Desamor

-O que tá acontecendo? – ele perguntou, se inclinando no balcão da cozinha, enquanto ela terminava seu café.
-Nada, por que? – respondeu, mas sem tirar seus olhos do jornal que lia.
Solidão.
Abandono.
Desprezo.
-Você tá diferente. Mal fala. Chega da faculdade, estuda, deita e dorme.
-Cansaço.
Raiva.
Perda de esperanças.
-Voce sempre diz isso. Vai continuar asssim?
Ela apenas suspirou fundo. Terminou seu café, levantou-se e disse:
-Preciso ir ou vou me atrasar. – falou, pondo a xícara na pia e saindo daquele lugar que sugava seu animo.
Estava insustentável.
Não dava mais.
As mentiras, os desencontros, as conversas sem sentido só pra se tapar o silencio.. Era hora de ir. Ela sabia. Mas estava esperando.
-Falou com ele? – O amante perguntou ao busca-la na porta de seu apartamento.
Traição.
Infidelidade.
Fuga.
Liberdade.
-Ainda não. – depois de um beijo rápido, seguiram para universidade, em silencio, só se ouvia uma música na rádio.
-Voce consegue fazer isso. – disse ele, segurando sua mão e apertando-a, ao parar na porta da faculdade.
-Te ligo mais tarde.
Ela saiu. Entrou na sala. O único lugar que sentia que podia ser ela mesma.
-Bom dia. O que há de novo? – Perguntou aos seus colegas assim que entrou na sala e os viu num canto.
-Desastre. Fome. Desamor. Raiva. Sede. – disse seu melhor amigo, ironico.
-Isso nao é novo. – sentou-se.
-Exatamente.
Suspirou.
Cansaço.
O professor entrou na sala. Antropologia. Falou, passou atividades. Saiu.
“Almoço hoje?” – seu celular vibrou em seu colo. Sorriu.
“Que horas?”
“12h te pego aí”
“Combinado” – respondeu.
No mesmo instante, outra mensagem chegou. Mas não da mesma pessoa.
“Quer ir no cinema hoje a tarde? Vou sair mais cedo..”
Revirou os olhos.
“Nao posso. Vou fazer trabalho na faculdade.”
Visualizada.
Não respondida.

-Entao, já tem ideia sobre o que vai ser o TCC? – perguntou ele, durante o almoço.
-Que tal infidelidade? – os dois riram da situação, mas de nervoso.
-É um bom tema. Mas que tal sobre seu livro?
Ele dizia sobre um romance que ela havia publicado há uns meses. Sucesso nacional e internacional.
-Odeio romances.
-Eu também. Principalmente os proibidos. – os dois riram de novo, se beijando.
Sentimento.
Honestidade.
Por volta de 17h, foi pra casa. Sabia que ele não estaria lá porque era hora do futebol, ou algo assim.
Desconfiança.
Tomou um banho. Arrumou suas coisas. Esperou.
Acabou cochilando no sofá e acordou com o barulho de chaves na porta.
-Oi. – disse ele, entrando no comodo.
Foi em sua direçao. Um beijo rapido.
Sem significado.
-Vou tomar um banho rápido pra tirar o suor. Ja volto.
Ela apenas assentiu, esperando. Ele sabia o que estava chegando.
20 minutos. Ele voltou. Sentou-se ao seu lado.
-Como foi a aula hoje?
-A gente precisa conversar…
Um olhar diferente. Assustado.
-Eu nao quero mais fazer isso.
-Como assim?
Suspírou.
=Eu nao quero mais. – repetiu.
-Mas.. -Parou. Gaguejou. Nao saiu mais nada por uns segundos. – Voce é tudo o que eu tenho. Fique, por favor, fique.
-Eu nao consigo mais. Eu amo voce, mas..
-Entao! O que há de errado? Eu posso consertar. Eu faço tudo por voce.
…eu nao estou mais apaixonada por voce.
Plavras engolidas.
-Voce sabe que eu mudo. Eu sempre fiz de tudo… Vamos tentar de novo, por favor. Eu nao posso te perder.
Suspiro.
Pena.
-Ta bom.
E então, ficou.
Mais uma vez.

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