dissertação, em inglês, sobre Kishida Toshiko (1863 – 1901), uma das primeiras feministas japonesas, e seus escritos em revistas femininas em uma época que as regras patriarcais no país oriental eram bem mais rigorosas.

“Ela foi uma das primeiras mulheres a estudar em escola púbica e fazer ensino superior em Kyoto, foi escolhida para ser tutora da imperatriz na época”, diz. “Só que ela não gostava da vida no palácio, se aproximou de um movimento popular pela liberdade e foi convidada a dar palestras sobre a vida das mulheres no Japão. E chegou a ser presa por questionar as regras.”

De Itaquera para o Japão, e o fascínio pela cultura do país

Moradora de Itaquera, zona leste de São Paulo, até os 15 anos, e formada em Letras na USP, Marina tem fascínio pela cultura japonesa desde pequena, quando embarcou na febre dos desenhos japoneses que apareciam na TV brasileira entre os anos 90 e 2000.

Fora do ambiente familiar, no entanto, o acesso à cultura japonesa não era tão incentivado, e o racismo tem tudo a ver com o que Marina e outras pessoas negras passam quando se aproximam dos símbolos e produtos do lugar. “Uma vez, um professor não me aceitou no curso de japonês porque disse que eu não tinha a ver com a cultura e, por isso, não tinha por que eu aprender. Minha mãe foi lá e disse: ‘Quem é você para dizer o que minha filha pode aprender ou não?'”

No Japão, ela afirma não ter passado situações racistas tão diretas. “Eles são bem discretos nesse quesito. Mas tem algo muito sério, que é perguntar por que minha palma da mão é mais clara do que o resto do corpo e tem uma coisa de pegar no meu cabelo, perguntar porque que ele é assim.”

Que existam muitas Marina’s por aí: fortes, determinadas e prontas para lutar contra todo e qualquer tipo de racismo! Prontas para acreditar nos seus sonhos, sempre!

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