A Aposta – 3

-Gabriela, você quer que eu faça o que agora? Não tenho controle remoto não. Não posso voltar atrás na noite passada e evitar que você me chamasse pra cama.
-ISSO NUNCA MAIS VAI ACONTECER! NUNCA MAIS!
-É, porque até onde eu sei virgindade só se perde uma vez, né. –Eu ri pensando alto comigo mesmo. 
-SEU IDIOTA. –Ela me jogou o travesseiro. –CÉUS, MEUS PAIS VAO ME MATAR!
-Você não disse que eles estão se separando e que está na casa do seu irmão? Ent… 
-É SÓ LIGAR OS FATOS. MEU CORPO VAI MUDAR, MINHA MAE SEM TER QUEM CUIDAR, VULGO MEU PAI, VAI CAIR EM CIMA DE MIM E PRESTAR ATENÇÃO EM CADA PARTE DE MIM! E TEM MINHAS AMIGAS TAMBÉM, JESUS..
-É só você dizer que é a academia, sei lá. Ou que tomou um remédio novo.
-Ou.. –Ela deu um sorriso malicioso que me assustou. 
-Ou o que, garota? 
-Você vai fingir que está namorando comigo. 
-Vai dar no mesmo, Gabriela. Vão notar a parada do seu corpo e essas coisas.
-Pensa um pouco, Noah. Se eu tiver namorando, vão considerar normal. Você é meu namorado e tal. Se eles acharem que DO NADA to ficando assim, vão achar que tô me drogando ou sei lá!
-Ué, pensa pelo lado bom… 
-Noah, cala boca. –Nós começamos a rir. Rir mesmo. –Jesus, porque essas coisas sempre acontecem comigo.. 
-Você foi a escolhida. –Eu disse em uma voz motorizada e Gabriela caiu na gargalhada de novo. –Certo, mas eu só topo sob uma condição. 
-E qual seria? 
-Na frente dos seus parentes, amigos e nhenhezentos, eu sou seu namorado. Mas dentre quatro paredes, portas –suspirou –é só sexo. 
-Só sexo?
-Só sexo. 

-Então você gostou, não é? –Gabriela falou com um sorriso maroto, se levantando e eu apenas ri, corando.
Ela havia me pego de surpresa. Essa sim sabia jogar. 
-Tem algo pra fazer hoje? –Eu gritei, depois de ouvir a água do banheiro jorrar. 
-Eu nem sei. Acho que vou ficar no meu irmão, então só devo ter uns deveres e trabalhos pra fazer. 
-Posso te ajudar se quiser. –Pensei com um sorriso que deixei escapar. 
-É, é uma boa ideia.
Apesar d’eu ter gostado de Gabriela não posso falar que me lembro de tudo noite passada. E muito menos que gosto dela. Senão ela vai me culpar por ter perdido a virgindade com qualquer um, aí pronto. Tudo arruinado. A partir de agora, era como se a gente estivesse se conhecendo. De novo. Eu precisava mostrar pra ela quem realmente era –o que não seria muito difícil –pra que talvez, role a chance de ficarmos juntos. 
Ah, sei lá. Acho que to precipitando demais as coisas. 

-Onde está o remédio? 
Eu estava terminando de tomar café quando ela desceu com a mesma roupa da noite passada –mais bonita ainda, céus! –e ficou olhando na bancada da cozinha. 
-Na gaveta de baixo da cômoda, ali. –Apontei pra mesma. É claro que fingi que não vi quando ela virou pra trás e deu um tremendo olhadão pra meu abdômen.
Eu já havia me acostumado com essas olhadelas, apesar de soar convencido. 
-Seus pais não te ligaram ainda? –Ela fez que não com a cabeça –Nem seu irmão? 
-Me mandou uma mensagem perguntando se estava viva, e eu disse que sim na casa de uma amiga. 
-Certo. E como que vamos do nada falar que estamos namorando? 
-Vou dizer que estávamos nos encontrando já há um bom tempo. E eu não contei nada porque tinha vergonha. 
-E não é que você mente bem? 
-Sou sempre uma das melhores. –Ela sorriu, se sentando ao meu lado na mesa e servindo seu café. Naquela hora me deu uma vontade inexplicável de beijá-la novamente, só pra poder sentir o delicioso gosto de seus belos lábios macios. O cheiro de seu perfume já me embriagava e eu me segurava com aquelas suas Gabis pernas grossas de fora do short jeans. 
Calma aí, amiguinho. Só mais tarde. –pensei. 
-Você já deve estar acostumado, não é? 
-Acostumado com o que? 
-Garotas no seu pé, te abusando.. 
-Eu faço meu melhor. –Dei de ombros e ela me deu um tapa, rindo. –Como sabe disso? 
-Você é bonito e percebe-se que gostoso. Estou TODA dolorida, digo TODA mesmo, dói até partes do meu corpo que antes eu nem sabia que existia. Isso sem duvida foi sinal de que noite passada foi boa. 
-É, talvez. –Ela apenas voltou a tomar seu café, sem graça. 
-Não precisará ficar muito tempo grudado comigo, ok? Daqui há algumas semnas você já se livra de mim. 

-E se eu não quiser? 

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