Nosso ritmo – 25

-Stella? O que faz aqui? 
A voz de Dylan me trouxe de volta daquele meu transe e raiva que eu estava sentindo. Escondi com uma mão, rapidamente, aqueles papéis dentro de minha jeans e voltei minha atençao pra ele.
-Eu queria saber se tem como nós passarmos alguns passos agora! O que acha? 
-Agora? Nao está um pouco tarde já? 
-Nao, que isso. Dá tempo. 
-Claro. Vamos então? –Ele ainda me olhava desconfiado, apontando pra porta.
-Claro. 
Passei por ele com maior autoconfiança e força possível. Por que seria exatamente o que eu precisaria nos próximos dias.

Assim que acabamos de ensaiar, Dylan fez questão de me deixar em casa e antes que ele fosse embora, eu perguntei: 
-Dylan, posso te fazer uma pergunta? 
-Claro. –Ele colocou as mãos nos bolsos, me olhando. 
– Você naquela primeira noite que saímos, mencionou da sua namorada ter falecido há 3 anos.. –Ele assentiu –Você naquela época bebia?
-De forma alguma. –Negou, com a cabeça. –Eu me descontrolei na bebida, depois. 
-Do acidente? 
-Sim. Por que? 
-Ah, nao é nada. Bobeira minha. Desculpe tocar no assunto. –Balancei a cabeça, sorrindo. –Nos vemos amanhã ? 
-É claro. 
Nos despedimos e assim que entrei em casa, tomei um bom banho e fui direto pro quarto. Nao vi Trayce e nao troquei uma palavra sequer com ela.
-O que aconteceu, Stella? –Jane entrou no quarto logo em seguida, me questionando.
-Por que, amiga? 
-Voce mal falou comigo e as meninas esses dias.. É o Butler novamente?
-Nao, amiga. Pelo contrário. Eu preciso te contar umas coisas, Jane. Mas voce nao pode, de forma alguma, contar a alguem. –Comecei a sussurrar.
-Voce está me assustando. 
-Voce prestou bem atençao no que eu falei? 
-Sim, claro que sim. –Jane veio se sentar na minha cama agora, mais perto. –Pode me contar, o que ta acontecendo? 
-Olha o que eu achei no quarto de Dylan. 
Na hora, tirei do meu bolso alguns artigos que peguei e Jane ficou boquiaberta.
-Dylan? Stella, voce andou revirando as coisas dele? 
-Nao, óbvio que nao. –Revirei os olhos –Eu fui na casa dele chama-lo pra ensaiar e ele estava no banho. Sua mae pediu pra que eu esperasse ele no quarto e achei isso em cima da escrivaninha dele.
-Vai ver ele queria saber mais sobre voce, ué. Voce é a companheira dele nesse campeonato. –Olhei bem “sério? Ta brincando, né?” pra ela –Amiga, nao comece com isso de novo..
-Eu nao posso, Jane! Nao posso, ok? Em todos esses 3 anos, encobriram TODA e qualquer pista que eu tinha sobre aquele acidente. Agora isso veio até mim, mesmo que tenha sido propositalmente, eu nao vou deixar barato o final dessa historia. 
-Voce precisa esquecer disso, Stella. Voce precisa seguir sua vida.. 
-E eu vou. Quando eu descobrir quem foi o causador da morte dos meus pais. Foi falando isso, quando a fala de Lori veio na minha mente. “Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a pergunta certa.” 
– Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a pergunta certa. –Repeti, comigo mesma. 
-É o que? –Jane recuou, franzindo o cenho. 
-É ISSO! –Levante-me, aturdida com aqueles pensamentos todos vindo a mil por hora em minha mente. –Lori estava querendo isso. Ela quer que eu volte a investigar. E eu vou. 
-Do que voce tá falando, Stella? 
-E se o culpado pela morte de meus pais, fosse o Austin, Jane? –Ela arregalou os olhos, assustada. –E se fosse o Dylan? 
-Voce ficou completamente louca, nao é? 
Sentei-me na cama e comecei a contar tudo a Jane. Tudo mesmo. Cada detalhe. Eu nao poderia deixar de fora cada lembrança, cada conversa que seria importante pra tudo isso que eu estava pensando. 
Eu nao poderia deixar minha ultima chance escapar. E nao deixaria. 

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