A Aposta – 10

Entramos em casa, joguei minhas chaves e minha mochila na mesa ao lado da porta e fui até a cozinha, pegar refrigerante pra gente. 
-Eu conversei com minha mãe hoje sobre o jantar de amanhã. Sobre você, e tal.. 
-E ai?
-Eu não sei o que fazer. Ela vai se mudar daqui, Noah. 
Na hora, deixei a geladeira bater e fiquei apenas olhando pra Gabriela. Eu ainda não tinha pensado na possibilidade disso acontecer com a separação de seus pais.
-E-Ela vai pra onde? 
-Deve ir pra Flórida, ficar perto dos meus avós, pais dela no caso, claro. 
-E o que você vai fazer? –Fui pra sala, me sentando no sofá e ela veio junto, se sentando em minha frente. 
-Eu não sei. Por isso vim pra cá conversar com você. 
-Seu pai..? 
-Ele vai continuar aqui, mas sem chances eu ficar com ele. Digo, sem chance mesmo. Ele é muito ocupado com trabalho, não cozinha e não sei como vai se virar sozinho. Mas né… Com ele não dá pra eu ficar. 
-E seu irmão? 
-Eu considerei isso, já que estou lá há uns dias. Mas meu irmão é só poucos anos mais velho que eu, e eu não sei se minha mãe vai deixar. 
-Céus.
-É.
-E o que disseram sobre o jantar?
-De boa. –Ela deu de ombros, tirando as sapatilhas e colocando os pés no sofá, com o joelho rente ao seu rosto. –Amanhã, 19h, na casa dos meus pais. 
Franzi o cenho, fazendo um som de ‘’nada bom’’ com a boca. 
-O que? É horário de aula, não é? 
-É. Mas tudo bem, eu mato, janto e depois vou pra lá. 
-Sério? 
-Sim, dias de terça é até 23h, então.. 
-Uau. 
-É. Você já jantou? –Perguntei virando a pizza pra abrir. 
-Já. Pode comer a vontade. –Ela continuou sentada no sofá, olhando a TV.
Comecei a comer, e a tomar meu refrigerante. Notei que Gabriela ficava me olhando de vez em quando, mas não me concentrei nisso. Eu precisava arrumar um jeito de fazer todos meus trabalhos de hoje pra amanhã. 
-Tem prova amanha? –Perguntei, limpando minha boca. 
-Sim, mas está tranquilo. Estudei a tarde toda e tal. 
-Ahn. 
-Eu contei pras meninas de você. 
-O que elas disseram? –Perguntei sorrindo, antes de tomar meu refrigerante.
-Taylor te achou o máximo, ne. As outras acharam legal a ideia! Vamos almoçar juntas amanha por que vamos passar o dia no colégio estudando. Quer vir conosco? 
-Acho melhor não.. 
-Ah, venha, por favor! 
-Certo. 
-Ótimo. Depois do almoço você vai fingir que está passando mal e a gente vai pra qualquer outro lugar.
-Mas ein? –Caí na gargalhada. –O plano não era estudar? 
-Eu estou cansada, Noah. 
Ela se levantou e foi até a janela, e continuou falando, apenas de lado, olhando pra rua: 
-Em casa, é o estresse dos meus pais. No meu irmão, eu falo com a parede. E no colégio, eu só estudo, estudo e estudo. Não aguento mais. Parece que uma coisa ruim vai puxando as outras sabe? Levantei-me, me aproximando dela. Fiquei atrás de Gabriela, massageando suas costas. 
-Eu preciso de um descanso. –Ela girou a cabeça enquanto eu tocava em seus ombros. 
-Vamos descansar lá em cima. 
-Não é má ideia.
Gabriela se virou aos poucos pra mim, e logo levou seus braços em meu pescoço, me abraçando. 
Ela se afastou um pouco, pra que eu pudesse colar mais do que urgentemente nossos lábios. Nossos beijos se intensificaram e logo peguei Gabriela no colo, levando-a pro quarto. 
Nossa noite só foi mais perfeita do que a primeira, por ela se lembrar dessa vez do que estava fazendo. E melhor ainda: ela realmente queria.

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