Roommate – 16

– sinto que quero estar com ele o tempo inteiro. – eu dizia pra Jess, enquanto saiamos da aula.
Era terça feira, mais um dia que eu tinha marcado de encontrar Erik. A diferença é que hoje ele me chamou pra almoçar na casa dele.
– e sobre Erik?
– sei lá. – dei de ombros, – tem uma energia. Um fogo… Algo eletrizante, sabe?
– e Thomás?
– ele e Noah estão basicamente no mesmo lugar. Se fosse pra ter algo sério… Teria com os dois. Com Erik, não. – é, mas não dá pra ter algo sério com dois caras e vez ou outra pegar um terceiro, né, Alice? Você precisa se decidir. Vai acabar magoando os 3. Ficando sem nenhum.
– eu moro com um deles, estudo com outro e malho com outro. O clima vai ficar tenso independente de quem eu escolher.
– então escolha de forma sábia, – disse Jess. Estávamos conversando sobre isso hoje porque eu não aguentava mais me sentir indecisa. E estava cansada. Não queria ficar saindo com mil carinhas ao mesmo tempo. 
Não sou assim.
– por eliminação, eu tiraria logo Erik. E Thomás está comprometido já, então… – olhei pra casa de Jess, em duvida. – eu acho que é sério.
– vamos ver isso, né. 
Ri, me despedindo de Jess.
Erik morava ali por perto, então fui a pé mesmo para seu apartamento. Ao chegar no prédio, toquei interfone, ele me liberou e ao passar pelo porteiro, ele sorriu, dizendo:
– ei! – todo caloroso, me olhando. – não era só Erik que estava doido pra te ver. – e veio me abraçar. Sério, abraçar.
Nada contra abraçar porteiros, mas… Eu nunca vi esse homem na minha vida. Eu nao abraçava, tipo, nem Noah. Será que era doido?
Eu só ri, retribuindo o carinho, claro.
Subi logo pro elevador de Erik sem entender muito bem. Ele parecia ser de idade, então vou relevar. Ao tocar sua campainha, fui recebida por um Erik de blusa branca, bermuda verde e um avental de cozinha de bichinhos por cima. Ri, debochando.
– quem vê aquele lutador de ontem até acredita. – eu disse rindo e entrando no apartamento.
Aquela porta, dava pra parte da sala, que era gigantesca, toda de vidro, digo, eu conseguia ver toda a cidade dali. Era perfeito. Ali também dava acesso a uma cozinha americana perfeita.
Que TV gigante era aquela na sua sala?! Jesus. De onde vinha todo aquele dinheiro, da academia não poderia ser!
ei, aqui é incrível. – eu disse, entusiasmada, olhando pelo vidro da sua sala que dava pra cidade inteira.
A vista é ótima. – eu ouvi sua voz atrás de mim, Se aproximando.
Eric chegou com uma mão em minha cintura, me puxando pra perto dele e me beijando. Foi eletrizante. Sua mão em minha cintura,e a outra na minha nuca… Parecia tudo tão certo. Mas não posso mentir. O beijei pensando um pouco em Noah. 
Por eles serem amigos, aquilo parecia um pouco errado. Bizarro é super nada a ver, eu sei. Mas é o que eu sentia.
oi. – ele disse sorrindo e se afastando.Oi. – eu falei, sorrindo e indo atrás dele pra cozinha.
Apesar de certa bagunça na pia, tudo estava perfeitamente limpo e organizado: as panelas dispostas em sua pia de mármore, tudo perfeito e limpo.
o que teremos pra hoje? – perguntei, sentando à mesa, na bancada da cozinha.
risoto de cogumelos com batata corada. Gosta? – sorri, animada. – eu imaginei, você tem um estilo de vida bem saudável, então sabia que não ia ter como errar. Fico feliz.Não sabia que você cozinhava.Ainda tem muitas coisas sobre mim que você não sabe. – ele disse, piscando pra mim, do fogão. – vem cá, experimentar.
Pulei do banquinho e fui até ele. Erik assoprou e colocou um pouco do risoto em minha boca. 
Revirei os olhos, suspirando. Estava delicioso.
nossa, que delicia. – eu disse, sorrindo. – arrasou.
– obrigado. – falou, limpando meu queixo com um dedo.
Depois de alguns minutinhos, Erik me ajudou a me servir, nos sentamos na mesa da sala e começamos a comer. Estava tudo tão gostoso!
Comemos e Erik me contou um pouco sobre sua rotina: ele fazia um curso de gastronomia (por isso cozinhava tão bem!) e seu pai era um militar aposentado que adorava pagar por tudo pra ele (por isso a casa enorme e super chique). Ele também fazia um curso de administração porque ele pretendia se tornar dono da academia em que trabalhava: ele e o atual dono eram super amigos e já conversavam sobre isso.
Depois do almoço, decidimos sentar no sofá pra assistir uma série, enquanto eu ainda tinha um tempinho antes de ir pro trabalho. 

– Acho que nunca gostei de alguém tão rápido assim. – Erik disse, sorrindo e jogando seu braço em cima de meus ombros, chegando um pouco mais perto de mim. 
Eu só ri, sem graça, olhando pra ele. 
Chegamos mais perto um do outro para que nossos lábios pudessem se encontrar. Começamos um beijo rápido, envolvente e bem quente. Ficamos trocando beijos, carícias e explorando o corpo um do outro até meu chefe me mandar uma mensagem, pedindo pra que eu fosse pro escritório o quão antes, porque precisaria ajudá-lo. 
-Te vejo mais tarde, na academia? – Erik perguntou ao me acompanhar até o elevador. 
-Sim. Qualquer mudança de planos, te aviso. – eu disse, beijando-o e me despedindo. 

Depois de umas duas horas de chegar no trabalho, precisei mandar a seguinte mensagem para Erik: 
“Mudança de planos! Vou trabalhar até mais tarde hoje. Não vou conseguir te ver mais tarde”. 
Ele respondeu com uma carinha triste e eu voltei a me concentrar no trabalho: tinha muito o que fazer! 
Fiquei até tarde trabalhando naquele dia. 
Cheguei em casa, já quase 22 da noite e encontrei um Noah preocupado, no sofá, olhando pra uma tela de computador.
-Ei; – eu disse, colocando minha  bolsa em cima da mesa da sala e tirando meus sapatos.
-EEi. – ele disse, um pouco mais longo, me observando ir até a cozinha. – eu estranhei o tempo que levou pra chegar, mas achei que ainda eram 18h. Acabei d perceber que já sao quase 22h. 
O que aconteceu?
Noah pegou o computador e o levou pra bancada da cozinha, sentando-se de frente pra mim, enquanto eu buscava um copo de água na geladeira, 
-Meu chefe. – suspirei, colocando um copo com força na pia para me servir. – muitas peças para nós arrumarmos de estagiários fazendo besteiras. Mas, pelo menos, acho que fiz um trabalho tão bom que serei recompensada!
-Boa, Alice! – Noah sorriu, me olhando. Parecia realmente feliz por mim. 
-Temos algo pra jantar? Estou tão cansada e faminta. Só fiquei comento biscoitos por lá. 
-Sim. Fiz um ensopado com uns legumes, tem um bife, deixei arroz pra voce e uma salada na geladeira.
-Ja jantou?
-Estava esperando voce chegar, na verdade. – ele  disse, coçando a cabeça e me olhando. 

Parecia um pouco envergonhado por isso. Sorri, olhando pra ele. Achei aquilo genuíno.
Enquanto começava a esquentar a comida, Noah disse:
-Eu sei que voce acabou de chegar do trabalho, está super cansada e tudo mais, mas… pode me dar uma ajuda? Tem um cliente pé no saco processando o restaurante por causa de uma situação que aconteceu zilhões de anos atrás. Voce acha que consegue dar uma olhada nesse processo e me ajudar? Rapidinho. Só uma direção. – eu não resistia àquele jeito dele falar todo sério e comprometido. 
Dei a volta pelo bancão e fiquei ao lado dele, olhando a tela de computador. Me curvei um pouco, até ficar basicamente na altura do rosto dele, olhando pra tela. Eu enxergava mal, então precisava ficar bem perto.
Passei os olhos rapidamente no processo para entender um pouco sobre o que se tratava.
O cliente parecia estar processando o restaurante por ter comido alguma coisa estragada, mas pelo que eu podia ver, poderia ter sido N coisas que ele tinha comido naquele dia (de acordo com algumas contra-provas arquivadas no processo). Enfim, tudo parecia meio lúdico.
-Que doideira isso aqui. – eu disse, apontando pra tela e lendo em voz alta a parte em que o cliente dizia ter certeza de que tinha sido o peixe do restaurante que o havia feito passar mal. 
-Nem me fale. Tem uns dois anos que esse processo está rolando, e cada vez mais é arquivado algo mais surreal. 
-Sim. Aqui ele já está acusando o restaurante de que se engasgou, também, há anos atrás com um pedaço de carne mal cozido… – continuei lendo um pouco mais afundo e me peguei distraída. 
Até perceber que Noah estava me olhando e depositou um beijo suave no caminho entre minha orelha e bochecha. 
Virei meu rosto pra ele, aos poucos, surpresa. Sorri. -Que foi? 
-Voce tá cheirosa. – disse, me olhando. Nossos rostos estavam bem próximos um do outro, conforme ele estava sentado, e eu curvada, olhando pro computador. – Só deu vontade de fazer isso. 
Encarei-o por alguns segundos e foi suficiente: nossos lábios logo estavam colados, ele de pé, me beijando e me preensando contra a pilastra que tinha ao nosso lado. 
Com mãos apressadas, Noah me tirou meu blazer, minha blusa, e logo eu estava de sutiã. calça, e ele só de bermudas. Sua blusa já estava em algum lugar pela sala. Rindo e desajeitados, nos levamos pro sofá da sala mesmo.
Continuamos nos beijando até eu sentir seu corpo completamente nu em cima do meu. Adormeci em poucos minutos depois desenti-lo dentro de mim e de  toda a agitação.
Acordei com uma deliciosa massagem nas minhas costas. Eu estava de bruços. 
-Eu só precisava disso.  – Eu disse meio embriagada de sono e com o rosto quase afundado no travesseiro. 
-Eu sei. – Noah disse, beijando meu ombro e continuando suas massagens. Ele continuava deitado do meu lado, apenas com os braços em cma de mim, massageando meus ombros. – Eu gosto tanto de sentir você. – Noah começou a trilhar vários beijos, do meu ombro, até metade das minhas costas, ficando em cima de novo.
Continuei deitada, mas acordada (nossa, MUITO acordada), sentindo ele de novo dentro de mim, dessa vez.
Depois de alguns suspiros e gemidos, Noah deitou novamente do meu lado.
-São que horas?
Noah olhou no relógio do móvel da TV da sala e disse, com uma voz embargada: 
-3 da manhã. 
-Jesus. Ainda nem jantei. E amanhã preciso acordar cedo. 
-Hoje precisa acordar cedo.
-Hoje preciso acordar cedo. – eu disse rindo e me levantando, olhando em volta e pegando uma blusa dele que achei mais perto de mim e colocando. 
-Fica bem em você. – ele disse, me puxando pra mais um beijo. 
Que quando começou a ficar intenso demais, eu me afastei, dizendo:
-Chega. Eu realmente preciso comer.  – eu disse, rindo e me levantando. 
-Toma um banho enquanto eu esquento a comida de novo. E abro um vinho pra gente.
-É uma ótima ideia.  – eu disse, rindo. 
Enquanto tomava banho me dei conta da sensação que estava sentindo: era tão boa. Era tão bom estar com alguém daquela forma. Eu e Noah estávamos compartilhando momentos que realmente significavam muito pra mim. No sentido de: era aquilo que eu valorizava em um relacionamento. Momentos como os quais acabamos de viver agora. Eu gosto da paixão avaçaladora, da química extasiadora, mas eu gostava principalmente desse conforto. De ter alguém pra chegar em casa, cansada depois de um dia de trabalho, e receber uma massagem. De ter alguém que vai beijar cada partezinha do meu corpo e pensar o quanto gosta da mulher com quem está. De ter alguém que vai esquentar/preparar o jantar pra mim enquanto tomo banho e/ou me arrumo porque sabe do  cansaço que aquele dia me trouxe. De alguém que quando me vir com a roupa dele, vai sorrir e pensar “fica bem em você”. Que vai me deixar dormir juntinho, tirar cochilos, fazer massagens, comer junto… eu preciso dessa companhia. Eu preciso desse cara que vai ser meu companheiro (em todos os sentidos possíveis).Depois desses pensamentos não me restavam mais dúvidas: era apenas com Noah com quem eu queria ficar. Pelo menos no momento. 

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