Roommate – 20

-Bom dia? – eu disse, olhando para Noah e a menina, meio sem entender nada.

-Bom dia. – disse Noah, me olhando, sem me dar muita importancia.

-Oi, bom dia. Prazer, Clarice. – Ela se levantou, apertando minha mão.

-Alice. – sorri, olhando-a.

Clarice assentiu, sorridente.

Ela tinha o rosto largo, olhos castanhos tipo da cor de Noah, cabelos um pouco ondulados e um sorriso muito bonito. Estava bem vestida, também, pelo que pude reparar: calça preta, coturnos cor mostarda e uma blusa social branca.

Notei que minha presença estava deixando eles meio desconfortáveis (é mole?!) então peguei um pouco de café, coloquei na minha garrafa térmica e saí dali, sem olhar pra trás.

-Alice? O que você tem? – perguntou Jess, me olhando, depois de nos cumprimentarmos e nos sentarmos dentro de sala.

-Nada. Por que? – Tentei disfarçar.

Eu estava muito brava: e quando ficava brava assim, acabava chorando, então para evitar uma cena ridícula, me segurei.

-Depois da aula a gente conversa. – respondeu Jess, entendendo meu sinal, graças à Deus.

No final da aula e antes que eu pudesse falar com Jess, Thomas me pegou de surpresa quando todos os alunos haviam saído da sala e eu estava terminando de arrumar minhas coisas.

-Posso falar com você um minuto?

Quase dois meses depois de tudo, ele vem falar comigo?!

Parei, olhando pra ele, sem dizer nada.

-Desculpa. Eu ia falar com você, tantas vezes, mas… a menina que eu tava disse que se eu falasse com você, te procurasse de alguma forma… ela acabava as coisas. E eu gostava dela, Alice… com ela não era complicado, pelo menos, não costumava ser antes daquilo tudo. Só que as coisas se complicaram, eu vi o que eu tava fazendo da minha vida, comecei a sentir falta da nossa amizade, então… terminei as coisas.

Escutei incrédula aquilo tudo.

Não acredito que ele deixou uma garota manipulá-lo tanto. E só percebeu nessa altura do campeonato.

Pelo menos reconheceu, né?!

-Entendi. – suspirei, olhando-o. – Tudo bem.

-Vai sair mais tarde?

-Acho que sim. – assenti positivamente, saindo da sala com ele do lado.

-Posso encontrar vocês lá?!

-Aham. – assenti novamente, dando de ombros. – sem problemas. Mas Thomas, nao va se enganar… vamos manter as coisas como estavam, ok? Somos só amigos.

-Pra mim já é mais que o suficiente. – ele sorriu, jogando o braço em cima de meus ombros e beijando o topo de minha cabeça.

Jess, na porta da faculdade, depois das escadas, me viu com Thomas descendo e franziu o cenho, rindo e cruzando os braços.

-Eu realmente nao entendo o que acontece com voce e sua vida, Alice.

-É o país das maravilhas. – eu disse, enquanto Thomas se afastava e cumprimentava Jess. – só que ao contrário.

Nós três rimos.

-O que rolou hoje cedo? – perguntou Jess.

-Eu acordei de manhã e Thomas estava com outra garota na cozinha.

Thomas assobiou, me olhando.

-Pelada?

-Não! – eu ri, nervosa. – Nao. Estavam só tomando café. E ela tomando café na minha xícara,

-Ah, então…- Thomas deu de ombros. Mas olhou pra Jess e pra mim. – Que foi? Isso não significa nada. Ele só tava tomando café com uma garota. Voce a ouviu de noite, lá?

-Só ouvi as vozes de manhã.

-Então com certeza ela deve ter ido de manhã. Você ainda não sabe se estiveram juntos, juntos… – Thomas disse, fazendo eu e Jess concordarmos com a cabeça.

-Olha, Thomas tem um ponto. – Jess disse enquanto começamos a andar para porta da faculdade, que estava lotada de pessoas saindo das aulas e outras chegando, para o turno de aulas da tarde.

-Você ainda não disse que tá apaixonada pelo cara? – Thomas disse e eu olhei para Jess, de cara feia.

  • Eu não disse nada, eu juro!

-Nem foi preciso. Naquele dia da confusão deu para perceber no olhar dele, te defendendo, você olhando pra ele, também… ficou na cara, né, Alice.

Suspirei, mexendo no cabelo de depois cruzando os braços, tentando disfarçar.

  • Eu…

-Se você demorar pra falar, vai aparecer alguém e você vai ficar arrependida. Experiência própria. – disse Thomas, me olhando daquele jeito.

Jess soltou um pigarro, dizendo:

-Acho que hoje de noite você deveria perguntar, como quem não quer nada: e aquela menina, hein?!

Eu morria mas não perguntaria isso.

-Eu vou é beber hoje de noite, Jess. – olhei pra ela, rindo.

Thomas balançou a cabeça, negativamente, rindo.

Fui para meu trabalho contando os segundos para mais tarde: só queria beber até esquecer daquela garota de cabelos castanhos, sorriso bonito, tomando café na minha xícara e conversando com o meu cara…

Meu suposto cara….

Ah!

É isso.

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