Roommate – 13

Acordei no domingo me sentindo melhor. Olhei pela janela e as estradas estavam fechadas. Muita neve cobria tudo. Fiquei umtempo observando, ainda deitada, a vida acontecer lentamente lá fora.
De repente, ouvi dois toques na porta. Me sentei, assustada.
– oi? – falei alto.
– é Noah. Posso entrar?
– aham. – dei uma arrumada rápida no cabelo. Eu devia estar com uma cara péssima. E com bafo. Droga. Deveria ter levantadoe lavado o rosto, e escovado os dentes.
– ta muito frio. As estradas foram fechadas, vi no meu celular que tem uma tempestade vindo. – ele disse, entrando no quarto eolhando pela janela.
– senta aqui. – eu disse, bocejando, antes que ele ficasse sem graça e um clima tenso se instalasse ali.
Pois era tudo o que ele queria. Noah deitou na ponta da cama, se cobrindo.
– em dias frios assim, eu amava correr pra cama da minha irmã e me cobrir com ela. Ela fazia carinho no meu cabelo até eu dormirde novo. – ele disse, se aconchegando no meu travesseiro.
Encostei meu antebraço na cama, chegando perto dele.
Comecei a fazer carinho em seu cabelo.
– ela era mais velha?
– na época, sim, e ainda é. Ela não morreu não. – Noah riu, me olhando.
– é. Tive medo de perguntar da forma errada.
– tudo bem. A gente pode dormir só mais um pouquinho? To com frio.
– pode, Noah.
Me deitei ao lado dele e fiquei vendo ele pegar no sono, enquanto eu fazia carinho em seu cabelo.
– O que fizeram com você, Noah? – eu perguntei baixinho, olhando-o.
Por volta de quase meio dia, levantamos. Na verdade, eu arrastei Noah pra fora da cama. Ele não parecia muito bem. Enquanto dias chuvosos/ com neve me traziam boas memórias e sentimentos, não era o mesmo pra ele, pelo visto.
Fiz um café e torradas pra gente e dei pra ele, enquanto ele assistia a TV, completamente em silêncio.
Meu celular acendeu, acusando mensagem, e quem Viu primeiro foi Noah, já que estava ao lado dele. Ele pegou o celular e me deu,dizendo:
– ta rolando algo entre vocês dois?
Peguei o celular da mão dele e olhei pra tela.
Era Erik, perguntando se eu estava bem.
– talvez. – dei de ombros, – por que?
– se tiver… Vou me comportar de outra forma e.. Você sabe, cair fora.
Eu ri, bebendo meu café e quase me engasguei.
Noah me olhou, franzindo o cenho.
– Noah, você me beijou e caiu fora. E agora ta dizendo isso?
Ele assentiu com a cabeça, abaixando-a.
Depois de longos minutos, disse:
– por causa da relação complicada dos meus pais nunca consegui me envolver com alguém direito. Quer dizer, eu passeianos com a mesma menina. E ai ela me traiu. Ela simplesmente me traiu. – suspirou- desde então, eu não me envolvo de verdadecom ninguém. E a gente mora junto, né? A gente mora junto. Não quero estragar isso. Eu gostei de você desde quando te vi nacafeteria, Alice. Eu senti algo muito forte…e então a gente se beijou,e foi melhor ainda. E eu fiquei assustado. Entende? Fiqueiassustado.
– você não pode fugir de tudo que aparece na sua vida, por não saber se aquilo vai ser bom ou ruim. Imagina quanta coisa boavocê já perdeu?
Me levantei e fui pra cozinha, lavar a louça e começar a descongelar umas coisas pro almoço. Ouvi Noah sair da sala, masnão foi mais de encontro a mim.
Descongelei umas coisas pra fazer pro almoço, enquanto Noah não saiu do quarto.
Respondi a mensagem de Erik e conversamos um pouco.
Por volta de 13:00, e sem sinal de Noah, decidi ir no seu quarto.
Ia bater na porta, mas percebi que estava entreaberta. Então, abri devagarzinho, e em silêncio, e o vi deitado e dormindo.
Dormindo? De novo?
Cheguei ao lado dele, colocando a mão em sua cabeça. Ele estava queimando em febre.
– Noah. – Eu chamei, assustada. Nenhum sinal. – Noah. – falei mais alto, encostando em seu braço.
– ahn. – ele abriu os olhos, assustado e me olhando. – que foi?
– você está ardendo em febre. Precisa tomar um banho. Anda, levanta. – disse eu, puxando ele pra fora da cama.
– eu só tava cochilando, Alice… – falou, meio bravo.
– e está queimando em febre! Anda logo. Antes que piore.
Fiquei parada ao lado da cama dele, pra ele perceber que eu não iria sair dali tão cedo.
Noah se deu por convencido e levantou da cama, estava só de cueca.
– você tá sentindo outra coisa?
– sim. To puto. – falou, me olhando e coçando a cabeça.
Peguei uma toalha que achei na cadeira da escrivaninha dele e o entreguei.
– acha que consegue ir sozinho? – perguntei, preocupada.
Ele não me respondeu, só entrou no banheiro.
Enquanto tomava banho, corri na cozinha e preparei um chá.
Eu não suportava ver pessoas próximas a mim doentes.
Voltei pra porta do banheiro e fiquei parada, esperando, com medo dele desmaiar ou algo do tipo.
Noah abriu a porta do banheiro, uns 15 minutos depois, assustado.
– o que ha com voce? – perguntou, me olhando.
– não sei se está doente. – dei de ombros. – se é algo sério. Só quero ajudar.
Ele percebeu que estava sendo um babaca. Assentiu com a cabeça e entrou no quarto.
Parece que pra me provocar, dessa vez, não fechou a porta.
Tirou a toalha de sua cintura e eu só não arfei bem alto porque ele estava de cueca. Então, foi um susto rápido. Ficou de costas pramim o tempo todo. Suspirei, baixinho, vendo a cena. Ele tinha umcorpo lindo, musculoso e que cheiro bom saía do banheiro…
– vê se ainda estou queimando. – ele sorriu, chegando perto de mim. Sim. Só de cueca. Cabelo molhado. Gotas do banhopingando em seu abdome.
– morno. – eu falei, baixinho, encostando em sua testa e rosto.
– eu acho que vou começar a queimar… – ele sussurrou, abaixando a cabeça e deixando-a bem próxima dos meus lábios. -agora. – disse, antes de me beijar.
Noah me pegou pela cintura, eu agarrei sua nuca e começamos a travar uma batalha: dentro de nossas bocas. Era um beijo quenão sabíamos quem desejava mais: eu ou ele.
Ficamos nos beijando pelo que pareceu muitos minutos seguidos, mas não o suficiente, até eu me afastar, dizendo:
– fiz chá pra você. Tome antes que esfrie.
E sai do quarto antes que eu tirasse a única peça de roupa que ele estava vestindo.
Depois de uns minutos, Noah apareceu na sala, vestido dessa vez.
– o chá esta em cima da pia. – eu disse do sofá.
-obrigado.
Noah pegou a xícara de chá e sentou-se ao meu lado, no sofá, começando a beber e fazendo uma cara feia.
– parece que você tem 10 anos.
– que que você colocou nisso? – perguntou, com uma voz anasalada.
– tudo o que você precisa pra melhorar. – fui até a cozinha, peguei um comprimido de vitaminas e entreguei a ele. – toma juntocom esse comprimido. O próximo eu dou de madrugada.
– você é minha mãe?
– por que você simplesmente não aceita carinho de bom grado? É chato isso, sabe?
– desculpa. To com dor de cabeça. Cansado que parece que corri o quarteirão todo. Sinto frio. – percebi que ele estava de calçade moletom e blusa de manga comprida. E não estava esse frio todo.
– quer tentar comer algo? – ele assentiu com a cabeça, fazendo um movimento que ia se levantar. – deixa, eu pego pra você acomida. Tudo bem.
Fui até a cozinha e quando estava terminando de fazer o seu prato, percebi que ele estava encostado na pilastra, me olhando.
– como eu vou fazer pra não me apaixonar por você? – Noah disse.
Nossa. Esse remédio estava deixando ele bem sincero, pelo visto.
– é inevitável. – eu disse, com um sorrisinho.
Coloquei o prato de comida em cima do balcão e ele foi na direção dele, sentando-se pra comer. Abri a geladeira para fazerum suco de frutas, enquanto isso.

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