So ready – capítulo 1

  • Você ainda não está pronta!
    -Estou sim!
    Essa era eu discutindo com Dimitri.
    Eu não era uma mulher “capa de revista”, era um pouco baixinha, magra (até demais, talvez), cabelos loiros e olhos um pouco claros (em um som bem forte juro que da para ver!) mas nunca havia sido dispensada por um cara na minha vida toda.
    22 anos de festas (tudo bem que eu terminei um longo relacionamento há pouco), mas digo, mesmo namorando os caras ainda chegavam em mim.
    Com Dimitri as coisas sempre foram muito as claras: estudávamos juntos – fazíamos algumas aulas juntos – e sempre rolou um clima gigante entre nós dois. Entre os varios términos que tive ao longos dos anos, quase ficamos e teve uma vez que esse quase foi um “quase” por um fio.
    E, de fato, se tivéssemos ficado naquela época… teria estragado tudo o que “temos”. Digo, somos amigos. Muito amigos. Amigos pra cacete. Mas a gente poderia ser mais do que isso.
    Ah, e como poderiamos
    Mas Dimitri cisma que ainda “não estou pronta” para ficar com ninguém. E desde que eu terminei, óbvio que fiquei com uns carinhas. Nada demais, não estou procurando por outro compromisso (nem tão cedo!), mas com ele é diferente.
    Com ele é tudo diferente.
    Tao diferente a ponto de estarmos em meio aula de informática discutindo sobre eu estar pronta para ficar com ele, mas ele achar que não. É bem sério.
  • não me irrite, Ayra. – ele lançou um olhar bravo com seus olhos castanhos e por baixo de algumas ondas que seu cabelo fazia. Até parece que conseguiria ficar irritado de verdade comigo.
  • Vamos só sair, então? Só uma cerveja. Só isso!
  • Por que? – ele me olhou, rindo.
    Ah, ele devia estar amando aquilo. Com certeza.
  • Esquece, Dimitri. Esquece. – virei pra frente, voltando minha atenção a um trabalho que a professora tinha pedido para fazermos.
    Ouvi ele suspirar. E juro que vi um sorriso, de lado.
  • só uma cerveja.
    Sorri, ainda olhando pra tela do computador.
  • só uma cerveja.
    Sorri, ainda olhando pra tela do computador.

Desde o início da faculdade eu conhecia Dimitri. No início, tínhamos uma vibe mais de dois desconhecidos que queriam se pegar. Agora, e ao longo do tempo conforme nos conhecemos, fomos ficando amigos e deixando um pouco de lado essa coisa toda… mas nunca ficou realmente de lado. Ele era ele.
E eu o queria.
Eu sei que não é algo do tipo “one night stand” porque eu realmente o queria. Eu odiava vê-lo falando com outras garotas (e o quanto elas caiam em cima dele!)
Mas ele nunca retribuía ninguém. Ou melhor, nenhuma.
Enquanto isso… sempre gostava de jogar piadinhas para cima de mim, sempre conversávamos sobre coisas que você – definitivamente- não conversa com quem é “só seu amigo”, do tipo imaginando se fossemos namorados e se ficássemos.
Ou seja, tinha algo de diferente entre nós dois. Mas ainda sim, ele não dava o braço a torcer completamente.
Insistia em dizer que eu “ainda não estava pronta” para ficar com alguém, ficar de verdade. Porque uma coisa sou eu ficar com pessoas aleatória em festas e que nunca mais vou ver… outra é ficar com um cara que eu vejo praticamente todos os dias.
Talvez seja também para preserva-lo. Dimitri me contou todas as vezes em que se apaixonou e não terminou nada bem.
Mas será mesmo se não valia a pena arriscar?
Depois da resposta que me deu, “só uma cerveja”, voltou a prestar atenção a aula. Mesmo olhando para professora, mesmo parecendo 100% atento… eu o pegava me olhando, me observando.
O que será que devia estar pensando?

Na hora da saída, continuamos conversando sobre nada demais. Nessa hora, nossos amigos juntaram-se a nos também, ou seja, não iríamos ficar falando sobre nosso suposto “encontro”.

  • Te vejo amanhã, Ayra. A gente se fala. – ele deu uma pequena ênfase no “a gente se fala”, que só eu pude perceber.
  • a gente se fala. – respondi, olhando-o. Meu coração estava acelerado de verdade. Parecia que iria saltar pela boca, até.
    Voltei pra casa, arrumei minhas coisas e quando estava terminando minhas tarefas, meu celular vibrou.
    Sem nem olhar quem era, um sorriso escapou pelos meus lábios.
    Peguei-o e ja vi na tela inicial: Dimitri. Ah, agora sim meu coração havia disparado de verdade.
    “Sexta, depois da aula a noite?”
    Sexta a noite fazíamos uma aula, também juntos.
    “fechado.” – respondi.
    De repente, cai em mim.
    Eu iria sair com ele. Eu iria sair com ele de verdade.
    “É só uma cerveja, ok? Não vá colocar suas esperanças lá em cima. Porque eu sei, é muito fácil se apaixonar por mim!” – Dimitri mandou.
    Sorri, enquanto o respondia.
    “Tarde demais”
    “Será?”
    Será? – eu repeti, pra mim mesma.

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