Nosso ritmo – 10

Acordei bem cedo e coloquei uma roupa bem esportiva pra caminhar. Assim que fui pra cozinha, Ariel já tomava seu café. 
-Bom dia, ein? –Falei, me sentando ao seu lado. 
-Bom dia! Vai caminhar? 
-Acho que sim. Quer vir? 
-Ahn, não mesmo! O tempo não está muito favorável. 
Deve ser pra combinar com meu humor. 
Tomamos um café em silencio, -até porque as outras meninas estavam dormindo ainda e Trayce provavelmente tinha ido ao mercado –e eu saí logo pra dar uma volta na praia, invés do quarteirão. Eu realmente não estava disposta a encontrar um amigo de Austin por perto, ainda. 
Depois de meia hora correndo, resolvi sentar em um kioske pra tomar um pouco de suco. Enquanto bebia, distraida, senti algo formigar meu pé e sem mais nem menos, quando olhei pra baixo era um lindo chow-chow. Era pequeninho!
-Oi bebê. –Abaixei minha mão e ele começou a lamber. 
Peguei-o no colo devagar, pra que nao se assustasse. Sua cor era como se fosse um queimado, meio amarelado e muito, muito lindo. Ele ficou quietinho no meu colo, abanando o rabo. 
-Está perdido, ahn? 
Céus. Se eu voltasse pra casa com um cachorro, Trayce e as garotas me matavam. 
-ELLIOT! –Ouvi uma voz masculina gritar e logo me levantei com o cachorro no colo. 
Vinha na minha direção um rapaz MUITO gato. Alto, olhos castanho escuros e seu cabelo era um pouco cheio, meio bagunçado, nem pra cima, nem pros lados, mas do jeito certo. 
Ele vestia uma bermuda de surfista e vinha sem camisa mesmo –ta ai a parte do ‘muito’ gato.
-Hey, garotão! –Ele disse quando coloquei o cachorro no chão e foi logo colocando a coleira nele. 
-Parece que encontramos seu dono, huh? 
– Pois é! A coleira dele soltou e quando vi, já tinha ido embora. Fujão. –Continuava fazendo carinho nele. 
-Muito lindo ele. 
-Você.. –Foi quando o rapaz começou a se levantar e deu um sorriso bobo pra mim –Stella, nao?
-A própria. –Franzi o cenho –Desculpe, eu nao lembro de voce.. 
-Nao nos conhecemos ainda. 
Oh, nao diga. 
-Bem, eu sou Dylan. Eu ia, ou vou, hum –Ele parou, sem graça suspirando –Participar da nacional com voce, substituindo Josh, Trayce já conversou com voce sobre isso? 
-Ah, então voce é o Dylan. 
Comecei a assentir, olhando bem pra ele. Trayce tinha razao, nada mal. 
-É? –Dylan riu, coçando a nuca e forçou mais a coleira do cachorro percebendo que ele começava a ficar impaciente.
-Eu estava caminhando por aqui, e bem, eu devo continuar até o posto 9. Nao quer continuar comigo? Assim seu cachorro nao se perde com dois pra olhar pra ele. 
-É verdade.. Nossa, que susto. Pensei que tinha perdido meu amigão. Mas, sim, claro. 
Voltei a caminhar e Dylan foi do meu lado, sem dizer nada e acompanhando meus passos. 
-Você faz o que, Dylan? Só dança ou..
-Eu curso medicina. –Ergui a sobrancelha, assentindo –Comecei a dançar bem novo, fiquei conhecido por causa de meu pai, mas a dança é meio que um hobbie, sabe? 
-Sim, entendo.. 
-E voce? Só dança? 
-E já é demais pra mim. –Nós rimos –Tipo agora. Eu já vou ter que parar minhas férias pra poder começar a ensaiar.. é bem complicado. 
-Mas eu posso pegar as músicas que vamos dançar e começar a ensaiar sozinho. Nao vai ser problema, sabe?-Ele falou olhando pra mim. 
-Nao, que isso. De forma alguma. Nao estava me queixando, só que eu .. 
-Relaxa aí. –Dylan riu e eu suspirei aliviada –Eu te entendo. Também nao é nada facil pra mim largar o semestre no meio do mes e ir participar de algum reality com uma dançarina famosa. 
-Qual é! Nao sou famosa. 
-AH, é sim. –Ele falou rindo e dando enfase no “sim” –Ela nao é famosa, Elliot? Huh? –Abaixou, fazendo carinho no cachorro que respondeu ele abanando o rabo.
-OK, tenho meu reconhecimento necessário. 
Nós rimos e continuamos caminhando até o final da orla. Na volta, conforme o sol já tinha saído, resolvemos parar em um quiosque e nos sentar. Enquanto Dylan dava um pouco de agua pra Elliot, eu contava detalhes de umas competiçoes que participei, e como seria a que nós participariamos. Ele ficou bastante empolgado quando eu falei que nao era nada de dança lenta, ou coisa do tipo, e sim um pouco de pop e hip hop. 
-Nós começamos a ensaiar quando? Já quer definir um dia? 
-Pode ser amanhã. – Dei de ombros –Tudo bem pra voce? 
-Está ótimo. Quer que eu te pegue em casa ou a gente se encontra? 
-Ah, falando nisso.. Eu queria que a gente ensaiasse no meu estúdio, perto do farol, sabe onde? 
-Raton Barbez?
-O próprio. 
-Ele é seu?-Dylan sorriu me olhando. 
-Sim! Ainda bem.. 
-Sem dúvidas. La é MUITO bom, está ótimo lá. 
-Ok então. Amanhã a gente se encontra 10 da manhã lá, certo? –Falei, me levantando. 
-Está ótimo. –Dylan se levantou, ajeitando a coleira de Elliot na mão. –Nos vemos amanhã. 
-Vê se nao vai perde-lo de vista novamente, huh? 
-Claro. –Ele sorriu, sem graça. –Ahn, Stella.. –tirei minha atenção de Elliot e olhei pra ele –É uma honra pra mim poder dançar com voce. 
-Obrigada por estar me ajudando dessa forma. É muito importante pra mim também.
Virei-me mais uma vez pra ele sorrindo e me despedindo de Elliot enquanto fazia meu caminho pra casa. 
Dylan era um amor, mas eu nao deixaria que as coisas levassem um caminho tão errado quanto foi com Austin. 

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