Resenha: Bom dia Veronica

Oi, gente, tudo bem? Espero que sim!

Hoje venho trazer para vocês a resenha de um livro intrigante, importantíssimo e angustiante: Bom dia Veronica. 

Aposto que a maioria de vocês já ouviu falar nele, pode não ter lido ou visto a serie que estreou no Netflix, mas com certeza já ouviu falar. Pois bem, vamos lá. Já aviso logo: não posso afirmar que não terão spoilers nessa resenha, tá legal?!

SINOPSE: Verônica Torres (Tainá Müller) trabalha como escrivã na Delegacia de Homicídios de São Paulo e tem uma rotina bastante entediante. Após presenciar um suicídio, ela precisa lutar contra os traumas de seu passado e acaba tomando uma arriscada decisão: usar toda a sua habilidade investigativa para ajudar duas mulheres desconhecidas. A primeira é uma jovem que se vê enganada por um golpista na internet. Já a segunda, Janete (Camila Morgado), é a esposa submissa de Brandão (Eduardo Moscovis), um policial de alta patente que a maltrata e leva uma vida dupla (Adoro Cinema).

O livro foi escrito por Ilana Casoy e Raphael Montes, então aqui já existe uma deixa de que vem coisa boa por ai, correto? Eu não conhecia Raphael Montes, foi meu primeiro livro dele, e posso dizer que curti seu estilo (antes de ler o livro, ouvi um podcast da Ilana contando como foi o processo de escrever com Rafael, e como fá numero 1 da Ilana, deu pra perceber um pouco o que ali era dela, o que era de outro autor). 

O livro é pequeno (na minha opinião), apenas 305 paginas e a cada capitulo que você le, você quer devorar ele o mais rápido possível. 

CRÍTICA 

Eu nunca me achei sensível a qualquer tipo de conteúdo violento, muito pelo contrario, como falei anteriormente, fa numero 1 de Ilana Casoy, já li um material incrível por ela publicado, sobre as historias dos sereal killers mais famosos no mundo inteiro, li e estive em contato com um conteúdo que abordava atrocidades infinitas, e isso nunca me impediu de dormir ou me fez revirar o estômago. 

Mas quando se trata de feminicídio e uma historia inteira voltada a uma mulher só, o assunto virou outro. 

Pra mim, foi um livro extremamente dificil de se ler. Preciso confessar que terminei de ler, movida pela ansiedade, para saber o fim que Janete (a vitima que era casada com um PM) teria, e que fim a própria personagem principal – Veronica – teria. Meu estômago embrulhava na maior parte dos capítulos, passava o dia mal com o que tinha lido (comecei o livro lendo pela manha, como costumo fazer, mas logo tive que botar pra ler a noite porque eu passava o dia “maturando” as ideias do livro na mente, com uma sensação esquisita na cabeça e no corpo, sabe? Terrível).

Ilana e Raphael criam uma personagem principal que nao é a herói da historia, e ela nao tem, absolutamente, nenhum traço de herói. Isso eu achei interessante, curioso, nao é como se ela fosse a mais foda, a mais inteligente e a líder da equipe de investigação ou algo do tipo. Muito pelo contrario, buscaram colocar uma personagem comum, uma mulher que passaria facilmente despercebida, com um casamento ruim, filhos, frustrações e é claro, um distúrbio do século 21. Isso foi incrível porque trouxe os leitores para uma realidade mais palpável, sem ser aquilo do mundo dos sonhos e livros. 

Veronica é desajeitada, não tão fiel quanto imaginamos que ela seria no começo do livro, completamente fora do padrão (mas que em certo momento da historia tenta se encaixar em um padrão que ela acha que seria capaz de restaurar um sentimento em seu casamento), e não é muito inteligente, convenhamos. Eu, pelo menos, que estou acostumada a ler conteúdo sobre investigação criminal e afins, esperava um pouco mais dela. 

Os criminosos, no livro, são personagens completamente distintos, com historias distintas e somente o feminicídio em comum, e isso que adorei e também achei um ponto relevante: ela estar investigando casos completamente diferentes, com dois personagens com traços bem diferentes, mas ao mesmo tempo, bem iguais (aqueles traços básicos de psicopatas, de gostar de fazer a vitima sofrer, nao ter apreço nem sentimentos, traumas da infância, aquela receitinha de bolo que todos nos ja conhecemos). 

A equipe tática de Veronica é que nem ela: uma vergonha. Corruptos, fazem apenas o seu trabalho e ao acabar o expediente nao querem saber de mais nada (a nao ser a própria verônica, que parecia ser a única capaz de correr riscos para tentar desenrolar os casos em que estava trabalhando). 

Senti que o livro nao se aprofunda muito na família da vitima (conta, sim, de onde ela veio, conta sobre os pais), mas somente o suficiente para justificar certos detalhes da historia. 

O livro é extremamente importante. 

Para nos mulheres, que ja conhecemos o tema (violência contra a mulher), que temos medo de andar na rua sozinhas a noite, que ao vermos um homem andando atras de nos em uma rua vazia ja somos tomadas pelo pânico, é extremamente angustiante a obra. 

Para homens, extremamente necessária. Principalmente para mostrar e tirar essa ideia tola de que estupradores e assediadores são somente aqueles caras feios, velhos, estranhos. Estes podem ser aquele amigo seu, bonitinho, bem arrumado, mas que nao aceita muito bem levar um “nao” de uma garota. Aquele que vive chamando as ex namoradas de malucas. é. Aquele mesmo. 

Vocês já ouviram falar aquela frase que todo homem é um estuprador em potencial? Pois é. É sobre isso que estou falando. 

O livro aborda, também em parte, a questão da vergonha e humilhação que a mulher sente ao denunciar um caso de abuso desses, o quanto a vitima pode se sentir ate mesmo culpada por isso tudo. 

É um livro extremamente difícil, mas extremamente importante.

DE 0 a 10? 11. 

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