Roommate – 12

Eu não estava tentando evitar Noah. Só porque eu estava acordando mais cedo, indo trabalhar com roupa de academia pra
poder correr logo depois do meu turno e chegar em casa, não quer dizer que eu estava evitando ele sobpor medo do clima entre a gente.

Claro que não.

De forma alguma.

Era sábado. Eu não tinha pra onde correr. De manhã. Tomando café, Noah apareceu na cozinha, dizendo:

– ei. – falou com uma voz sonolenta e falhando.

– oi. – olhei pra ele rapidamente, o coração acelerado.

– últimos dias foram corridos, né? Mal nos vimos.

– é. – balancei a cabeça.

Diga alguma coisa, Alice. Qualquer coisa. Vai, diz.

– Alice

– Noah, eu…

Paramos, juntos. Um suspiro.

– desculpe por aquilo, outro dia. -Noah disse, olhando dentro de menus olhos. – não vai se repetir mais. – fui deixando ele falar. – eu não quero me envolver com ninguém agora, sabe? Ando muito estressado. Meu pai me condo,é muito, sabe? Não tenho energia para outra coisa na minha vida.

Outra coisa?

Se envolver?

Cara. Que?

Por que estou tendo a sensação de que tomei um fora?

E eu não disse nada. Nadinha. Nadica.

– ta bem.- eu só consegui dizer isso. Virei-me pra lavar minha xícara de café.

– moramos juntos, não quero que as coisas fiquem estranhas.

Gostei de você, de verdade, Alice. – falou, chegando só meu lado pra pegar sua xícara no armário de frente pra mim.

– que bom, Noah. – eu falei, olhando pra ele e sorrindo, puta da vida.

Seu babaca. Deveria ter pensado nisso antes de falar essas merdas.

Eu ia passar o dia sentada, estudando, mas estava sentindo uma energia tão grande, queria colocar pra fora de alguma forma…

Coloquei rapidamente uma roupa confortável e fui correr. Só passei por ele na cozinha, ele levantou a cabeça, percebi, mas não disse nada. Apenas fui correr.

Corri até não poder mais. Até sentir minhas pernas bambas. Estava um tremendo sol, sentei em um banquinho ali na praça em
que eu estava caminhando/correndo para descansar por uns minutos.

– Alice? – ouvi meu nome sendo chamado e olhei pra cima, curiosa. Eu estava inclinada pra frente, apoiando méis cotovelos
em meus joelhos.

– ei. – sorri, ao ver que era um dos amigos de Noah, da banda. Era Erik o nome dele?

– lembra de mim, né? Eu sou o Erik. Baixista da banda de Noah.

– assenti com a cabeça. – você sempre corre por aqui? Nunca te vi.

Notei que ele estava com roupas de academia, também.nsuado. Cabelo despenteado…uau. Por que eu não havia reparado nele
antes? Erik tinha olhos claros, um azul que não era desse mundo e não era possível ser comparado ao azul dos oceanos porque, bem, não chegava perto. Era tipo um Nate, de Gossip Girl.

– lembro, sim. Não, eu costumo correr na praia. Hoje decidi vir aqui, já que estava mais disposta a ficar perto de casa.

– já acabou, ou topa dar mais umas voltas?

Parei, olhei pra ele. Sorrindo. Bonito. Educado.

Por que não?

Corri com Erik até quase 13 da tarde. Só paramos porque não tínhamos mais fôlego pra continuar, mesmo.

– eu trabalho em uma academia de boxing. Sou professor lá. Se você quiser ir fazer um treino comigo, um dia… Aula experimental é de graça. – sorriu. Eu já disse o quanto o sorriso dele era bonito?

– que maneiro. Eu sempre quis fazer alguma luta. Vou, definitivamente, considerar isso. – eu ri – me passa seu número. Te
aviso quando for dar uma passada lá.

– claro.

Trocamos nossos telefones e um “tchau” de longe, já que estávamos ensopados de suor.

Voltei pra casa e suspirei aliviada, sem sinal de Noah.

Estudei até quase 16:00. Fiz um bife, uma salada e alguns acompanhamentos. Fiz bastante pra que Noah pudesse comer
também, mas acabei almoçando sozinha. Aquilo me deixou triste.

– oi. – estava tão entretida nos estudos que não notei Noah chegando no quarto, só quando ele acusou, dizendo.

– ei. – disse, fechando meu livro e olhando pra ele.

– almoçou sozinha? – disse, entrando no quarto e sentando na cama, de frente pra mim.

– é. Achei que você fosse chegar pro almoço, mas…

– desculpe. Dei um pulo nos meus pais. Mas provei o bife. Tava delicioso. Obrigado, de qualquer forma.

Dei de ombros, com um sorriso meia boca.

– Alice…desculpa pelo jeito que me expressei hoje cedo. Eu achei que interpretei as coisas errado, e..

– Noah. Ta tudo bem. – encostei minha mão na dele, debruçando um pouco meu corpo pra cima do dele. – ta tudo bem.

– os caras vem ensaiar aqui, pouco mais tarde. Tudo bem?

– claro. – fiquei animada. Ia ver Erik hoje, então tudo bem.

Depois de Noah sair do quarto meio confuso, que que ele estava esperando, que eu me jogasse nos braços dele e o beijasse?, fui
pro banho e mandei uma mensagem pra Jess, pedindo pra que ela viesse mais tarde ver o ensaio e ficar um pouco comigo.

Por volta de 19:00 todos chegaram. Coloquei um vestido confortável, arrumei meu cabelo e passei uma maquiagem leve no
rosto. Quando a campainha tocou e eu sai apressada pra sala para atender, Noah ficou me olhando com uma cara esquisita. Certeza que estava pensando “por que essa animação e produção toda?”.

– amiga. – Jess me abraçou assim que entrou, parando pra me olhar de longe. – pra que essa produção toda, hein? – disse, me
entregando. – oi, Noah! – cumprimentou Noah, que estava sentado na sala, observando nós duas até então.

– também me perguntei isso. – ele soltou, me olhando. Não esperava ouvir isso da boca dele. – e aí, Jess?!

– quis me arrumar, gente… Tava me sentindo pra baixo. É isso. – dei demorou, indo pra cozinha com Jess.

– ta, agora a verdade. – ela disse baixinho.

– encontrei um dos amigos do Noah hoje quando sai pra caminhar. Erik. Ele é perfeito. Você vai ver.

– agora eu estou entendendo! – falou, meio alto, reprimi ela comum “shh “. – mas e aquele príncipe que parece todo enciumado
na sala?

– Jess. A gente ficou. E a primeira coisa que ele disse depois foi: “ah, não quero me envolver”. – Jess me olhou, boquiaberta. – veio pedir desculpas hoje de manhã.

– não acredito. Que babaca!

– é. Então, vou pra onde a vida me levar. – disse eu, dando de ombros e bebendo um gole de vinho.

Quando os meninos da banda chegaram, foi visível o quanto Erik não parava de me olhar ou lançar algum papinho pra cima de mim.

Eles primeiro ensaiaram, eu e Jess ficamos olhando de um cantinho, e depois sentamos todos juntos pra comer uma pizza e
assistir a um filme. Erik sentou do meu lado e Jess do outro. Notei Noah decepcionado ao notar que não tinha como ficar perto de mim. Mas ignorei.

Por volta de meia noite, todos foram embora. Fui até lá embaixo levar Erik e ele se despedi com um beijo demorado em minha
bochecha. Ah, como era cheiroso aquele menino.

Ao voltar pro apartamento, Noah estava de pé, encostado na pilastra da cozinha.

– Levou eles lá embaixo?

– aham. – fui até a geladeira pegar um copo de água pra eu levar pro meu quarto.

– você e Erik pareciam mais próximos essa noite, ou….?

– é. Mais cedo eu sai pra caminhar e nos encontramos. Corremos juntos um pouco.

– por que não me chamou pra correr com você? – Noah soltou rápido demais e foi visível que se arrependeu. Deu as costas pra
mim, fingindo que não disse nada, mas eu não me aguentei e falei:

– depois do fora que você me deu?

E fui dormir.

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