Roommate – 22

Mas o dia seguinte chega: da mesma forma, a ressaca.

Fui despertada por um cheiro delicioso de café, mas também pelo toque do telefone de Noah.

Quando me dei conta, estava sozinha, no quarto dele.

Antes que pudesse reparar no telefone, atendi: mas era um FaceTime. E depois que eu tinha atendido é visto quem aparecia na minha tela, já era tarde demais para desligar.

Era a menina de ontem.

Clarice.

E ela já dizendo:

-irmão, você por acaso tem uma…- irmão?!

A morena, que antes parecia agachada pegando algo no chão, meteu logo o rosto na tela do celular, arregalando os olhos ao me ver. Ainda bem que eu estava com uma blusa de Noah, e não nua, mas acredito que a surpresa para ela foi a mesma.

-oi, – eu disse, arrumando meu cabelo, seria, olhando pra ele.

-Alice. – disse Clarice, tensa, me olhando e tentando achar palavras para dizer.

-vou chamar o Noah.

Comecei a me levantar e fui até a cozinha, com o celular na mão. Clarice ficou o tempo todo congelada, sem saber o que dizer ou o que falar mesmo.

-oi, bom dia…- Noah, que começava a falar com um sorriso na cara, logo ficou sério, olhando pra mim e para o telefone, sem entender,- sua irma. Quer falar com você. – eu disse, mostrando o celular pra ele.

Se Clarice estava congelada, Noah estava petrificado nesse momento.

De repente tinha um no gigante na minha cabeça. Por que que ela era a menina de ontem? Por que Noah não havia dito nada?

-Depois eu te ligo, anjo. Pode ser? – só ouvi essas palavras saindo da boca dele. Eu já estava em seu quarto, pegando e juntando minhas coisas.

-Alice. – me virei quando ouvi sua voz, atrás de mim.

-Cara, era sua irmã. Por que você não me contou, não nos apresentou? Era só para criar uma ceninha?

Noah suspirou, travando o maxilar e se sentando na cama, segurando-me pelas mãos e me guiando para frente dele, meio das suas pernas.

-Clarice é minha irmã mais nova. Clarice morava aqui comigo. Ela era minha antiga roommate. Ela foi fazer “intercambio” porque na verdade engravidou. Meus pais a obrigaram a sair da cidade, ter o bebê e colocar para adoção, porque o pai, um ex namorado dela, não quis assumir. Meu pai, preocupado em manchar o “nome da familia”, a obrigou a fazer isso.

-isso é sério?!

Era tão surreal que era difícil de acreditar. Mas pela expressão no rosto de Noah ao falar sobre o assunto, ficava óbvio a veracidade.

-muito sério. E é por isso que eu não tenho um relacionamento bom com meus país. Nunca vou os perdoar.

-mas se ela voltou já, como você não me expulsou daqui?

Noah parou por um momento, me olhou e sorriu.

-porque eu disse a ela que me apaixonei por você. Que não queria que você fosse embora, pelo menos não agora…

-e onde ela está, então?!

-na casa de uma amiga e estamos procurando outro lugar.

-Noah. – eu parei, levando minha mão à boca, surpresa. – não podemos fazer isso com ela. Eu posso muito bem voltar a morar com meus país, e….

-contrato é contrato, Alice. Nosso combinado foi 1 ano. Ela voltou mais cedo porque quis. Ela está com um bom emprego, foi transferida para cá. Vai conseguir alugar um lugar e pagar sozinha, sem maiores problemas.

-ela ficou brava?

-surpresa, eu diria. Por isso que veio aqui ontem, não acreditou quando eu disse por telefone. Achou que era brincadeira, eu quero ficar só com você, Alice.

-eu também quero ficar só com você, Noah. – eu disse, abraçando ele e beijando seu ombro nu.

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